Uma Pestinha Em Minha Vida
28 Operação cupido
Notas iniciais
Não contei a meu pai que fui suspensa. Em vez disso, disse a ele que estava com uma cólica infernal e que não me sentia em condições de assistir aulas hoje. Ele nada questionou, pois sabia que minhas cólicas eram mais uma simulação de parto, apenas me apavorei quando ele mencionou algo sobre ligar no colégio avisando.
– Não! — falei rápido demais, lhe arrancando um olhar desconfiado e logo tratei de consertar a besteira. — Quer dizer, não precisa se preocupar com isso, pode ir para o trabalho tranquilo, vou mandar uma mensagem para a Levy-chan pedindo para ela avisar, he he he.
Droga, isso soou mais suspeito ainda!
– Tem certeza, Lucy?
– Tenho sim, não se preocupe com isso, é só tomar um remédio e um repouso e estarei nova em folha!
Ele me encarou por mais uns segundos e eu torci para que ele tivesse acreditado em pelo menos alguma palavra do que eu disse. Então ele suspirou e se dirigiu à porta.
– Se você diz… Nunca vou entender as mulheres…
– Tchau pai!
Assim que ele fechou a porta, me recostei nela, escorregando e suspirando aliviada. Teria que cumprir esta suspensão de qualquer maneira, mas não queria ter que preocupar meu pai com isto.
– Hime? Está tudo bem?
– Virgo?!
Havia me esquecido completamente de que Virgo estava na sala. No susto, acabei batendo a cabeça na maçaneta. Acreditem, isso dói mais que pisar em lego!
– Hime!!
– Ai ai ai ai ai! Sim Virgo, estou ótima, melhor do que nunca. — incrivelmente, isso não soou irônico. — Pode me trazer um remédio para cólica?
Virgo me trouxe o remédio, e após eu repetir várias vezes que estava bem, que precisava apenas tomar o remédio e descansar, ela se retirou para a cozinha. Imediatamente cuspi a capsula pela janela e me tranquei em meu quarto. A principio tentei dormir, mas o sono não vinha por nada, então decidi realizar as tarefas de casa e trabalhos que já estavam ficando atrasados pelo fato de eu cuidar de Mavis com tanta frequência. Quando vi a quantidade de coisas que teria que fazer, caí para trás! Ainda bem que estava em minha cama, ou isto teria doído muito! Vejo que, de certo modo, foi até bom pegar uma suspensão… He he he. Ok, não é legal o fato de estar suspensa, mas pelo menos agora eu teria tempo para me dedicar às minhas tarefas.
[...]
O clima estava meio pesado no Kurt Café. Desde que comecei a trabalhar aqui, foram raras as vezes que vi Mira ou Loki distraídos a ponto de me ignorar, mas esta é a primeira vez que os dois estão neste estado ao mesmo tempo. E o baixo movimento do dia também não ajudava em nada. Até podia imaginar o que se passava na cabeça de Mira, é obvio que Lisanna encheu os ouvidos dela de coisas ruins sobre mim, e apesar de sermos amigas, Lisanna era sua irmã e ela devia apoio a ela logo em um momento como esses como término de um namoro. Porém, esta não parecia saber que partido tomar, o conflito interno estava estampado em seus olhos. Não a culpo, o que eu diria a ela? “Sua irmã é uma doida varrida, não acredite nela”? Mirajane ama demais a irmã para ouvir isto de mim numa boa, e mesmo porque, não era algo legal de se dizer. Por não saber o que falar e estar muito sem graça com a situação e o clima, optei por ficar quieta.
Já o silêncio de Loki era um completo mistério para mim. Estava tão quieto quanto Mirajane e eu já até havia desistido de tentar falar com ele. Esse silêncio todo estava me deixando mal e cada vez mais envergonhada, realmente não sabia como falar com eles. Apenas próximo ao fim do expediente que Loki decidiu falar comigo novamente. Eu deveria estar chateada por ele ter me ignorado o dia inteiro, mas na verdade estava feliz por ele estar falando comigo novamente.
