Uma Nova Chance Para O Amor BillMione
18 Capítulo 17
Capítulo 17
17 de setembro de 2005
– O que você faz aqui? – Hermione perguntou, levantando-se rapidamente. Ela estava no meio da frase quando Bill apareceu.
– É alguma piada, Farmville? Que porra está fazendo aqui? – O ruivo estava ao lado do Hermione, segurando-se ao máximo para não fazer o que seus instintos mandavam. O bruxo moreno olhou para os dois e depois seus olhos repousaram em Hermione.
– Eu... Eu soube o que houve aqui. Você está bem?
Apesar de toda a raiva e tristeza que sentia pelo que Ethan estava fazendo, Hermione notou a preocupação real na voz dele.
– Saia daqui, Farmville! – Bill falou. Sua mão no ombro de Hermione. Estar em contato com ela era uma forma de controlar a si mesmo. – Não venha com essa encenação... Se você realmente se importasse com Hermione não duvidaria dela! Achar que ela te traiu? Sempre te considerei um riquinho babaca, mas pelo menos achei que fosse inteligente.
– Bill! – Hermione exclamou, mas o outro aceitou a agressão verbal em silêncio.
– Minha preocupação é verdadeira e... – Ele encarou o chão e depois voltou a olhar para sua ex-noiva. – E eu tentei entrar em contato com você antes, mas Harry e Ronald não permitiram.
– Ethan, estou bem. O melhor é você ir embora... – No entanto, ele não se mexeu. Abriu uma pasta e tirou em pequeno álbum, entregando-o a Hermione.
– Lembra-se disso? – Ele perguntou. Ela abriu o álbum e Bill fechou o punho. Hermione não pôde evitar um sorriso. Era o álbum de fotos da primeira viagem que fizeram juntos, meses depois que se conheceram. – Em algum momento eu me perdi de você. Só que ainda tenho boas lembranças do que tivemos. – Ele continuou, enquanto Hermione via as fotos. Um pequeno sorriso no rosto. Bill estava sério, controlando sua raiva e seu ciúme.
– Eu me lembro dessa viagem...
– E eu me lembro da sua alegria ao aceitar meu pedido de noivado e como fui tolo e prepotente... E arrogante com você e com... Com os Weasleys. – Hermione o olhou. Bill gostava cada vez menos do rumo daquela conversa.
– O que você veio fazer aqui? Tentar reconquistá-la? Usar esse discurso barato...
– Não. – Ethan o cortou, a voz séria. – Eu sei que perdi Hermione. Eu apenas vim avisá-los que estou retirando as acusações.
– Como? – Hermione perguntou, surpresa.
– Vou retirar as acusações. Eu agi por impulso e... Raiva. Eu sei que jamais você me trairia, Mione... Eu que errei. Vou retirar as acusações e se precisarem do meu depoimento ou de qualquer ajuda contra Delacour... Podem contar comigo.
– Ethan... – Hermione afastou-se de Bill, deixou o álbum sobre a mesa e foi até o ex-noivo, abraçando-o. Ethan ficou uns instantes parados, depois envolveu Hermione, pedindo desculpas em voz baixa.
Hermione encerrou o abraço com um sorriso nos lábios. Ethan andou até Bill que tinha os dois punhos fechados. Olhava o outro com raiva, ciúme e diversos outros sentimentos misturados. Ethan esticou o braço, para cumprimentar o outro bruxo, em um gesto de trégua.
– Desculpe o que causei e... Obrigado por salvar Hermione. – Permaneceu com a mão estendida. Bill relutou um pouco, mas acabou aceitando o cumprimento.
– Sabe que nunca vou gostar de você. – O ruivo disse, sincero.
– A recíproca é a mesma, Weasley. – Ele virou-se, pegou o álbum de fotos sobre a mesa e saiu, lançando um último olhar para Hermione.
– Impressionante como ele consegue me irritar! – Bill exclamou, nervoso. Hermione foi até ele. – Você precisava abraçá-lo? Depois de tudo que ele te fez...
– Ele está arrependido, Bill. Agora Ethan vai sumir de nossas vidas e não vai mais te acusar. Além do mais, ele é influente no ministério. Não é mal nenhum tê-lo ao nosso lado contra Fleur.
– Não quero a ajuda desse babaca.
