Uma Noite para Dançar

6 Capítulo 6 - Final


Notas iniciais
Todo capítulo final merece ser maior.
E como eu sou péssima em finais normalmente eu exagero.
Dessa vez eu tentei moderar.
Espero que gostem.
Quero que saibam que esse tempo que escrevi essa fic foi incrível e com certeza toda essa maravilhosa experiência, boa parte da emoção foi graças a vocês leitores que leram e comentáram a fic.
Obrigada a todos!

O que mais tornava toda aquela noite e dança surreal era a forma como tudo acontecia por livre e espontânea vontade.Tsunami tinha feito tudo e não houve um momento que eu tivesse que me preocupar em tomar iniciativa de nada.

Eu estava sonhando acordada! Pena que parecia que só Natsumi e eu podíamos pensar assim.

Fuyuka tinha quase perdido o interesse por Edgar, mesmo assim ainda estava perto dele, o que não dizia que Endou tinha perdido o interesse em saber o que eles falavam.

Eu sentia pena de Aki, nada pior do que estar com alguém que não estava prestando atenção em você. Eu olhei sorrindo para Tsunami, onde esperava vê-lo olhando para mim, levei um banho de água fria, ele estava olhando para Aki e Endou.

-Tsunami?

-Você não acha triste o que está acontecendo com eles?

-O que? – Ele apontou com o olhar para o casal que cobrira meus pensamentos há pouco.

-Aki deve estar pensando que Endou está com ciúmes da Fuyuka, quando na verdade ele está com raiva do Edgar e fica encarando a coitada por ainda estar com ele, na mente dele ela o está apoiando, traindo o time. Ela apenas está fazendo o que seu pai mandou.

-Do que você está falando? – Para tudo! Desde quando Tsunami sabe definir sentimentos e como ele sabe o que o treinador pediu algo a filha?

-É que o treinador tinha falado com a Fuyuka no treino de ontem para que se o capitão dos Cavaleiros da Rainha fosse falar com ela, ela lhe fizesse companhia no baile, talvez ele falasse alguma coisa sobre o jogo. – As coisas faziam mais sentido agora, como não podia ter pensado nisso? O treinador é muito esperto e pensa em vários passos depois da primeira ação, ele tinha uma carta na manga que quase nenhum jogador estrangeiro podia competir, Fuyuka.

A música animada tinha passado para uma lenta.

Senti um frio subir pela espinha quando ele voltou a me juntar ao seu corpo.

-Como você ficou sabendo disso? – Eu encostei minha cabeça em seu peitoral e envolvi seus ombros com meus braços.

-Eu fui pegar uma bola e escutei quando eles conversavam na direção.

-Você estava escutando atrás da porta?

-Não. – Ele falou super rápido em sua defesa. –Eu escutei por escutar.

-Endou deveria saber disso para poder parar de ficar olhando feito ‘cão-sem-dono’ para eles.

-Eu sei. Isso deveria acontecer principalmente pela Aki, ela deve estar se sentindo muito mal. Não é nenhum pouco legal pensar que a pessoa que você gosta está com ciúmes de outra na sua frente. — Ele parou e olhou nos meus olhos, estremeci. — Toko você teria coragem de fazer isso comigo? – Eu gelei.

-Não. – Eu só consegui soltar isso.

Afundei de vez meu rosto em seu ombro, estava muito vermelha. Como ele podia dizer aquilo de forma tão tranqüila? Tsunami seu baka! Baka sim! Baka por me deixar sem ação, sem fala, sem reação e ainda louca por ele!

-Que bom! Eu só tenho olhos para você!

Eu senti o ar escapar do meu pulmão.

Da primeira vez que eu vi Tsunami pensei que fosse um retardado, ele me deixou furiosa e eu não sabia ao certo o que pensar quando ele chegava perto de mim. Quando eu o conheci tinha uma queda por Endou, que garota do time alguma vez não teve?