Perguntei a ele diversas vezes o motivo de seu silêncio, mas a resposta era sempre um “esqueça isso” e bagunçava meu cabelo logo em seguida. Já estava para interroga-lo novamente quando meu celular vibra em meu bolso.
“Estou disposto a conquistar minha demônia esta noite. Vá ao parque e faça seu papel de cupido e não me pergunte como vou convencê-la a ir hoje, mas darei um jeito”
Não pude deixar de rir com isso e respondi imediatamente.
“O que foi, garanhão? Não consegue conquistar sua própria demônia sozinho?”
“Que engraçadinha você, apenas faça sua parte”
“Minha parte? Eu não trabalho de graça, meu filho, o que eu ganho com isso?”
“Vai ver um feliz casal se unindo”
Isso soou meio estranho para mim, mas fiquei na minha.
“Apenas isso?”
“Se continuar com exigências, farei com que a pestinha que você tome conta puxe seu pé a noite”
Estremeci com a ideia de Mavis puxar meu pé a noite e imediatamente respondi.
“Hoje a noite, você será um homem desencalhado”
– O que tanto ri com este celular, Lucy? — uma voz falou em meu ouvido.
Estava tão distraída que não tinha notado Loki se aproximando. No susto, além de ter soltado um grito, atirei meu celular para o alto. Fiz uns movimento acrobáticos para pega-lo antes que se espatifasse no chão. Consegui recupera-lo intacto e feliz pois não sabia que esbanjava tanto talento, mas isso arrancou várias risadas de Loki e outras pessoas que se encontravam no local. Fingi que não havia pagado mico nenhum e me voltei para Loki.
– Não, nem pensar! — ele disse antes mesmo que eu dissesse alguma coisa.
– Mas eu nem disse nada!
– Mas eu te conheço muito bem, Lucy, e pela sua cara, você obviamente está aprontando e provavelmente vai tentar me arrastar junto!
– Por favor, Loki!
– Tenho cara de idiota?
– Tem! Agora me escuta! Você não quer me ajudar com a operação cupido de hoje à noite?
Ele hesitou por alguns segundos, e meio a contra gosto, decidiu participar.
– E quem você pretende juntar hoje à noite?
– Jellal e Erza.
– Está falando sério? — ele perguntou chocado.
– Muito sério.
– É, vai ser divertido ver o Jellal apanhando.
[...]
Convidei Levy para participar também e esta aceitou logo de cara. Todos nós concordávamos que essa palhaçada deste casal já foi longe demais e era hora de tomarmos providências. Combinamos de nos encontrar em frente à bilheteria às 19:00 para podermos arquitetar um plano. Ela estava super empolgada por poder bancar a espiã (de novo), então trouxe três binóculos consigo.
O plano era basicamente fazer o que der na telha. Seguiríamos o casal o tempo todo e mandaríamos mensagens para Jellal dizendo o que fazer, simples assim. Jellal estava bem nervoso, nunca o tinha visto desse jeito, fez com que eu sentisse até uma pena dele, mas essa pena passou a partir do momento em que ele pagou três ingressos para cada um no caso de termos de entrar em algum brinquedo que pudesse fazer com que perdessemos eles de vista. Convenhamos, eu estava precisando me divertir e não podia gastar meu dinheiro suado com isto, faria diferença no final do mês, e até que seria divertido ver Jellal apanhando um pouco.
Quando vimos os cabelos escarlates de Erza ao longe, corremos imediatamente para nos esconder e com celulares na mão.
– Onde estão os outros? — Erza perguntou quando encontrou Jellal sozinho.
– Eles não te contaram? He he he, parece que somos só eu e você hoje, demônia. — ele passou o braço em volta dela.
Qual é, Jellal, você pode fazer melhor do que isso.
“Tente disfarçar melhor seu nervosismo, você está suando muito, cara!” — Enviei.
