Uma Nerd e um Gângster

2 Uma Nerd, um Gângster e uma Mimada.


Notas iniciais
*Apareço surgindo do meio de uma fumaça negra* Surpresa!!!!!! Primeiramente, olá! É, eu sei que disse que TALVEZ não fosse continuar essa fic, MAS saibam que eu tô escrevendo esse capítulo desde o ano passado. É que quando eu termino os capítulos das fics principais, eu tenho um tempo livre e escrevo dessa... Então eu acabei terminando, aí eu decidi postar :3 Nas notas finais eu explico como a fic irá funcionar! Boa Leitura!

Corria disposta à tudo. Tinha acordado de bom-humor, é claro, hoje seria a entrega do boletim do primeiro bimestre. Tinha estudado muito durante os dias de prova, então estava confiante de uma nota boa.

Eu vou mostrar! Sou capaz de muitas coisas, e tirar uma nota boa é uma delas! Não sou uma garota mimada, sou apenas uma garota com quem se importa com a aparência. Eu vou mostrar para todas elas que sou muito esperta!

Pela primeira vez, correrá daquele jeito, rápido. Seus cabelos rosas balançavam contra o vento, dessa forma, os deixando bagunçado. Os chaveiros em sua bola se sacudiam, fazendo um barulho até irritante.

A garota tinha uma estatura meio pequena para algumas garotas. Tinha os cabelos presos por uma maria-chiquinha, que era composto por uma fita vermelha em cada lado. Tinha os olhos castanhos, quase dourados, acompanhados pela a maquiagem em seu rosto. Mas nada chamava tanta atenção quanto o rosa de seus cabelos. Sim, era uma garota encantadora.

Chegou no colégio e continuou a correr dentro do local. Atravessou o longo corredor, até parar onde tinha algumas pessoas paradas. Eles olhavam um quadro, onde estava o resultado das provas. A garota deu alguns passos e se colocou na frente dos papeis, com um olhar determinado.

O brilho de seus olhos somem ao ver o resultado. Não tinha saído bem, outra vez. Abaixou o rosto triste, não queria mais ver aquela nota vermelha.

– Tudo bem? — Perguntou alguém.

Levantou o rosto e olhou para a pessoa. Ao ver ele, seu coração se enchia de felicidade. Var era realmente um professor muito bom com todos os seus alunos, sempre os deixando contentes.

– Comecei o ano tirando nota ruim. — Respondeu. — Meus pais não vão gostar disso.

– Não se preocupe com isso, Amy. Há muito tempo pela frente para você melhorar suas notas.

O nome da garota era Amy Aruha. Tinha 15 anos, sendo um ano mais nova da turma que se encontrava.

– Mas eu quero melhorar elas agora! — Diz determinada. — Não quero deixar para depois.

– Bem, eu até te ajudaria nos estudos mas eu não tenho tempo para isso. — Fala sem jeito.

– Entendo. — Abaixa o olhar.

Abriu sua bolsa e de dentro, tirou um celular. Começaria a discar os números para ligar para seus pais, assim diria o resultado vergonhoso que ela tirou.

– Mas eu conheço uma pessoa que pode te ajudar! — Falou o professor pensativo. — Vocês são até do mesmo ano, até de turma.

– E quem seria? — Olha curiosa.

– Na verdade, são duas pessoas para ser exato.

– Eles poderiam me ajudar?

– Eles são bem espertos. Provavelmente te ajudaria.

O sinal toca, chamando a atenção de ambos.

– Você encontrará eles na biblioteca depois das aulas. — Avisa o professor já indo embora. — Se der sorte, é claro.

– E como que eles se chamam?!

– Mari e Sieghart! — Grita já distante.

Ouviu os nomes. Amy nunca tinha ouvido falar naquelas pessoas antes, ou talvez não se lembre. Sem mais nenhuma dúvida, se despediu de Var e foi em direção à sua sala de aula.

♥♥♥

Demorou um bom tempo até ouvir o sinal no final da aula tocar. Todos se levantaram de seus lugares e partiram para à saída. Amy pegou suas coisas e colocou em sua bolsa, logo partindo para a biblioteca.

– Como será que eles se parecem? — Se perguntou.

Pelos os nomes, soube que era uma garota e um garoto. Podia parecer estranho, mas Amy julgava muito as pessoas pela a aparência, por isso andava sempre chamativa. Conhecia de tudo sobre moda e maquiagem, ou qualquer coisa do tipo. Mas mesmo tendo todo esse conhecimento, não tinha ninguém para compartilhar. Amigos era algo difícil de ela conquista.

