Uma Palavra para a Eternidade

2 Capitulo 2. A primeira vez que saímos juntos


Notas iniciais
Aaaaahhhhh! Correndo pra postar em cima do prazo!!! Boa leitura! ♡

Corri desabalado pelas ruas, o coração ainda pulsando no peito pelo encontro. Pela primeira vez em muito tempo havia me sentido vivo, completo. A sensação de perda que se personificava como um buraco em meu peito e fizera parte de mim e da minha vida durante os últimos 5 anos, parecia haver sumido completamente. Então, aquela maldita mensagem chegara, quebrando o clima que estava se formando.

Por outro lado, eu estava agradecido. Não por me afastar dela – isso eu não desejava de modo algum, mas pela oportunidade que vinha aguardando esperançosamente há meses. Não era segredo para ninguém que conseguir um emprego era difícil, ainda mais para aqueles que haviam acabado de se formar e receber o tão sonhado diploma. Por que contratar um novato recém-saído do forno quando se podia ter uma pessoa renomada e experiente do ramo? Principalmente em uma área concorrida como a que eu havia escolhido. Ainda sim eu não me arrependia. Amava desenhar. Amava as paisagens deslumbrantes que se podia ver só olhando através da janela. Porém, em meio a toda essa beleza havia caos. E era esse caos que eu gostaria de combater.

Apertei maleta contra o peito e dobrei o passo. Por sorte, a maior parte do movimento havia se dirigido para os trens, deixando as ruas estranhamente vazias. Parei, derrapando, em frente ao enorme pr edio espelhado e respirei fundo em uma vã tentativa de se normalizar a respiração ofegantes e diminuir o ritmo cardíaco acelerado. Não funcionou. O coração pulava forte ecoando nos ouvidos e a respiração travava na garganta, engasgada. Vi meu reflexo na parede espelhada do prédio e percebi o que aquela corrida havia feito com o terno. Passei as mãos pelas mangas tentando desfazer os amassados e vincos que haviam se formado e tentei colocar uma ordem no cabelo, agora arrepiado, antes de respirar fundo e entrar na empresa.

O interior era amplo e muito bem decorado, móveis de madeira clara em harmonia com as cores neutras das paredes. Um tapete vermelho e acolchoado levava até uma recepção onde uma moça organizava alguns papéis.

— Olá, Senhor. Como posso ajudá-lo? — Ela organizou-os em uma pilha e voltou-se para mim com um sorriso.

— Eu recebi uma mensagem pedindo que voltasse aqui para uma reunião.

— Ah, é o Senhor Taki Tachibana, correto? Por favor, suba até o sexto andar e aguarde fora da sala. — Ela indicou um par de portas à esquerda. — Em breve vão chamá-lo.

— Obrigado. — agradeci e entrei no elevador. Respirando fundo, tentei controlar o nervosismo que se acumulava no estômago. Ia ficar tudo bem. Tudo bem. As portas se abriram me causando um sobressalto. Saí e sentei em um sofá localizado em frente a uma grande porta de madeira. A fechadura parecia grande e pesada e eu nao pude evitar de pensar que, aqueles centímetros de madeira, me separavam das pessoas que poderiam me dar uma chance no futuro.

A porta se abriu e um homem em um terno azul-escuro bem alinhado saiu. Ao vê-lo, me reprimi pela idiotice de ter vindo correndo e acabado todo desarrumado assim. Felizmente, o homem não pareceu notar.

— Senhor Tachibana, entre, por favor.

***

Agora, longe da pressão que aquele ambiente exalava, consegui respirar aliviado. Mal podia acreditar que havia conseguido, mesmo com todas as palavras gaguejadas e o copo de água derramado, eu havia sido aceito. O celular vibrou, indicando a chegada de uma mensagem.

"Meu vôo foi adiado. Mais um dia na cidade."

Sorri para a tela. Às vezes, os instintos femininos podiam ser assustadores.

"Que conveniente. Preciso de ajuda."

"Encontro em 1h no restaurante?"

"Combinado."

Guardei o celular no bolso e comecei a caminhada para casa, agora plenamente satisfeito com o desenvolvimento do dia. Após um banho rápido, coloquei uma roupa confortável.

Escolhemos uma mesa perto da janela e, mal havíamos nos sentado, quando ela disparou:

— Você está parecendo muito mais animado do que o costume. — disse como se já soubesse de algo.

— Mesmo? — retruquei, nervoso. — Deve ser por causa que uma empresa finalmente me aceitou hoje.

— De verdade? Isso é ótimo! — Ela bateu palmas, animada. — E pensar que pela manhã você estava todo deprimido sobre isso... — completou com uma risada. — A vida às vezes nos surpreende mesmo, não é?

O garçom se aproximou e nos entregou o cardápio. Fizemos nossos pedidos.

