Uma Nova Cavaleira
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era um dia comum no santuário de Atenas. Os cavaleiros estavam no campo de treinamento realizando seus exercícios diários, com exceção de um, Milo de Escorpião. Ele estava esperando sua nova pupila que chegaria direto do Brasil. Único contente com a noticia foi Aldebaran de Touro, finalmente teria alguém do seu pais para conversar. A chegada estava prevista para as duas horas, ou seja, Milo teria tempo de almoçar com seu amigo Camus de Aquário.
Milo's pov.
— Camus, porque tinha que ser eu?- eu estava quase desesperado, eu nunca tinha tido um pupilo antes, agora tinha que ser uma garota? Não é justo!!!
-Calma Camus, não é o fim do mundo, eu também estou com um pupilo.
-Mas o Hyoga praticamente te idolatra, pra mim é diferente eu não sei o que fazer com ela.
-Só vá até o aeroporto para receber sua nova pupila e aceite o fato de que você vai treina — lá.
— vem comigo Camyu, poooooor favooooooor?!
— Não posso, tenho que treinar o Hyoga. Desde quando o grande e temido cavaleiro de Escorpião virou esse covarde?
— Eu não sou covarde, só não sei o que fazer.
— Já te disse o que fazer.
— Mas não é tão simples...
— Desisto! Agora tenho que ir, e se fosse você também iria rápido, já são uma e quarenta. Tchau Milo.
— Tchau Camus, até mais.-suspirei derrotado e me dirigi ao aeroporto.
Stella's pov.
Eu sou Stella e tenho 15 anos. Fiquei órfã quando eu tinha cinco anos e tive que aprender a me virar sozinha, quando eu conheci o Sr. Kido, um homem que me deu abrigo e um propósito para minha vida, me tornar uma cavaleira. Treinei com ele por dez anos, quando ele me disse que teria que ir para Atenas para treinar com os cavaleiros de ouro. Admito que fiquei feliz, mas também fiquei com medo. Sr. Kido me disse que só havia cavaleiros até o momento e que provavelmente eu seria a primeira cavaleira a tentar uma armadura. Me despedi do Sr. Kido e entrei no avião, de ponde não tinha mais volta.
A viagem inteira eu fiquei pensando como seria o treinamento, como seria o lugar e quem me treinaria. A partir do momento que eu desembarcasse meu sossego acabaria, se é que um dia eu soube o que é sossego. Quando o avião tocou o chão meu coração parou, eu entrei em estado de pânico. E se eu não conseguisse a armadura, o que eu faria depois? E mesmo se eu conseguisse, depois continuaria aqui em Atenas, ou voltaria para o Brasil? Eram tantas perguntas, porém nenhuma resposta.
Sai do avião e comecei a olhar em volta procurando alguém que fosse me levar para o templo de Atenas, alguém parecido com um cavaleiro. Claro que não achei ninguém. Olhei no relógio, ainda eram cinco para as duas, então resolvi sentar e esperar.
Milo's pov.
Cheguei no aeroporto cinco minutos atrasado e descobri que o avião já tinha pousado e todos os passageiros desembarcados. Legal, como eu iria achar essa garota se nem foto dela eu tinha? Espero, eu tenho sim!!! Camus me deu uma alguns dias atrás. Peguei a foto e fiquei encarando ela. A menina era bonita, uma beleza diferente, talvez até meio gótica. O cabelo dela parecia uma cascata de cachos negros o que dava a ela uma aparência de anjo, mas suas feições não revelavam uma menina calma, mas sim uma garota madura e geniosa só esperando para dar o bote. Ela seria uma ótima cavaleira de serpente se passasse no teste final. Tinha que admitir que algo nela me agradava. Levantei a cabeça e comecei a procurar alguém parecida com ela. Tinha muitas adolescentes juntas em um lado, mas nenhuma delas era a tal Stella. Continuei procurando quando meus olhos pousaram uma garota lendo um livro. Deve ser ela! E minha tortura começa em 3, 2 , 1...
-Stella?
Stella's pov.
-Stella?-me virei rapidamente na direção do dono da voz. Ele era lindo, loiro com a pele bronzeada. Algo em mim não o agradou, ele ficou me analisando com uma cara seria. Se tem algo que me deixa com raiva é ser analisada. Ele continuou falando com um voz fria e dura.- Sou Milo, seu mestre. Podemos ir?
-Claro.