Parece que já estava se acostumando com a solidão.

Chegou na porta da biblioteca e olhou em volta do lugar. Entrou aos poucos, procurando por essa dupla. Se aproximou de uma mesa, onde tinha alguém sentado em quanto lia. Era uma garota para ser exato.

– Você é a Mari? — Perguntou a rosada de uma vez.

A jovem de cabelos azuis parou de ler e olhou para Amy, que ao encontrar os olhos azuis da garota, ficou intimidada por tanta frieza.

– Sim, sou eu. — Sua voz também transbordava frieza.

Amy ficou paralisada por um momento, até se tocar que tinha que continuar a falar com ela de qualquer jeito.

– Eu sou Amy. — Abri um sorriso encantador. Abri a sua bolsa e de dentro tira algumas provas da mesma. — O professor Var falou que você podia me ajudar nas minhas notas.

Coloca as provas sobre a mesa, assim a azulada dá uma olhada.

– Ele disse que você é bem esperta, então... — Dizia sem jeito. — Poderia me ajudar com isso?

Mari pegou as provas e deu uma rápida examinada. Se levantou da cadeira, pegou os livros que estava lendo e saiu do lugar. Amy ficou parada olhando a jovem indo embora, sem entender nada.

– Ei! Você não me respondeu! — Não ouve resposta, fazendo a rosada encher as bochechas de raiva. — Volta aqui!

Pegou as provas e saiu correndo atrás da garota. Seguiu ela no corredor, até fica ao seu lado.

– Você vai me ajudar ou não?

Novamente, não ouviu resposta. Sem escolha, se colocou na frente de Mari, impedindo que ela continuasse.

– O que foi? — Perguntou Mari.

– Você ainda não me respondeu! Vai me ajudar ou não? — Coloca as mãos na cintura.

Antes que Mari respondesse, Amy sente algo estranho, como se alguém a encarasse. Ficou assustada ao ver aquele cara atrás da azulada a olhando com um olhar mortal. Era maior que a garota, além de o cabelo espetado aumentar essa altura.

– Por que ele tá me olhando desse jeito? — Pensou a rosada.

Sem expressão alguma, Mari levanta um dos seus braços e desce rapidamente com o cotovelo mirando no rapaz atrás dela. O moreno se abaixa ao ser acertado na barriga pela a garota.

– Sieg, eu já te falei para parar de encarar as pessoas desse jeito. — Disse a azulada ainda com o olhar para Amy. — Me desculpe por ele.

– Tá tudo bem. — Fala ainda com medo. — Eu só quero a resposta.

– Eu ia pergunta para o Sieg se ele aceitava te ajudar comigo. — Avisa Mari. — Mas você ficou do meu caminho...

– Ah, era isso? — Entendeu o motivo de ela ter saído sem dizer nada. — Eu não sabia.

Viu o rapaz se levantar do chão, ainda com a mão na barriga. Seu olhar assustado tinha sumido para um de divertido, o que achou estranho Amy.

– Sieg, foi dela que o Var falou. — Menciona Mari. — Então, vai ajuda-la?

– Tanto faz. — Dar de ombros. — Contanto que dê tempo de a gente ir para sua casa.

– Casa dela? — Pensa Amy estranhando a situação. — O que ele vai fazer na casa dela?!

– Tudo bem. — Fala Mari. — Venha comigo, eu te darei algumas dicas.

Confirmou com a cabeça. A azulada deu as costas e voltou para a biblioteca, sendo seguida tanto por Amy quanto por Sieghart. Colocou seus livros sobre a mesa e se sentou.

– Posso ver as suas provas? — Pergunta olhando para a rosada.

Quando Amy se sentou, entregou as provas que continuavam em suas mãos. Mari olhou sem alguma expressão visível, deixando a jovem muito curiosa. Ela esticou uma das provas para Sieghart, que ao olhar, se segurou para não rir.

– Que notas horríveis! — Gargalhava.

– E-Ei! Não ria. — Se sentia envergonhada com aquilo. — Eu fiz o meu máximo.

– Ouviu isso, Mari? — Cutucava a garota com o cotovelo. — Ela fez o máximo, imagina se não tivesse feito?

– Vocês não estão ajudando muito. — Menciona de voz baixa.

O moreno continuava a rir, até que sua bochecha é apertada por Mari, o fazendo se calar na hora. Após o rapaz soltar um grito de dor, a azulada o soltou.

