Uma Noite De Amor E Música

5 Pensamentos de Freddie Benson


Notas iniciais
ooooi ^^

Nunca pensei que Jessie me trairia desse jeito. Não fiz nada além de amá-la e tratá-la bem. Me coloquei ao seu lado e a defendi quando as pessoas a chamavam de lixo e diziam não entender por que eu ficava com ela. Pensei que isso significasse alguma coisa. Mas não. Agora, quando mais preciso dela, ela me deixa na mão. Eu giro a chave, giro a chave, giro a chave e ela não faz porcaria nenhuma. Daria para eu estar mais abandonado agora? Até meu carro decidiu desistir de mim. Eu podia ficar muito irritado com ela. Mas estou principalmente com medo. Que seja isso mesmo — terminal. Que a gente possa descarregar energia nela até que as luzes se apaguem em Manhattan, e ela permaneça ali parada. Sem piscar. Não posso pagar por outro conserto. Se é assim, já era.

Não estou prestando muita atenção ao fato de Scot e Avan estarem retirando Ariana do banco traseiro. Depois de todo o tempo que levamos para colocá-la ali. Mas posso entender o impulso de abandonar o barco.

Estou prestes a ajudar Scot a conectar os cabos quando um cara que nunca vi na vida se inclina na janela de Sam e diz, "E aí, gata, pronta para recomeçar de onde paramos ?" Que merda é essa? Tá legal, talvez eu ande com uma galera gay e tal, mas ainda assim... nunca, jamais, nem em um zilhão de anos teria imaginado que um cara podia usar a expressão, "e aí, gata" ao falar sério. Ele diz isso como se estivesse assoviando para os peitos de uma mulher enquanto ela passa na rua. Quem faz isso ? Espero que Sam o coloque em seu lugar. Mas, em vez disso, ela fica paralisada. Desvia o rosto,

como se pudesse ignorar sua participação nisso. Por alguma lógica, deveria significar que ela agora está olhando para mim, uma vez que estou a 180 graus do visitante que não convidamos. Mas, em vez disso, ela focaliza o painel, o lugar onde deveria estar o isqueiro. E eu acho que fico um tanto surpreso, porque estava começando a parecer que íamos a algum lugar juntos. Que isso não ia ser uma carona para casa. Agora está se tornando uma carona para lugar nenhum, e fico triste que esteja tão fora de meu alcance.

— Gata, eu voltei—continua o cara. — Que tal sair desse ferro-velho e me cumprimentar ?

Agora, uma coisa é tentar azarar Sam no meu banco do carona. Mas meter Jessie na história é outra bem diferente.

— Posso ajudar? — pergunto.

Ele fica olhando para Sam enquanto fala comigo.

— Pode, camarada. Acabo de voltar para os Estados Unidos e estava procurando por esta menina aqui. Pode abrir mão dela por um minutinho ? — Ele estende a mão para a janela, destranca a porta e a abre.— Voltaremos logo — continua ele.

E eu estou prestes a dizer a Sam que ela não precisa fazer coisa alguma. Mas justo aí ela solta o cinto de segurança. Imagino que seja uma decisão da parte dela... Até que ela não acompanha este movimento com outro. Simplesmente fica no carro.

— Gata... — Ele ronrona enquanto estende a mão para Sam, como se ela fosse uma criança numa cadeirinha. — Senti tanto a sua falta. Eu giro a chave na ignição. Nada de dar partida. Scot vem até minha janela, olha dentro do carro e diz:

— Problemas por aqui? — Agora é para Scot que Sam olha. E por algum motivo isso a traz de volta à realidade.

— Tal — diz ela com uma agudeza reservada aos talheres —, você não sentiu minha falta nem por um minuto. Você nunca tirou um segundo que fosse de toda sua vida ridícula para sentir falta de mim. Pode ter sentido falta de acabar com minha cabeça e pode ter sentido falta da satisfação que você evidentemente tem em me deixar mal, mas são de suas emoções que você sente falta, e não das minhas. Acho que não posso te ajudar.

— O que é isso, gata — diz Tal, inclinando-se para ela. Ela se encolhe no banco. Posso sentir que Scot está prestes a dizer alguma coisa, mas eu falo primeiro.