Durante todo o caminho não trocamos uma só palavra, a tensão era constante entre nós. O caminho ate o santuário era longo, porém muito bonito. Atenas é uma cidade muito bonita, e estava gostando dela cada vez mais. Claro que nem tudo pode ser perfeito, por isso logo chegamos no santuário e começamos a subir as escadas. O cavaleiro da primeira casa veio nos receber, disse que seu nome é Aldebaran e que também é do Brasil. Perguntou como estão às coisas por lá, já que fazia anos que ele não ia para lá. Respondi que estava tudo bem, nada de novo aconteceu. Meu mestre me chamou para continuarmos subindo e eu o segui contragosto, queria continuar conversando com o Aldebaran. Chegamos na casa de Escorpião e tenho que admitir que me impressionou, depois do templo tinha uma casa muito bem mobiliada e linda, mas fiquei imaginando onde eu dormiria. Ele me mostrou cada canto da casa deixando o meu quarto por ultimo. Ele não era muito grande, mas era muito confortável e tinha um banheiro só para mim.
-agora eu tenho umas coisas para fazer, se quiser pode dar uma volta pelo santuário. Seu treinamento só começa amanhã .
-tudo bem.- algo me dizia que eu não ia me dar bem com esse tal de Milo.
Milo's pov.
Deixei ela na casa de Escorpião e fui direto falar com o Camus, eu estava perdido e algo me dizia que ela não foi com a minha cara e que provavelmente teríamos problemas em breve. Fui entrando devagar, pois senti um cosmo diferente que nunca tinha sentido antes. Parecia pacifico mais eu não estava muito confiante e me aproximei pensando se Camus tinha percebido o cosmo. Quando cheguei na sala da casa de Aquário encontrei Hyoga conversando com um menino de cabelo comprido e castanho e tinha uma aparência andrógena. Com certeza um belo rapaz e o Hyoga parecia estar muito interessado nele. Deixei que eles me vissem.
-Oi Hyoga. Cadê o Camus?
-Oi Milo, eu acho que ele esta lá em cima. Parece que ele não esta se sentindo bem, nem foi treinar hoje à tarde.
-Ah. Quem é seu amigo?-percebi que o amigo corou.
-Esse é o Shun, ele acabou de chegar. É o novo pupilo do Shaka.
-Oi Shun, espero que sobreviva ao Shaka.- vi o tal Shun ficar pálido e o Hyoga me encarar com ódio, mas não ia perder a oportunidade de irritar um recém chegado.-Hyoga, depois quero que conheça minha pupila, acho que vão gostar dela.
Subi em direção ao quarto do Camus, o que será que ele tem? Bati na porta mas ninguém respondeu. Bati de novo e nada, resolvi entrar. Camus estava dormindo, mas sua aparência não estava nada tranqüila parecia estar tendo um pesadelo. Cheguei perto e balancei ele de leve.
-Camus! Acorda, Camus!- ele abriu os olhos assustado e eu podia jurar que vi uma lagrima se formando nos olhos dele.-tudo bem? Você parecia estar tendo um pesadelo.
-Esta tudo bem, Milo. Foi só um sonho.
-Tem certeza que esta se sentindo bem, Hyoga falou que você esta mal e não foi treinar.
-É só um resfriado, logo vou estar bem de novo.
-Camus, você esta queimando de febre!- percebi ao colocar a mão em sua testa.
-Não é nada Milo, já falei que vai passar. Eu só tenho que descansar.
-Não, você precisa de um banho para baixar essa febre. Vem levanta.- já puxei seu braço ajuntando ele a levantar.
-Ta bom, Milo já estou indo. Não precisa puxar.- ele estava concordando comigo, com certeza ele estava muito mal mesmo. Chegamos no banheiro e coloquei a banheira dele para encher com água fria como ele gosta. Ele já tinha tirado a roupa e estava enrolado na toalha. Quando a banheira estava quase cheia eu fechei a água. ajudei ele a entrar, ele parecia estar fraco eu estava com medo de ele escorregar. Ele me deu um sorriso fraco com que dizendo que ia ficar bem, mas ele estava ficando cada vez mais pálido. Ate que ele desmaiou na banheira. Eu entrei em pânico.
-HYOGA!!!
Stella's pov.
Estava passando pela casa de aquário quando ouço meu "mestre" gritando, na verdade eu já tinha passado da casa e estava um pouco longe para eu entender o que ele estava falando. Claro que, curiosa do jeito que eu sou, dei meia volta e entrei na casa de aquário. Na sala estava aquele garoto loiro, pupilo do Camus, e um garoto de aparência frágil mas que também era muito bonito. Os dois olhavam para cima em estado de choque até que eu gritei.
