Uma Nova Historia
29 Love That Let's Go
Notas iniciais
Capitulo 29 – Love That Let’s Go
http://www.youtube.com/watch?v=9FmBu3sOrBQ – Love That Let’s Go – Miley Cyrus ft Billy Ray Cyrus
(Por Clara)
O nervosismo tomava conta de mim, mas não pelos motivos que vocês devem pensar. Eu não estava nervosa por ter que cantar e nem por ser uma das apresentadoras do show (não sei se a Bia falou, mas eu, ela, Isa, Matheus, Luiza e Marina seriamos os apresentadores do show.), mas eu estava realmente nervosa porque iria conversar pessoalmente com meu pai pela primeira vez.
Eu já havia o visto no Olimpo e em sonhos quando eu era pequena (naquela época eu não sabia que ele era meu pai), mas eu nunca tinha conversado realmente com ele. Como será que ele era? Será que ele se lembrava de minha mãe? Será que ele estava orgulhoso de mim?
Assim que o relógio que tinham instalado apitou marcando 18 horas. Todos viraram para a entrada do acampamento onde alguns deuses desciam a colina. Eu comecei a suar quando vi meu pai vindo em nossa direção. Nunca tinha ficado tão nervosa na vida, mas meus irmãos e irmãs pareciam calmos, como se aquilo não fosse grande coisa, mas ela podia ver por trás das mascaras deles e percebia que eles estavam nervosos.
Quando meu pai chegou até nós, todos pareceram cem vezes mais nervosos do que fingiam não estar. Era a primeira vez que todos falávamos com ele e eu acho que todos sentíamos nervosos pelo mesmo motivo: o que falaríamos para ele quando ele chegasse.
Nós queríamos que ele demorasse um século para chegar, mas como as coisas ruins sempre são o oposto do que queremos, meu pai chegou rapidamente. Mas parece que Hermes também se arrependeu de ter chegado tão rápido, porque ainda ficamos bastante tempo em silencio. Na minha mente parecia que tudo ia fluir tão rápido, mas ali não estavam só eu e meu pai, ali estavam eu, meu pai e meus vinte irmãos.
— Então, como vocês estão grandes! – meu pai disse.
Eu olhei em volta e vi os olhos de um de meus irmãos, que eu não recordava o nome, sorrir e vir em direção de Hermes.
— Pai, quanto tempo! – ele disse abraçando papai.
Eles ficaram um tempo abraçados até que o garoto largou-o, mas quando ele se virou para voltar, meu pai disse:
— Volte aqui mocinho e devolva-me a minha carteira!
— Como você descobriu?! – meu irmão perguntou.
— Eu inventei esse truque!
Eu já estava gargalhando nessa hora. Era inacreditável a ousadia dos meus irmãos! A burrice deles também era inacreditável! Como eles achavam que podiam roubar o deus dos ladrões?! Só os meus irmãos mesmo! Ainda bem que eu puxei o lado inteligente da minha mãe, eu acho.
— Pelo visto, parece que todos vocês puxaram o meu lado do sangue, não é? – Hermes disse risonho.
— Tomara que não! – eu e os outros dissemos em uníssono e começamos a rir.
E a conversa decorreu depois disso, leve e descontraída.
(Por Isa)
Minha mãe falava ansiosamente com meus irmãos e irmãs enquanto eu me afastava. Não queria ficar muito perto de minha mãe, porque ela havia me abandonado sozinha num orfanato por anos. Por mais que não parecesse, eu sempre me senti triste em relação a meu pai e minha mãe.
Eu sempre me sentira meio excluída entre Bia e Clara, pois elas tinham pelo menos um pai ou uma mãe, mas eu não tinha nada. Enquanto elas recebiam presentes de verdade e podiam passar o tempo que quisessem com os pais, eu ficava sozinha naquele orfanato, vivendo com aquelas crianças que eu não confiava ou conhecia direito.
Era a primeira vez que eu tinha alguma chance de ficar um tempo com a minha mãe, mas ela estava dando atenção aos outros demais e provavelmente, não perceberia que eu havia partido.
Eu não sabia para onde estava indo, só estava deixando que meus pés me guiassem. Quando dei por conta, já estava nos campos de morangos. Sentei-me no chão e deixei que a natureza tomasse conta de mim.
— Por que você não está lá com os outros? – ouvi uma voz conhecida chamar-me.
Vir-me-ei e vi minha mãe parada, encarando-me.