— Cara, ninguém encosta a gata numa parede — eu digo.— Desgruda da merda do meu carro. Tal ergue as mãos, afastando-se da porta.

— Deixe que a menina escolha — diz ele.

— Eu não tinha percebido que ela já estava estragando a vida de outro sujeito. Espero que você tenha mais sorte do que eu tive.

— Babaca — murmura Sam. Tal ri.

— Um carro de merda: cinco dólares. Valor da opinião de Sam: três centavos. A ironia de ouvir Sam me chamar de babaca:

não tem preço.

— Dá. O. Fora, se manda — diz Sam.

— Como é? Está com medo de que eu conte a verdade? —Tal agora olha para mim. — Não se engane, parceiro. Ela anuncia um ótimo jogo, mas quando você realmente entrar em campo, vai perceber que está vazio.

De algum lugar atrás do capô, Avan grita:

— Cavalheiro, dê a partida! Me sinto muito à vontade pedindo para Jessie voltar a funcionar. Por favor, ligue. Vou comprar gasolina premium para o mês que vem se você pegar, por favor, por favor, por favor, liga.

Giro a chave na ignição. Há um leve estalo. E depois...

Jessie está falando comigo de novo. E está dizendo ”Vamos dar o fora daqui.”

— Eu adoraria ficar para conversar — eu digo a Tal —, mas temos um lugar para ir.

— Legal — diz Tal, fechando a porta com mais gentileza do que eu teria esperado. — Mas não diga que eu não avisei. você está namorando a mulher de lata. Se procurar um coração, só vai achar ar viciado.

— Obrigado pela dica! — eu digo com uma animação fingida. Ele estende a mão pela janela e toca o rosto de Sam, mantendo a mão ali por um momento.

— Gata, é só você — diz ele. Depois vira-se para a calçada e vai para o clube.

— Parece um cara legal — eu digo.

Sam não responde. Scot se inclina em minha janela.

— Não se preocupe com sua amiga — diz ele. — Vamos levá-la para casa. Vocês dois tratem de se distrair, ouviram?

— Pode apostar — eu digo a ele, embora Sam não demonstre que possa se divertir. Avan bate o capo e faz sinal de "tudo bem" para mim. Depois ele e Scot voltam para o furgão, os cabos da chupeta pendendo de seus ombros como uma jibóia. Sam não se mexe para recolocar o cinto de segurança. Não sei o que isso significa. Ela se vira para olhar a porta do clube.

—Você está bem? — pergunto.

—Sinceramente, não faço idéia — diz ela.

Engato a ré em Jessie e libero a vaga para quem chegar. Me dá alguma satisfação saber que minha partida será a sorte de outra pessoa. É só quando pego a rua que percebo que não sei para onde vamos.

— Quer que eu te leve para casa? — pergunto. Tomo o silêncio dela como um não. Afinal, querer ir para casa é o tipo de coisa sobre a qual falamos. Continuo falando sem parar. — O que você quer fazer ? -Esta me parece uma pergunta simples e direta. Mas ela olha para mim com total incompreensão, como se eu fosse um daqueles indicadores da Bolsa de Valores. Tento de novo. — Está com fome? — Ela só leva a mão à boca e olha pelo para-brisa. — Está com sede ? — Imagino que ela esteja contando os postes da rua.— Sabe de alguma outra banda tocando? — Voam rolos de capim seco no braço da poltrona entre nós.— Quer ver umas freiras se agarrando ? — Estou mesmo falando em voz alta? — Talvez ver se o ET está disposto a um amor a três? — Desta vez ela olha para mim. E apesar de não estar exatamente sorrindo, pelo menos acho que havia potencial para um sorriso ali.

— Não — diz ela. — Prefiro ver umas freiras se agarrando.

— Tudo bem, então — eu digo, virando o carro de volta ao Lower East Side. — Hora de um pouco de diversão.