Ele leu a mensagem discretamente e tratou de tentar se acalmar. É engraçado ver ele nesse estado, normalmente ele faz o possível para estar sempre provocando ela, brincando e descontraindo. Para falar a verdade, nunca havia visto nenhum dos dois nervoso perto do outro que não seja por raiva.
Erza olhou para ele com desdém e tirou seu braço de cima de seus ombros.
– Não acredito que caí nessa, eu vou embora!
Erza saiu marchando em direção à saída do parque. Nenhum de nós ficou surpreso com esta atitude, mas não poderíamos deixa-la ir embora ou tudo iria por água a baixo.
“Não a deixe ir!” — Loki enviou.
– Erza! Erza, espere! — Jellal gritou e correu atrás dela.
Aproveitando a oportunidade, Levy olhou para mim e deu um cascudo em Loki.
– Ai! O que eu fiz?!
– Não envie coisas óbvias! — ralhei, bagunçando seu cabelo.
– Malvadas. — Loki retrucou me ignorando.
Pegamos os binóculos e começamos a seguir o feliz casal. Felizmente, Jellal conseguiu para-la antes que ela fosse muito longe.
– Por favor, Erza, eu já comprei os ingressos, não faz essa sacanagem comigo! Qual o problema em se divertir um pouco de vez em quando? Prometo não provocar você hoje.
Todos ficamos em expectativa em relação a sua resposta. Erza hesitou um pouco, olhou para Jellal e depois para a saída, e então, suspirou.
– Está bem, só porque você já comprou os ingressos. Aonde vamos?
– Yes! — Levy comemorou abraçando a mim e a Loki.
– As coisas estão começando a dar certo. — comentei.
– O que está começando a dar certo? — uma voz conhecida perguntou atrás de nós, assustando a todos.
– Gray?! Natsu?! O que fazem aqui?
– Trouxe o algodão doce aqui pra se distrair um pouco. — Gray falou fazendo pouco caso.
– Que coisa mais gay. — Loki comentou.
– Fica na sua!! — Natsu e Gray gritaram para Loki, arrancando risadas minhas e de Levy.
– Mas e então, o que estão fazendo? — Natsu perguntou.
– Operação cupido! — Levy anunciou com um brilho nos olhos. — Querem se juntar a nós?
– Quem estão querendo juntar? — Gray perguntou.
– Jellal e Erza.
– É, vai ser legal ver o Jellal apanhando. — Natsu finalizou.
[...]
Agora estavamos em cinco seguindo Jellal e Erza. Primeiramente, Jellal a levou na montanha russa. Aquilo me trazia lembranças. Lembranças péssimas e boas ao mesmo tempo. Este parque é o mesmo em que trouxe Mavis na noite em que cuidei dela como favor a Levy e onde conheci Natsu. Fui muito torturada aqui naquela noite, mas valeu a pena.
Loki enviou uma mensagem a Jellal dizendo a ele para levar Erza em brinquedos que a fariam abraça-lo. Loki sabia que Erza tinha medo de altura, então sugeriu que a levasse na montanha russa, no barco viking, no elevador e na roda gigante. Que eu saiba, este era o único medo de Erza, tirando aquele coordenador maluco do acampamento, mas ela é orgulhosa demais para dar este gosto a Jellal e não negou o brinquedo.
Assim como eu, na primeira vez que andei naquela montanha russa, Erza gritou muito, e como esperado, se agarrou em Jellal.
Enquanto ela tomava fôlego ao sair do brinquedo, Jellal mandou uma mensagem agradecendo pela dica e seguiu para o próximo.
Quando saíram do Barco Viking, Erza tava parecendo mais um zumbi, andando devagar e descabelada.
– J-Jellal, uma pausa, por favor! — implorou ofegante.
“Compre um doce e algo para ela beber!” — Levy enviou, ele nos fez um sinal positivo, disse para Erza se sentar e foi em direção às barracas de comida. Natsu sacou o celular e também enviou uma mensagem. “Compre um algodão doce para ela.” e em seguida olhou para mim.
