Uma Noite De Estudos
1 I - Tudo por um gabarito
— Jack, Jack! — Disse Bryan. — Eu não quero te deixar apavorado, mas a diretora Ta vindo ai.
— O que? — Pulou Jack. — Você disse que ela não vinha hoje.
— E você disse que aqui não tinha câmera — Retrucou Bryan, enquanto fechava a porta onde estava escrito: DIREÇÃO.
— Aqui não tem câmera! — Afirmou Jack, fechando desesperadamente as gavetas e ajeitando a mesa da Senhora Maria Martine, A diretora do colégio D. Pedro.
— E como ela sabe que agente Ta aqui? — perguntou Bryan.
— Ou ela não sabe...
O celular de Jack Tocou.
— Ta Maluco? Desliga isso! — Disse Bryan. — E agora o que agente faz?
A sala da Senhora Martine tinha a forma Quadrada com uma segunda porta onde se guardavam os documentos de todo o colégio. A grande mesa de madeira no centro era aterradora em sua cor vermelha escura para qualquer Aluno, e era cercado por três cadeiras com estofados de couro rosa, O que não combinava nadinha com a sala, Mas... Os alunos diziam que a decoração da sala era tão ruim quanto o Humor da Senhora Martine. No canto da sala tinha dois computadores, aparentemente abandonados.
Na parede, No grande quadro do mês estavam anotações de tudo:
*Passeio com 1º Ano dia 22/05.
*Anunciar o vencedor do concurso de leitura.
*Marcar reunião com os professores.
*Marcar as reeleições do grêmio.
*Inicio dos jogos de Inter-classe 14/05.
*Apresentação da banda da escola 17/05.
Jack Lançou o olhar por toda a sala e parou na porta segundaria onde estava escrito: DOCUMENTOS.
— Aqui! — Sugeriu Jack.
O quarto de documentos era pequeno, mas o suficiente para abrigar os dois invasores. Cercado por estantes de ferro cheio de caixas empoeiradas, livros e documentos.
Jack não pode ver como estava a Senhora Martine quando ela abriu a porta da sua sala, mas imaginou. O barulho do salto alto ecoava no ouvido dos dois garotos na pequena sala ao lado.
— Ai, Jack — Sussurrou Bryan mexendo em uma das caixas. — Achei os gabaritos.
Jack ficaria realmente feliz por aquela noticia, Se fosse outra ocasião. Levantou a mão e colocou o dedo indicador nos lábios dizendo: Shiu!
Não ouve nenhum barulho por alguns minutos; o coração dos dois garotos estava quase saindo pela boca quando o telefone da diretora tocou.
—Alô? — Disse a Senhora Martine. A sua voz não era nada agradável, ainda mais naquela situação. Parecia nervosa suficiente para fazer os dois invasores sentirem arrependimento por terem entrado ali.
— O que?... Eu mandei o E-mail para o conselho ontem!... Como Assim?... Malditos computadores!... Tudo bem... Certo, meia hora eu chego ai... Irei fechar o colégio. Tchau. — Bateu o telefone, murmurou alguma coisa que foi inaudível aos garotos.
— Ei, Você escutou isso? — sussurrou Bryan. — Ela vai fechar o colégio. Estamos ferrados.
— Calma — Disse Jack.
— Calma? — Bryan rangeu os dentes. — Eu disse que a ideia de vim pegar os gabaritos era péssima! Ainda mais Anoite, e ainda no ultimo horário!
Jack não teve tempo de formular uma resposta... Ouviram a porta da sala batendo e em seguida a chave rodando na maçaneta.
Os garotos se olharam desesperados.
— Ah, Legal! — Disse Bryan. — Agora estamos presos na sala da diretora do colégio.
— Pelo menos achamos os gabaritos — Disse Jack sorrindo.
— O que? — Bryan se estressou e começou a dar socos no braço de Jack. — Eu quase morri do coração!
— Eu realmente achei que agente ia se ferrar — Disse Jack.
— Se ferrar? A gente já Ta ferrado!
— Ah, para vai — Disse Jack. — A gente já escapou de situações piores juntos.
— Ta bom, Qual seu plano então Grande Gênio Invasor — Disse Bryan Com um tom imenso de sarcasmo.
Jack arqueou as sobrancelhas e apontou para o teto. Bryan olhou confuso por alguns segundo e de repente seu semblante brilhou.
— Ah, Claro — Disse satisfeito — Os tubos de ventilação!
Jack Sorriu.
— Não esquece os Gabaritos.
Os dois saíram da sala de documentos com o sorriso na orelha por saber que tiveram a sorte de não serem pegos pela Senhora Martine.
Jack e Bryan estavam de Jeans pretos e uniformes do colégio. O mais velho deles, Jack, estava com uma Blusa moletom verde escura, no centro estava escrito: “Last Selection 1957 Soccer Team”. Era em homenagem a um colégio que reunia jogadores de futebol americano de toda a América. E Jack adorava Futebol Americano. Usava um tênis Conserve All Star preto com uma estrela e uma Seta apontando pra ponta do pé.
Bryan estava com uma Jaqueta de couro preta Da Reebok, Por adorar esportes sempre andava com Roupas de empresas esportivas. Era o melhor jogador de handebol do colégio. Usava uma chuteira preta da Nike, tivera jogo naquele dia e ficou direto no colégio para o “Grande Furto” como chamavam pegar os gabaritos.
— Mas... Pelo que eu me lembre, os tuneis de ventilação só dão à sala do laboratório de ciências, a sala dos professores e a sala dos gremistas. — Disse Bryan.
Jack o olhou surpreso, nunca vira Bryan falar tão corretamente em sua vida.