Eu digo isso com alguma autoridade, embora eu tenha apenas uma remota ideia de onde vou. Zayn uma vez me falou de um lugar onde strippers vestidas de freiras faziam uma paródia de Climb Ev'ry Mountain. E esse era só um dos atos. Imaginei que era kitsch demais para ser pervertido — e parecia estar nos planos de Sam agora. Até onde eu entendi. Enquanto atravessamos a Houston, Sam estende a mão e liga o rádio. Aquela velharia de batom preto: The Cure, Pictures of You

— faixa quatro do meu Mix de Desolação do Rompimento. Esta, e cada uma das outras músicas do disco, é dedicada a Madisen... E se esta é a trilha sonora, minha mente e meu coração dilacerado colaboram para me passar o filme — aquela noite em que ela estava tão cansada e disse que precisava se deitar, então ela pulou no banco detrás e se deitou. Pensei que eu a havia perdido, mas cinco minutos depois meu celular tocou e era ela, me ligando do banco traseiro de meu próprio carro. Numa voz sonolenta, disse que se sentia segura e confortável, que estava se lembrando de todas as viagens que fazia com os pais, de carro, tarde da noite na volta das férias, e que ela se esticava e sentia como se eles a estivessem levando para a cama, sem estranhar o movimento da estrada sob as rodas, e os galhos de árvore agitando-se pelo para-brisa. Disse que, graças àqueles momentos, parecia que o carro da família era sua casa e que talvez eu a fizesse se sentir da mesma forma. Por fim ela dormiu, mas eu fiquei com o aparelho no ouvido, tranquilizado por sua respiração ao fundo. E, sim, aquilo era como estar em casa. Como se tudo estivesse em seu lugar.

— Não preciso disso agora — disse Sam. Mas não mudou de música.

—Já pensou no nome deles? — pergunto, só para puxar assunto. –

Quer dizer, pra quê ?

- Do que está falando ?

- The Cure. Eles acham que são a cura pra quê? Tipo, a felicidade?

—Isso está vindo do baixista de The Fuck Offs ?

Não consegui evitar. Penso, “Pô, ela sabe nosso nome”.

— Zayn está pensando em mudar para The Fuck Ons — eu disse a ela.

—Que tal simplesmente Fuck On ?

—Talvez numa palavra só? Fuckon ?

—The Friendly Fuckons ?

—My Fuckon Or Yours ?

—Por que ele é um Fucking Fuckon ? Olhei para ela.

—Isso é um nome de banda ou uma declaração?

—Ele não tinha o direito de fazer aquilo. Nenhum. — Caímos em silêncio de novo. Rebato com uma pergunta no ato. — Então, quem é ele?

—Um ex — ela diz, afundando um pouco no banco. — O ex, eu acho.

—Tipo a Madisen — eu digo, estabelecendo uma comparação. Ela se senta direito e me lança um olhar diabólico.

—Não. Não é tipo a Madisen mesmo. Isso foi pra valer. — Eu paro por um segundo, ouço nosso colapso brincando por baixo da conversa.

—Isso foi cruel — eu digo. — Você não sabe do que está falando.

- Nem você. Então vamos deixar pra lá. Eu devia fazer você se divertir. — Tomei esta última frase como um pedido de desculpas. Principalmente porque era o que eu queria ouvir. Agora passeio pelo Lower East Side, nas ruas que têm nomes, não números. A noite ainda é muito jovem aqui, os hipters reunidos exalando sua fumaça de calçada em calçada Encontro uma vaga no lado mais escuro da Ludlow, depois convenço Sam a refazer os passos de Jessie até que nos deparamos com uma porta cor-de-rosa.

- Câmera Obscura? — pergunta Sam. — Eu assinto.— Que venham as freiras — diz ela.

Não sei bem se eu devia bater ou só abrir a porta. A resposta me é dada na forma de um leão de chácara fortão vestido de coelhinha da Playboy.

— Identidade ? —pergunta ele. Pego a carteira de habilitação do meu primo de Illinois, conquistada durante um desafio particularmente intenso de Xbox. Sam bate nos bolsos. Nada. E quando eu penso,

“Ah, merda”, ela diz as mesmíssimas palavras.

Notas finais
Acho que a partir do próximo capítulo a história fica mais "interessante" kkk'
Gostaram ?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.