Uma Nova Chance Para o Mosca
8 A Mili Não É A Mesma
–O que você queria me contar? –perguntou Mosca, olhando para a cara da Mili, que o observava delicadamente.
Eles estavam sozinhos na sala de estar, em frente a escada.
–Primeiro, eu queria dar oi. –ela falou lhe abraçando. –Senti tantas saudades! –ela disse animada.
–É... Eu também. –ele falou, desanimado, fazendo ela sair do abraço.
–Eu também? Só isso?! O que houve com você?
–Comigo? Foi você que me deu um selinho no dia que saiu do orfanato, me iludindo todo e nunca mais falou comigo.
–Ah, Mosca... Eu me mudei! Vida nova! Seguir em frente! Você acha mesmo que eu ia ficar todo dia olhando pra janela, sentada, pensando em você?
–Sim. Na verdade, foi isso que eu fiz. Agora se você não quer lembrar não sei o que você ta fazendo aqui.
–Ah, não foi isso que eu quis dizer! Eu quero lembrar, mas eu queria seguir em frente.
–Então segue. Aproveita e pede para o seu namorado te ajudar.
–Quem?! –ela perguntou assustada.
–O seu namorado! Aquele do violão e cabelo preto.
–O JP?
–Deve ser esse aí.
–Ah, era só um bom amigo. Ta bem, namoramos por um tempo, mas eu já terminei com ele.
–Terminou?-ele perguntou interessado.
–Sim. –ela disse sorridente. –E eu vim aqui, para poder te ver.
–Pensei que quisesse seguir em frente.
–E eu quero. Mas... Eu quero com você.
–E só decidiu isso agora?
–Ah Mosca... Pelos velhos tempos!
–Podemos ser amigos, mas pra ser mais que isso eu preciso de tempo.
–Tudo bem... –ela falou dando as costas e indo para a cozinha.
Assim que as meninas chegaram, ela falou:
–Bom, eu voltei. E cheguei pra ficar. E para comemorar o meu retorno, o meu querido avô, o doutor José Ricardo, organizou um baile de máscaras, e vai bancar todos os trajes. As máscaras serão entregues no dia, as roupas compradas hoje, e para ninguém do orfanato saber quem é quem, você tem que ir com um casaco cobrindo os vestidos.
Todas sorriram e os meninos se entreolharam felizes.
–Assim vocês a gente vai achar os nosso par perfeito! Isso é tão romântico! –disse Cris.
–Mas, Mili! Que dia a gente vai comprar os vestidos? –perguntou Vivi.
–Hoje!
–HOJE?!- as meninas gritaram.
–Isso, depois do café da manha. Afinal, o baile é amanha.
–AMANHA?! –elas gritaram.
–Isso aí. –ela falou sorridente. –Eu não vou poder ficar para conversar, mas daqui a pouco a gente se vê. De qualquer jeito boa sorte.
–Como assim boa sorte? –perguntou Luize.
–Boa sorte no amor. –ela falou sorrindo, e saindo da cozinha.
Já era de tarde, e Mili tinha levado todo mundo do orfanato para conhecer sua nova casa, logo depois da ida ao shopping.
–Nossa! –disse Tati. –Aqui é lindo.
–Aqui é gigante! –gritou Ana, fazendo eco.
–Filha, vejo que trouxe as meninas para uma vizita! Que bacana! –falou Gabriela, indo recebê-los na sala de estar.
A mansão era grande, uma porta gigantesca, que dava do belo jardim, para a sala, onde tinha uma grande escada que dava para o segundo andar.
O salão já estava com mesas e cadeiras, e uma bela pista de dança.
–Milena, podemos falar a sós? –perguntou Gabriela.
–Claro. –ela falou indo pra perto da mãe. –Gente, pode esperar no meu quarto, segunda porta a esquerda, no segundo andar.
Todos subiram e entraram no quarto. Era gigantesco. Paredes brancas e uma cama imensa com um véu caindo em cima dela. Uma varanda, um tapete grande, sofás e um closet maior que o quarto do orfanato.
–Noooooooossaaaa. –disse Vivi. –Eu P-R-E-C-I-S-O de um closet assim.
–Ah... Ta bom... Dá pra ter um elefante morando aqui, quer dizer, uns três. –falou Pata.
–Ah, mas fala sério! Seria demais! –falou Cris.
Mosca continuava na porta, sem entrar.
–Vem, Mosca. –falou Rafa.
–Não, prefiro ficar aqui. Antes eu até ficava bem em entrar no quarto delas porque tinha a minha Irma no meio, mas assim... Eu não me sinto muito bem.
–Ah... Para de besteira! Entra! –falou Tiago deitado no sofá.
Ele entrou, com vergonha, e foi direto para a varanda, ver o jardim.
–É lindo. –ele disse, sozinho do lado de fora.
–Também acho. –falou Mili entrando atrás dele.
–Nossa... –ele disse sem graça. –Que susto.
–Desculpa, não foi a minha intenção. Vejo que gostou da varanda.
–Eu adorei.
–Então quero que venha comigo para um lugar especial.
–Claro. –ele disse a seguindo.
Ela o levou até os fundos do corredor, para uma grande varanda. A vista era muito bonita. Mosca, ainda fascinado com a paisagem, não percebeu Mili, atrás dele.
–Mosca, eu preciso te contar uma coisa...
–Mosca, você tava aí! –falou Binho. –Tamos te procurando, a Ernestina chegou e a gente tem que ir.
–Mas já? –perguntou Mili. –Então ta, nos vemos amanha?
–Sim. –ele disse risonho, olhando para ela.
Binho o levou para a sala. Todos a esperavam.
–Tchau, Mili! Adorei o seu quarto, e o seu closet. –disse Vivi.
–Eu quero um desses! –falou Ana.
–Mas deve ter custado uma fortuna! –disse Cris.
–Foi mesmo, mas meu avô que pagou.
Todas ficaram encarando a encarando. A Mili não era a mesma.
–Acho melhor nós irmos. –disse Mosca.
–Até mais. –disse Mili acenando.
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