— Mas não acho que esse seja o motivo. — Okudera devolveu o menu para o garçom e grudou seus olhos em mim, inquisitivos. — Seus olhos estão mais vivos e retomaram aquele brilho antigo que tinham. — apontou, pensativamente. — Como eles não estavam assim pela manhã, só posso supor que algo tenha acontecido durante o dia. E não foi o trabalho. — acrescentou rapidamente. — Então, quem é ela?

— Como sabe que há um ela nessa história? — quase me engasguei com o refrigerante. Meu rosto queimava de vergonha por ser pego tão facilmente.

— Isso não é nada divertido. — Ela suspirou, bebendo um gole de sua taça de vinho. — Vamos lá, Taki, alguns detalhes.

Desci o olhar para o colo e o mantive lá enquanto falava.

— É ela. A pessoa que eu fui procurar há 5 anos naquela viagem, tenho certeza. — Ela assentiu como se já esperasse por algo do tipo. — Nos vimos pela janela do metrô e foi como se o mundo houvesse entrado novamente nos eixos.

— Você é uma gracinha. — Ela suspirou com um sorriso. — E então, vocês conversaram? Pegou o telefone dela? Quando vai ser o encontro?

Engoli em seco, sentindo um desconforto ao continuar.

— Então... na hora que estávamos conversando, a mensagem da empresa chegou e eu precisei sair correndo...

— E você simplesmente deixou ela lá? — interrompeu, balançando a cabeça, incrédula. — Você pode ser uma gracinha, mas é uma gracinha bem estúpida. Como vai chamar ela pra sair agora?

— Encontrando com ela novamente?

— E você sabe quando isso vai acontecer? — neguei com a cabeça, percebendo a falha no meu plano. — Francamente... — Ela expirou. — Bom, a única coisa que posso desejar é sorte. E que da próxima vez você não seja tão tapado.

Assenti, desejando o mesmo. Terminamos de jantar e eu a acompanhei até o hotel que ela iria passar a noite. As estrelas estavam brilhantes como na noite sob aquela ponte. Meu coração bateu mais forte, desejoso de vê-la mais uma vez. Escolhi uma estrela especialmente brilhante e pedi.

— Por favor que não demore muito. Por favor que nos encontremos mais uma vez.

***

A semana correu rapidamente. Agora, ocupado com o trabalho, não usava mais o metrô como desejava, o que reduziu drasticamente as chances de um encontro. Ansioso e angustiado, comecei a pensar que aquela estrela devia estar com defeito. Quanto tempo levava para atender um desejo tão simples?

Deixei o mar de pessoas me arrastar para o vagão, as esperanças já esgotadas. O destino parecia brincar conosco. Uma pessoa foi jogada pela multidão e esbarrou em minhas costas.

— Desculpe. — voltei-me para também me desculpar e, ao erguer os olhos, senti o coração acelerar. — Oh! — Ela exclamou. — Taki-kun!

— Mitsuha. — um sorriso involuntário se espalhou pelo meu rosto. — Nos encontramos de novo. — " Finalidade estrela!" Pensei. Ela sorriu e levou a mão ao cabelo, puxando os fios que caiam no rosto para atrás da orelha.

— Você parece bem. Conseguiu resolver aquela emergência?

— Sim! — Eu sorri, animado, e desatei a contar sobre a reunião que se seguira, narrando inclusive todas as falas vergonhosas que havia dito.

— Você é mesmo um bobo. — ela riu. Sim, eu era. Um completo bobo. Agora mesmo não conseguia desviar os olhos de seu sorriso que me aquecia por dentro e fazia o coração saltitar. — Ah, não. Eu preciso descer aqui, tenho que ir buscar a Yotsuha a escola hoje. — O sorriso entristeceu e o momento que estávamos tendo pareceu murchar. — Até uma próxima vez, Taki-kun. — Ela se afastou meio que sendo carregada pessoas aue desembarcaram. Percebi que estava novamente prestes a perdê-la e que o próximo encontro poderia demorar muito para acontecer.

— Ei! Mitsuha! Você gostaria de sair comigo? — gritei, tentando me fazer ouvir acima da multidão.

— O quê? — Ela gritou de volta, lutando contra as pessoas que saiam apressadas e tentando voltar para o vagão de modo que pudesse me ouvir melhor.

— Você. Eu. Jantar. Amanhã a noite! — tornei a gritar. Ela foi riu e assentiu, indicando que havia entendido. — Nos encontramos no museu! — gritei ainda mais alto, vendo as portas automáticas se fecharem o qie me impediu de ver sua reação. Cruzei os dedos, desejando que ela houvesse escutado.

***

O dia seguinte pareceu passar em um borrão. Ansioso como estava, não conseguia me concentrar no trabalho e muito menos nos desenhos. Até mesmo os rabiscos e traços aleatórios me faziam imaginar o que estava por vir.

