Uma Porta Para Outro Mundo
2 Ye! Adoro Entradas Em Grande!
Notas iniciais
Este cap está em português de Portugal para não baralhar tudo! >.
Vejo vocês lá em baixo! ♥
Quando volto a mim continuo de olhos fechados, apenas a apreciar a suavidade do local onde estou deitada.
- Ela vai ficar bem? – ouço uma voz de criança perguntar baixinho, uma voz bem parecida com a da minha Nee-chan.
Tento abrir os olhos para poder olhar para a pequena e dizer-lhe que estou bem, que não se precisa preocupar mas sinto o corpo mole demais para isso. A única coisa que consigo fazer é apertar os olhos com força para tentar afastar a terrível dor de cabeça que sinto e resmungo algo que nem eu entendi.
- Vejam! Ela está a mexer-se!
Nesse momento congelo de nervosismo. Uma voz masculina? Qual das minhas amigas é que chamou o vizinho para a “festa” e não me avisou? Mas espera… esta voz não é do vizinho… é diferente… mas mesmo assim acho que a conheço.
Consigo distinguir o som de vários passos na direção da minha cama e começo a ficar assustada quando a única coisa que ouço são vozes masculinas. Aperto os lençóis por entre os dedos para tentar afastar o medo e nervosismo mas parece que esse simples ato é notado por alguém no grupo.
- Afastem-se dela um pouco! – uma voz feminina! Finalmente… — Será que está a ter um pesadelo?
Volto a tentar abrir os olhos e desta vez sou bem sucedida apesar do esforço ao inicio. A primeira coisa que vejo são dois olhos dourados e um cabelo ruivo rebelde.
- Ahhhh! – grito de susto e desvio-me quase caindo da cama (que afinal é uma maca da enfermaria).
- Assustaste-a Kao-chan – ouço novamente a voz de criança e fico dececionada ao ver que se tratava de um menininho loiro abraçado a um coelho rosado.
Aos poucos vou reconhecendo todas as caras ao meu redor e podem ter certeza, se eu não estivesse tão confusa desmaiava de emoção.
- V-V-Vocês – gaguejo sem saber ao certo o que dizer. Respiro fundo e volto a tentar – Onde é que eu estou?
De repente sou abraçada por alguém de forma dramática e quase que fico sem ar.
- Pobrezinha… Perdeu as memórias e agora está sozinha num mundo desconhecido e…
- Ai! Tamaki-sempai assim não vou conseguir respirar! – reclamo tentando libertar-me do seu abraço de urso.
Sei que esta frase foi dita sem pensar mas… poxa! Eu estava a ficar sem ar né? Mas ao que parece ele correspondeu ao nome, o que me deixou ainda mais curiosa.
- Como é que sabes o meu nome? Nunca te vi na escola! Ah! A minha fama de Rei dos Hosts nunca me abandona!
De onde vieram tantas rosas?! Ou melhor, que sonho é este? Num momento estou a cair no meio da escuridão total e no momento seguinte estou na enfermaria com todo o Host Club?!
- Isto é um sonho…? – pergunto de forma inocente – Estou confusa… — murmuro observando os meus dedos brincarem com o tecido leve e branco dos lençóis.
Sinto um puxão na minha bochecha e levo a mão até lá rapidamente. Ao olhar para o meu lado direito vejo outro ruivo que me olha entediado.
- Ai! Para que foi isso?! – reclamo zangada.
- Para tu acordares! Agora que já viste que não estás num sonho podes deixar de dizer coisas estranhas?
Fuzilo o ruivo com o olhar por um instante e assim que encontro os olhos grandes chocolate de Haruhi corro até ela e peço:
- Haruhi-chan! Salva-me destes doidos!
- Tu também sabes meu nome? – pergunta surpresa.
- Como não saber? Tu é a protagonista! Eu adoro o teu jeito inocente! – digo mais animada enquanto sorria agarrada ao seu braço.
- “A protagonista”…?! Sabes o segredo dela então… acho bom que não contes para ninguém porque nesse caso sei obrigado a envia a polícia do… – falou Kyouya-sempai ajeitando os óculos fazendo que estes reluzissem, mas eu não o deixei terminar.
- Eu já sei disso tudo mas, sinceramente, eu nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas! Haruhi-chan é tão gentil, simpática, linda, humilde e tudo mais! Ela é magnífica! Como é que eu podia terminar com a história que me prendeu durante tantas horas?
Nesse altura já todos estavam mais confusos que eu e Haru-chan estava corada com tantos elogios.