Não soube como reagir diante disto. Isto foi por acaso ou foi uma indireta? Meu coração começou a acelerar muito e senti meu rosto esquentando. Droga! É em Jellal e Erza que você tem que pensar, Lucy! Foco! Foco!
– Foi mais ou menos assim que nós nos conhecemos, não é, Lucy? — Natsu comentou.
O olhar dos quatro se voltou para mim. Ótimo, agora mais do que nunca, eu estava parecendo um tomate! Natsu parecia imerso em lembranças, Loki e Gray me olharam com uma sobrancelha arqueada e Levy me olhou maliciosa. É claro que ela sabe como foi que nos conhecemos, e iria me atormentar por isso assim que estivéssemos sozinhas!
– P-Pois é. — respondi desviando o olhar.
– Que interessante isso, não é, Lu-chan? — Levy perguntou num tom carregado de malícia, o que me deixou mais vermelha ainda.
Loki e Gray permaneceram com as sobrancelhas arqueadas, mas Loki parecia mais zangado desta vez. Quando ele abriu a boca para falar alguma coisa, eu o interrompi imediatamente querendo encerrar este assunto.
– Gente, o Jellal voltou. — com o binóculo sobre os olhos, apontei em direção ao casal que queríamos juntar.
O olhar malicioso de Levy ainda estava em cima de mim, mas fiz de tudo para ignorar e manter o foco na operação.
“Converse com ela” — Gray enviou.
Não conseguíamos ouvir o que eles conversavam, mas certamente estavam sem graça. Acredito que não conversassem de maneira normal, sem brigas ou provocações, há muito tempo, o que novamente me fez sentir pena, se tiverem que ficar juntos, precisam pelo menos saber conversar.
Meu foco foi roubado do casal por uma mensagem no celular de Levy. Ela pareceu meio surpresa ao lê-la e me entregou o aparelho.
“Levy, se não tiver nada importante para fazer amanhã, gostaria de ir ao parque comigo? Rogue.”
Senti vontade de esmagar o aparelho, mas então lembrei de minha última conversa com Levy a respeito de Gajeel e Rogue e como ela se sentia em relação a isso. Ela ainda estava bastante magoada com Gajeel, e mesmo contra vontade, suspirei e abri um sorriso para Levy.
– Responda que sim. — sussurrei para ela.
– Tem certeza, Lu-chan? — ela sussurrou de volta.
– Ele te faz feliz, não faz? E vocês são bons amigos. — falei a contra gosto. É muito egoismo de minha parte fazer com que ela faça apenas o que me faz feliz, mesmo ainda preferindo ela com Gajeel, no momento as coisas não iam bem para eles. Ela sorriu e respondeu a mensagem imediatamente.
– Meninas! Olhem aquilo! — Gray apontou para Jellal e Erza.
Ela havia acabado de bater nele e saiu correndo com o rosto vermelho e lágrimas. Droga, o que Jellal fez?!
– Meninos, vão falar com Jellal! Eu vou atrás da Erza! — falei me levantando e pronta para correr em direção a ela.
– Você não pode fazer isso! — Natsu agarrou meu pulso.
– E por que não? — puxei meu pulso com força, forçando-o a me soltar.
– Ela acha que você não veio, ela vai descobrir o que estamos fazendo e vai ficar com ainda mais raiva de Jellal.
– Mas eu preciso descobrir o que se passa com ela, ela é minha amiga!
– Vai lá, Lu-chan. — Levy me lançou um olhar compreensivo.
– Está maluca, Levy?! Vai estragar tudo! — foi a vez de Loki se pronunciar.
– Nós vamos falar com Jellal, não seja vista, Lu-chan!
– Pode deixar.
Deixando todos para trás, corri na direção de Erza. Imaginei que ela correria para a saída, mas parou próximo a roda gigante. Ela estava sentada e encolhida a um poste e balbuciava coisas enquanto secava as lágrimas. Cheguei o mais próximo possível sem que ela me visse e comecei a escutar o que dizia.
– Dentre tantas pessoas no mundo, tantas! Por que logo ele? Ele ia se declarar, com certeza! O que está acontecendo comigo? Por que logo ele, droga?!
