Uma Pestinha Em Minha Vida
6 Surpresa! Onde é que eu estava com a cabeça?
Notas iniciais
Encarava a casa à minha frente. Estava particularmente feliz, foi uma manhã agradável no colégio, considerando o fato de que Sting, meio que a contra gosto, tornou-se mais popular do que gostaria, impedindo-o de ficar sozinho comigo em qualquer momento, o que era ótimo, Lisanna ainda me encarava feio devido ao pequeno incidente no banheiro feminino ontem, mas sempre que ela ameaçava fazer algo contra mim, Natsu a acalmava. Por falar em Natsu, ele estava evitando me encarar hoje, o que foi meio estranho, considerando o fato de que ele foi super gentil comigo quando nos conhecemos e quando ele supostamente me matou, quando me apresentou ao Gray, e sempre que esbarrávamos, ele desconversava ou falava algo sem sentido com a voz tremida, mas pensando bem, ele ainda devia estar sem graça por conta de ontem, e eu também! Qual é, o cara viu meu decote mais do que deveria e eu não duvido nada de ele ter visto mais do que eu imagino, já que o chão estava molhado e minha blusa era branca... AI MEU DEUS!!! Voltando à parte em que eu estava feliz, foi um bom dia no colégio e o endereço batia exatamente com o que a senhora Marvell havia me passado quando retornei a ligação. A cor bege bem aconchegante e as floreiras nas janelas com begônias floridas davam um ar bem agradável a aquele sobrado. Devia ser um lugar agradável para viver. Se eu pegar mais serviços com a senhora Marvell, vai ser ótimo, porque é bem próximo ao meu apartamento. Desliguei a música que ouvia e guardei meus fones na mochila que trazia junto comigo. Para não me atrasar, saí do colégio e vim direto para o local combinado. Respirei fundo e apertei a campainha.
– Só um segundo! Filha, você pode atender? – ouvi a senhora Marvell gritar.
Estava ansiosa, meu primeiro serviço oficial como babá! Como será a criança que terei que cuidar? Durante a ligação, a senhora Marvell não deu grandes detalhes sobre a criança, tudo que eu sei é que é uma menina de dez anos. Deve ser uma criança adorável, afinal, esta é a fama dos Marvell, aqui em Magnólia, todos os membros desta família são de uma educação e uma gentileza que raramente se encontra hoje em dia. Isso vai ser fácil. Seria a famosa Wendy Marvell, prima da Levy?
Então ouvi a porta sendo destrancada e abri um sorriso. Mas no mesmo instante em que a porta foi aberta, meu sorriso morreu. O que é está acontecendo aqui?
– TIA LUCY!!!! – a garotinha pulou em meu pescoço, num abraço que me derrubou no chão, levando-a junto comigo. – Estava com saudades de você!
Isto é alguma pegadinha? Ok, Levy, pode sair de onde quer que você esteja escondida com uma câmera! Não tem graça! Por que ela está aqui? Anotei o endereço errado?
– Oh, Lucy, que bom que chegou! – vi uma mulher com cabelos azulados, vestida com uma roupa social muito elegante e com uma maquiagem leve. Grandine Marvell. – Vejo que minha filha gostou de você. – falou com um tom de voz gentil. ESPERA AÍ, ELA é uma Marvell? Seu sobrenome não era Vermillion?
– M-Mavis é sua filha? – falei ainda tentando me recuperar do choque e me levantando, o que fiz com dificuldades, porque a pestinha ainda estava agarrada na minha perna! Sei que não foi nada conveniente perguntar isso, mas não pude evitar, não faz sentido!
– Sim. – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Nós a adotamos há dois anos, não é, Mavis? – falou com um sorriso gentil para a criança. Isso explica a semelhança inexistente.
– Sim, mãe! – falou pulando de minha perna para a perna de Grandine.
– Obrigada de novo por vir, Lucy. Fizemos compras ontem, então a despensa está cheia de mantimentos, sabe cozinhar? – assenti ainda chocada. – Ótimo, pegue no pé desta mocinha para ela fazer o dever de casa, não a deixe ver TV até muito tarde, qualquer dúvida, meu número está anotado na geladeira, devo voltar por volta das 22:00, boa sorte! – falou verificando a bolsa, caso estivesse esquecendo alguma coisa.
– Não vou desapontá-la, senhora Marvell. – falei com meu melhor sorriso abraçando Mavis.
– É assim que se fala! Até mais tarde meninas! – falou indo para seu carro importado e indo para seu escritório. Comentei que Grandine é uma advogada de sucesso? Mas o fato de que, ter duas filhas, ser tão jovem e já viúva, a faz trabalhar mais que deveria, trabalha normalmente até depois do expediente, ora em escritório, ora em jantares com clientes. Por fazer de tudo para dar uma vida digna às filhas, é certamente uma mulher que merece respeito.
