Uma Nova Vida

3 Capítulo 3- Pra cá voltei, aqui morrerei.


Notas iniciais
AMOR: o principal princípio.

- Alô vovó, como vai as coisas ai? E o vô tá melhor? Perguntei ansioso.

- Sim ele está! E as coisas ai, como vão, você não tem saudades daqui? Vovó perguntou querendo ouvir sim!

- Vó, o Alexandre tá vindo tenho que desligar. Tchau.

Lá vinha ele, nervoso pelo fato de mamãe ter comprado uma mochila para minha escola, aliás aquela minha de antes estava um trapo velho. Ele ficou revoltado, minha mãe observava de longe, chorando. Depois de escutar tudo oque ele tinha de falar, virei as costas e como sempre fazia, fui aos braços de dona Alice, minha querida mãe, chorar. Aquela situação estava intragável.

Na noite desse mesmo dia estavamos nos arrumando para jantar em um restaurante próximo ao nosso apartamento, mamãe veio me ajudar a vestir.

- Se estivessemos lá (casa da vó) nunca ia poder te dar essas roupas! Disse ela toda emocionada. Ela estava certa e talvez ficar ali aturando cobras e lagartos desse homem fosse bom, pois, no fim das contas a vida díficil compensara.

Ai ai, aquela janta estava uma delícia, todos estavamos de barriga cheia, bem alimentados e ao saírmos do restaurante nos deparamos com uma mulher muito magra e aparentemente doente, pedindo algo para comer, a cena mexeu comigo, porém Alexandre em um ato monstruoso humilhou a senhora, dizendo coisas absurdas, palavras que mexiam com qualquer sentimento. Mamãe ficou furiosa, abriu a bolsa e deu a pobre mulher cem reais, e foi naquele momento que eu vi que a minha querida mãe não se transformara em uma cópia vagabunda de Alexandre, sua alma ainda estava ali, intacta, mas, quando chegamos em casa ele nos ameaçou, nos chamou de aproveitadores, dinheiristas, e por fim não aguentou, sentou a mão na cara da minha querida mãe. Queria eu fazer alguma coisa, mas não podia. Mas mamãe podia, não só podia como fez, aquilo pra ela foi a gota dágua, viu como o dinheiro transforma a pessoa, vendo a obseção daquele homem que até uma esmola lhe faria falta. Lamentável. Mamãe rapidamente se desfez de tudo que adquirira dele, levou tanto dela quanto meu somente oque trouxemos na bagagem. Alexandre quis nos agredir novamente, mais ela foi forte e reagiu como uma leoa defendendo a cria. Pegamos um taxi, saiu caro para fazer aquela corrida, mais valia a pena, de pensar que voltariamos para casa, depois de dois anos aturando aquele homem, aquelas grosserias, vendo nós se tornár-mos tão egoístas quanto ele. No caminho de volta eu chorava, porém de alegria, alegria de rever meu vozinho, muito doente, mas, ter a certeza de que poderei vê-lo com vida. Não sabia eu ainda oque era a Felicidade ou alegria, mais breve saberia.

- Filho acorda, chegamos! A voz de mamãe me despertou enstusiasmado, olhei pro lado e não vi mais prédios, no lugar vi campos, verdes vales infinitos. Como era lindo! A casa do vovô parecia maior, mais bonita, o motivo era que ele decidiu vender uns pedaços de terras que ainda tinha, ainda lhe sobrara algum dinheiro depois da reforma da casa, e ele preferiu guardá-lo para ajudar eu e mamãe, tinha orgulho disso, mesmo com pouco ainda assim ele dividia, ganancia concerteza não andara por lá!

Toc Toc! Mamãe bate á porta, minha vó abre seus olhos logo brilham, o abraço é inevitável, e a emoção é incontrolável. Naquela noite mal dormimos, a saudade era imensa e tanto eu quanto mamãe nos livramos daquele mal espírito que nos rondava, nos vimos livres novamente. A vizinhança logo já sabia e fez questão de vir nos visitar, aquele clima, aquela recepção, aquele fogão de lenha, velho fogão de lenha! Aquele sofá aconchegante, aquela comida do campo feita pela minha vó, aquele sorriso que novamente brotara na face de meu velho vô, tudo isso nos mostrou algo que fomos procurar tão longe, algo que dinheiro nenhum no mundo comprará, algo que só com amor é possível alcançar, naquele momento, abraçado com mamãe, vô e vó senti oque procurava a vida toda, e encontrei ali ao lado deles na minha terra: FELICIDADE!

O tempo respondeu essa pergunta e nos mostrou que a felicidade realmente estava alí, hoje tenho vinte anos, todos da família permanecem vivos e felizes, tenho uma boa educação, tenho tudo que quero, amor. Mamãe está namorando, dessa vez com um vaqueiro dali, um homem honesto, não tem muito dinheiro, mais tem dignidade e carinho, que se pôe a frente de qualquer bem material. Realmente descobri, para ser feliz dinheiro não é essencial, o amor vem antes de tudo, e a minha terrinha me proporcionou isso, não me arrependo de um dia ter saído de lá com mamãe, pois só assim encontramos o verdadeiro significado da Felicidade. Agora tenho certeza, dessa terra um dia eu sai, senti saudades, regressei, fui e sou feliz e daqui não saio nunca mais!

OBS: Seja feliz, ame ao próximo pelo oque ele (a) é, não pelo que tem, o amor se coloca a frente de tudo, não importa aonde esteja ou com quem esteja, seja feliz,haja oque houver!

Notas finais
Fica a dica!
Espero que tenham gostado.
Abraço a todos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!