Foi então que entendi o que havia acontecido e suspirei aliviada. Enviei uma mensagem aos meninos e uma a Jellal e saí de lá sorrindo.
“Não há nada com que se preocupar, deixem que Jellal faça sua parte.” “Apenas seja você mesmo, irmãozinho, ela está próxima à roda gigante.”
[...]
JELLAL POV’S ON
Massageando o rosto e agora, realmente envergonhado, fui até a ruiva que chorava encostada em um poste. Silenciosamente, me sentei junto a ela.
– Me desculpe. — sussurrei.
– Jellal?! — ela se exautou, levantando em um pulo.
Ela é tão adoravel quando não tem uma armadura lhe envolvendo, não no sentido literal, quero dizer. Eu estava vendo uma outra Erza agora, não a Erza durona e fria, mas uma Erza com sentimentos e frágil. Mais do que nunca eu quis abraçar aquela garota e foi o que fiz.
– O que está fazendo? — perguntou num sussurro.
– Me desculpe por ser um idiota, por te atormentar por tantos anos, mas eu sempre soube que seria você, desde que nos conhecemos, eu precisava da sua atenção voltada para mim e isso se intensificou ainda mais quando estive fora. — as palavras começaram a fluir e o mundo começou a desaparecer a minha volta. Tudo o que havia era eu e Erza, e era o que importava. Ela estava tão linda com o rosto corado e um brilho tímido em seu olhar. — Você é a garota mais incrível do mundo para mim, Erza, a mais especial, a única, e é você a mulher que quero ao meu lado para o resto da minha vida. Dane-se se isto está parecendo mais um pedido de casamento do que um de namoro, tudo o que eu quero é você ao meu lado! E o que me diz, Erza? Quer namorar comigo?
A ruiva estava mais corada do que nunca e o brilho de seus olhos apenas aumentava, assim como sua vergonha. Ela desviou o olhar e não segurou mais as lágrimas. Isso cortou meu coração, mas procurei me manter tranquilo por conta da mensagem de Lucy.
– Eu… Eu te odeio, Jellal. — estranhamente, sorri com isso, não era um “eu te odeio” com sua raiva habitual, era mais um “eu te odeio” de não querer aceitar uma realidade que não pode evitar. — Dentre tantos caras no mundo, por que logo você? Você me irrita, me perturba, me faz querer arrancar cada fio de cabelo seu, mas por que sinto que não quero que você saia do meu lado nunca? Por que logo você faz com que eu me sinta deste jeito? Por que logo você?
Ela apoiou a cabeça em meu peito e comecei a acariciar seus cabelos.
– Porque você me ama, Erza, assim como eu amo você. E então, o que me diz?
– Eu… Te odeio.
– Vou encarar isto como um sim.
E a beijei. Diferente do beijo que ela me deu no acampamento e do que roubei dela no corredor do colégio, este era um beijo com sentimentos. Sentimentos verdadeiros e correspondidos, não havia nada melhor no mundo.
JELLAL POV’S OFF
YEAH! Eu sabia! Sabia que ia dar tudo certo! Eles são tão lindos juntos!
Eu e Levy estávamos abraçadas uma à outra rodopiando de felicidade, enquanto os meninos observavam o casal com sorrisos satisfeitos. Missão cumprida!
Como não usamos os ingressos que Jellal nos deu durante a operação, decidimos nos divertir um pouco agora. Cada um tinha três ingressos, mas como Natsu e Gray decidiram se juntar a nós pelo resto da noite, esperamos eles comprarem ingressos. Loki não gostou muito da ideia, mas como ele era minoria, foi obrigado a aceitar.
Fomos ao bate-bate e ao barco viking, mesmo um pouco contra a minha vontade. Nos restou apenas um ingresso e logo começou a disputa de que em que brinquedo iríamos. E infelizmente, a roda gigante ganhou.