-VAI DEMORAR MUITO?!- Nem terminei de falar já estava correndo em direção as escadas e percebi que eles me seguiam.
Nunca fui covarde, mas tinha que admitir que estava com receio de entrar no quarto e encontrar o tal Camus morto. Entrei antes do loiro e ajudei o Milo a colocar ele o Camus na cama. Ele estava pálido e gelado, ou melhor, mais pálido e gelado do que de costume. Em Atenas é comum as pessoas serem mais bronzeadas devido ao sol quente que marca grande presença por aqui, mas Camus nasceu na França.
-Mestre? você esta bem?- acho que nunca vou me conformar com o fato de ter que obedecer alguém, porem tinha que chamar-lo de mestre. pelo menos, na frente dos outros.- Não precisa se preocupar, ele vai ficar bem.
-COMO VOCÊ SABE? VOCE É UMA PIRRALHA MIMADA QUE EU TENHOBQUE ATURAR QUE NEM AO MENOS SE DA AO TRABALHO DE FINGIR QUE RESPEITA ISSO!!!!- era meio obvio que ele estava fora de si, mas eu não ia ficar quieta ouvindo.
-Eu sou uma pirralha mimada então? Se eu fosse uma pirralha mimada não estaria aqui tentando te ajudar a cuidar desse francês. você não sabe nada sobre mim, então não venha me dizer o que eu sou ou deixo de ser. E ao menos que você saiba cuidar de uma pessoa com pressão baixa, eu sugiro que se retire e procure algum medico.- falei com uma calma anormal, principalmente para mim.
Ele e os dois meninos saíram e me deixaram sozinha com o Camus. Quando meus pais eram vivos, eu sempre sonhei em ser medica, porem depois da morte deles tive que me concentrar no meu treinamento para cavaleira e deixar meu sonho para segundo plano. quando o Sr. Kido me dava uns dias de folga, eu sempre ia fazer algum curso de medicina. Nada muito complexo, pois não tinha tempo para me dedicar 100% ao curso, então eu aprendi o básico como: medir a pressão sem nenhum aparelho e controlá-la, fazer curativos de todos os tipos, primeiros socorros básicos e fiz um curso de ortopedia também. Para mim, os cursos eram passatempos durante minha "férias".
Milo's pov.
Quem aquela garota pensa que é para falar comigo desse jeito? Tudo bem, eu fiquei cego pelo medo de perder o Camus que nem percebi que ela estava cuidando dele. Para mim é impossível aquela garota ajudar o Camyu, ela só tem 15 anos e acha que pode salvar o mundo sozinha. Tenho que me acalmar e achar o Aioria, talvez ele possa ajudar. Continuei correndo até a casa do Aioria, sempre pensando em como estaria o Camyu e como eu iria pedir desculpa para aquela pirralha.
-AIOLIA!!!!!
-Estou aqui dentro Milo, pode entrar.
Entrei ofegando, estava tão preocupado que nem lembrei de usar o cosmo para me ajudar na corrida. Ele estava sentado no sofá sem camisa e lendo um livro. E eu só reparei no calor que fazia quando o vi sem camisa. Realmente estava muito quente, não que eu estivesse reclamando, eu adoro o calor. Só que eu estava tão atordoado que nem aproveitei o sol.
-Que cara é essa? Você não me parece bem, o que ouve?
-O... Ca... Camus ta... passando mal! Você precisa ajudar.
-Tudo bem, vamos.
Acho que, por estar já com o Aioria, me sentia mais tranqüilo. Logo Camus estará bem e, mais calmo. Quando cheguei na casa de Aquário eu fiquei realmente surpreso. Camus estava sentado na cama sem camisa, encostado na cabeceira da cama olhando fixamente para a Stella, que estava segurando o pulso dele e olhando para um relógio. Depois de uns 10 segundos ela levantou a cabeça e sorriu. Não sei por que, mas me senti aliviado com aquele sorriso.
Stella's pov.
Terminei de medir a pressão de Camus e verifiquei que estava normal de novo. Levantei a cabeça sorrindo, feliz por ter conseguido ajudar o cavaleiro. Nem o Milo iria conseguir estragar minha felicidade hoje. Mas fiquei me perguntando como algo tão besta quanto uma pressão baixa pode derrubar um cavaleiro.
-Sua pressão voltou ao normal. Já esta se sentindo melhor?
-Estou melhor sim, obrigado.
-Agora descanse um pouco. Se precisar de alguma coisa pode me chamar, ok? Tenho que ir.
-Tudo bem.
