Uma Pestinha Em Minha Vida

31 O conforto de um abraço de mãe


Notas iniciais
Yay, tudo bem minna? Não tenho nem o que dizer sobre a demora, apenas que: meus professores acham que vivo em função deles, MAAAS pelo menos minha carta de alforria chega no dia 28! E com isso quero dizer: férias da faculdade e ainda sem grana pra ir pra casa, ou seja, abandonada em um apartamento com tempo de sobra pra escrever! E digo mais... Leiam as notas finais! Confesso que tive bastante dificuldades para escrever este capítulo, pois como minha rotina tá bem corrida, não tenho tido muito tempo pra pensar na história, então a dificuldade de encarnar a personagem é bem maior, ainda mais quando se é um capítulo tão importante pra história como este. Enfim, vejo vocês nas notas finais!

Então expliquei a elas. Contei tudo o que tinha para dizer em relação a meus problemas, apenas não falei sobre Sting. Expliquei como a empresa de eletrônicos de meu pai faliu, que estávamos com uma dívida enorme, que cancelamos várias assinaturas e vendemos nossa casa de praia, que comecei a trabalhar como babá de Mavis para conseguir um dinheiro a mais, e que com medo de não haver dinheiro o suficiente neste mês, anunciei algumas roupas num site de usados. Desabafei sobre minhas preocupações e tudo o que me abalava nestes últimos tempos, apenas omitindo a parte de Sting. Decidi que contaria a elas sobre ele, mas apenas quando conseguisse estabilizar minha mente.

As duas ouviram atentamente cada palavra e me observavam atônitas, sem me interromper em nenhum momento enquanto prestava meu depoimento. Não pude evitar algumas lágrimas no meio da história, mas seus abraços me reconfortaram de uma maneira que mal consegui explicar. Foi como ser abraçada por minha própria mãe. Contar a elas meus problemas trouxe tudo a tona e eu simplesmente não conseguia aguentar mais. Quando se é criança, se você tem um problema, chorar para sua mãe sempre é uma saída, e quando ela te abraça, dizendo palavras de conforto lhe traz uma sensação tão boa que é como se nada no mundo pudesse te abalar e tudo ficaria bem. Por muito tempo eu fui privada desta sensação e aprendi a ser forte e guardar a dor dos meus próprios problemas para mim, sempre aguentando firme. O abraço de minhas amigas trouxe tudo de volta e esta sensação que eu não sentia há muito tempo.

Só então percebi o quanto minha mãe me fazia falta. Virgo por muito tempo foi como uma mãe para mim, mas não era a mesma coisa, por mais que desempenhasse o papel muito bem, ela jamais seria a minha mãe e não me sentia que seria justo preocupa-la com meus problemas sabendo que ela também sentia o peso da perda de Layla. Quando o câncer foi diagnosticado, já era tarde demais para alguma coisa ser feita, perder uma mãe nunca é fácil, ainda mais quando se é criança, quando eu via suas lágrimas escorrendo quando ela acreditava que estava sozinha, eu me sentia completamente sem chão, ainda mais a vendo dando sorrisos tristes para disfarçar um pouco a dor, foi entõa que decidi que meus problemas não eram mais importantes que os dela e que jamais deveria perturba-la com eles. Antes de partir, minha mãe disse para eu ser forte e não deixar que nenhum problema me abatesse. Por muito tempo, guardei a dor de cada problema e cada decepção para mim mesma, sem deixar que minha dor passasse para outra pessoa, o sofrimento de minha mãe foi o bastante para que eu não quisesse que ninguém mais precisasse se preocupar com meus problemas para sempre. Imagens de minha mãe me abraçando quando criança e me dizendo que ficaria tudo bem começaram a dançar em minha mente e desta vez, deixei que as lágrimas escorressem livremente, lágrimas de dor e saudades contidas há muito tempo. Por um momento, mas por um momento mesmo, pude jurar que minha própria mãe me abraçava junto a Levy e Erza, meu coração chegou até falhar uma batida. Queria dizer que a amava e lhe dizer o quanto sentia sua falta, mas estas palavras nunca foram proferidas.

