Uma Noite
3 A última noite
Notas iniciais
Maas, basicamente, esse é o final de Kuro que sempre imaginei. -w-
Espero que gostem ^3^
Sim, aquela seria a última noite que Ciel viveria, e ele sabia disso. No entanto, não era o fato de morrer que o perturbava. Era o medo de confessar àquele demônio seus verdadeiros sentimentos. Afinal, qual seria sua reação? Ficaria com nojo, o olharia com desprezo? E se...
E se ele não quisesse mais sua alma?
Entraria em desespero, se fosse rejeitado. Sempre esteve relutante, fingindo que a relação entre os dois deveria ser somente de mestre e servo, e nada mais. Às vezes, tinha sonhos com ele, seus desejos despertavam e fluíam nas noites, em todas elas; aquelas quimeras o invadiam e acabavam por entristecê-lo quando percebia que nada daquilo era real.
No dia anterior, mal conseguiu dormir, ainda mais depois do pesadelo que tivera. Não fez praticamente nada a tarde inteira, passou horas tentando decidir se diria ou não ao demônio que o amava. Mas não chegou a conclusão alguma.
Sebastian pôde notar a agitação de seu mestre. O garoto parecia recuar, sempre que este tentava se aproximar. Isso pareceu irritá-lo.
– Bocchan? Por quê se afasta de mim?
– É impressão sua... — disse, fitando o chão.
Cada vez que o mordomo dava um passo para frente, o jovem dava outro para trás. E começou a ficar ridículo. Os olhos do demônio mudaram de cor.
– O bocchan sabe que dia é hoje, não? Será que... — e se aproximou mais rapidamente, com os dentes à mostra.
– Não, eu não me arrependo de nada. Nem de ter realizado a vingança, nem de tê-lo invocado. Faria tudo da mesma forma, novamente, se fosse necessário. E sei que hoje será meu último dia...
– Terá, ainda, a noite toda. Ao amanhecer, tudo acabará. — disse o demônio, fazendo uma expressão que machucou o garoto.
Sebastian parecia olhá-lo não como um humano, mas somente como uma refeição. Ciel deixa escapar um trecho de seu pensamento.
– Sim, é impossível... — murmurou ao vento.
– O quê, bocchan?
– Não, nada.
É impossível que você corresponda ao meu amor.
Aquele ser era um demônio, não um humano. Como pôde se apaixonar, dessa forma? E, por um momento, acreditar que poderia ser amado também? Que ingenuidade.
– Sebastian, saia. Preciso ficar sozinho por um tempo.
Assim que o mordomo saiu, o garoto procurou algo por debaixo dos papéis jogados à mesa... Era uma carta.
– É melhor deixar em silêncio.
Ciel rasga o papel, deixando-o em pedaços. A porta abre-se repentinamente, o garoto consegue colocar a tempo um livro por cima, para disfarçar.
– Ciel!! — exclamou Lizzy, que corria para abraçar o seu noivo.
– Lizzy?! O que faz aqui?! Ao menos, espere na sala.
– Nee, Ciel, eu estava preocupada! — disse a menina, com um jeitinho meigo.
– Por quê?
– Não sei, mas senti vontade de visitá-lo. Algo me disse que era melhor vê-lo hoje, agora!
Apesar de ser apenas um desejo momentâneo de encontrar o garoto, Elizabeth assustou Ciel. "Como sabia que...?", ele pensou. De qualquer forma, seria a última vez que se veriam.
Sebastian aparece na porta.
– Lady Elizabeth, recebemos uma ligação de sua mãe; ela mandou retornar à mansão imediatamente.
– Ah, ela descobriu, já? Que pena... Tenho que ir, Ciel...
O garoto abraçou-a de uma forma que nunca fizera antes, deixando-a corada.
Era uma despedida.
O mordomo apenas observava aquele longo e terno abraço, sem fazer expressão alguma.
– Até mais, Lizzy.
– S-Sim, Ciel... Até mais...
Pouco tempo depois, escureceu.
Já era hora de dormir, Sebastian pôs-lhe o pijama e arrumou sua cama. Ciel deitou-se; quando o mordomo estava prestes a sair, foi chamado de volta.
– Sebastian...
– Sim, bocchan?
O garoto sentou-se sem sair de onde estava e ajeitou um travesseiro, colocando-o ao lado do seu. Titubeou; por fim conseguiu falar, ainda que gaguejando.
– D-Durma c-comigo...
Sebastian o observou, querendo saber o que se passava na mente do jovem. Estava com vontade de rir, não pelo que o seu mestre pedira, mas por causa do semblante deste. Aquela fisionomia inocente o seduzia cada vez mais.
O mordomo tirou o fraque, os sapatos, as luvas. Depois, desabotoou a camisa, não completamente. O garoto fitava seu corpo, mas ao notar que Sebastian o olhava, intrigante, disfarçou virando a cabeça para o lado oposto.
– E-eu só queria lembrar... De como é dormir ao lado de alguém... Assim como sempre quis fazer com meus pais.
Sebastian sorriu e deitou-se ao seu lado, acalentando-o. Suas mãos quentes afagavam sua cabeça e brincavam com aqueles cabelos finos e sedosos. No local, havia somente uma vela que lucilava, trazendo conforto e uma sensação de paz.
Ciel desejou que aquele momento fosse eterno.
Os braços de Sebastian pareciam protegê-lo. O garoto agarrou-se ao tronco do mordomo. Ah, como queria revelar seu amor! Como queria tê-lo por mais tempo! Tinha ciência de que, depois daquela noite, o demônio buscaria outra alma, e a serviria fielmente, dando-lhe toda a atenção que por hora era ele quem recebia.
Uma lágrima escorreu pela face de Ciel, que ao perceber, escondeu-se puxando a camisa do mordomo. Sebastian viu, pela primeira vez, seu mestre chorando. Aquela cena despertou-lhe um sentimento que nunca tivera em toda sua vida. Seria pena? Seria amor? Não conseguia responder o que era, nem por que surgiu de repente. Sequer sabia que demônios eram capazes de nutrir sentimentos tão fortes por humanos. Foi uma surpresa, realmente.
Com uma mão, o mordomo segurou a mão do garoto e entrelaçou os dedos; com a outra ergueu aquele pequeno rosto que parecia carente.
– Bocchan...
– Sebastian! Eu não aguento mais. — e, com olhinhos chorosos, continuou. — Essa é a última ordem!
Me ame por esta noite, me ame intensamente, como jamais amou antes!
Torne-me seu, somente seu; faça-me sentir o que é o prazer e o desgosto de ser um humano!
Sebastian!
O demônio sentiu uma dor no peito. Contudo, sem hesitar, respondeu:
– Yes, my Lord.
Sebastian aproximou seu rosto do de Ciel e seus lábios se tocaram. Logo, a língua daquele demônio invadia todos os cantos. E, cada vez que experimentavam uma nova sensação, o desejo de ambos aumentava. Parecia insaciável. O mordomo dominava sua mente, seu corpo.
O demônio investigava com as mãos aquele corpo que já conhecia tão bem; no entanto, era como se o estivesse descobrindo pela primeira vez.
E foi assim a noite toda.
Porque, ao amanhecer, tudo acabará.
Notas finais
Eu quero escrever lemon, mas não quero ahhh! >_
Quero sim.q ¬¬
Bom, se eu fizer, deixarei o link aqui mais tarde okk!
Portanto, acompanhem minhas fics!Acho que vou escrever lemon, sério.
E comentem onegaishimasuu ^3^
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