Uma Outra Face

1 Capítulo Único


Você já pensou por que A-ya usa seu uniforme impecável, enquanto tudo o mais sobre ele é uma bagunça?

É porque, assim, ele pode esconder as marcas de mordida em seu pescoço.

Marcas de mordidas de uma amante secreta.

Tudo começou em um dia normal e tedioso. A-ya estava, como sempre, espalhando rumores, desta vez sobre uma certa garota popular.

Isto é, B-ko.

O garoto teve a oportunidade de conhecer sua verdadeira face alguns dias atrás, e se aproveitou disso.

Afinal de contas, B-ko era um pouco interessante.

O novo rumor de A-ya era sobre como a garota tinha ligações com aliens e outros seres do tipo. Como esperado, isso se espalhou rápido e em pouco tempo todos estava falando a respeito.

É claro que uma certa garota não estava se divertindo nem um pouco com isso. Bem pelo contrário, estava furiosa.

Após as aulas do dia acabarem, A-ya estava organizando suas coisas para ir para casa, quando algo arrastou-o para uma sala de aula não utilizada no prédio antigo.

Era B-ko. O outro não pôde evitar de pensar no quão surpreendentemente forte ela era.

"Eu já não te avisei da última vez para parar com esses rumores?" Uma B-ko irritada gritou, puxando o garoto pela sua gravata.

"Eu suponho que sim, mas eu realmente não me importo?" A-ya respondeu com um sorriso malicioso e continuou. "Não há muitas coisas interessantes para fazer, tenho que matar esse tédio de alguma forma."

"Coisas interessantes, você diz? Então, achar que provocar as pessoas é algo interessante? Você realmente tem mal gosto! Eu não me importo, apenas pare com isso agora mesmo!"

"E se eu não parar?"

"Nesse caso, irei puni-lo." B-ko disse em um tom baixo e sério.

"Ooh, me punir?" A-ya começou a rir, divertindo-se com a resposta da garota.

"Não ria de mim, eu estou falando sério!"

"Certo, certo... Mas enfim, como seria essa sua tal de punição? Você vai me dar um soco? Estou até com medo agora..."

"Você está zombando de mim, não está?... Tudo bem, eu vou te mostrar!"

Dizendo isso, B-ko puxou A-ya pelo colarinho e, com um movimento rápido, quase o jogou contra a parede.

A ação repentina o pegou de surpresa. Ele simplesmente caiu no chão, com as costas ainda contra a parede. Em seguida, a garota se aproximou dele, ajoelhando-se entre as pernas abertas de A-ya.

B-ko opened a paralized A-ya's uniform, making his whole neck visible.

B-ko abriu um uniforme de um A-ya paralisado, deixando seu pescoço visível.

"Prepare-se e fique quietinho. Eu não quero deixar nossas roupas ensanguentadas."

O rosto da garota agora parecia diferente. Sua expressão geralmente delicada transformou-se em um sorriso sombrio. Seus olhos, visíveis mesmo na sala com pouca luz, estavam brilhando. Mas, a coisa que mais intrigava A-ya era, de fato, as presas que apareceram em sua boca.

Era algo realmente inesperado.

O rosto da garota se aproximou de seu pescoço, fazendo-o arquejar quando sentiu a mordida.

No início, talvez por causa do choque, o garoto fechou os olhos para suprimir a dor. Mas logo notou algo estranho.

Não doía nada. Pelo contrário, depois de ter seu sangue sendo sugado até que lhe dava uma boa sensação...

A-ya não podia evitar de tremer, vez ou outra até mesmo gemer. Droga, por que ele estava sentindo prazer em tal situação? Pelo menos, B-ko teve consideração o suficiente para escolher um lugar isolado naquele edifício velho para fazer isso, outeria sido demasiado embaraçoso, mesmo para alguém como ele.

Algo quente escorreu pelo seu pescoço, sendo imediatamente interrompido por uma lambida da garota.

E então, ela parou.

"O que achou da punição?" B-ko perguntou, esboçando um sorriso travesso.