- O que queres dizer com história? – pergunta Tamaki-sempai.
- Acho que ela bateu a cabeça muito forte… — murmuram os gémeos em conjunto.
- Eu ouvi isso! – aviso.
- Ei! – sinto alguém puxar barrada da minha blusa levemente – Como te chamas?
Baixo-me para ver melhor o menino loiro e sorrio-lhe de forma carinhosa.
- O meu nome é Mia! E tu és realmente muito kawaii Honey-sempai!
Ele sorri feliz. Levanto-me para continuar a falar com os outros mas o baixinho não me deixou desviar a atenção dele. Ele pega na minha mão fazendo com que eu voltasse a olhá-lo e continua com as perguntas.
- Tu não és daqui, pois não Mia-chan?
Eu nego com um aceno de cabeça e ele volta a falar.
- De onde vens? – pergunta o pequeno curioso.
Olho para cima sem saber o que responder e murmuro baixinho:
- Do mundo real, talvez…
Acho que ele me ouviu porque fez uma cara de espanto e apertou a minha mão com força. Volto a olhá-lo e de um momento para o outro o seu coelhinho tornou-se muito interessante.
- Sabes… tu lembras-me muito uma pessoa – falo com um sorriso, tentando desanuviar a situação.
- Sério? Quem? – pergunta mais animado.
- A minha irmã. Ela é muito parecida contigo e tenho certeza que ela adoraria estar agora no meu lugar porque tu és o seu ídolo!
Ele fica levemente corado e sorri contente com a revelação. Continuamos de mãos dadas mas desta vez olho para os outros mais séria. Não sei a certo o que dizer ou o que perguntar mas algo que anda às voltas na minha cabeça foi a primeira coisa a sair.
- O que é que aconteceu?
- Bem… — Haru-chan começa tentando relembrar algo – Nós estávamos prontos para abrir o Host Club quando de repente tu caíste em cima de um dos sofás, vinda de sabe-Deus-onde, e como não sabíamos o que é que tinhas os rapazes carregaram-te até cá. Sim, acho que foi isso mesmo.
Ela desvia o olhar para mim mas eu não a olho nos olhos. Deixo a minha franja loira cair fazendo com que escondesse grande parte do meu rosto, inclusive as minhas bochechas vermelhas. Sinto ela cutucar o meu ombro mas eu apenas apoio a minha testa no dela (N/A: no ombro, para quem não entendeu) e murmuro.
- Por favor, diz que eu não abracei ninguém…
Ela não diz nada e apenas ri nervosa.
- Ai… Eu abracei não foi? – digo mais alto levantando a cabeça e deixando bem visíveis as minhas bochechas coradas. – Gomenne minna-san! Não foi de propósito! Eu tenho esta mania de abraçar coisas enquanto durmo… odeio quando isto acontece! – digo cada vez mais corada fazendo várias reverencias de olhos fechados.
Ao abrir os olhos novamente, ainda corada, vejo um ruivo completamente corado encarando a parede irritado enquanto o irmão o olhava com cara de riso. Entendi tudo no mesmo instante.
- Gomenasai Kaoru-san! – desculpo-me novamente.
- Também sabes distingui-los?! – pergunta Tamaki-sempai surpreso – Mas afinal o que é que tu não sabes sobre nós?
- Hum… -fico pensativa – Acho que nunca consegui descobrir o nome da irmã do Kyouya-sempai, mas não me vem mais nada em mente.
Novamente um silencio que me deixa constrangida e sorrio sem envergonhada.
- Ahm… minna… podemos sair daqui agora? Nunca gostei muito de locais assim.
Depois de sairmos da enfermaria eles decidem levar-me até ao Host Club! Sala de música abandonada que é o sonho de todas as otakus fãs de OHSHC, aqui vou eu! Ai, é tanta emoção numa pessoa só! “Controla-te Mia! Tu não és assim espalhafatosa! Esse é o Tamaki-sempai!”, ouço minha consciência e tento obedecer-lhe apesar do nervosismo.
Já dentro da sala do Host Club eles recomeçam o interrogatório (com direito a luz na cara e tudo!).
- O teu nome? – pergunta Tamaki com uma farda de policia vestida (onde é que ele arranjou isto?!).
- Mia – respondo com os olhos semicerrados por conta da luz forte.
- De onde vieste?
- Ahm… isso é difícil de explicar…
- Temos tempo.