No final da partida contra os extraterrestres, quando o beijei, vi que não passada de simples atração, mas quando Tsunami me abraçou no abraço coletivo... Eu senti meu coração decolar aos pulos... Percebi naquele instante que era ele que eu queria ter beijado, ter abraçado, ter falado que eu fiquei muito feliz em conhecê-lo, ter apenas sorrido para ele...

-Toko eu estou cansado de ver aqueles quatro daquela forma. Sem falar que essa festa está muito desanimada.

-O que você está pensando em fazer?

Ele parou de dançar e chamou por Natsumi e Goenji que estavam a poucos milímetros de encostarem suas bocas, ambos com rostos rosados e olhos fechados. Eu corri minha vista para o pessoal do salão que antes olhavam estáticos para nós. Senti-me aliviada quando percebi que a vista coletiva tinha se dissipado e nós não éramos mais os centros das atenções.

-Natsumi! Goenji! – Ele berrou acabando com todo o clímax da cena.

Os olhos fechados de ambos se abriram quase esbugalhados e eles encararam com fogo no olhar o Tsunami, senti sair faíscas de seus olhos em direção a ele.

Natsumi não ia com a cara o Tsunami e eu sabia bem os motivos dela e essa intromissão dele não ia ajudar muito a convivência dos dois.

-O que você quer Tsunami? – Ela falou pressionando um sorriso forçado contra os dentes. Ela diria com certeza alguns bons desaforos caso não estivesse tão envergonhada.

-Eu quero a ajuda de você para fazer uma coisa. – Eles olharam curiosos, até o Dj do alto do palanque estava debruçado sobre os aparelhos tentando escutar o que ele falava na rodinha que tinha se formado com nós quatro, todos atentos a Tsunami. –Eu também quero sua ajuda! – Ele falou olhando para o Dj.

O homem arqueou as sobrancelhas e sorriu com uma feição de ‘estou nessa’

-Olha, eu quero que Toko e Goenji vão falar com Aki e Endou e tragam eles para a pista de dança, Toko fale a eles do pedido do treinador, Nat...

-Que pedido? – Natsumi interrompe.

-Depois eu explico. – Disse para ele poder continuar. – Fala Tsunami.

-Natsumi, dê um jeito de falar com Edgar e Fuyuka fazendo com que eles venham dançar. E diga a ela que é para fazer mais perguntas sobre o time dele.

-Do que você está falando Tsunami? – Natsumi desconfiava muito do Tsunami, principalmente das idéias dele. Não que eu não entenda o motivo, só que eu penso que as pessoas merecem uma chance.

-Natsumi faça o que ele pede, depois eu explico.

Nós saímos correndo, o Dj ficou com Tsunami atrás de uma música.

Eu estava impressionada com Tsunami. Sabia que não só gostava dele por parecer com um Deus Grego. Quando ele queria era uma pessoa brilhante, mesmo normalmente sendo um cabeça dura de vento.

Assim que eu e Goenji chegamos perto do Endou e da Aki eu senti minha barriga gelar.

-Oi vocês dois! Estão se divertindo muito na pista de dança? – Aki falou com um sorriso. Endou ainda tinha uma cara de poucos amigos e ainda encarava a conversa de Fuyuka com Edgar.

-Sim, seria mais divertido com vocês por perto. – Falei com o sorriso falso. Endou nem prestou atenção. Goenji olhou para a mesma direção do capitão. Aki e ele suspiraram.

-Ela faz um bom trabalho não é? – Endou virou os olhos para Goenji com a testa enrugada, igualmente a Aki.

-Do que você está falando? – Endou parecia ter ficado interessado em saber o que se passava.

-Ela está fazendo muito bem o que o treinador pediu.

-Como assim Goenji? – O moreno indagava com um misto de curiosidade, raiva e precupação. Goenji me olhou com seus olhos quase suplicantes.

-O treinador pediu para Fuyuka ficar ao lado do Edgar para ver se ele falava alguma coisa do time dele. – Respondi com desdém sem tentar levantar bandeira que há pouco tempo fiquei surpresa com isso a notícia.

