Uma Pestinha Em Minha Vida
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Notas iniciais
– Erza, vamos parar um pouco? – perguntei ofegante. Se eu continuasse nesse ritmo, minhas pernas iriam ceder em breve.
– Claro, já venho Lucy, preciso fazer uma ligação. – respondeu como se não tivesse acabado de correr dez voltas no parque, olha que este parque definitivamente não é pequeno.
– Tudo bem, te espero aqui. – respondi sentando-me no banco mais próximo e amarrei mais firmemente meus tênis de corrida. Após alguns goles de água, já me sentia bem novamente.
Eu e Erza temos o costume de praticar cooper todo sábado de manhã. Como não temos paciência para dietas, é assim que mantemos a forma, sem falar que é divertido. O que me intriga é que Erza parece nunca estar cansada, de onde ela tira tanta disposição?
O dia estava muito bonito, céu azul, poucas nuvens, uma brisa fresca e uma temperatura agradável, perfeito para sair de casa e aproveitar o dia ao ar livre. E parece que as pessoas realmente decidiram fazer isso, haviam muitas famílias naquele parque nesta manhã, algumas preparando um piquenique, outras brincando no parquinho e outras simplesmente passeando com cachorros. Certamente era uma manhã agradável. Fechei os olhos para aproveitar melhor a leve brisa que soprava.
– Ora ora, se não é Lucy Heartphilia! — exclamou uma voz infelizmente muito conhecida por mim.
– O que você quer, Lisanna? – perguntei abrindo apenas um olho e fechando logo em seguida. Minha manhã estava realmente boa demais pra ser verdade.
– Ora, por que este mau humor, Heartphilia? O dia está tão lindo. — comentou cínica.
– Diz logo o que você quer, Lisanna. – respondi suspirando.
Esta é Lisanna Strauss. Há alguns anos já fomos muito amigas, ela era muito gentil e doce, mas de uns anos pra cá ela se tornou uma menina cínica e fresca. Ela adora se exibir por “ter o melhor namorado do mundo”, mas até hoje nunca vi esse ser ou mesmo sei o seu nome.
– Ok, ouvi falar que teremos alunos novos em nossa sala a partir da semana que vem.
– E daí? – perguntei sem olhá-la.
– Daí que ouvi dizer que um deles é um gatinho! Conhece? Chama-se Sting Eucliffe. – Estremeci. Não pode ser! Sting?
Lisanna, que me observava atentamente desde que começamos esta conversa, sorriu debochada.
– Oh, vejo que alguém já o conhece! Ele é tão bonito quanto dizem os boatos? – perguntou empolgada.
Não pode ser! Sting? Até aqui?
– Controle-se Lisanna, você tem namorado. – falei ácida, tentando disfarçar meu nervosismo pela notícia.
– Eu sei, ele é um gostoso! Mas olhar não tira pedaço, não é? – Mas que vadia!
– Sua vadia! Não tem respeito nem pelo namorado! – gritei.
– Ei, olha como fala comigo, sua estranha! Como eu falei, olhar não tira pedaço. Pelo menos eu não sou uma rejeitada como você. Ainda encalhada? Que fracassada! – riu com deboche.
– Você não tem mais o que fazer, Lisanna? Por que não vai ficar se esfregando com seu namorado?
– Ora, com ciúmes, Lucy? Que feio, desejar o homem alheio é muito feio.
– Se toca, vadia, nem sei quem é seu namorado! E você não é a pessoa mais recomendada para me dizer isso. – Lisanna já dormiu com quase metade dos meninos do colégio, é mais rodada que pneu de caminhão!
– Ora sua... – o ódio estava estampado em seus olhos e ela estava pronta para voar no meu pescoço, mas fomos interrompidas por Erza, que havia acabado de voltar.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou séria encarando Lisanna.
– Ora, nada, nadinha. Eu e Lucy estávamos apenas tendo uma conversa, nada demais. Tchauzinho. – disse com um sorriso falso e se retirando logo em seguida. Erza era a única pessoa próxima a mim que Lisanna “respeitava”, se é que se pode chamar isto de respeito, ela apenas não tem coragem de encará-la, mas pelas costas, mete a faca e torce o cabo! Na verdade, acho que só existe uma pessoa neste mundo que não tem o menor receio de bater de frente com Erza.
– Ela te fez algo, Lucy? – perguntou preocupada sentando-se ao meu lado.
– Nada de mais, apenas o de sempre.
– Será possível que essa menina não se toca? – comentou tomando um gole de água.
– Pois é, mas relaxa, não estou preocupada com ela. – Estou preocupada com Sting, completei mentalmente. – Pronta para mais? – perguntei me levantando e começando um alongamento.
– Eu sempre estou pronta!
[...]
– Cheguei! – gritei ao entrar em meu apartamento, mas não houve resposta, que estranho.
Deixei minha garrafa d’água em cima da pia e corri para o banheiro para uma ducha rápida. Durante o resto da corrida, não consegui pensar em mais nada a não ser Sting. Por quê? Logo agora que minha vida estava ótima? Eu realmente sou muito azarada, será que tem como ficar pior?
Saí do banheiro já vestida com um shorts jeans, uma camiseta larga e um par de chinelos, e com os cabelos pingando. Estava prestes a secar meu cabelo quando ouço meu pai me chamar.
– Chamou, papai? – perguntei entrando em seu escritório. Me assustei imediatamente ao ver sua expressão. Meu pai costumava ser sempre confiante e imponente, mas neste momento estava abatido. Que estranho, não o vejo assim faz muito tempo, a última vez que o vi neste estado foi no enterro de minha mãe. – Papai, o que aconteceu? – corri para abraça-lo, mas parece que isso não fez muita diferença, na verdade, parecia até pior, pude ver uma lágrima escorrendo de seu olho direito, o que era realmente raro! Não o via chorando desde aquele dia...
– Tenho uma péssima notícia, filha...
– O que houve? – perguntei tentando ampará-lo.
– Eu cometi um grande erro... Estamos falidos, Lucy.
Fa-Falidos?
– O... que? – ainda não havia conseguido digerir suas palavras. Falidos? Como assim? Papai é dono de uma grande empresa de eletrônicos, os negócios estavam indo tão bem, como podem ter falido de uma hora para outra?
– Eu confiei nas pessoas erradas, me desculpe, Lucy. – me abraçou novamente, não contendo as lágrimas. – Sei que trabalha como garçonete, poderia nos sustentar até eu conseguir um novo emprego? A dívida é grande e já coloquei nossa casa de praia a venda. Me desculpe, Lucy.
Nem liguei para a casa de praia, vê-lo abatido assim realmente cortava meu coração, mas meu salário como garçonete não é o suficiente para sustentar-nos, ainda mais por eu trabalhar apenas meio período. O que vou fazer? Não posso falar para meu pai que não será possível! Sou sua única esperança, nesse momento! Tudo bem, Lucy, relaxe, você é uma Heartphilia, vai dar um jeito!
– Claro papai.
– Obrigado, Lucy! Sei que não ganha muita coisa e que teremos que cortar muitas despesas, mas é apenas por um tempo, juro que te recompensarei.
– Não se preocupe com isso papai, acalme-se, coloque sua cabeça no lugar, vamos dar um jeito nisso. – falei tentando animá-lo, e parece que deu certo!
Por fora eu parecia confiante, mas por dentro eu estava desmoronando! O que farei? Primeiro a notícia de que Sting estava de volta e agora estamos falidos, o que eu faço? Será possível eu ser tão azarada assim?
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