- Então… imaginem que eu vivo no mundo real e que atravessei um portal para outra dimensão onde se passa um anime de que eu gosto muito e que por acaso vocês são os personagens – digo tudo de uma vez, meio encolhida – Vocês acreditaria em mim?
Todos me encaram como se eu fosse uma louca que fugiu do manicómio.
- Não me olhem assim! Eu disse que era difícil de explicar! – reclamo chateada.
- Vamos levá-la de volta para a enfermaria… Ela bateu a cabeça com muita força… — murmura Honey-sempai e Mori-sempai concorda com alguns acenos de cabeça.
- É verdade minna! Eu posso provar que não estou a mentir!
Retiro do bolso das calças minha pen com formato de tablete de chocolate e peço que me emprestem um computador ou portátil. Assim que consigo um trato de ligar a pen. Se este é o mundo deles de certeza que não existe nenhum site com este anime por isso, por sorte, ainda bem que guardei todos os vídeos. Vai ser bem útil agora.
(…)
Passamos algum tempo a assistir ao primeiro episódio e parece que finalmente eles acreditam em mim.
- No meu mundo, ou vida real, como preferirem, a vossa realidade é um anime visto por milhares de pessoas e com vários fãs doidos por uma nova temporada. Tudo o que vocês já passaram desde a chegada da Haru-chan foi visto por todo o mundo real!
- Então estás a dizer que eu não existo? Que não sou ninguém? Nada mais que um simples desenho… — Tamaki-sempai e o seu cantinho da depressão.
Sinto-me um pouco culpada por deixá-lo assim então tento ajudar.
- Mas vê bem Tamaki-sempai. Por outro lado vocês têm o dobro ou até talvez o triplo de fãs se juntarem as do Ouran com todos os que viram o anime na vida real. Além disso várias pessoas, mesmo achando que és um pouco idiota, torcem para que fiques com a Haru-chan!
Parece que minha missão foi bem sucedida porque logo ele volta a dançar pelo salão sendo seguido por uma imensa chuva de rosas e brilhos. Ele nem reparou que o chameio de idiota indiretamente! Apesar de eu achar que a Haru-chan fica bem melhor com o Hikaru-san.
- Mia-chan! – ouço Honey-sempai chamar-me – A tua irmã ficou no mundo real? Como é que vais voltar a vê-la?
Desanimo um pouco com essas frases em mente. Será que eu vou conseguir voltar para o mundo real? Passou apenas meia hora e já tenho saudades daquele bando de retardadas que animam a minha vida! E a Gabi? Será que vai sentir a minha falta? É claro que sim! Ai… como pude deixar a minha irmã para trás?! Sou a única pessoa em quem ela confia verdadeiramente! Tenho quase certeza que fará alguma loucura e várias birras para tentar convencer as outras a virem buscar-me…!
- Quem me dera que a Gabi-nee-chan estivesse aqui comigo… — murmuro triste e Honey-sempai também parece desanimar um pouco.
De repente ouvimos gritos ecoarem pelas paredes do salão. Gritos abafados e longínquos que cada vez eram mais próximos, como se algo estivesse a cair. Olho para cima e vejo algo pequeno e branco cair rapidamente na minha direção à medida que se torna maior. Consigo ver que se trata de uma menina mas poucos segundos depois sou derrubada no chão pelo corpo em queda. “Ai… Bater a cabeça no chão está a virar rotina!” resmungo mentalmente de olhos fechados enquanto massageava a minha cabeça.
Quem quer que tenha caído em cima de mim começou a saltar e a gritar contente o meu nome.
- Nee-chan! Tu está bem!
Assim que ouço esta voz abro os olhos com o coração aos saltos e sinto uns braços pequenos apertarem o meu pescoço com medo.
- Gabi? – levanto-me com a pequena ao colo e abraço-a – Tu saltaste sozinha? Não devias ter vindo atrás de mim! Ainda não sei como voltar!
Todos observam a cena curiosos. E Honey-sempai aproxima-se de nós.
- Mia-chan? Esta é a tua irmã? Vocês são bem parecidas!
A Gabi olha para baixo fitando o menino loiro surpresa. Logo depois afasta-se um pouco do meu abraço e olha em redor confirmando as suas suspeitas.
- Estamos mesmo dentro do anime? – pergunta ainda sem acreditar.
Apenas confirmo com um aceno de cabeça e ela salta do meu colo caindo de pé com delicadeza (pela segunda vez hoje), assume a sua expressão séria e indiferente de sempre e pega na minha mão. Apesar de não demostrar, consigo sentir através do seu toque que está preocupada, tanto quanto eu.