– Não seja orgulhoso, Bill! – Hermione falou, passando a mão pelo rosto dele. Aquele gesto sempre o acalmava. Puxou-a para si, apertando-a contra seu peito.
– Tudo vai se resolver, Hermione...
– Eu sei disso... E se não resolver, fugimos, não é? – Ela sorriu. Ele fez o mesmo. Deu um beijo na cabeça dela e afastou-a para que pudesse olhá-la.
– Fugimos. – Assentiu. – Eu te amo. –Beijou-a nos lábios.
23 de setembro de 2005
Estavam todos tão apreensivos com o processo que o aniversário de Hermione foi comemorado com apenas um bolo na casa de Molly.
Eles estavam nervosos, ansiosos... Bill especialmente estava uma pilha de nervos. Ajeitou a gravata e o rabo de cavalo, que sua mãe ainda insistia para que ele cortasse. Andava de um lado para o outro esperando ser chamado. Jules Northman estava sentada, pernas cruzadas e uma delas balançando. Ela mesma tentando controlar seu nervosismo.
Artur e Molly aguardavam. Ao lado deles estava Hermione. Todos vestidos de maneira impecável. A aparência era algo importante em uma situação como aquela. Harry e Gina também estavam lá, assim como Charles.
Foram chamados e entraram na sala. Bill e Hermione de mãos dadas. Eles despediram-se com um breve beijo. A sala era circular e dispunha de duas longas mesas, uma de frente para a outra. De um lado Bill e Jules Northman. Do outro, Fleur Delacour e Alec Powell.
As testemunhas ficavam sentadas atrás das mesas principais e, entre elas, o juiz.
– Vamos dar início ao processo de Fleur Delacour contestando o divórcio de William Artur Weasley. Senhor Powell...
– Obrigado, meritíssimo. – Ele falava de forma teatral. Todos seus gestos eram teatrais. – Essa não é uma situação fácil para nenhum dos envolvidos. Tanto nossa querida Fleur quanto o senhor Weasley formaram um casal que esteve na mídia anos atrás devido à sua participação na guerra contra Voldemort. E no meio da guerra, da escuridão, da desesperança... Esse jovem casal encontrou o amor. – Os bruxos do júri olhavam atentamente para Fleur e para seu advogado. Ela tinha um delicado lenço em sua mão e vestia um bonito vestido floral. – E, por um golpe infeliz do destino, minha querida cliente, Fleur, cometeu um erro e veio aqui reparar o mesmo.
– O que aconteceu? – Um dos bruxos pertencente ao júri, perguntou. Diferentemente do mundo trouxa, perguntas podiam ser feitas por parte dos jurados.
– Em maio do ano passado... – O advogado começou, mudando o tom de voz. – Victoria Delacour Weasley, a pequena filha desse lindo casal... – Disse apontando para Bill e Fleur. – Morreu em trágico acidente. Ela rolou pelas escadas...
– Nem pense. – Jules avisou, em voz baixa, ao notar a movimentação de Bill em sua cadeira. – Deixe-o falar. Eu te preparei sobre o que aconteceria aqui.
Bill cruzou os braços. Não podia acreditar que aquele filho da puta estivesse realmente usando a morte de sua filha para sensibilizar os jurados e o juiz. Olhou ao redor. Ele estava conseguindo. Ele voltou sua atenção à ex-mulher, quando ela começou a falar com a voz chorosa:
– Foi terrível... Eu não conseguia lidar com a dor, com a perda... E Bill... – Fleur olhou para ele, os olhos vermelhos. – Bill sempre estava lá para me lembrar de Victoria. Eles eram tão parecidos. Eu me entreguei à dor e não tive a coragem de continuar...
Hermione também havia notado a estratégia que estava sendo utilizada. Percebeu como algumas bruxas puxavam lencinhos e como os homens olham embasbacados para Fleur. Mesmo chorando e com os olhos vermelhos, ela chamava a atenção. O vestido floral e decotado não tinha sido uma escolha ao acaso.
Alec Powell continuou apelando para o lado emocional. E Fleur fazia muito bem seu papel, assim como os familiares dela. O depoimento da encantadora Gabrielle fez alguns soluçarem. Aquilo não estava indo nada bem...
Bill remexia-se em seu lugar. Nervoso. Sabia muito bem o impacto que sua ex-mulher causava e sabia que ele estava perdendo...
O juiz passou a vez para Jules, que se levantou e andou até a outra mesa.
