Uma Pestinha Em Minha Vida
10 Um toque de nostalgia e sorvete!
Notas iniciais
– Não acredito Lucy, você é uma figura mesmo! – Levy se matava de rir do outro lado da linha.
– Não ria! Você não tem ideia do desespero que eu passei!
– Mas Lu-chan, imaginar você acertando uma pessoa com um extintor voador é muito engraçado! Eu preciso logo ligar pra Erza e contar tudo isso! – ria mais ainda. Definitivamente, eu não devia ter ligado pra Levy pra contar sobre os acontecimentos de agora a pouco. – E o Natsu te ajudando? Own, isso foi muito fofo da parte dele! Vocês formam um casal tão fofo!
– Levy! Pare com isso! Ele tem namorada, você sabe muito bem disso, e eu não gosto dele! Pare de shippar a gente!
– Nem me lembre daquela vaca! Mas não vou deixar de shippar vocês! Vocês foram feitos um pro outro! Só tem uma coisinha ou outra que atrapalhe, você precisa tomar uma iniciativa logo, fazer algo a respeito!
– Nem que a vaca tussa! – bufei. Levy, quando enfia uma ideia na cabeça, não a tira tão cedo. – Vou dormir, Levy, foi um dia bem cansativo e amanhã de manhã tenho cooper com a Erza, boa noite.
– Boa noite, futura senhora Dragneel!
– Cala a boca! – desliguei o telefone.
Lucy Dragneel... Até que gosto de como isso soa... O QUE??? Lucy, tá maluca? Esse cara só te perturba! Ok, ele foi muito legal me salvando da Mavis e do Sting, mas ele é muito irritante e idiota! Sem chances! E ainda tem a Lisanna! Como é que Natsu pode ter tanto mau gosto? Ainda bem que amanhã é sábado e não terei que aturar Lisanna se esfregando em seu namorado na minha frente. Na boa, isso é repugnante! E eu não estou com ciúmes!
[...]
– Soube que está tomando conta da Mavis. – Erza comentou enquanto corríamos pelo parque. – Você é masoquista? – Pronto! Estava demorando a aparecer algum comentário estilo Natsu!
– Claro que não sou masoquista, Erza! Eu só quero uma graninha a mais! Vamos parar um pouco, preciso me alongar.
Paramos e começamos a nos alongar. Isso era até que bastante nostálgico. Lembro-me de quando éramos pequenas e apostávamos corrida sempre para ver quem pagava o sorvete, sempre neste mesmo parque. Lembro-me também de que eu sempre perdia as corridas. Erza era sempre imbatível! Na verdade, até hoje é, só havia uma pessoa que era boba o suficiente de bater de frente com Erza e que estava ao nível dela em todas as competições, era muito divertido vê-lo irritando-a. Não pude evitar abrir um sorriso. Quando se sente saudades, quer dizer que realmente valeu a pena. E por falar em nostalgia...
– Erza, como vai Jellal?
Erza, que bebia de sua garrafa d’água, engasgou e começou a tossir desesperadamente. Claro, como uma ótima amiga, fiquei ali, me matando de rir da situação.
– Ora, nem me lembre daquele bastardo! – comentou raivosa e levemente corada. – Acredita que ele me ligou às 3 da manhã apenas para me falar que sonhou com o capeta e lembrou de mim? Aquele idiota! – esmagou a garrafa em suas mãos sem perceber. Vish...
Jellal é um amigo nosso de infância. Desde pequeno ele gosta de importunar Erza de todas as maneiras possíveis, mas sei que ele faz isso porque é perdidamente apaixonado por ela e que é correspondido. Isto está claro até para um cego, menos, é claro, para esses dois bananas! No momento, Jellal está de intercâmbio para o México.
– Ele deve te amar muito mesmo para fazer uma ligação internacional só para dizer que se lembrou de você. – alfinetei.
– O QUE VOCÊ QUER DIZER COM ISSO?! – gritou com o rosto da mesma cor que seus cabelos, só não sabia se o motivo disto era vergonha por eu ter dito que Jellal a amava ou se era raiva por eu ter, supostamente, dito que ela lembrava o capeta. Ambos os motivos a levariam a raiva, porque lógico, é orgulhosa demais para admitir que está perdidamente apaixonada por Jellal, o que significa que estou numa mega enrascada!
– Que... – vamos, Lucy, pensa em alguma coisa! Ai meu deus! Erza tá fumaceando! Não dá mais tempo de falar alguma coisa, CORRE LUCY! – ERZA, NÃO ME MATAAAAAAAAAAAAA! – saí correndo e berrando desesperada.
– LUCY, EU VOU TE MATAR!
[...]
– Me empurra, tia Lucy! – Mavis pedia empolgada ao se jogar no primeiro balanço vago que viu.
– Tudo bem.
Pedi a Grandine para levar Mavis ao parque que sempre pratico cooper com Erza. Acho que seria bom pra pequena sair um pouco hoje, sabe, o dia está maravilhoso, seria um desperdício passar a tarde trancada em casa com essa pestinha. Grandine se animou tanto com a ideia que disse que eu podia levar Mavis para sair sempre que eu quisesse sem precisar de permissão. Uia, ela gosta mesmo que eu tome conta da pestinha.
– Olhe, não é a Lucy lá na frente? – ouvi uma voz conhecida ao longe.
– E-Eu não acho que seja uma boa ideia meu am... – infelizmente, outra voz conhecida, mas a mesma foi interrompida por um grito muito exagerado.