Pontualmente, as 6h, eu a aguardava em frente ao local combinado, percebendo a minha grande estupidez de nao haver marcado uma hora. Na confusão do metrô, esse pensamento sequer passara pela minha mente. Suspirei e sentei em um dos degraus, preparando-me para uma longa espera na qual sempre havia a possibilidade dela não aparecer. Balance a cabeça para espantar esse pensamento pessimista e me mantive firme. Ela ia aparecer. Eu tinha certeza.

Uma hora e meia depois, e essa certeza eatava sendo posta à prova. O museu já havia fechado suas portas e eu não aguentava encarar os olhares de pena que as pessoas que por alo passavam me lançavam. Pensei seriamente em desistir, voltar para casa e tentar a sorte novamente outro dia, quando uma voz feminina ofegante gritou meu nome. Foi como um choque a percorrer meu sistema nervoso.

Virei-me e a vi correndo em minha direção, uma das mãos erguida no alto em um aceno e a outra segurando a saia do vestido branco que usava. Ela se aproximou, sem fôlego, e eu sorri. A espera havia valido a pena.

— Sinto muito pela demora. Eu não sabia que horas devia vir...

— Isso foi culpa minha na verdade. — Eu ri, porém, internamente, me estapeava por ser tão idiota. — Ainda temos muito tempo. Vamos? — ela assentiu e enlaçou seu braço ao meu. Os olhares se encontraram, ambos os rostos corados, ambos os corações batendo alucinados: o meu pela proximidade e o dela, eu suspeitava, pela emoção da corrida.

Andamos pela cidade em direção a um restaurante-café que eu havia descoberto recentemente e que, algo em mim, dizia ser o tipo de lugar que ela gostaria. Ao chegarmos, ela sorriu, aparentando estar encantada com a atmosfera do lugar. Ao contrário dos restaurantes comuns, naqje haviam grandes e confortáveis pufs para os clientes se acomodarem. Escolhemos uma mesa e afundamos nos pufs macios e confortáveis.

— Podemos comer a sobremesa primeiro? — ela perguntou, os olhos brilhando. Ri de sua empolgada e acabei por entrar no clima.

— Quem manda aqui é você. — acabamos pedindo dois enormes pedaços de bolo e sorvete para acompanhar. O jantar dos campeões.

— O Tessie e Sayaka vao se casar em algumas semanas. — ela comentou enquanto atacavamos as sobremesas. Ainda que os nomes pudessem parecer estranhos, um flash de lembrança que mostrava um garoto cujo cabelo era raspado levando uma garota de trancinhas na garupa de uma bicicleta passou pela minha mente. Foram precisos alguns instantes para me acostumar a lembrança.

— Jura? Finalmente eles admitiram que gostam um do outro então. — Eu ri.

— Sim! Apesar que foi um sacrifício para que acontecesse.

— Não duvido. Mas aposto que, de alguma forma, você deve ter dado uma de cupido. — Ela ela apenas riu, enfiando mais uma colher de sorvete na boca.

Saímos do restaurante, um silêncio estranho se instalando no ar. Mitsuha caminhava com as mãos cruzadas nas costas, os dedos entrelaçados, e os cabelos escorregando da trança no alto da cabeça devido a agitação causada pela corrida mais cedo. Eu a observava, hipnotizado pelo balançar dos fios. Outra lembrança prespassou minha mente: uma imagem das mechas sendo cortadas e caindo no chão, abandonadas, deixando as restantes pouco acima dos ombros. Estendi a mão, tocando as madeixas que escapavam do penteado, fazendo- a se virar, sobressaltada.

— Desculpe. — pedi, envergonhado.

— Tudo bem. — Ela sorriu e os olhos castanhos se aqueceram. — Aqui, me dê seu celular, vou adicionar meu número e assim poderemos nos encontrar e conversar com mais facilidade, sem precisar depender do encontro ocasional em trens. — entreguei-lhe o aparelho e mantive as mãos no bolso. Ela digitou seu número e nome e me devolveu o celular, rindo. — Você continua péssimo em encontros. Será que no próximo eu vou precisar escrever as dicas novamente?

— Pelo visto eu acho que vou acabar precisando. — Eu ri, envergonhado.

Não despedimos no metrô com a promessa de voltar a nos encontrarmos em breve. Enquanto caminhava de volta para casa, ergui a cabeça para o céu e fitei as estrelas, decidindo que, a partir de agora, não faria mais pedidos para elas. Eu mesmo faria meus desejos acontecerem. O celular vibrou e eu abri para conferir a mensagem que havia chegado, sorrindo feito um bobo após lê-la.

"Operação cupido confirmada. Adorei a sobremesa! ♡ Ansiosa para o próximo encontro!"

Sorri para a tela, o coração explodindo de felicidade. Finalmente, a vida parecia real. E eu faria de tudo para nao desperdiçar essa segunda chance.

Notas finais
Preciso tomar mais cuidado com os prazos, quase não dava tempo de terminar o capítulo kkkk Espero que tenham gostado! Vejo vocês no próximo ♡ Beijinhos ^3^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.