– Precisa de mais algum lenço, senhorita Delacour? Ou um tempo para ajeitar a maquiagem?
– Estou bem... – Ela disse.
– Além da sua família, tem mais alguém para prestar depoimento? – Jules perguntou, olhando da mulher para o advogado.
– Não, são apenas eles. – Alec respondeu. Jules, agora, era quem encenava. Ela fez uma expressão de surpresa e voltou até sua mesa, abriu uma pasta, folheou alguns pergaminhos.
– Qual o problema, senhorita Northman? – Uma das juradas perguntou. Era isso que ela esperava.
– Tinha mais alguém na lista... Ethan Farmville, ex-noivo da senhorita Granger. Ele estava na lista, não estava? – Todos olharam para Fleur. – O que houve?
Silêncio. Fleur e seu advogado trocaram olhares. Os jurados e o juiz esperavam.
– Eu acho que posso explicar o que houve... – Hermione falou, a voz um tanto embargada de nervosismo.
– Aproxime-se... – O juiz falou. – Senhorita Hermione Granger, não?
– Senhor meritíssimo, acredito que agora é o momento em que... – Alec começou, sendo interrompido pelo juiz.
– O momento em que a advogada de defesa tem o direito de saber por que uma testemunha abandonou o caso, senhor Powell.
Bill não disfarçou seu sorriso. A pequena armação seria revelada.
– A senhorita disse que pode explicar o que houve? O senhor... Farmville era seu noivo?
– Sim, senhor. – Ela respondeu, jogando seus cachos para trás. Ele fez um gesto para que ele continuasse. – Nós ficamos noivos no ano passado, depois de um namoro de dois anos. Eu trabalho no Gringotes com Bill... William Weasley. – Ela corrigiu-se, sorrindo para o namorado. – Nós tivemos uma viagem a trabalho para fazer, quando voltamos, eu e William saímos para jantar e comemorar a minha promoção. E... Bem... – Hermione olhou para o colo.
– O que aconteceu? – Uma bruxa do corpo de jurados perguntou.
– Eu o flagrei beijando outra bruxa.
E então, ela contou sua versão de como se separaram. De como Bill a ajudou... Contou da briga, e da falsa acusação de Fleur. E também contou como ele apareceu em seu escritório, arrependido... Pedindo perdão.
Dali pra frente, os olhares para Fleur, não tinham a mesma compaixão de antes.
15 de outubro de 2005
– Granger... A que devo o prazer dessa visita? – Malfoy perguntou, recostando-se na sua cadeira e fazendo um gesto para que ela ocupasse a cadeira do outro lado da mesa. Eles ficaram em silêncio.
– Vim conversar com você sobre o que aconteceu no Gringotes...
Draco ajeitou-se na cadeira. Os olhos cinza e frios encarando o rosto diante de si. Ele levantou-se e deu a volta na mesa, apoiando-se contra ela. Hermione também se levantou, um pouco nervosa.
– Vai me dar um soco como fez no terceiro ano?
– Não... – Ela respondeu, com um pequeno sorriso.
– Isso é um grande alívio. Estou sendo ameaçado por muitos Weasley já... Seu namoradinho quase quebrou minhas costelas... E... Qual o lance com os olhos dele?
– Isso não é da sua conta, Malfoy. Eu vim aqui para falar sobre o plano que inventou para pegar Bletcheley. — Draco era um pouco mais alto que ela, mas a posição em que ele estava, recostado contra a mesa, fazia com que ficassem quase da mesma altura.
– O que tem o plano que inventei? – Perguntou, encarando o chão.
– Você sabia que poderia colocar a minha vida em risco. – Ela afirmou.
– Acha que isso foi fácil para mim? – Perguntou novamente, dessa vez encarando-a. Hermione olhou-o surpresa.
– Como eu vou saber, Malfoy? Acho que não é questão de ser fácil ou difícil... Não é como se eu importasse para você de alguma maneira! Sempre foi assim! A sabe tudo intragável de sangue-sujo! Na certa o plano não passaria de uma maneira limpa de você, finalmente, se livrar de mim! – Ela levantou a voz ao falar. Não tinha ido lá para isso. Mas Draco Malfoy tinha aquela capacidade de fazê-la perder a cabeça e sentir uma raiva que não sentia.
Draco desencostou-se da mesa rapidamente e puxou-a com força pelo braço, aproximando-a de si.
