Uma Princesa Esquecida
2 2. Perdi um sorvete...
Notas iniciais
- Ah é você... – disse um pouco seca secando as lagrimas que ainda restavam no meu rosto e pegando a mãe dele pra levantar – me desculpa, eu estava um pouco tonta
Ele me olhou de cima abaixo com um sorriso sarcástico no canto da boca – eu percebi, dava pra ver você cambaleando de longe, parece que aconteceu alguma coisa... pode ter sido com o dragão de fogo?
- De certa forma ele também tem haver com isso, mas eu preciso ir... – disse andando de novo sem rumo nenhum, eu andei alguns metros sem olhar pra trás, mas ainda conseguia sentir os olhos dele e o sorriso sarcástico em mim de longe. Dei uma volta sem rumo nenhum até sentir uma mão agarrando meu pulso, a mesma mão que me ajudou a levantar a pouco, Sting – o que você quer? Esta me seguindo? – disse irritada.
- Não eu só passei pela rua ali atrás e vim parar aqui, você não percebeu? Só deu a volta na rua, voltou praticamente aonde estava a 5 minutos atrás, esta tão mal assim a ponto de não saber nem aonde esta? – Ele disse com aquele sorriso no rosto que começou a me irritar, mas que de certa forma fazia com que eu me sentisse uma fraca porque sabia que ele estava certo – quer sentar e comer alguma coisa?
Eu olhei pra ele e o sorriso sarcastico já havia sido trocado por um sorriso gentil, eu sabia que depois que o Sting e o Rogue entraram pra guilda eles haviam mudado completamente, alguns diziam que na verdade eles só deixaram as mascaras caírem. Eu já não tinha o que fazer alem de andar sem rumo e pensar em coisas que não vão mudar em nada minha situação. Abaixei a cabeça e assenti envergonhada.
- Então vamos – ele soltou meu braço e começou a caminhar, antes que desse o segundo passo eu segurei a camiseta dele e comecei a acompanhá-lo, ele simplesmente olhou e deu uma risada como quem acha graça da situação enquanto eu corava.
Sting me comprou um sorvete e nós sentamos na beira do rio que corta Magnólia para conversar, eu já estava terminando o meu quando ele resolveu começar a falar – Eai porque estava chorando? – ele disse com o sorriso no rosto só de lembrar – algo me diz que você levou um fora do dragão de fogo.
- Fora? Não isso nunca aconteceu! – tentei falar desesperadamente deixando cair uma parte do meu sorvete no rio – olha você me fez perder o sorvete... – resmunguei.
- Quer o meu? – ele colocou o sorvete dele na minha frente e deu uma risada que perdeu a graça logo depois – então o que aconteceu?
Como eu conto pra ele que todo meu escândalo é porque as coisas simplesmente mudaram? Ele com certeza vai rir de mim, eu não posso falar algo assim... – onde esta o Rogue? – mudei de assunto e ele pareceu perceber.
- Acho que pegou um trabalho pra acabar com uma guilda das trevas, a Fairy Tail tem muitos trabalhos assim... Na Saberthood também tinha agora que eu parei pra pensar... – ele pareceu um pouco triste de repente – sabe, eu não gosto de mudanças e mudar pra Fairy Tail foi bem difícil pra mim, mas parece que pode ser divertido afinal tem pessoas que nem você lá – ele acariciou minha cabeça e deu um sorriso – não é?! – ele perguntou rindo como se soubesse a resposta.
“Quando foi que ele se tornou tão doce e meigo? Onde está o cara que quase matou o Natsu? Onde esta a pessoa de gênio forte e jeito arrogante? Onde está o grande dragão branco que matou o próprio dragão que o criou? O que aconteceu com essa pessoa? Será possível que as coisas mudem tanto assim? Ou será que é verdade que ele sempre foi assim?”
Eu o encarei admirada, talvez todos tenham mudado menos eu – você mudou... bastante – falei em um tom baixo me arrependendo de não ser como ele.
Ele apenas sorriu e se levantou – vamos? Eu preciso pegar outro trabalho e você precisa voltar a andar sem rumo não é? – ele estendeu a mão.
- Hai – falei sorrindo enquanto pegava a mão dele – você vai pegar um trabalho?
- sim, eu queria que o Rogue fosse, mas imagino que ele possa demorar já que o lugar é longe daqui – ele fez uma expressão de raiva ao lembrar – então acho que vou sozinho... – ele sorriu convidativo, como quem tivesse acabado de ler meus pensamentos.
- eu... posso ir? – disse baixinho, era uma vergonha enorme dizer aquilo – você não parece querer ir sozinho então... EU VOU COM VOCÊ – disse confiante.
Ele retorceu o corpo para esticar os músculos e me olhou com um pouco de desdém – eu finalmente estou entendendo um pouco aquele cara, você emana isso... – ele passou a mão sobre meu cabelo e depois abaixou um pouco o olhar como quem se perdesse em alguma memória – então você vai comigo? – ele sorriu com um ar brincalhão no rosto – já que é assim então vou precisar de uma autorização dos seus pais, uma cópia do seu relatório médico, o seu currículo escolar, o seu tipo de sangue e... – ele estava prestes a falar mais olhou pra minha cara irritada e não segurou as risadas.
- Você esta tirando com a minha cara (humph) – bufei batendo o pé enquanto ouvia as altas risadas do Sting – escolha um trabalho e me encontre aqui as 8 – disse como quem da ordens a um cachorro.
Ele sorriu e se virou indo embora — as 8 né? — ele disse ao longe como se não quisesse uma resposta.
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