"Haa... B-ko... O que foi isso?" A-ya estava confuso, ainda sob o efeito da estranha sensasão.

"Eu estava com sede, então tirei o melhor da situação!"

"Mas... o que é você?"

"Ora, não é você quem entende do oculto e sobrenatural? Por que não tentar adivinhar?"

"Uma... vampira?"

Os olhos de A-ya se arregalaram. Isso não era possível, certo?

"Uma vampira reencarnada, para ser mais exata."

"…"

Sua voz não saía.

Aquela, era uma situação impossível.

Uma impossível, mas incrível, situação.

Seu tedioso cotidiano mundano, destruído por uma vampira real!

Que reviravolta mais interessante era esta!

"Como é que ninguém percebeu antes? Sua identidade real... Pelo que já li sobre vampiros, eles não aparecem em espelhos, não devem ser capaz de suportar a luz do sol e-"

"Como eu disse antes, eu sou uma vampira reencarnada. Ambos os meus pais são seres humanos comuns, portanto, herdei deles a capacidade de me passar como uma pessoa normal. É como magia. É assim que escondo minhas presas, também. "

Como se para provar a veracidade de sua explicação, B-ko retornou ao normal na frente dele.

Ela parecia uma garota humana normal novamente.

Uma perfeita impostora.

De repente, algo importante passou pela mente de A-ya.

"O que acontece com as pessoas que você morder?"

B-ko riu.

"Hahaha! Você está preocupado com o fato de que pode se transformar em um vampiro ou algum tipo de escravo depois de ter seu sangue sugado por mim? Não se preocupe, isso só acontece em lendas e contos de fadas. Eu não bebo sangue com frequência, também, já que geralmente consigo sobreviver com comida normal ".

"Então é assim que funciona..."

Deus, como foi bom ouvir isso. A-ya se sentiu mais confortável depois da explicação.

"Sim. Então, eu suponho que você entende que tudo o que aconteceu aqui hoje é um segredo entre nós, certo? Não se esqueça que eu posso facilmente machucá-lo gravemente se fizer algo suspeito."

"Aquela força não era normal. Isso também é por você ser uma vampira?"

"Sim."

A-ya suspirou. Não que ele tivesse a menor intenção de contar a alguém sobre isso de qualquer maneira, mas ver a outra ameaçá-lo com um sorriso tão alegre era muito mais assustador do que qualquer história que já tivesse lido.

Bem, dane-se. Ele conheceu uma vampira! Uma vampira real! Essa era uma experiência única!

"Mas, sabe, há momentos em que eu fico com muita sede e preciso de sangue... Então, já que você é o único na escola que sabe sobre isso, uh ..."

B-ko corou, como se estivesse prestes a dizer algo realmente embaraçoso.

A-ya compreendeu e perguntou diretamente.

"Você quer me pedir para que eu dê meu sangue a você quando isso acontece?"

A menina balançou a cabeça, ainda mais vermelha do que antes.

"Acho que eu não me importaria? Virar comida de vampiro não é algo assim tão chato."

B-ko riu.

"A mordida teve seu efeito em você, afinal. Não há como negar, aquilo te deu uma sensação prazerosa, não estou certa?"

Então, aquele sentimento era mesmo um efeito da mordida. Não que isso mudasse algo.

A-ya deu de ombros.

"Talvez."

A garota riu de sua reação. Seria isso algum tipo de resistência emocional?

"Tudo bem, a punição acabou. Cubra esse pescoço e você pode ir."

"Posso perguntar uma última coisa?"

"Pergunte."

"Como era o gosto do meu sangue?"

Ele não estava realmente interessado na resposta; só queria provocá-la um pouco antes de ir para casa. Vingança.

"Eh?"

B-ko ficou claramente surpresa.

"Como era?"

"É ... não era tão ruim. Mas era extremamente doce."

"Doce?"

"Nada, esqueça."

E, assim, B-ko e A-ya começaram a se encontrar secretamente naquela mesma velha sala, ficando mais próximos um do outro.

Os dois ficaram tão acostumados um ao outro naquela situação incomum que, em algum momento, a sua relação tinha virado um pouco mais íntima.

