Uma Pestinha Em Minha Vida

33 Noite de céu estrelado


Notas iniciais
Yo minna, tudo bem? Antes de mais nada, Feliz natal a todos vocês! Espero que estejam tendo um ótimo dia e que tenham ganhado muitos presentes! Espero que gostem do capítulo, pois o escrevi com muito carinho! Eis então meu presente de natal a vocês!

Acordei várias horas depois em uma cama de hospital. Meu corpo inteiro estava dolorido e pesado e uma dor de cabeça inacreditável me dominava. Havia agulhas em minhas veias, ligadas a um soro e a uma bolsa de sangue, meu pulso estava engessado e meus machucados enfaixados. Tentei me ajeitar melhor na cama, mas fui impedida por uma fisgada no braço.

– Não se esforce tanto, Lu-chan, você perdeu bastante sangue.

– Levy-chan? – meus olhos demoraram para focar a pequena garota sentada ao lado da cama. — Que horas são?

– Nove e meia da manhã.

– O QUE?! – No impulso, tentei me colocar sentada na cama, mas imediatamente me arrependi disso e me ajeitei novamente na cama.

– Já falei para não se esforçar. – a voz de Levy era baixa e levemente fria, o que partiu meu coração. Era bem óbvio que ela estava brava comigo. E com razão.

– Levy... Obrigada. – Ela nada respondeu.

Ficamos em silêncio por alguns instantes, um silêncio incômodo, tornando o ar pesado e difícil de respirar. Quando eu ia fazer um pedido de desculpas, Levy se pronunciou.

– Por que escondeu algo assim da gente? – Estava cabisbaixa e uma lágrima fazia uma trilha por seu rosto. – Não confia em nós? Confia mais em alguém que acabou de conhecer do que nas suas melhores amigas?!

Fico paralisada, com lágrimas invadindo meus olhos rapidamente.

– Levy-chan, eu sinto muito!

– Não precisa me responder agora, você precisa se recuperar. – ela ergueu os olhos cheios de mágoa, mas com um brilho de esperança no fundo. – Fico feliz que esteja bem agora. – Levy abriu um sorriso e me abraçou. Queria ter retribuído, mas mal conseguia mover os braços, tudo o que fiz foi, com muito esforço, por a mão em seu ombro.

– Sinto muito Levy-chan. – funguei, tentando controlar o choro. – O que aconteceu? Como estão os outros?

– Juvia viu você voltando para o Kurt Café e Sting indo atrás. Imediatamente ela desconfiou e foi atrás de nós, primeiro de Natsu e Gray, depois de mim e Erza. Todos ficaram desesperados por você não atender o celular, e mais ainda quando encontramos as portas do Kurt Café trancadas. Natsu, de todos, foi o que mais ficou preocupado, você tem que falar com ele assim que puder.

Fechei os olhos e senti vergonha por tudo o que aconteceu, eles não mereciam passar por nada disso. Meu único objetivo em esconder isto deles era justamente para evitar o sofrimento, e pelo visto, mais uma vez eu fracassei.

– E onde ele está?

– Ele está na cantina, junto dos outros, seu pai foi cuidar da parte burocrática. Loki e Mira estão sofrendo para acalmar Erza. – Um nó se formou em minha garganta ao ouvir o nome de Loki. — Ele passou a noite inteira ao seu lado e não quis sair por nenhum momento, nem Loki aguentou tanto tempo, só saiu agora de manhã porque eu insisti. Bom, agora que acordou, quer que eu o chame?

Hesitei em responder, queria ver como ele estava, mas ao mesmo tempo não queria encara-lo, era demais para mim. Não precisei respondê-la, a resposta veio por si mesma.

– Não precisa, já estou aqui.

Estremeci ao ouvir sua voz. Natsu estava parado na porta com um semblante sério. Era obvio que não havia pregado o olho a noite inteira pelas olheiras enormes sob seus olhos. Um clima pesado se instalou no ar e até Levy pareceu incomodada com isto. Sem graça, ela pediu licença e nos deixou a sós. Tudo o que eu mais queria no momento, ótimo. Sinta a ironia.

Neste momento, as palavras desapareceram. Natsu tomou o lugar de Levy e ficou com um olhar distante, enquanto eu esperava em silêncio por algum pronunciamento. O ar ficava cada vez mais pesado a cada vez que suas sobrancelhas franziam e olhava para mim.