– Por que não nos disse nada desde o começo, Lu-chan? – Levy me abraçou com mais força enquanto suas lágrimas agora encharcavam meu ombro.

Sequei minhas lágrimas com as costas da mão e tive de encarar a realidade: Layla não estava lá. Eramos apenas eu, Levy e Erza numa sala parcialmente iluminada e com um tablet jogado de lado no tapete. Talvez fosse mesmo um trauma não querer contar sobre meus problemas para os outros, mas agora eu via que não falar sobre eles machucava as pessoas que me amavam. Pense em Levy, Erza, Natsu, Gray, Loki... Até mesmo Mavis. Todos eles tiveram algum contato com meus problemas e se preocupavam com eles, se preocupavam comigo.

– Porque eu não queria preocupa-las com isso.

Foi a vez de Erza aumentar a força de seu abraço e me molhar com suas lágrimas.

– Você é uma idiota, Lucy.

– Eu sei. – Dei um sorriso triste. É a pura realidade, eu sou uma completa idiota.

– Você não precisa fazer isto. Tire esse anúncio da internet.

– Não Erza, eu estou mesmo precisando de dinheiro. E mesmo porque, eu já não usava mais estas roupas mesmo, não tem problema em me desfazer delas.

– Tem certeza?

– Absoluta.

– Sendo assim, eu compro todas. — Erza anunciou.

– O que?

Erza se soltou do abraço e alcançou o tablet no chão, secando suas lágrimas. Eu olhava para ela sem entender o que estava acontecendo. Levy também se soltou de meu abraço me dando um sorriso confiante e se juntando à Erza.

– Ficou louca? Eu estou louca por esta saia há meses! – Levy rebateu.

– O que estão fazendo? – Um sorriso queria se formar em meu rosto.

– Vamos ajuda-la, oras! Ou pensou que iriamos apenas ouvir sua história e ficaria por isso mesmo?

Meu coração deu um salto em meu peito e o sangue pareceu ferver em minhas veias. Toda aquela melancolia se desfez e o maior sorriso de minha vida se estampou em meu rosto. Uma sensação de bem estar inacreditável me invadiu, tão libertadora e nova para mim. Neste momento, eu era como uma fênix, um ser que morre e renasce das cinzas, num ciclo perfeito de começo, meio, fim e novamente um recomenço. Agora uma nova Lucy nascia, uma Lucy com forças e coragem renovadas para aguentar firme e seguir em frente!

– Eu amo vocês, meninas! – As abracei com todas as forças possíveis e com uma súbita vontade de rir, derramando minhas últimas lágrimas da noite, desta vez, lágrimas de felicidade.

– Nós também te amamos, Lu-chan!

[...]

– Juvia é um desastre! Gray-sama nunca vai amar a Juvia!

Havia um bom tempo que não via alguém engolir sorvete de uma maneira tão desesperada quanto Juvia fazia agora, isso era tão desesperador que chegava a ser cômico! Juro que tentei segurar a risada, mas nunca fui boa nisso, então um riso “discreto” escapou enquanto servia café para um senhor de idade que me olhou de maneira desaprovadora. Normalmente eu ficaria sem graça com isso, mas depois da noite de ontem, nada podia estragar meu dia! Até mesmo os olhares assustadores de Lisanna não me incomodaram durante o intervalo enquanto eu conversava com Natsu e Cana. Nem mesmo os olhares de Sting me incomodaram. Ok, talvez um pouco. Juvia disse que não se juntaria a mim no intervalo pois iria se resolver com Lyon de uma vez. No final, tivemos um fim de intervalo bem estranho, com Lyon chamando Gray de “Rival do Amor” e uma Juvia tentando desesperadamente chamar a atenção de Gray, à sua maneira, é claro, e é por isto que neste momento ela está engolindo seu terceiro pote de sorvete.

– Não fique assim, Juvia, as coisas vão melhorar, você vai ver! – dei uns tapinhas em sua cabeça e Juvia imediatamente me abraçou num choro exagerado.