– Não podemos garantir que você consiga tirar boas notas com a nossa ajuda. — Diz Mari.

– Eu sei disso. — Fala com o olhar baixo. — Só espero que eu possa, pelo menos, entender as matérias.

Olhou calmamente para a garota, usando seu olhar calculista. Soltou um suspiro pelo o nariz.

– Vamos te ensinar o básico. — Pega as provas de volta e devolve para a rosada. — Pegue o seu caderno.

Abriu um pequeno sorriso discreto. Estava feliz por ser ajudada. Tirou de sua bolsa um caderno e pôs sobre a mesa, esticando para os dois.

– Vamos começar com matemática. — Falou Mari enquanto pegava um lápis.

Puxou o caderno para si e o abriu em uma página em branco. Enquanto escrevia, Sieghart a olhava de cabeça baixa, admirando a azulada por ajudar Amy.

– Tente resolver essa conta. — Fala Mari ao esticar o caderno de volta para Amy.

Olhou e se sentiu mal. Muitos números e letras juntas em uma só linha, o que deixou a garota sem entender alguma coisa. Pegou um lápis e colocou a ponta do grafite na folha, pronta para começar a resolver a conta. Mas não conseguia mover de jeito algum.

– Eu não consigo fazer isso! — Solta o lápis e começa a passar as mãos no cabelos, o bagunçando assim. — É muito complicado!

A olhava com um olhar preguiçoso a azulada. Sieghart levantou a cabeça e olhou para o caderno, vendo a conta. Puxou para si e pegou o lápis de Mari, logo começando a escrever.

– Não é pra você fazer. — Fala Mari.

Amy parou de entrar em pânico e olhou para o moreno. O viu fazer a conta tranquilamente.

– Até você consegue fazer essa droga? — Fica com um olhar triste.

Sabia sobre Sieghart. Todos do colégio sabiam que ele era um valentão no passado, um valentão bem perigoso e conhecido. Por onde Sieghart passava, alguns ficavam com medos, já outros, não. Mesmo sendo um cara violento por dentro, ele não mostrava isso, e sim simpatia e felicidade por onde passava. No entanto, o que mais chamava a atenção era o fato de ser muito esperto, mas muito burro ao mesmo tempo. Era o que as pessoas falavam.

– Pronto. — Avisa o moreno com um largo sorriso.

Amy puxou o caderno para ver o resultado. Ao ver, ficou com um olhar decepcionado e nervoso ao mesmo tempo. Desenhos. Outra vez, Sieghart fazia aqueles clássicos desenhos de coelhos em cenas aleatórias.

– Você tá de brincadeira, só pode! — Grita nervosa. — Que droga são essas?!

Mari olha para o caderno e ver os desenhos, em seguida olhando para o rapaz.

– As pessoas não entendem esses desenhos. — Diz ela. — Então para de fazer eles.

– Mas são tão mais fáceis de se resolver assim. — Passa a mão no cabelo espetado. — Não é minha culpa se as pessoas são burras para entender.

– Burras? — Repeti Amy indignada. — Falou o cara super normal em fazer esses desenhos sem sentido.

– É claro que eles têm sentido! — Puxou o caderno e apontava para cada desenhos. — Olha isso significa...

Começou a explicar o que cada coisa representava. Amy olhou séria no começo, achando que aquilo levaria a nada, mas depois de uma longa explicação, ficou de boca aberta. Era muito detalhe em um só desenho.

– E nisso, o resultado é 2. — Finaliza Sieghart.

Olhou chocada para o desenho. Não disse uma única palavra.

– Eu... — Falava a rosada. — Eu ainda não entendi.

– Bem, é compreensivo já que foi o Sieg que explicou. — Menciona Mari enquanto levantava da cadeira. — Sinto muito, mas devo ir embora agora. Tenho deveres para termina.

– Ma-Mas e como fica a minha ajuda?

– Traga amanhã essa conta feita. — Começa a andar até a saída, sendo acompanhada pelo o moreno. — Se conseguir, poderei te ajudar.

Olhou desesperada para a azulada. Pegou seu caderno e suas coisas e guardou em sua bolsa, assim se levantando rapidamente.

– E se eu não conseguir? — Perguntou Amy.

Mari se virou para ela com o seu olhar neutro. Deu de ombros e voltou a ir embora. A rosada não entendeu o que aquilo queria dizer, fazendo a garota sair correndo atrás da dupla.