– Granger, sua tola! Foi o meio, o único meio de salvar você e outros nascidos trouxas. Vocês e seus amiguinhos encontrarão outros bruxos com objetos das trevas escondidos no cofre. A paz era apenas temporária! Quanta ingenuidade na brava grifinória! – Ele falou com raiva e um tom desdenhoso. — Você me chama de preconceituoso, mas é uma cega!
Ele a segurava pelos dois braços. Os olhos cinza brilhando diante de si. O hálito mentolado. O cabelo platinado levemente bagunçado.
– Solte-me, Malfoy!
– Cega... – Ele soltou um braço dela e seu dedo percorreu a lateral do rosto de Hermione, que não reagiu.
– O... O que está fazendo? – Ela perguntou diante do súbito gesto de delicadeza nunca visto no loiro.
– Você é uma cega. Se o Bletcheley tivesse te ferido, eu mesmo o teria matado... Fiz isso por você, sua imbecil... – Draco segurou o rosto dela. Seus olhos indo até os lábios. – Se eu te beijar o seu lobo de guarda vai saber, não vai? Aposto que ele está no escritório se remoendo... Andando de um lado para o outro por que ele sente o que você sente. Ele sabe que está comigo aqui... E ele sabe o que estou prestes a fazer... – Draco fechou os olhos e aproximou-se dela, mas sentiu a mão dela em seu peito.
– Não... – Hermione pediu e Draco soltou-a relutantemente e deixou que ela se afastasse. – Desde quando?
– Nem eu sei. – Ele respondeu. – Saia, Granger. Vá embora e não apareça mais aqui.
– Obrigada, Malfoy... – Ela falou, encarando as costas do ex-sonserino e depois saiu. Draco teve vontade de quebrar alguma coisa porque, novamente, deixava-a partir.
–--
Bill não esperou por palavras dela, apenas a envolveu em um abraço e um beijo possessivo. Hermione aceitou, entregue. Amando-o mais uma vez.
20 de novembro de 2005
Bill estava na casa de Hermione. Ela tinha saído com sua irmã e ele tinha se encontrado com Charles. Só que aquela sensação, aquele sentimento de saber o que se passava com ela... Aquilo o atormentava.
Não era questão de confiar ou não em Hermione, era claro que ele confiava.
Mas o que era aquilo que sentia? Nunca sentira algo assim por Fleur, por mais que a tenha amado em algum momento da vida.
Com Hermione tudo era diferente.
Por isso ele foi até o quarto dela e pegou o livro. Ouviu Hermione chegar e abrir a porta do quarto. Estava sentado na cama com o livro sobre o colo.
– Eu tenho uma pergunta, Hermione: você quer saber ou apenas viver isso e sentir-se minha... Eternamente?
Ela andou até a cama, ajoelhando-se na frente dele.
– O que você quer? – Ela perguntou, entrelaçando seus dedos nos dele, sobre o livro.
– Quero apenas você. Não me importa nada disso, Hermione. Eu... Eu jamais vou esquecer minha filha ou me acostumar com a ausência dela, mas estar com você... Torna tudo mais... Leve.
– Estar com você é que o basta, Bill... – Hermione pegou o livro, levantou-se e foi até a lareira na sala. Bill a seguiu. Hermione pegou o pó de flu e jogou-o na lareira, lançou o livro nas chamas esverdeadas. Minerva receberia o livro em Hogwarts.
01 de janeiro de 2006
– Esse é o primeiro de muitos anos que passaremos juntos. – Bill falou, enquanto abraçava Hermione por trás. Ambos olhando para o show pirotécnico produzido pelos gêmeos.
– Já passamos outros Anos Novos juntos, Bill.
– Não como namorados... – Ele argumentou, o queixo apoiado na cabeça dela. As mãos de ambos entrecruzadas.
– Verdade... – A morena sorriu. – Não como namorados...
– De qualquer forma... – Ele virou-a para que ficassem frente a frente. – Quero que seja o último... Como namorados, claro...
– Bill... – Hermione abriu a boca, mas ele colocou o indicador nos lábios dela.
– Eu sei todos os argumentos racionais que vai usar. Só que sabe de uma coisa? Não ligo para esses argumentos. – Ele retirou a varinha do bolso, ajoelhou-se e, com um floreio, uma delicada aliança apareceu em sua mão. – Quer se casar comigo?
Fale com o autor