Mirajane e Loki olharam isto com uma cara estranha. Mira devia conhecer Juvia já que era amiga de Lisanna, e deveria saber que Juvia não gostava de mim até pouco tempo atrás, e Loki, bom, deve ter ouvido falar dela por conta daquele incidente no acampamento.

Subtamente as portas do Kurt Café foram escancaradas, e uma figura azul baixinha entrou correndo por elas na maior empolgação do mundo, chamando a atenção de todos que se encontravam no local.

– Lu-chan! Lu-chan! Tenho ótimas notícias!

Mas sua animação morreu ao ver Juvia abraçada a mim. Um clima pesado automaticamente se formou.

– Lu-chan, o que ela está fazendo abraçada contigo?

Juvia ficou completamente desconsertada com o tom acusador de Levy, então fiz um afago em sua cabeça, numa tentativa de lhe transmitir conforto, parece que deu certo.

– Juvia é minha amiga agora, Levy-chan, não precisa se preocupar.

– Mas Lu-chan, não foi essa mesma garota que te empurrou no lago no acampamento?!

Juvia não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha. Eu iria responder a pergunta de Levy, mas Juvia foi mais rápida.

– Sim, Juvia fez isso mesmo e sente muito. Juvia já se desculpou com Lucy. Gostaria que Levy perdoasse Juvia também.

Levy ficou imóvel por alguns instantes, processando a informação. Era obvio que ainda não confiava em Juvia, mas também pudera, é algo meio difícil de engolir em minutos assim. Visto que Levy não apresentava sinais de que responderia, decidiu quebrar o clima pesado.

– E então Levy-chan, qual era a boa notícia que você veio contar? He he.

Levy sacudiu a cabeça voltando a realidade, mas deixando Juvia sem uma resposta. Sua animação estava de volta, mas não em demasiada forma como antes, pelo choque da informação de há pouco.

– Consegui um emprego. Vou trabalhar numa livraria aqui perto!

– Isso é ótimo! Parabéns Levy-chan!

Juvia nada disse, mas abriu um sorriso para Levy, e esta lhe devolveu um sorriso envergonhado, ainda estava sem graça por Juvia.

– Parabéns Levy! – Mira e Loki se pronunciaram.

– Obrigada pessoal! – então ela se aproximou mais de mim e sussurrou em meu ouvido. – Fiz isso por você, Lu-chan, agora vou poder de ajudar também!

– Levy-chan, você não precisava fazer isso! – sussurrei de volta.

– Claro que precisava! Achava mesmo que apenas Erza iria te ajudar? Não seja boba!

A abracei com todas as forças que tinha. Levy é mesmo uma grande amiga! Me senti completamente agradecida, mas também como se estivesse com uma dívida agora, nunca fiz nada tão especial por ela, então assim que minha situação melhorasse, iria recompensa-la!

– Vou indo agora, vou começar apenas amanhã, mas é minha livraria preferida, sabe? Acredita que a dona quase pulou em mim quando pedi o emprego? Ela disse que não esperava que este dia fosse realmente chegar.

Ri com o comentário de Levy e me despedi dela, vendo-a correr para fora do estabelecimento novamente com alegria total.

– Vocês duas são realmente ótimas amigas. – Juvia comentou ao meu lado com um sorriso.

– Pode apostar que sim.

– Lucy, eu quero te perguntar uma coisa. – agora seu tom era mais sério, o que me assustou um pouco.

– Pode falar.

Juvia olhou em volta com certo receio e me convidou para sentar, abaixando o tom de voz. Esta reação me assustou mais ainda, na certa é algo sério e pelo visto, não pode esperar.

– Sei que é muita intromissão da minha parte, mas, o que há entre você e Sting? Observo vocês desde o acampamento e sei que tem alguma coisa errada, você tem medo dele, mas o motivo ainda não é claro. O que ele fez pra você, Lucy?

Isso me pegou tão de surpresa que eu nem soube como reagir. Minha boca ficou entreaberta e seca e meus dedos involuntariamente começaram a tremer. Como ela soube disso? Como ela soube?

Lucy, você está bem? Você está pálida!