Sai do quarto sem nem ao menos olhar para Milo, só cumprimentei o cavaleiro que estava com ele e sai rapidamente do quarto. Na verdade eu não tinha nada para fazer, mas eu não queria ficar por muito tempo no mesmo quarto que meu "amado" mestre. Sai andando pelo santuário. Me lembrei que ainda não tinha visitado templo da Deusa Atenas. Subi todas as escadas até chegar na última construção. Tenho que admitir que era lindo o lugar, e que tinha um cosmo forte saindo de dentro. Era provável que a Deusa estivesse na casa. Entrei devagar, com medo de fazer barulho. Claro que foi em vão, porque logo ouço alguém se aproximar de mim.
-Quem é você, minha jovem?
-Meu nome é Stella.- Ainda não podia ver ela, porém conseguia sentir sua forte presença. Até que ela apareceu atrás de mim. Não posso negar que fiquei surpresa, ela devia ter uns três anos a mais que eu. E parecia ser um pouco metida. Podia ser impressão minha, ou ela não ficou nem um pouco feliz em me ver.
— E o que você deseja Stella?
-Nada, eu sou nova aqui e queria conhecer o lugar, só isso.
— Você é a nova pupila do Milo, não é?
-Sou.
-Espero que Milo não alivie para você só pelo fato de ser uma garota.- Ela falou seca, agora eu tenho certeza de que ela não esta contente com a minha estadia aqui. Mas não vou deixar barato não.
-Pode ter certeza que ele não vai.- E sai do lugar. pode até ser que eu seja estressada, anti-social, etc, mas não sou de ouvir calada. Se eu cheguei até aqui é porque eu treinei e consegui. Não vou aturar ninguém me rebaixando, seja um cavaleiro ou uma Deusa. Eles ainda não viram do que eu sou capaz.
Caminhei em direção a um jardim e descobrir uma pequena cachoeira depois de uma ponte. Um lugar adorável que era muito bom para pensar ou, ao contrário, abstrair do mundo. Não foi a surpresa achar um garoto moreno deitado na grama do lado oposto da cachoeira. Quando eu me sentei na grama ele levantou a cabeça, provavelmente eu fiz algum barulho que ele ouviu. Ele se aproximou de mim e sentou do meu lado. Olhei para ele, parecia ser uma boa pessoa, além do fato de ele ser muito lindo, tinha um sorriso que deixaria qualquer uma tonta, menos eu. Esse jeito dele me deixou alerta, não que estivesse com medo dele, mas eu não tenho o costume de ficar a vontade com pessoas estranhas.
-Oi, quem é você? — A voz dele era rouca e extremamente sensual. Ele estava tentando me deixar à vontade, o que não passou despercebido por mim.
-Meu nome é Stella, sou nova aqui.
— Eu não estava sabendo que iria chegar alguém esses dias. Quem é o seu mestre?
-Milo de Escorpião.
-Nossa!!! Boa sorte, ele não é a pessoa mais fácil de lidar aqui no santuário.
-É, isso eu já percebi. Qual é seu nome?
-Nossa, desculpa esqueci de me apresentar. Sou Ikki, pupilo do Aioria de Leão.
-Alguma dica para sobreviver ao Milo?
-A única coisa que eu posso dizer é: se ele se estressar, finge que não esta ouvindo. funciona para mim.
-É uma boa dica.
-Você esta bem?-ele ficou me olhando meio preocupado.
-Não tenho certeza, eu não esperava logo no primeiro dia brigar com o meu mestre.
-Foi uma briga muito feia? Ah, me desculpe à intromissão. Não precisa falar se não quiser.
-Não tem problema, eu acho que preciso de alguém para conversar. Não quero ficar louca no primeiro dia. Já vai escurecer, tenho que voltar.
-Eu também, vamos?
-Vamos.
Voltamos pelo mesmo caminho que passei para chegar la. A noite ele parecia mais calmo ainda, e eu, não queria ir embora. Conversamos um pouco no caminho. Ele me disse que tinha um irmão chamado Shun e que ele também estava aqui no Santuário. Pelo que ele me disse, o garoto também era novo no lugar. Ele também me falou de todos os cavaleiros de ouro, os pupilos e sobre a Deusa mimada. Tenho que admitir que eu achei essa ultima parte muito engraçada.
— Eu tenho que entrar.- ele falou quando chegamos em frente à casa de leão e o mestre dele, o Aioria, estava esperando ele na porta. Não parecia nervoso, talvez só um pouco curioso. Devia ter me apresentado no quarto do Camus, mas estava querendo sair de la logo.
— Mestre, me perdoe pelo atraso.- ele pediu se colocando na frente do cavaleiro.