Só então percebi que estava prendendo a respiração e soltei o ar da maneira mais discreta possível, o medo de acionar uma explosão em cadeia apenas aumentando. Então Natsu se pronunciou.

– Eu não entendo. Pensou que eu não seria capaz de te proteger, Lucy? Que ninguém aqui seria capaz? Que algum de nós iria te jogar fora por nos “meter em perigo”? – sua última frase sai com uma ênfase maior, quase um grito.

E este foi o gatilho. Fiquei paralisada tentando conter as lágrimas, mas em vão, as lágrimas caíam mais rápido do que eu podia conter, e o nó ficando cada vez maior em minha garganta. Queria me esconder, fugir de seu olhar penetrante, mas não havia saída, nem mesmo podia cobrir meu rosto.

– Natsu... – gaguejei com a voz embargada. – Eu... não queria... Eu sinto muito! Mesmo! – Respirei fundo tentando conter as lágrimas e os soluços, novamente em vão. – Eu não queria... Não era pra nada disso ter acontecido! – solucei novamente. – Eu não queria preocupar ninguém! – mais um soluço. – Eu...

– Lucy! – Natsu levantou-se num pulo e me segurou firme pelos ombros, prendendo minha atenção em seus olhos. Havia preocupação neles, e dor. Isso cortou mais ainda meu coração e aumentou o fluxo de lágrimas. – Acha que ninguém ficou preocupado?! Como acha que me senti quando Juvia chegou correndo desesperada dizendo que você estava em perigo?! Ainda mais depois de ver o que aquele desgraçado fez com você?! Você podia ter evitado tudo isso! Ninguém se machucaria!

– Não! – o interrompi. Ele me olhou surpreso. – Sting é cruel, é desumano! Ele machucaria qualquer um que soubesse deste segredo, ele iria atrás de cada um, eu não podia deixar isto acontecer!

Abaixei a cabeça e deixei que as lágrimas escorressem livremente. Não conseguia sustentar mais o olhar de Natsu, era como se ele estivesse lendo a minha alma. Natsu ficou calado por um momento. O ouvi tomando fôlego para falar, mas o interrompi antes que o fizesse, abrindo e expondo minha alma de vez. Era a primeira vez que eu fazia isto.

– Ele ameaçou machucar Áries se eu dissesse algo a ela. – mais um soluço, desta vez mais grotesco. — Eu não suportaria ver alguém se ferindo. Ele faria o mesmo com vocês se eu dissesse. – fiz um esforço para secar as lágrimas, mas meus braços doíam a cada tentativa, então Natsu pousou sua mão sobre a minha, impedindo-a de levantar e me pegando de surpresa. Com a mão livre, Natsu ergueu meu queixo para que eu o olhasse nos olhos novamente, estavam mais serenos agora. Ele soltou meu queixo e secou cada lágrima de meu rosto. Então depositou um beijo em minha testa e me envolveu em um abraço terno. Ficamos assim por alguns momentos, até que minhas lágrimas cessassem de vez e eu pudesse relaxar.

Visto que seu objetivo foi cumprido, Natsu se aproximou de meu ouvido, me causando um arrepio.

– Você sempre teve um coração puro, mas é muito ingênua, Lucy. Por mais que ele seja perigoso, ele era apenas um e nós somos vários. Demos conta dele, como você pode ver. Precisa confiar mais na gente, Luce, você não está sozinha neste mundo.

Estremeci com seu depoimento e novamente lágrimas inundaram meus olhos, mas não iria chorar. Não desta vez. Afundei meu rosto em seu peito e fiz um esforço para retribuir o abraço. Natsu ficou surpreso, mas não fez objeções e ficamos assim por um tempo, em silêncio, mas desta vez, um silêncio gostoso. Por hora, havia tirado um enorme peso de minhas costas, se bem que teria de encarar o resto do pessoal assim que tivesse oportunidade. Mas não quero pensar nisto agora, apenas aproveitar o momento, enquanto ele ainda dura. Infelizmente, tudo o que é bom dura pouco e Natsu sentou-se na beirada da cama.

– Natsu... – comecei com receio. – O que houve com Sting?

Ele ficou tenso por um momento, mas logo respondeu.

– Está preso, graças à dupla cidadania ele não vai ser deportado, mas também perderá seus direitos no país de origem. A polícia não demorou a chegar, Gray me tirou de cima dele antes que a polícia chegasse. Ainda temos um depoimento ou outro para prestar e ver o que acontecerá com o Kurt Café, mas você não precisa se preocupar com isto, precisa descansar.

Isto me aliviou um pouco ao mesmo tempo que me deixou envergonhada pelo estado do estabelecimento. O dono realmente não deve estar muito feliz com isto.

– E... Onde está meu pai? – perguntei para quebrar o gelo.

– Passei por ele quando estava vindo pra cá. Ele e Grandine estão lá embaixo. – Grandine? – Tem algo estranho, mesmo com o susto já tendo passado, eles falavam baixo e tensos, o que será que está acontecendo?

Ficamos em silêncio por um momento. Realmente não vinha nada à minha cabeça que fizesse sentido para isto, e provavelmente o mesmo acontecia com Natsu. Então fomos interrompidos por um enfermeiro e uma médica que apareceram pela porta.

– Que bom que acordou, srta Heartphilia! Senhor, se não se importa, farei uns exames agora e darei uns remédios, pode ir dormir um pouco, deve estar cansado. Não se preocupe que avisaremos quando tivermos notícias.

– Claro, obrigado. – Natsu se levantou e olhou para mim uma última vez antes de deixar a sala.

– Tem bastante sorte de ter amigos assim, srta Lucy. – o enfermeiro comentou enquanto me acomodava na maca. – Se não fosse por eles, talvez as coisas fossem bem mais complicadas agora.

[...]

Exames terminados e agora eu me encontrava em observação no hospital. Se tudo desse certo, teria alta amanhã, mas teria também que me consultar com um psicólogo uma vez por semana.Todos estavam aliviados por eu estar fora de perigo, mas ninguém estava confortável no momento, especialmente eu.

No momento, havia no quarto mais pessoas do que o permitido e os enfermeiros ficariam loucos se vissem, por sorte não havia passado nenhum até o momento, ou azar... Eu havia encarado Natsu, agora tinha de encarar a todos os outros. Espalhados pelo quarto estavam Natsu, Erza, Levy, Jellal, Mira, Loki, Cana, Gajeel, Gray e Juvia. O clima estava bem pesado, ainda mais pelo desentendimento de Levy e Gajeel e pelo que aconteceu entre mim e Loki, mas havia algo diferente com Gray, este encarava Juvia de uma maneira diferente, parecia até admiração. Assumindo postura de presidente do conselho estudantil, Erza tomou a palavra.

– Pode nos dizer o que há de errado contigo, Lucy? Você é idiota? O que deu em você pra nos esconder uma coisa dessas? Já havia escondido um segredo grande de nós, mas era compreensível, mas este?! Somos seus amigos, Lucy, não merecemos um voto de confiança?!

Senti um gosto amargo na boca ao acabar de digerir as palavras de Erza, imaginava que ela diria algo assim, mas a realidade era ainda mais dura, me arrependia muito por não ter confiado em meus amigos e por ter preocupado a cada um deles, e ainda mais por estar escondendo coisas deles que lágrimas intrometodas apareceram novamente em meus olhos, já perdi as contas do quanto já havia chorado hoje. Eu sou mesmo um caso perdido, uma vergonha. Engoli em seco com força, com um nó se formando novamente em minha garganta e tentando não abrir o maior berreiro e implorar pelo perdão de cada um deles. Estas pessoas incríveis a quem posso chamar de amigos, sou realmente muito sortuda por conhecê-los e ter a oportunidade de passar momentos realmente agradáveis com eles. Eu não mereço tamanho presente! Abri um sorriso trêmulo.

– Eu... A Erza está certa. — apertei a mão querendo leva-la aos meus olhos, mas meus braços estavam pesados demais para isso, foi então percebi que algumas lágrimas haviam escapado deles e agora desciam livremente por meu rosto. – Eu fui uma idiota, aliás, sou uma completa idiota.

Uma mão pousou em meus cabelos, e outra em seguida pousou em meu rosto, secando minhas lágrimas, ergui os olhos e reconheci os toques confortáveis e carinhosos de Levy e Mira.

– Por incrível que pareça, a Erza está mesmo certa. – Jellal se pronunciou e foi ouvido um resmungo vindo do mesma e esta deu um soco em seu braço. — Você é uma idiota.

– Mas não é uma idiota qualquer, é a nossa idiota. — ouvi Loki dizer, ele me olhou nos olhos ainda com uma mágoa escondida em seus orbes. — Não se atreva a esconder mais nada da gente, Lucy, um dia talvez você não tenha tanta sorte de ter alguém por perto.

Mordi os lábios, desviando o olhar e corando levemente.

– Estou decepcionado comigo mesmo, não pude tomar conta da minha irmã direito. — Jellal falou, com um tom triste na voz, mas, consegui sentir o sorriso em seus lábios. — Mas, pode ter certeza que dessa vez eu vou cuidar de você, como um irmão deve cuidar.

Juvia, com um pouco de receio, se aproximou mais da beirada da cama e pousou suas mãos sobre a minha que não estava engessada, atraindo o olhar de todos os presentes naquele quarto.

– Juvia está triste pelo ocorrido, mas, também está feliz por Lucy-san estar bem. Juvia gosta muito de Lucy-san e está honrada por ter confiado em Juvia, mas acho que Lucy-san deve uma explicação a seus amigos.

Todos ficaram em silêncio esperando alguma resposta. Olhavam-me com expectativa, mas apenas uma pessoa não direcionava o olhar para mim, e sim para Juvia. Juvia estava completamente alheia a Gray até aquele momento.

– A Juvia foi incrível! – Gray se exaltou, o que acabou chamando a atenção de todos, até que o mesmo ficou corado, tão corado quanto Juvia ficou no momento. – Quero dizer, se não fosse por ela ter vindo atrás da gente, quem sabe o que teria acontecido?!

– O Gray tem razão. – Levy se pronunciou e direcionou um sorriso gentil à Juvia. – Obrigada Juvia, se não fosse por você, sabe deus o que teria acontecido com a Lucy. Admito que fiquei com um ciúme bobo quando vi você próxima da Lucy, mas você provou ser digna de confiança e uma boa amiga! A Lucy deu sorte em dar uma chance a você.

Juvia corou com o comentário e desviou o olhar para mim, alisando minhas mãos com um sorriso envergonhado e gentil.

– Viu, Lucy? Você não está sozinha, você tem amigos! E pode contar com a gente sempre que precisar. – Cana, que não havia se pronunciado até agora, disse.

Natsu, que até agora nada disse, apenas abriu um sorriso encorajador.

– O que nos diz, Lucy? Vai nos explicar o que aconteceu?

Meu deus... Como eu sou idiota. Todos esses anjos da guarda sempre estiveram comigo. Obrigada Deus! Que eu jamais faça uma burrada dessas com eles de novo! Soltei um suspiro longo, não havia mais motivos para esconder algo deles. Então eu contei, cada detalhe sobre minha história com Sting. Desde o ocorrido na Alemanha até as ameaças as escondidas que ele fazia a mim quando eles não estavam por perto. E a cada parte da história, eu reafirmava um pedido de desculpas a cada um deles. Com excessão de Juvia, todos eles ficaram chocados com minha história, mas tudo bem, havia terminado agora. Foi como tirar um peso enorme dos meus ombros, o que me proporcionou um alívio enorme e uma suavidade no coração. Definitivamente eu não estava sozinha e o laço que carrego com meus amigos é algo lindo e inquebrável. Uma grande leveza se instalou por meu corpo e mente a cada palavra que eu dizia, me dando uma sensação de paz que há muito não sentia. Foi como se todos os problemas deixassem simplesmente de existir, ainda mais porque agora eu sei que sempre que eu cair, eles estarão lá para me levantar.

E após ser chamada de idiota várias vezes seguido de muitos abraços, eu finalmente pude descansar com um sorriso no rosto.

[...]

Foi uma loucura quando os enfermeiros apareceram e deram de cara com uma cambada entulhada dentro do meu quarto e todos foram obrigados a se retirar, uns de maneira simples e amigável e outro na base do pé na bunda por seguranças, mas tudo acabou bem no final. Meu pai veio me visitar pouco depois que eles saíram, ele me deu uma bela bronca pela irresponsabilidade, mas de todos foi o que mais me abraçou e agradeceu a Deus por eu estar bem, mas ele parecia tenso e imediatamente me lembrei do que Natsu disse a respeito da conversa dele com Grandine, mas nada comentei.

O horário de visitas agora estava quase chegando ao fim e eu já não esperava que ninguém viesse me visitar mais hoje e está considerando em tirar uma soneca, quando uma enfermeira apareceu na porta.

– Srta Heartphilia, você tem uma última visita hoje.

E de trás dela saiu uma figurinha particularmente acanhada.

– Mavis?!

– Tia Lucy! – a garota correu até mim e me prendeu em um abraço de urso enquando as lágrimas escorriam por seu rosto.

A enfermeira abriu um leve sorriso e avisou que Mavis tinha 10 minutos para falar antes de nos deixar a sós.

– Tia Lucy, não tem ideia do quanto fiquei preocupada, como você está?!

– Agora estou bem. – acariciei o longo cabelo loiro da pequena e a recostei em meu peito. – Vai ficar tudo bem agora, eu prometo. E quando eu estiver totalmente recuperada, nós vamos ao parque de novo e vamos tomar um sorvete, ok?

– Promete, tia Lucy?

– Sim.

– Tia Lucy, posso te contar um segredo?

– Diga.

– Eu odeio hospitais.

Ri com seu comentário e a envolvi num abraço mais carinhoso agora. – Eu também.

Ficamos abraçadas por um tempo, quase o tempo limite da visita, na verdade, mas pouco antes do tempo acabar, Mavis se acomodou melhor na cama e secou sua última lágrima, afofou meu travesseiro e agora já me olhava com seu habitual sorriso sapeca enquanto brincava com as pontas de meu cabelo.

– Sabe tia Lucy, fiquei sabendo que o tio Natsu te salvou, como um príncipe salva uma princesa, certo? Você é a princesa do tio Natsu!

Corei imediatamente com o comentário nada conveniente e com fumaça saindo dos ouvidos ao imaginar cenas românticas com Natsu protagonizando um príncipe, respondi.

– Ele está mais para o encanador que salva a princesa do que um príncipe. – Convenhamos, Natsu é um idiota.

A pequena pestinha riu com meu comentário e me deu um último abraço antes de ir em direção à porta. Mas antes de sair, ela se virou e piscou para mim.

– Eu ainda vou fazer com que vocês dois fiquem juntos! É uma promessa!

E simplesmente saiu, me deixando sozinha olhando pasma para a porta.

[...]

Duas semanas haviam se passado desde o incidente com Sting. Eu já havia saído do hospital e travada de meus machucados em casa com a ajuda de Virgo e meu pai e também já havia iniciado minhas consultas com o psicólogo, e por incrível que pareça, com apenas dois encontros, sinto que estou dando um grande passo para eliminar de vez meu trauma de Sting, apesar de um sonho ou outro sinistro em relação a ele e ainda sentir medo de andar sozinha por aí.

O dono do Kurt Café realmente não ficou nem um pouco feliz com os prejuízos que teve em seu estabelecimento, mas se demonstrou bastante preocupado comigo e com meus ferimentos, me deu até uns dias a mais de folga depois dos últimos acontecimentos.

Mirajane (mesmo contra a vontade de Lisanna) e Loki estavam me visitando com mais frequência em casa, mas apesar de tentar disfarçar, o clima entre nós ainda estava um pouco estranho, sempre que o via, seu beijo vinha à minha cabeça e logo em seguida a imagem de seus olhos ao ter o coração partido. Realmente não queria que as coisas fossem assim, Loki era muito especial para mim e eu sentia falta do brilho alegre de seus olhos.

Nesta noite, em especial, Levy, Erza e Juvia estavam bastante empolgadas, era aniversário de Cana, e por incrível que pareça, hoje ela não queria comemorar em um bar, de acordo com ela, queria uma diversão mais sóbria para esta noite e iria para o bar apenas mais tarde e tentaria achar um namorado por lá. Então, esta noite iriamos comemorar no parque onde eu e Mavis nos conhecemos. Este parque tornou-se muito especial para nós, pois além de ter conhecido Mavis e Natsu lá, foi lá que Jellal pediu Erza em namoro. De acordo com Cana, aquele lugar dava sorte. E talvez realmente desse, Juvia havia se enturmado bem entre a gente desde então e desde que chegamos ao parque, Gray está lançando olhares discretos a ela. As coisas finalmente estavam se resolvendo, quer dizer, quase todas, Levy parecia animada com o suposto novo casal, mas isto a lembrava ainda mais de como estava afastada de Gajeel, mas por mais que eu tentasse fazer algo por ela, a mesma afirmava estar bem. Notei também olhares e sorrisos discretos vindos de Natsu, mas desviei o olhar envergonhada a cada flagra. Nestas duas últimas semanas, Natsu e eu nos tornamos realmente próximos, ele ia praticamente todos os dias à minha casa e nunca abria mão de me ajudar a cuidar de Mavis, o que sempre nos metia em grandes confusões. Na semana passada ele inventou de ele mesmo fazer um bolo e resultou que quase colocamos fogo na casa por isto. Ele chegava às vezes a invadir meu quarto, acreditam? Ele fez amizade com o porteiro do prédio e conseguia com ele a chave reserva sempre que quisesse, o que resultou em vários constrangimentos também. Os únicos momentos realmente complicados eram quando estas visitas inadequadas coincidiam com as visitas de Loki, nestes momentos o clima ficava pesado entre os dois e uma disputa pela minha atenção começava. Mas fora isto, as coisas finalmente estavam tomando um bom rumo.

Durante a noite, eu, Natsu, Levy, Cana, Erza, Jellal, Juvia, Gray e Mira nos divertimos bastante indo na maioria dos brinquedos (Gajeel e Loki não quiseram vir por motivos meio que óbvios para vocês). É claro que eu e Erza fizemos o possível para evitar brinquedos altos, mas nem sempre isso era possível, como agora. Neste exato momento, estávamos todos enfiados numa fila enorme para a roda gigante. Eu e Erza tentamos sair de fininho, mas fomos impedidas por Natsu e Jellal a cada tentativa.

Para diminuir a tensão, conversamos coisas aleatórias durante a espera na fila. Aparentemente, eu e Levy iriamos juntas em uma das cabines, Jellal e Erza em outra, Mira e Cana em outra, Gray e Juvia foram empurrados estrategicamente para outra e Natsu iria sozinho por uma questão de segurança sobre seus estranhos enjoos. Mas pouco antes de eu e Levy entrarmos na cabine, seu celular vibra e ela checa rapidamente a mensagem. Com um sorriso sapeca, inesperadamente Levy pulou para fora da fila.

– Levy-chan, o que você está fazendo? – questionamos imediatamente.

Ela soltou um riso divertido e disse que simplesmente tinha perdido a vontade de ir à roda gigante. Então ela andou até Natsu e o empurrou para a mesma cabine que eu.

– Além do mais, não é justo que vocês fiquem sozinhos, não? Está todo mundo indo em duplas. – E deu uma piscadela enquanto fechava a porta antes que um de nós pudesse protestar. Os celulares de Erza, Mira, Cana e Juvia vibraram imediatamente, elas apenas leram as mensagens e riram, resultando em todas acenando para Levy e pedindo para que o responsável pelo brinquedo pusesse a máquina para funcionar, deixando eu e Natsu sem entender nada. Levy foi até o operador do brinquedo e falou algo a ele, mas devido à altura, não pudemos ouvir.

Então, finalmente, eramos apenas eu e Natsu. Sozinhos. O brinquedo começou a se movimentar lentamente. Numa tentativa de esquecer a altura que o brinquedo aos poucos ia atingindo, comecei a balançar as pernas. Já Natsu agora parecia completamente relaxado enquanto olhava para frente. Então ele finalmente notou meu nervosismo e segurou minha mão.

– Ei Luce. – corava a cada vez que ele me chamava assim, este apelido estava ficando cada vez mais frequente. – Não precisa ter medo. – Ele se levantou e apontou para fora. – Estamos quase chegando ao topo, veja!

Suspirei, e com cuidado, me juntei a ele e olhei para frente. Era possível ver a linha do horizonte pelo mar de Magnólia e tinha uma bela vista da cidade, mas não foi isto o que mais me chamou a atenção e sim o céu. Acima das luzes ofuscantes do parque e da cidade, era possível ver um céu incrivelmente estrelado, num show de luzes maravilhoso e particular. Era simplesmente lindo!

Por alguns segundos, fui completamente capaz de esquecer sobre medo de altura e procurei aproveitar o máximo possível a vista à minha frente. Era realmente maravilhoso, as luzes dos prédios, o mar brilhante e o céu estrelado com uma lua brilhante. Por um momento, havia me esquecido completamente de tudo que me cercava, até que o brinquedo parou num solavanco, o que me fez imediatamente grudar em Natsu com todas as minhas forças e apertar os olhos com medo de olhar para baixo.

– Não se preocupe, o brinquedo só parou para alguém descer.

Aos poucos fui relaxando e quando percebi, ainda estava abraçada a ele.

– Além do mais, não fique pulando sempre em cima de mim, você está gorda, aí fica difícil te segurar.