Não é possível que esteja tão transparente assim! Não é possível! Como ela soube que havia algo de errado entre eu e Sting? Acredito que quase ninguém se lembre da cena que ele fez no acampamento, mesmo porque, havia ficado claro que Sting e Hibiki tinham alguma rivalidade, mas não ficava claro nada relacionado a mim!

– Lucy! – Juvia aumentou a voz e me trouxe de volta a realidade. – O que aconteceu, Lucy?

Eu não sabia como responder.

– C-Como você soube?

– Você fica desconfortável toda vez que estão próximos e ele às vezes lança olhares estranhos pra você, quero me redimir pelo que fiz a você, quero te ajudar com o que eu puder, e sei que tem medo dele, mas quero te ajudar, me permita fazer isso, por favor!

Ela já não estava falando mais na terceira pessoa como de costume, e seu tom agora era carinhoso, quase maternal. Não sei se foi minha carência em relação à falta de minha mãe quando ela me lançou aquele olhar, mas sei que quando ela segurou minhas mãos e disse aquelas palavras, toda minha armadura caiu.

– Vai ficar tudo bem, Lucy.

E simplesmente contei. Meu maior segredo foi revelado a uma pessoa que acabei de conhecer. Ninguém sabia sobre isso, nem mesmo Levy e Erza. Eu devo ser uma completa louca por fazer isso, afinal, nem para minhas melhores amigas eu confiei este segredo, mas quando Juvia me olhou com aqueles olhos, eu vi a mim mesma. Era como se eu a conhecesse há muito mais tempo e senti que não só poderia, como deveria confiar nela.

[...]

Juvia foi embora do Kurt Café após eu insistir muito para ela não contar isso para ninguém, absolutamente ninguém. Ela ficou insistindo para contar a alguém, mas novamente aquela imagem de minha mãe no leito do hospital veio à minha cabeça. “Não devo perturbar com meus problemas” era o que eu sempre repetia e ainda repito. Foi o que eu disse à Juvia e ela me olhou completamente indignada. “Não acha que eles vão ficar muito mais preocupados se alguma coisa acontecer a você?” A questão é que eu não queria pensar nisso. Não me agrada nem um pouco a imagem de alguém sofrendo, muito menos de meus amigos. Assegurei a ela de que nada aconteceria comigo, que esta noite eu iria cuidar de Mavis e que Natsu estaria comigo, que não teria nada com que se preocupar.

Mirajane já havia ido embora e agora restávamos apenas eu e Loki no Kurt Café. Ele terminava de fechar o caixa enquanto eu terminava de limpar as mesas. Estava um silêncio constrangedor entre a gente, Loki andava aéreo demais ultimamente e isso estava me preocupando, sempre que eu fazia alguma tentativa de conversa, ele desconversava. Olhei para ele uma última vez antes de entrar no vestiário e minha preocupação apenas aumentou quando vi uma expressão dura em seu rosto. Conheço Loki, ele está travando uma batalha consigo mesmo, espero que ele consiga se resolver logo, não gosto de ve-lo assim.

Saí do vestiário já devidamente vestida e pronta para mais uma noite com a pestinha, mas meu caminho foi bloqueado por Loki que se colocou à minha frente subitamente, me fazendo recuar no susto.

– Loki! Mas que susto! Está tudo bem?

Loki estava bastante nervoso e seu sorriso demonstrava bastante isso. Ele segurou firme meus ombros e então suspirou.

– Loki?

– Escuta Lucy, eu tenho pensado muito ultimamente. – seus olhos se firmaram nos meus e um frio percorreu minha espinha. – Você sempre foi muito especial pra mim. Olha, eu não estou esperando uma resposta, nem nada, mas eu só queria que você soubesse.

– Loki, do que está falando? – Eu, de certo modo, já sabia a resposta, mas não queria acreditar.

– Eu te amo, Lucy.

E ele me beijou.

Notas finais
E então, o que acharam? Pessoal, faltam apenas 4 capítulos pra acabar a fic e devo dizer que a fic acabará em dezembro mesmo, mas que em Janeiro teremos já a segunda temporada! E até que ela chegue, preciso de ideias para mais uma pegadinha da Mavis! Sejam criativos (: