Uma Nova Chance Para O Amor BillMione
4 Capítulo 3
Capítulo 03
17 de fevereiro de 2005
– Hermione, chamei você aqui por que terá um grande desafio.
– Claro, Bill.
– Iremos até o Egito. Um cliente tem uma herança que precisa ser retirada da casa de seus antepassados.
– Sério? – Bill sorriu quando viu os olhos dela brilharem de excitação.
– Sim. Nossa viagem durará cerca de quinze dias. Talvez mais, talvez menos. Faremos um acampamento próximo à casa. Além da sua ajuda para desfazer os feitiços, quero um relatório sobre nossos erros, avanços,... Alguma pergunta?
– Quando partimos?
– Madrugada do dia primeiro de abril. Infelizmente, perderemos o aniversário dos gêmeos.
Naquela noite, Hermione saiu com Harry e Rony. Eles faziam isso pelo menos duas vezes por mês. Apenas os três. Os rapazes ficaram animados com a novidade, pois sabiam o quanto aquilo era importante para a amiga.
18 de fevereiro de 2005
As coisas com Ethan, no entanto, foram um pouco diferentes.
– É trabalho e será importante para minha carreira.
– Não tem outra pessoa que possa ir?
– Claro que tem, mas eu que recebi essa oportunidade!
– Por que são amigos!
– Por que sou competente no que faço! Sabe que quero crescer, ser promovida e não fazer só a parte burocrática!
– Você não precisa trabalhar, Hermione. Sabe muito bem que posso sustentar nós dois.
– E você sabe muito bem que não sou esse tipo de mulher. Gosto de estudar, trabalhar, ter meu dinheiro. Eu não estou pedindo permissão. Estou avisando.
– Ele deve ter algum outro motivo para te convidar. Não gosto dele.
– Outro motivo?
– Sim. A mulher o abandonou, você está sempre perto, oferecendo ajuda,...
– Ethan, o que você está insinuando? – ela perguntou já nervosa.
– Você sabe muito bem. Ele pode ser processado por assédio sexual e eu ficarei feliz em cuidar do caso.
Hermione abriu a boca indignada.
– Bill jamais faria qualquer coisa desse tipo. O que está insinuando é ofensivo – ambos em pé. Ela vermelha de raiva.
– Você que disse que quer ser promovida... – ele lançou de forma rancorosa.
– Saia. Agora. Da. Minha. Casa.
Enfurecido, Ethan saiu sem falar nada e Hermione jogou-se na cama, chorando.
19 de fevereiro de 2005
Bill chegou cedo ao escritório. A terceira noite de Lua cheia era a pior. Mal tinha conseguido dormir e, sem dúvida, precisaria da ajuda do irmão no próximo mês se Fleur continuasse na França. Viu Hermione chegando. Os olhos levemente inchados e avermelhados. Precisou chamá-la algumas vezes até que olhasse para ele.
– Está tudo bem?
– Sim, Bill.
– Hermione, você não parece bem – ele falou preocupado. Serviu para ela uma xícara de chá, a mão dela tremia levemente – Hermione,...
– Apenas uma briga com Ethan.
– Sobre a viagem? – nesse momento Ethan surgiu com uma expressão culpada no rosto – Acho que agora não é o melhor momento, Farmville.
– Hermione,... — o outro começou ignorando completamente o ruivo.
– Ethan, conversamos mais tarde.
– Eu não aguento esperar. Por favor.
Ela olhou para Bill que assentiu contrafeito. Por não confiar no noivo de sua amiga e funcionária, disse:
– Usem um feitiço silenciador. Minha porta ficará aberta – de seu escritório ele sentou-se e ficou observando a conversa. Seu íntimo torcendo para que ela mandasse aquele riquinho mimado para um lugar nada agradável. Só que, pelos gestos de ambos, sabia que ela ia ceder. E cedeu. Viu quando Farmville a beijou. Sentiu raiva. De Ethan. De Fleur. E quase, quase sentiu raiva de Hermione por estar com um idiota. Mas, era impossível sentir raiva dela. De alguma forma ela sempre estava lá para apoiá-lo com suas perguntas diárias: “está tudo bem?”; o chá que ela trazia, sempre preparado da forma como ele gostava e com um feitiço para não esfriar; os almoços às segundas em que podia conversar ou ficar calado. O olhar castanho que transmitia força, não pena. Era ela que o abraçava sem palavras e não dizia “não precisa chorar” e nem que “as coisas melhorariam com o tempo”. E Bill apenas aceitava seu colo e as mãos nos longos fios. Hermione não falava sobre suas olheiras e nem sobre a perda de peso. Ao mesmo tempo oferecia alimentos que, aos poucos, ele aceitava. Ao ver Ethan beijando Hermione, lançou um feitiço e a porta fechou-se estrondosamente.
07 de março de 2005
Hermione chegou correndo ao St. Mungus. O corredor cheio de cabeças vermelhas. Seu olhar dirigiu-se automaticamente para Bill, que estava sentado ao lado de Ron. Aproximou-se e cumprimentou-os.
– Gina? Harry?