— Não esta mais matando aula de português? —Perguntou Jack Sorrindo enquanto observava o quadro com anotações na sala da diretora.
— Bom, sabe como é né — Respondeu sem jeito — Minha mãe anda me vigiando por ai.
— Sei... É ISSO! — Gritou Jack quando leu no quadro: “Marcar reeleições do grêmio”.
Bryan Quase teve um surto.
— O que?
— A sala do grêmio tem as chaves das salas — Disse Jack.
— Ta, Mas E dos portões? — Perguntou Bryan.
— A gente pula! — Respondeu Jack Orgulhoso.
— Jack — Bryan fez uma careta. — O muro do colégio tem Três metros e meio de altura!
O celular de Jack tocou novamente. Olhou para tela do Motorola Razr D1: “MAMÃE”.
— Você coloca “MAMÃE” no numero da sua mãe e ainda em maiúsculo? — Disse Bryan Rindo.
— Cala a boca Bryan — Disse Jack, ignorando — Alô?... Mãe?... Não... Sim... Claro... Eu só me atrasei um pouco... — Jack olhou para Bryan que fazia caretas e dizia em gestos com a boca: “MAMÃE, MAMÃE... Oh que lindo”.
— Eu vou te Estourar Bryan — Disse Jack irritado — O que? Não... Não mãe eu não estou com o Bryan... Ele esta me ligando também... Tudo bem... Também te amo. Tchau.
Bryan Sentou-se em uma das cadeiras de couro roxo para rir, não tinha se conformado com o que vira.
— “MAMÃE”, Sério isso?
— Cala a boca Bryan — Disse Jack — Vamos, nós precisamos sair daqui!
— Ah, quer ir embora? —Disse Bryan enquanto rodava na cadeira confortável — Agora que eu comecei a gostar desse lugar.
— Eu estou falando sério Bryan.
— Tudo bem — Respondeu Bryan enquanto lia atentamente os gabaritos. — A ideia foi sua, Vai lá Gênio, Pode começar a trabalhar!
Jack subiu cuidadosamente na mesa da Senhora Martine, Mexeu alguns segundo no teto e pronto. Desceu com uma grade de ferro cheia de furinhos e colocou no canto da parede.
— Cara — Disse Bryan. — A prova de química Ta ridícula de fácil!
— É logico, Esse é o objetivo dos Gabaritos — Disse Jack enquanto batia a poeira das mãos e do cabelo curto. — Digamos: “Simplificar as coisas”.
— Ta Beleza! Quem vai primeiro? — perguntou Bryan Enfiando no bolso os papeis do gabarito e mais algumas anotações que achou interessante levar.
Jack olhou pra Bryan com um sorriso que ele entendeu tudo.
— Ta legal, Ta legal. Vamos lá — Bryan Subiu na mesa aterradora vermelha escura. Com a agilidade de um gato, agarrou-se a ponta do buraco e adentrou na escuridão fazendo diversos barulhos.
— Bryan? — Disse Jack.
Sem resposta.
— O que aconteceu ai em cima? — Tentou novamente Jack.
Sem resposta.
— Para de brincar Bryan — Falou sério.
Sem resposta.
Subiu na mesa e quando foi se preparar para entrar no tubo deu de cara com o rosto de Bryan todo empoeirado.
— Cara, Eu te odeio — Disse Bryan. — Aqui em cima Ta fedendo, sem falar nessa poeira maldita de gesso.
— Me de a mão, e segura isso — Disse Jack oferecendo seu celular a Bryan. E logo os dois sumiram na escuridão deixando o pesadelo que era a sala da Direção.
Os tubos de ventilação do colégio D. Pedro não eram nada agradáveis quanto o resto. O canal que ligava a sala da Direção passava pelo laboratório de ciências, o que trazia todos os maus odores para os tubos.
— Por que essa poeira toda? — Perguntou Jack.
Ele e Bryan se arrastavam pelos tuneis sem saber para onde iam, Mas tinham a esperança de sair na sala dos gremistas. Pegar a chave e darem o fora dali!
— Acho que é da reforma que teve na sala dos professores semana passada — Disse Bryan que estava na frente guiando e iluminando o caminho com o celular do Jack. — Eles estavam mexendo com Gesso.
— Ah... E Você sabe pra onde está indo Bryan? — Perguntou Jack.
— Não, é claro que não! — Respondeu insatisfeito com tudo aquilo — essa outra “brilhante ideia” também foi sua.
Jack até ia se defender mais uma vez, Mas Bryan parou.
— Por que parou? — Perguntou Jack.
— É sua vez de atuar Senhor Gênio — disse Bryan olhando pra Jack. —Existem três caminhos aqui, Pra qual devo ir?
— De onde está vindo o cheiro ruim? — perguntou Jack.
— O da esquerda. — respondeu Bryan.
— Ótimo, então é pra lá! — Disse Jack fazendo esforço pra limpar os olhos empoeirados.
— Como sabe? — Perguntou Bryan.
— Porque é do lado do laboratório de ciências a sala do grêmio! — Jack ficou aliviado por ter descontado a do muro de três metros.
— Desculpa, é que eu não sou cientista sabe, e muito menos faço parte do Gremio do colégio. — Disse Bryan se contorcendo todo e entrando no túnel da esquerda.
Os dois se arrastaram cerca de uns seis metros naquela direção. Jack estava distraído, pensando na namorada, quando de repente Ouviu um Grande estrondo.
Jack não teve tempo de segurar Bryan, e ele caiu na escuridão da sala.
— Bryan — Gritou Jack. — Bryan, responde pelo amor de deus.
O silencio foi à única resposta que Jack ouviu.
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