-Fuyuka está lá por que o treinador pediu?

-Sim. — Continuei. – a propósito Endou a gente veio dizer que o DJ já achou a música que você pediu. – Ele olhou confuso.

-Que música que eu pedi?

-Aquela que você disse que estava louco para escutar.

-Eu não disse...

-Claro que você não deve se lembrar depois de tantas coisas que aconteceram esta noite. – Goenji soube se colocar na hora exata e calar a boca do Endou, ele até esboçou um sorriso simbólico.

-Talvez. – Endou disse vencido. Eu balancei minha cabeça de forma positiva, na pista de dança começou a tocar uma música internacional que tinha estourado há pouco tempo e era a ‘saideira’ oficial de todas as boates desde o último mês.

-I need you now. É I need you now? – Aki perguntou animada.

-É sim. – Falei em meio a um sorriso.

O som da batida pop da música foi abaixado e o DJ tomou a palavra.

-Cadê Endou na pista? Ele pediu uma música para sua garota e agora não está aqui. Já que o nome da música diz o que você sente por ela, a pista utiliza essas mesmas palavras: I need you now!

-O que você está esperando aí sentado? Vamos dançar!

Eles correram para a pista de dança e Goenji e eu avançamos para a lateral oposta do salão, ao encontro de Natsumi, Fuyuka e Edgar.

Foi nessa hora que eu percebi que só tinha uma metade dos Cavaleiros da Rainha, três do time Orfeu, quatro dos estados unidos e uma parte do nosso time. Eu só tinha visto naquele momento que já passavam das onze horas. Para ser mais exata era quase onze e meia. Já, já eu também tinha que ir embora.

-Oi vocês! – Disse animada.

-Olá Toko. – Fuyuka respondeu seca.

-Olá. – Edgar respondeu em tom igualmente rude.

-Então, não queremos intrigas e claro que respeitamos muito um adversário como seu time Sir. Edgar. – Ele arqueou uma das sobrancelhas com um ar prepotente.

-Está bem, se Fuyuka quiser, claro que vamos dançar.

-Eu gostaria muito. –Ela disse e ele sorriu para ela. Os dois se mereciam! — Ele e Fuyuka se levantaram. Ele tinha mão passada em seu ombro e ela em sua cintura.

Quando os dois começaram a andar, Natsumi segurou o braço de Fuyuka os fazendo parar por alguns segundos. Foi o tempo necessário para ela sussurrar algo no ouvido dela e depois de um arregalar de olhos da Fuyuka, Natsumi volta para onde estávamos.

-Toko o que está acontecendo? – Ela perguntou, estava na hora das explicações.

-O treinador pediu para Fuyuka ser a acompanhante de Edgar para ver se ele falava algo a respeito do time dele.

-E como você e o Tsunami sabem disso?

-Ele escutou quando o treinador pediu. – Ela iria perguntar alguma coisa só que eu não deixei espaço, não estava com vontade de responder mais nada. –Vamos para pista de dança? Essa música é linda!

Eu fui em direção a pista nem querendo saber onde eles estavam.

Quando cheguei lá, Tsunami estava sentado no chão do palanque com uma feição tristonha. Vi um sorriso brotar em seu rosto quando me aproximei dele. Ele já foi segurando minha mão e me levando para o meio da danceteria.

Infelizmente estava no final da música e assim que nos encostamos para dançar a música terminou.

-Coloca de novo! Essa música merece bis! –Ele gritou e o salão quase deserto faz um barulho em apoio à proposta. O Dj balançou a cabeça de forma positiva e voltou a música I need you now.

Quando começamos a dançar vi Natsumi e Goenji entrarem na pista, o batom dela estava borrador e tinha um pouco dele manchado na boca do Goenji.

Voltei a afundar meu rosto no ombro do Tsunami. Onde aqueles dois estavam?

Bom eu não quis entrar em detalhes com a minha mente nem pensar em responder as perguntas que me vieram a minha mente.

Continuamos dançando com várias músicas lentas, românticas e algumas batidas agitadas.