— Tudo bem. Você é a pupila do Milo, não é?
— Sou sim, meu nome é Stella. Me desculpe pelo modo como sai da casa de aquário sem me apresentar.
— Não tem problema, devia estar nervosa com algo.
— Ou alguém...- O Ikki não deveria se meter onde não é chamado.
— Eu tenho que ir, meu mestre deve estar esperando.- era melhor eu ir embora antes que o Ikki falasse demais.
— Até amanhã, Stella.
— Tchau.
Voltei rapidamente para a casa de Escorpião, rezando para o Milo estar de bom humor, ou na casa de aquário. Para o meu azar ele estava ali, me esperando na porta. Ele não estava relaxado como o Aioria, pelo visto, teria que agüentar mais um surto dele.
— Onde estava?
— Numa cachoeira aqui perto.
— Fazendo o que?
— Fiquei conversando com o Ikki.
— É melhor entrar, amanhã você vai treinar e não quero você reclamando de cansaço. — ele foi chegando perto de mim com uma postura de dar medo, os olhos pareciam gritar "PERIGO". Tinha que admitir, eu estava assustada- e da próxima vez que falar comigo do jeito que falou hoje, você morre. Agradeça se sobreviver até amanhã.
Tudo bem, agora eu estava em pânico. Tenho certeza que ele percebeu que meu rosto perdeu a cor, devia estar mais branca que nunca. Fui direto para meu quarto, depois daquilo eu tinha perdido a fome.
Milo's Pov.
Eu pretendia me desculpar por ter gritado com ela, eu juro que eu iria. Fiquei esperando ela voltar e já fazia mais de duas horas que ela não chegava, fazer o que né? Sou impaciente e ela parece querer me tirar do sério. Tenho que admitir que ela consegue, até hoje o único que conseguia era o Camus. Sou temperamental, mas desde pequeno uso uma mascara de indiferença quando estou com alguém. Camus, com muito esforço conseguiu tirar ela de mim, do mesmo jeito que eu fiz com a dele. Teria que fazer as pazes com ela se quiser que ela contribua no treino, quem sabe amanhã de manhã. Será que eu exagerei quando eu quis assustar ela? Bom, eu não vou ficar pensando nisso agora. Vou descansar que amanha será um longo dia. Acordei antes dela, claro! Eram 4:30 e eu já estava de pé. Não por vontade minha, mas eu tive uns pesadelos e não consegui mais dormir. No sonho eu estava com o Camyu em um jardim, ele estava com seu famoso mau-humor por estar longe da sua casa. Depois de um tempo eu consegui fazer ele rir. Eu estava feliz também, porém, do nada, a Stella surgiu na minha frente e matou o Camus. Não que isso fosse possível, ele é um cavaleiro de ouro e ela uma pirralha, mas o sonho me atordoou um pouco. Eu estava na cozinha tomando café, tinha que me manter acordado o dia inteiro e cumprir minha ameaça. Talvez, eu só treinasse ela hoje, em vez de lutar com ela. Eu me de quando eu era um pupilo, eu praticamente morri até me acostumar com a brutalidade dele. Camus diz que meu mestre influenciou para que eu seja um monstro sem coração, claro, na frente dos inimigos.
Stella Pov.
Eu acordei, mais ou menos as cinco. Achei que estava sedo, então fui silenciosamente até a cozinha, tinha que tomar café sem acordar o Milo. Ocultei meu cosmo e fui bem devagar para não fazer barulho. Quando cheguei na cozinha ele estava sentado tomando café. Eu fiquei me perguntando a que horas ele acordou, e se ele estaria de bom humor hoje. Logo que eu pisei na cozinha recebi as duas respostas ao mesmo tempo.
- Eu já estou a cordado há uma meia hora te esperando, não demore.- E ele levantou da mesa e foi para o quarto. Quando ele estava passando pela porta eu sussurrei um “bom dia pra você também”, e tenho certeza que ele ouviu. Pode ser legal treinar com ele, e quem sabe eu não irrito ele mais um pouco. Fiquei rindo baixinho quando terminava de fazer meu café, o que não demorou nem dez minutos.
Eu praticamente engoli o café da manhã e corri para o meu quarto. Fiz minha higiene e coloquei uma roupa para treinar. Em menos de 10 minutos eu estava esperando ele na porta. Ele estava demorando um pouco, então eu imagine que ele tivesse ido tomar banho. Mas logo ouço ele descendo as escadas bem lentamente. Devia estar com preguiça ou não queria treinar uma “criança”.
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