– LUCY!!!!!!!! – era Natsu. Seu grito acabou me distraindo por um momento, mas tempo suficiente de me esquecer de que estava empurrando uma criança em um balanço e o mesmo acertar a minha cabeça.
– AI! Poxa, Natsu, isso foi mesmo necessário? – falei massageando meu mais novo galo.
– Não tenho culpa se você é tão distraída. – disse por fim, dando de ombros e gargalhando.
– TIO NATSU! – Mavis pulou do balanço e abraçou Natsu com a maior alegria do mundo. Tenho que admitir, isso era fofo de se ver.
– E aí, baixinha? – perguntou enquanto bagunçava os cabelos da criança.
Pouco mais atrás de Natsu, pude ver Lisanna se aproximando. Esta trazia no rosto um sorriso de escárnio. Deve ser por causa do balanço que acertou minha cabeça. Aposto que ela só não estava rindo descontroladamente porque Natsu estava aqui, e ela, obviamente, quer passar a imagem de menina boazinha para ele.
– Você está bem, Lucy? – perguntou com o sorriso preocupado mais falso do mundo.
– Estou sim, obrigada por perguntar. – respondi sem ânimo ainda massageando o galo recém-formado.
No segundo seguinte, algo estranho aconteceu. Lisanna e Mavis cruzaram os olhares e uma expressão levemente espantada, mas claramente desconfortável apareceu em seus rostos. Essas duas já se conhecem?
– Oi Mavis! Como está, querida? – Lisanna se pronunciou com um sorriso extremamente falso.
– Bem, Lisanna. – respondeu a contra gosto. Eita. Mavis sempre usa o "tio" ou "tia" pra se referir a uma pessoa mais velha que ela, encaro isso como uma forma carinhosa de chamar, mas ela não usou o "tia" com a Lisanna, tem alguma coisa estranha aí. – Tia Lucy, tio Natsu, vamos tomar um sorvete? – perguntou com os olhos brilhando olhando para nós dois com cara de cachorro que caiu da mudança. Vi Lisanna fechar a cara e encarar feio Mavis por ter sido excluída.
– Fica pra próxima, Mavis, eu e Lisanna vamos sair agora. – Natsu riu e voltou a bagunçar os cabelos da baixinha. – Divirta-se, Lucy! – piscou para mim e voltou para a companhia da piranha. Ainda bem que Natsu estava de costas para Lisanna, pois se ela tivesse visto esta piscadela, com certeza eu seria uma garota morta agora.
– Lucy, será que podemos voltar ao que estávamos fazendo antes? – perguntou vendo com desgosto Lisanna se afastar grudada no braço esquerdo de Natsu. Não sei por que, mas isto me incomodou um pouco. Mas com certeza incomodou muito mais a Mavis, já que ela nem mesmo me chamou de “tia Lucy”.
[...]
– Está tudo bem, Mavis? – perguntei observando-a. – Você não está falando, pulando ou sorrindo. Mal tocou em seu sorvete!
Desde aquele acontecimento de minutos atrás, Mavis estava distante e levemente irritada, isso definitivamente não era normal, Mavis é uma menina sorridente em qualquer situação. Tomei um pouco de meu sorvete de morango enquanto aguardava sua resposta.
– Não gosto dela. – disse simplesmente, após tomar um pouco de seu sorvete de chocolate. – Ela não é uma boa namorada pro tio Natsu, ela tem um sorriso falso! E é muito metida, não gosto dela.
Fiquei encarando-a atônita por alguns instantes. Não pude evitar de um sorriso se formar em meu rosto. Então ela também não gostava de Lisanna? Estou começando a gostar desta garota.
– Sim, ela realmente é. Não acredito que ela já foi minha melhor amiga.
– Sério, tia Lucy? Como você pode ter sido amiga dela um dia? – me perguntou totalmente surpresa.
– Ela nem sempre foi falsa desse jeito. Não sei o que aconteceu, mas ela mudou muito. Às vezes sinto falta da antiga Lisanna – falei terminando minha casquinha. Mavis ficou me olhando por alguns segundos e abriu um sorriso. Não o sorriso sapeca que sempre usava, mas um sorriso sincero.
– Você é uma boa moça, Lucy.
– Obrigada, Mavis. – Agradeci meio surpresa ao ouvir isso.
– Você seria uma namorada muito melhor pro Natsu do que a Lisanna. – desta vez, voltou a usar o sorriso sapeca.
– Mavis! – gritei completamente constrangida. – Não diga uma coisa dessas! Eu nem gosto dele!
– Ah, mas vocês formam um casal tão bonitinho! É muito engraçada a cara que você faz quando ele te chama de estranha e te ajuda a arrumar a casa...
Espera aí!
– Eu não tinha mandado você ir pro seu quarto àquela hora? – perguntei constrangida pelo seu comentário, mas levemente brava por ela ter me espionado.
– Você acha mesmo que eu iria pro meu quarto assim de graça? Ver vocês dois trabalhando juntos era muito mais interessante. O jeito que ele te olhava enquanto você não olhava era tão fofo! – falou com um tom sonhador.
Espera aí de novo!
– Epa, epa epa! Pode parar por aí! Agora vamos pra casa que já está ficando tarde!
– Ah, tia Lucy! – choramingou.
– E vamos logo, antes que eu mate o resto da sua casquinha! – ameacei.
– Tá bom. – falou emburrada. – Mas pode apostar, vocês dois ainda vão ficar juntos!
– Quer mesmo perder sua casquinha? – a encarei, arqueando uma sobrancelha.
– Não!
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