Depois de quase duas horas todos já estavam cansados, e eu já estava com sono.

Natsumi me chamou e entregou meu celular que estava a fazer alarde em sua bolsa carteira.

-Alô? – Meu pai estava com uma voz sonolenta, grossa e preocupada. –Sim senhor papai, eu já estou indo... Não precisa se preocupar eu vou com alguém daqui... Estar certo papai, eu já estou indo.

-O que foi? – Tsunami perguntou se aproximando.

-Meu pai quer que eu vá embora e o motorista está de férias. Ele disse que eu fosse com você, Natsumi.

-Você não quer que eu vá te deixar em casa? –Ele perguntou como se não fosse nada de mais e eu não sei onde estava com a cabeça quando respondi.

-Sim. – Olhei imediatamente para Natsumi. –Você não conta nada ao meu pai certo?

-E o primeiro ministro é seu pai? – Ela falou dando uma piscadela.

-Obrigada Natsumi! – Eu e ele saímos do salão depois de cumprimentarmos o pessoal que ainda sobrara na festa.

Nós fomos andando, minha casa só ficava a algumas quadradas de distancia. Eu acho que preferiria que o baile fosse feito em outro continente para que isso não acontecesse.

Tsunami estava com o braço transpassado em minha cintura me juntando a ele.

-Você vai voltar a jogar quando o torneio futebol fronteira internacional acabar?

-Acho que sim, tenho saudades do campo. – Ele exalou, depois foi seguido de um suspiro. Eu não entendi aquilo. –E você vai para onde?

-Eu acho que vou para o Havaí, entrar em um tornei de surf internacional e me lançar ao mar.

-Que legal, e quando você se tornar campeão você volta para cá e me ensina a surfar, ok?

-Com todo o prazer! E quem sabe você não vem um dia comigo para entrar em uma competição juntos? – Estávamos chegando perto da minha casa e eu senti meu coração acelerar de uma maneira assustadora, minha mão tremia e eu não estava escutando nada do que ele dizia.

A noite tinha sido para dançar, mas não acabaria só com uma dança, eu não queria que acabasse só com uma dança.

Para compensar a diferença de altura em um pulo o abracei pelo pescoço e juntei nossos lábios, fechei meus olhos e não me importei com nada.

Os lábios dele eram quentes, macios e o encostar dele na minha boca era suave, nos levando pelo momento deixei nossas línguas se encostarem. Nunca pensei que ele fosse tão doce.

Mesmo com nossos olhos fechados a luz forte do segundo andar do prédio foi ligada e a sua claridade foi sentida por minhas pálpebras. Por mais que eu não queria, tínhamos que separar.

Na verdade nós precisávamos, eu estava quase sem ar.

Quando nossas bocas se desgrudaram eu ainda estava abraçada a ele de olhos fechados.

Voltei e a afundar minha cabeça em seu ombro. Não queria dizer nada e nem estava com coragem para isso, queria continuar abraçada a ele, mas sabia que não podia.

-Obrigada Tsunami. – Ele intensificou nosso abraço e me soltou.

Eu olhei para ele que estava com aquele lindo e maravilhoso sorriso dele e uma feição estática. Balançou a cabeça de forma positiva, não disse nada, mas o olhar que me lançou foi melhor do que qualquer discurso.

Ele se virou e foi embora.

Eu vi o portão negro de ferro a minha frente sendo aberto de dentro da casa pelo controle remoto. Meu pai me esperava com uma cara hilária de sono.

Sim eu gostei do baile, por que não gostaria? Havia sido uma noite perfeita, ao lado do cara perfeito... E sabe não foi perfeição que tornou tudo mágico, foi a simplicidade de tudo que aconteceu que fez aquilo de tornar magicamente perfeito.

Notas finais
Espero que todos entendam que sou péssima em finais me desculpem se não aconteceu o que vocês esperavam ou se decepcionei alguém no momento final.
Quero que todos saibam que fiz o que estava na minha capacidade.
E obrigada novamente a todos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!