- Bem minna-san… esta é minha irmã e sei que pode não parecer mas ela é mais velha que eu, assim como Honey-sempai – explico um sorriso.
- Uau! Ela é tão kawaii! – exclama Tamaki-sempai apertando as bochechas rosadas da pequena.
Ela não diz nada. Apenas bate nas mãos do loiro para avisar que não estava a gostar de ser apertada como um peluche e depois olha para cima pensativa.
- Que foi Gabi-chan? – pergunto.
- Vêm aí… — murmura começando a afastar-se do local onde estávamos puxando-me e aos loiros com ela.
- O que é que vem aí? – insisto.
- Espera só uns segundos Nee-chan! – diz de forma kawaii para mim o que faz os outros ficarem com uma gota na cabeça pela mudança repentina de humor.
Um ou dois segundos depois, com todos em silêncio, conseguimos voltar a ouvir o barulho de gritos que se aproximam gradualmente. Volto a olhar para cima e vejo quatro figuras coloridas a cair em direção ao sofá onde eu estava sentada antes. Pelo que parece as minhas amigas doidas são tão perfecionistas que caiem de qualquer maneira. Bem, vou descrever a figura delas neste momento. Liza-chan caiu sentada numa das pontas do sofá enquanto que a irmã ficou “pendurada” no encosto deste, Ana-san caiu de cabeça para baixo ficando com as pernas apoiadas no encosto e as costas no assento e Carol-chan caiu de pé mas acabou por perder o equilíbrio e cair para a frente.
- Ye! Adoro entradas em grande! – exclama Ana ainda de cabeça para baixo enquanto abana os braços como se estivesse num concerto.
- Ai! Acho que parti alguma coisa… — resmunga Lena escorregando do encosto do sofá para trás deste.
- Estás bem Nee-chan? – pergunta Liza espreitando para trás do sofá com toda aquela preocupação melodramática de quando quer ser sarcástica.
Silencio durante um segundo e a ruiva mais nova faz uma cara ofendida e grita:
- Acho bem que baixes esse dedo!
- Elas também são tuas amigas…? – ouço uma voz feminina sussurrar no meu ouvido.
- Sim, Haru-chan… — confirmo suspirando cansada em seguida.
Largo a mão da minha irmã entregando-a à morena ao meu lado e dou uns passos em frente, em direção ao sofá onde estão as quatro malucas que não sabem pensar se existe algo perigoso no fim da queda! Ai que raiva! Porque é que tenho sempre que ser eu a preocupar-me com tudo?!
- O que é que vocês fazem aqui?! – grito para elas me ouvirem no meio da confusão que elas próprias criaram.
Todas se viram para mim e começam a sorrir gradualmente como se eu fosse uma das Grandes Maravilhas do Mundo.
Viro-me rapidamente para trás fazendo gestos rápidos para todos taparem os ouvidos e volto a virar-me para a frente. Nem dois segundos passam e já estou no chão com uma montanha viva de peso em cima e gritos histéricos de emoção. Estas gordas!
- Saiam de cima de mim! – reclamo enquanto tento mexer-me.
Nada feito. Mas passado um pouco elas sentam-se ao meu redor enquanto continuavam a conversar comigo coisas sem sentido porque as misturas de vozes não me deixavam perceber uma única palavra do que diziam.
- Pensávamos que tinhas morrido! – exclama Ana-san enquanto me volta a abraçar com força. – Nunca mais voltes a pregar-nos um susto destes Mamã!
“Mamã”?! É nestes momentos que percebo como o Kyouya-sempai se sente…
- Quê?! Mas foste tu que me empurraste! – exclamo indignada.
A morena larga-me e começa a rir nervosa.
- Pois foi… Gomene Mia-chan!
- Mia-chan! – sinto uns bracinhos ao redor do meu pescoço e reconheço o coelhinho do Honey-sempai encostado à minha cara – Quem são estas meninas?
- Ah! Honey-sempai! Estas são as minhas amigas do mundo real. Ana-san, Liza-chan e Lena-chan e Carol-chan! – apresento-as enquanto vão acenando para o pequeno.
- Espera aí! Se este é o Honey-sempai então…
Todas olham para trás de mim e começam a ficar com os olhos brilhantes.
- Então aquela porta era mesmo um portal?! – pergunta Carol animada.
- Ao que parece, sim… — respondo.
Notas finais
Comentem onegai! T^T
Cherry Kisses! ♥
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