O "ritualde sugar sangue" de B-ko mudou. Ela não estava mais apenas pensando em se alimentar, mas também em fazer outro sentir tanto prazer no processo quanto fosse possível, mordendo pontos fracos específicos em seu pescoço múltiplas vezes.

Foi durante uma dessas situações que eles haviam estabelecido um verdadeiro relacionamento romântico.

A garota vampira tinha acabado de beber o sangue de A-ya e, ao levantar a cabeça, foi beijada desajeitadamente por ele.

Uma B-ko corada e atônita olhou para ele sem expressão, incapaz de convencer a si mesma a se mover e fazê-lo parar. Quando o outro quebrou o beijo, lambendo seus próprios lábios, ela reuniu coragem suficiente para gritar e pedir explicações.

"Eu só queria saber o gosto", A-ya respondeu, fingindo uma expressão de tédio, sem nenhum sinal de arrependimento por seus atos.

"Então, por que não disse antes? Eu poderia mostrar por outras formas, você não precisava me beijar!"

"Mas eu quis."

A-ya disse isso com sua expressão habitual.

"O que você quer dizer?!"

"Eu querer te beijar não é uma razão boa o suficiente?"

"Mas por quê!"

"Eu acho que talvez goste de você? Desde que falamos pela primeira vez pensei que você fosse interessante, mas quando descobri sobre sua verdadeira identidade, fiquei mais consciente desse sentimento de querer ficar próximo. Enfim, não sei se isso também não é devido a algum poder seu. "

"É por isso que começou os rumores a meu respeito?"

"Não. Como eu disse antes, isso era porque estava curioso sobre o quão rápido eles iriam se espalhar."

"Aaaah, eu simplesmente não consigo te entender..."

"Whoa, parece que fui rejeitado bem rápido. Como esperado da vampira top perfeição da nossa escola, hm? Uma pessoa normal nunca iria se adequar aos seus padrões ~"

"E-ei! Pare de fazer suposições por conta própria! Eu não me lembro de ter dito nada disso!"

"Sobre estar interessada em pessoas normais?"

"Não! Quero dizer, sim, mas não só sobre isso!"

"Você está dizendo que aceitaria como par romântico uma pessoa que começou a espalhar histórias falsas a seu respeito? Isso é inesperado."

"Uh…"

"É por causa do meu sangue?"

"Claro que não!"

Ela acabou de aceitar seus sentimentos, isso não era o suficiente? Por que A-ya continuava brincando com ela sobre isso? Será que estava inseguro ou...

"Você está esperando que eu faça uma confissão, não está?... Tudo bem, mas não ouse dizer a ninguém sobre isso!"

"Hm, ok?"

"Então… Eu gosto de você, A-ya…"

"Sua voz estava muito baixa, não consegui ouvir claramente. Você poderia repetir, B-ko?"

"Eu disse que gosto de você!"

"Por quê?"

"Eh?"

"Eu disse meus motivos. Agora você tem que dizer os seus. Isso não seria justo?"

"Minha razão para gostar de você é... Uh..."

Espera. Por que ela começou a gostar dele, afinal?

"Eu não sei. Talvez porque você foi viu como sou realmente e não fugiu... Mas não tenho certeza."

"Acho que isso é suficiente."

"Ótimo, então, uh…"

"…"

Por alguma razão, a situação se tornou rapidamente embaraçosa.

Bem, não era como se qualquer um deles tivesse se envolvido em um relacionamento antes, então talvez estivessem confusos sobre o que fazer ou dizer.

Foi A-ya quem quebrou o silêncio.

"O horário do almoço está quase no fim. Acho que devemos voltar."

"D-desculpe, você está certo! Consegue se levantar sozinho? Não está se sentindo tonto pela perda de sangue hoje?"

Ele fez um gesto negativo e, segurando-se na parede, levantou, arrumando suas roupas.

Então, inesperadamente, A-ya pegou a mão da garota.

"Ninguém iria nos ver agora. Vamos voltar juntos."

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