Imediatamente dei um soco em seu rosto e me afastei bufando enquanto Natsu soltava boas risadas. Enquanto estava emburrada, e já na outra extremidade da cabine, Natsu já parando de rir e com um sorriso bobo no rosto, segurou minha mão com delicadeza e olhou em meus olhos. Imediatamente corei com sua atitude e meus batimentos cardíacos começaram a acelerar. Então, lentamente, começou a entrelaçar seus dedos aos meus.

– Nee Luce. – Começou nervoso, olhando nos meus olhos, mas desviando a cada momento, com as maçãs do rosto levemente coradas, o que acelerou meus batimentos cardíacos. – Eu queria te perguntar uma coisa.

– P-P-Pode perguntar. – disse sem conseguir disfarçar o nervosismo e o constrangimento.

Ele olhou para mim com mais atenção e não deixei de fazer o mesmo. Não importa quantas vezes eu visse aquele olhar, a sensação era sempre a mesma desde que ele lhe direcionou seu primeiro sorriso. Ambos estávamos felizes, e isso era mais do que perfeito. Nossos dedos estavam entrelaçados de forma natural, como se fossem feitos para estarem ali, daquele mesmo jeito, desde sempre.

– Faz algum tempo que eu estou me perguntando isso, na verdade, acho que parte dos nossos problemas começou quando eu comecei a me perguntar isto, mas esta dúvida não cabe mais apenas à mim. Sabe Lucy, nas vezes em que me afastei de você, foi pra tentar colocar minha mente no lugar, mas não deu muito certo, e eu me arrependo muito por ter feito isso.

– Natsu...?

– A questão é, ficar perto de você me deixava louco, mas ficar longe de você me deixava mais louco ainda! Lucy, nós realmente somos apenas amigos?

Esta declaração vinculada a esta pergunta me pegaram totalmente de surpresa. Eu não podia acreditar que isto estava acontecendo, meu coração parecia que iria explodir dentro do meu peito de tamanha felicidade. Na verdade, algo mágico realmente acontecia quando eu e Natsu estávamos juntos.

– Eu não sei, esta resposta cabe a você.

Então ele sorriu e balançou a cabeça negativamente, e com as duas mãos, segurou meu rosto delicadamente.

– Então a resposta é não.

E antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Natsu me beijou. Definitivamente foi um beijo incrível! Seu beijo era doce e delicado, ao mesmo tempo que intenso e apaixonado. Realmente eu nunca havia sido beijada desta forma, e definitivamente, todas as minhas possíveis dúvidas foram sanadas neste momento. Eu te amo, Natsu.

Infelizmente o beijo não durou muito, foi interrompido pelo solavanco do brinquedo que voltava a se locomover. Olhavamos um para o outro ofegantes com um brilho intenso no olhar. Nada mais importava agora, nem mesmo a altura inacreditável que nos separava do chão. Se quer saber, mesmo que eu estivesse em terra firme, de nada me adiantaria, pois estou me sentindo realmente nas nuvens agora.

Ao chegar em terra firme, descemos do brinquedo de mãos dadas e fomos recebidos pelos nossos amigos com gritos de aleluia e alfinetadas de “finalmente!”. E após aturar várias piadinhas, finalmente consegui chegar até Levy e sussurrar em seu ouvido um “obrigada”.

– De nada, mas não é a mim que você deve agradecer.

– Ah não? Então a quem devo?

– Mavis. Ela fez exatamente como você quando juntamos Erza e Jellal. Ela que mandou a mensagem com instruções do que devíamos fazer. – e piscando o olho, Levy foi comprar um algodão doce enquanto eu permanecia paralisada olhando para o nada com um sorriso bobo.

Então ela realmente cumpriu a promessa?

Sem que eu percebesse, Natsu me abraçou por trás e me deu um beijo no rosto, me arrastando para o próximo brinquedo.

Realmente Mavis, Obrigada.

Notas finais
E então, o que acharam? Eu gostei muito de escrever este capítulo e estou aqui finalizando ele quase às 4:30 da matina sendo que terei de acordar antes das 9:00, então aqui está minha prova de amor à vocês hahahaha Estou escrevendo agora o especial de natal, mas não sei se conseguirei postar hoje já que meus planos de natal mudaram drasticamente de uma hora para a outra. Mas farei o possível para postar a tempo! Novamente, um feliz natal a todos!