— Achei que não notaria que eu saí. – disse olhando-a.
— É claro que eu notaria, Isa! Você é minha filha e eu sempre notarei a sua presença! – ela disse e isso foi a gota d’água.
— É mesmo? Então por que você me deixou naquele orfanato e nunca me visitou? Por que você nunca me deixou conhecer meu pai? Por que eu tive que viver sozinha num orfanato? – eu disse já com lágrimas nos olhos.
— Isabela, você não entende! Eu não te deixei no orfanato! E muito menos seu pai fez isso! Eu sempre tentei que você o encontrasse, mas Zeus nunca permitiu! – Demeter disse vindo em minha direção.
— Então se não foi você, quem foi? – eu disse.
— Vou lhe contar uma história. Seu pai era um jovem biólogo que tinha acabado de se formar na faculdade quando eu o conheci, nós nos apaixonamos e bem, você nasceu. Mas havia um problema em tudo isso, a mãe de seu pai (sua avó) era uma semideusa que um dia havia se apaixonado por um semideus que estava apaixonado por uma filha minha, então ela possuía um ódio imenso por mim e minhas filhas. Quando ela viu o cestinho onde você se encontrava e leu o bilhete que eu havia deixado para seu pai, e em vez de trazer-lhe para dentro de casa, ela te levou até o orfanato e lhe abandonou lá! Eu tentei diversas vezes falar com teu pai ou falar co você, mas Zeus proibira qualquer contato entre os deuses e suas crias ou o pai ou mãe delas! – minha mãe explicou-me detalhadamente.
Quando ela acabou, eu já estava chorando. Não acreditava como minha avó pudera ser tão má! Ela abandonara sua própria neta em um orfanato por um problema na adolescência! Senti um par de braços me abraçar e me consolar enquanto eu chorava.
— Desculpe, mãe! – eu disse entre soluços.
— Não tem problema, meu brotinho! – ela disse acariciando meu cabelo.
— Mãe, isso significa que meu pai ainda está vivo? – eu perguntei e ela assentiu.
Naquele momento, uma felicidade imensa me dominou. Meu pai estava vivo e minha esperança também.
(Por Bia)
Por mais incrível que pareça a praia não estava fria naquela noite, estava em uma temperatura agradável. Meus pés entravam constantemente em contato com a areia, o vento balançava meus cabelos e eu queria largar meus sapatos no chão, mas tinha medo de um filho de Hermes roubá-los.
Eu não sabia que horas eram, mas eu não estava ligando. Pareciam só alguns minutos, mas então eu ouvi chamarem meu nome. Olhei para trás e vi meu pai.
— Então é aqui que você estava mocinha?! Te procurei em todo canto! – ele disse.
— Oi pai. – eu disse.
— Como vai você, minha heroínazinha? – Poseidon disse me abraçando – Você não sabe o quão orgulhoso fiquei de você!
Corei.
— Sei que você deve ter muitas perguntas em mente e lhe responderei todas. – ele disse.
— Por que minha mãe nunca me contou que meu padrasto não era meu pai? – eu perguntei e ele suspirou.
— Sua mãe tinha começado sua carreira como advogada (n/a: Eu sei que não falei antes, mas a mãe da Bia é uma advogada, o padrasto dela é produtor musical e a mãe da Clara é pintora) quando eu a conheci. Ela tinha acabado de ser traída pelo noivo e estava muito deprimida. Eu tentei consolá-la e nós acabamos nos apaixonando, mas quando ela engravidou Zeus não permitiu que eu ficasse com ela, então tive que deixá-la, mas como não queria que ela muito triste, pedi para Afrodite por alguém na vida dela e ela disse que já havia posto. Seu padrasto era o melhor amigo de sua mãe na época e era completamente apaixonado por ela e acabou se declarando para ela no dia que eu fui embora e Afrodite abriu os olhos de sua mãe. Eles começaram a sair e se casaram antes da barriga de sua mãe crescer o bastante. Ele concordou em te assumir como filha e assim o fez, sua mãe sempre soube que deveria te mandar para o Acampamento e te falar a verdade, mas preferiu te dar uma infância normal antes de você vir.
— Então tudo aconteceu graças a Afrodite? – eu tentei resumir.
— Bem, pode se dizer que sim. – ele respondeu risonho.
Eu sabia que meu pai não estivera presente na minha vida, mas tinha certeza de uma coisa: não importa onde ele estivesse, eu o amava.
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