A observei partir ainda com um sorriso no rosto e abraçando Mavis. Por fora eu estava confiante, para passar uma boa impressão para Grandine Marvell, mas por dentro eu estava completamente apavorada! Ok que já consegui tomar conta de Mavis uma vez, mas aquilo foi completamente traumático!
– Gosto do seu abraço, tia Lucy. – falou como um verdadeiro anjo. Se eu não soubesse a peste que ela é, realmente teria acreditado e feito algum comentário mega fofo.
– Que bom que gosta, Mavis... Então, o que quer fazer? – falei tentando não parecer nervosa.
– VIDEO-GAME!!!!!!!!
[...]
– Há, ganhei de novo! 7 x 0 pra mim! – gritou toda feliz pulando no sofá.
Perder sete vezes seguidas no Need For Speedy Most Wanted para uma criança com quase a metade da minha idade é realmente muito humilhante! E olha que eu me julgava boa nesse jogo!
– Há, ganhei, tua Lucy! Ganhei! Ganhei! Ganhei! Ganhei! Ganhei! De novo! – comemorava enquanto pulava no sofá abraçando um coelho de pelúcia. – O que vamos fazer agora, tia Lucy? — perguntou com os olhos brilhando.
– Sua mãe mandou você fazer seu dever de casa, Mavis. – falei me lembrando do que Grandine me falara antes de me deixar sozinha com essa peste.
– AAAAH, eu não quero! – anunciou fazendo um bico e sentando-se no sofá com a cara emburrada. – Lição de casa é muito chato!
– Eu sei, Mavis, mas é importante pra você aprender e além do mais, foi um pedido da sua mãe, você não quer desapontar ela, quer? – fiz um apelo psicológico.
– AAAAH... Tá bom, não quero desapontar a Grandine. – falou suspirando derrotada. Não é que deu certo? Imaginava que seria uma tarefa muito mais trabalhosa. – tia Lucy, pode pegar um pouco de suco pra mim? Vou pro meu quarto fazer a lição. – falou ela de um jeito angelical. Tem algo errado nisso aí!
– Tudo bem, Mavis. – falei arqueando a sobrancelha e me dirigindo à cozinha, enquanto via a menina saltitar para o próximo piso.
Isso está estranho, ela estava tão emburrada por fazer o dever e do nada parece tão animada? Será que esse suco de laranja que estou colocando em um copo a deixa desse modo? Bom, vou descobrir agora.
Subi as escadas lentamente e segui pelo corredor, parando em frente a uma porta branca com uma plaquinha escrito "You shall not pass", a única fechada. Bati delicadamente na porta e a chamei, ouvindo seu consentimento para entrar. Mas assim que abri a porta, me arrependi imediatamente de ter o feito.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!!!!!! – gritei ao sentir algo caindo em minha cabeça, jogando o copo para cima e consequentemente derramando todo o líquido em mim e me fazendo cair no chão. Ainda bem que o copo era de plástico.
– Charlie! – falou saltitando em minha direção. – Que feio, ficar pulando em cima dos outros, onde já se viu? Quem te deu essa educação? – ela repreendia a criatura que havia caído em cima de mim, que era... Uma gata branca com vestido?
– O que está acontecendo? – falei me apoiando nos cotovelos, completamente encharcada e tentando entender o que se passava naquele momento. De onde aquela gata brotou? E por quê está usando um vestido?
– Tia Lucy, você assustou a Charlie! – falou dando um abraço de urso na pobre gata. Pobre gata o caramba! Graças a ela, estou encharcada de suco de laranja! – Ela tem medo de pessoas estranhas! – Espera aí, em que sentido ela está me chamando de estranha?
– Como é que eu ia saber que tinha uma gata aqui com você, e ainda mais com medo de desconhecidos? – falei tentando me levantar, o que não deu muito certo, já que havia suco de laranja espalhado pelo chão. Quem adivinhar o que aconteceu, ganha um doce! Mentira, estou pobre no momento, mas acertou! Escorreguei e dei de cara com o chão! De novo!
– Há há há há há! Você é uma figura, tia Lucy! – riu da minha desgraça – Mas eu não falei que ela tem medo de desconhecidos, falei que ela tem medo de pessoas estranhas! – falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Então ela realmente me chamou de estranha?
3... 2... 1
– MAVIS!!!!! – gritei seu nome, o que a fez dar risada e pular por cima de mim, iniciando uma corrida pela casa.
– Você não me pega! – gritou enquanto ria e corria pela casa.
– Corre, baixinha! Corre, porque quando eu te pegar, você vai desejar nunca ter torturado Lucy Heartphilia naquele parque de diversões! – ameacei me levantando, mas quando comecei a correr, adivinhem? Escorreguei no suco de laranja DE NOVO e fui de cara no chão DE NOVO!
Serviço de babá, onde é que eu estava com a cabeça?
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