– Estão com os medibruxos – Bill respondeu.
– Eles... Sirius...
– Ainda não sabemos. Apenas que veio um pouco antes do esperado – a morena cumprimentou o resto da família e sentou-se ao lado de Bill. Sem palavras, o bruxo deslizou no banco e encostou a cabeça no ombro dela suspirando profundamente.
Algumas horas depois, um medibruxo apareceu acalmando a todos com um sorriso.
– A senhora Potter está bem, assim como o bebê. Vocês poderão visita-los em pequenos grupos, por favor.
Molly e Artur foram os primeiros a entrar. Aos poucos, todos foram entrando. Bill ficou por último com Hermione. Até poderem entrar começaram a conversar. O ruivo ajeitou-se na cadeira e perguntou:
– Você pensa em ter filhos?
A pergunta surpreendeu Hermione.
– Claro, dependendo da situação uns três. Ou quatro. – ela notou o olhar espantado de Bill.
– Sou filha única. Gostaria de uma família grande.
– Preferência por sexo?
– Não... Seria legal ter os dois, mas não sou como Ethan.
– Não entendi.
– Ele quer filhos homens. Dois – ela percebeu o olhar interrogativo ainda presente – Para continuar os negócio de advocacia da família.
– E por que homem? Uma mulher não poderia fazer isso?
– Para a família Farmville mulheres devem ser boas esposas e donas de casa.
– Isso não parece nada com você...
Antes que Hermione pudesse responder, foram chamados para entrar no quarto. Sirius tinha abundantes cabelos negros, não parecia ter puxado nada de Gina. Os olhos estavam fechados. Harry passou o recém-nascido para os braços de Hermione que o segurou com medo de quebrá-lo. O bebê bocejou e ela sorriu. Era lindo. Tentou passá-lo para os braços de Bill, que recusou e disse para a irmã:
– Sinto muito, Gi – ele saiu do quarto.
– Eu converso com ele – Sirius foi para o colo da mãe e Hermione saiu atrás de Bill. Encontrou-o no corredor e o seguiu em silêncio. Saíram do hospital, caminhando lado a lado.
Pararam em uma praça. O vento batia gelado. Era madrugada. Sentaram em um banco.
– E se eu nunca conseguir segurar meu sobrinho? – Hermione pegou a mão dele – E se eu nunca quiser outro filho? Ou não conseguir amar outra mulher? Por que é foda admitir, mas as coisas com Fleur não vão bem... Estou ficando velho e não sei se poderei construir outra família, começar outro relacionamento...
Hermione apertou gentilmente a mão de Bill entre as suas:
– E se você se apaixonar? Conhecer uma mulher que faça você perder o medo de tudo isso? E se você segurar seu sobrinho e puder abraçá-lo com todo amor que sente, mas no momento, não consegue demonstrar? Por que tudo que, talvez, você reconstrua a partir de agora não vai apagar Victorie.
Após um breve silêncio ele perguntou:
– Você acha que isso é possível? – ele a olhava com intensidade.
– Não sei, só sei que não existem só “e se” negativos.
Bill sorriu triste. Essa era uma das razões pela qual Hermione se tornara seu porto seguro, sua força. Um vento bateu jogando o cabelo solto dela sobre o rosto. O dele totalmente preso em seu típico rabo de cavalo. Com sua outra mão, Bill pegou um cacho e entrelaçou entre seus dedos. Bill sabia muito bem o que estava prestes a fazer. Viu a dúvida passar nos olhos dela. Um raio cortou o céu e uma chuva inesperada caiu. Ele pareceu acordar do seu devaneio e puxou Hermione do banco. Ambos correram para se proteger da chuva. Eles riam.
09 de março de 2005
Hermione levantou-se da cama em silêncio. Ao seu lado, Ethan dormia e roncava baixinho. Foi até a sala, sentando-se no sofá. Milhões de pensamentos passavam pela sua cabeça. Olhou para o retrato dela com Ethan e, pela primeira vez, teve dúvidas. Faltavam poucos meses para seu casamento e Hermione teve receio de estar cometendo um erro. Claro que Ethan era ótimo em muitos sentidos, mas ele cada vez trazia a tona o lado pretensioso de sua família. Será que estava pronta para se comprometer com ele? Seu coração não batia como antes, não batia da forma como bateu quando seu olhar encontrou o de Bill no dia do nascimento de Sirius. Será que ele teria tentado beijá-la se não fossem interrompidos pela chuva? Sim, ele teria. E ele tentaria impedi-lo? Era a resposta dessa pergunta que a angustiava, porque ela não sabia se teria impedido ou se teria o beijado.
E isso era errado por incontáveis motivos. Bill era casado. Ela era noiva. Hermione não sabia o que pensar ou fazer e ela detestava quando isso acontecia.
No Chalé das Conchas, um ruivo alto se debatia com o mesmo “problema”. Ele estava prestes a beijar Hermione. E a beijaria se não fosse pela chuva. Bill sentia-se sozinho e perdido. Apenas com ela, apenas com Hermione todo seu sofrimento parecia suportável. Em que merda sua vida havia se transformado?
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