Senti meu sangue gelar quando Gray e Levy trocaram olhares cúmplices. Gray disse que não estava afim de ir à roda gigante e preferiria se divertir em um tiro ao alvo. Estava para dizer que iria com ele pois tenho medo de altura, quando Levy se enfiou em minha frente dizendo que seria divertido. Por um segundo acreditei nela.
Estava para entrar naquela gaiola mortal com Levy quando ela saiu do meu lado e se postou ao lado de Loki.
– Eu vou com o Loki, faz tempo que não colocamos a conversa em dia, não é? Natsu, vá com ela!
– O que?! — gritamos eu e Loki.
– Ora, vamos, as pessoas na fila estão impacientes, entre logo Natsu! — Levy praticamente o empurrou para cima de mim, e assim fomos presos à aquela armadilha.
Por um tempo, ficamos sem assunto, apesar de parecer que Natsu estava a vontade. Por outro lado, eu estava a cada segundo mais nervosa, não apenas pelo fato de estar sozinha com meu amor platônico, mas pelo fato de que a cada segundo, esse negócio ficava mais alto.
Natsu percebendo meu desconforto me abraçou e começou a acariciar meu cabelo.
– Medo de altura também, Lucy?
– Você não tem noção do quanto. — sussurrei em resposta.
Então o brinquedo parou e meu coração deu um salto. Que essa joça não tenha quebrado agora, que essa joça não tenha quebrado agora!
– Tudo bem, Lucy, só parou para que outra pessoa possa subir, tente relaxar um pouco, olhe para a lua, ela não está bonita hoje?
Fiz o que ele pediu e automaticamente fui hipnotizada pelo céu. A lua cheia estava completamente maravilhosa, e com um pouco das luzes da cidade afastadas, era possível ver mais estrelas do que de meu quarto. Absolutamente lindo.
– Realmente, muito linda.
Natsu me abraçou com mais força e eu corei. De repente, tinha me esquecido do meu medo de altura, de que Levy e Loki estavam a poucos metros de nós, de meus problemas financeiros, de Mavis, de tudo. Eramos apenas eu, Natsu e as estrelas agora. Seus olhos estavam com um brilho diferente agora, tão belo quanto as estrelas e ele me fitava com doçura agora e comecei a sorrir feito uma boba para ele. Nossos rostos iam se aproximando lentamente um do outro quando um solavanco nos trouxe a realidade, nos afastando imediatamente, a roda gigante tinha voltado a se mover.
[...]
– O QUE?! — o grito foi ouvido pelo colégio inteiro.
– Isso mesmo, Cana, estamos juntos agora. — Jellal, que exalava uma aura de felicidade, abraçou a nova namorada pelos ombros, que ainda ficava muito sem graça com a situação.
– Eu não acredito que perdi isso! Onde foi que eu errei?! Sabia que devia ter ido ao parque ontem a noite, que burra eu fui! — Cana havia abandonado uma garrafa com um líquido suspeito em uma lata de lixo próxima e começou a bagunçar seu cabelo freneticamente.
– Acalme-se, Cana, passou, e gritando desse jeito, é capaz de o Makarov aparecer por aqui! — Erza falou completamente sem graça e muito vermelha.
– Não acredito que eu perdi isso, não acredito!
Eu estava prestes a pular no pescoço de Cana, juntamente a Levy, para parar aquele começo de escândalo quando Cana calou-se sozinha e fechou um pouco a cara. Imediatamente olhamos para a direção de seu olhar e todos nos encontramos na mesma situação.
Do outro lado do corredor estava Lisanna, com uma marca arrocheada em seu pulso direito, encarando-nos com muito ódio. Logo ela sumiu no meio da multidão que se formava. Não contei a ninguém sobre o clima que rolou entre mim e Natsu ontem, não precisava de Levy, Cana, Erza e Jellal no meu pé agora por conta disso, mas me senti culpada depois de ver o olhar de Lisanna.
Por um momento, tive uma sensação ruim, um mal pressentimento envolvendo Lisanna. Espero que realmente não seja nada, as coisas estavam indo muito bem para eu ter mais problemas agora.
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