♥♥♥

Fazia um tempo desde que tinha saído do colégio, e que estava seguindo a dupla. Eles sabiam que ela estava os seguindo, mas acabaram ignorando. Aquilo a deixava irritada, tudo que ela queria era uma ajuda, só isso, mas aqueles dois estavam dificultando isso.

– Não importa para onde vocês vão, eu vou seguir vocês! — Gritou Amy.

Os dois pararam de andar e se viraram para ela. Diferente de Mari, Sieghart parecia está cansado da persistência da garota. A rosada se aproximou deles e olhou sério.

– Sei que não sou a garota mais esperta do mundo, mas eu gostaria que vocês me ajudassem pelo menos em uma matéria. — Dizia a garota. — Mas vocês estão me ignorando.

– Entendo sua impaciência para poder entender os deveres. — Diz Mari. — Mas não podemos ajudar te ajudar do jeito que você quer.

– E como vocês poderiam me ajudar? — Olha curiosa.

Quando iria responder, ouve um toque de celular. Amy abriu sua bolsa e tirou o aparelho de dentro, assim vendo a mensagem que tinha recebido. A rosada nem estava dando mais atenção a ela por causa do celular, o que irritou a mesma.

– Primeiro, passe o celular. — Menciona Mari.

– Hã? — Olhou surpresa. — Por quê?

– Se quiser nossa ajuda, — Esticou a mão. — Passe o celular.

Olhou para a azulada e para o aparelho, enquanto tomava qual decisão tomar. Sem muita escolha, encheu as bochechas de raiva. Não estava gostando daquela ideia.

Desligou o aparelho e esticou para a garota. Mari o pegou e o jogou contra o peito de Sieghart, que ficou surpreso ao receber o celular.

– Faça. — Disse a azulada, ainda olhando para Amy.

O moreno segurou o aparelho com um olhar confuso, mas logo entendendo o que ela queria dizer. Deu de ombros e o soltou no chão, assustando Amy rapidamente.

– O que você vai fazer?! — Perguntou a garota assustada.

Antes que respondesse, ergueu o pé e pisou com força no celular no chão. O aparelho se partiu em milhares de pedaços, fazendo um grande barulho. Ao ver aquilo, Amy ficou branca, sem ter reação alguma.

Colocou ambas as mãos na cabeça e soltou um grito agudo, que incomodou os dois ao ouvir.

– Meu bebê! — Gritou Amy.

– Perae, você pariu essa coisa? — Perguntou Sieghart, apontando para o aparelho no chão.

Ignorando totalmente a pergunta que o rapaz fez, Amy olhou irritada para Mari.

– Por que você fez isso?!

Mari ajeitou sua bolsa pendurada em seu ombro e deu as costas. Antes de voltar a seguir seu caminho, virou seu rosto e olhou a rosada sobre o ombro.

– Se quiser mesmo ajuda, nos procure amanhã. — Dizia a azulada. — Se não, entenderei sua fraqueza. — Virou o rosto para frente. — Vamos, Sieg.

– Ah, certo. — Concordou o rapaz, logo a seguindo.

Quando a dupla se afastou, Amy correu até o seu celular e se abaixou perto dele. Pegou as migalhas do aparelho com uma expressão triste. Para ela, o celular era tudo, por isso mesmo o chamou de "bebê" quando Sieghart o soltou no chão.

Sabia que precisava de boas notas daquele momento em diante, mais do que o celular. Seu pai a mataria se soubesse que ela estava se saindo mal no colégio, o que cortaria todas as suas mesadas e presentes que ela ganhava por mês. Tinha que se tornar esperta o mais rápido o possível.

♥♥♥

Na aula do outro dia, teve que se ficar focada na aula inteira, sem deixar nenhuma informação passar. A partir de agora, pararia de ficar dando atenção para a maquiagem que passava durante as aulas e faria os deves. Seria uma pessoa diferente.

Ouviu o sinal tocar, liberando todas as turmas. Guardou seu material e pegou sua bolsa, assim indo para a biblioteca com um olhar determinado. Sem nem percebe, chegou lá em menos de alguns minutos. Se aproximou da mesa em que os dois estavam sentados e colocou uma folha sobre ela, chamando a atenção dos mesmos.

– Pensei que fosse desistir depois de ontem. — Menciona Sieghart.

– Sei que você falou aquilo só para me provocar, e para que eu fizesse o maldito desse trabalho. — Falou Amy olhando para Mari, que lia um livro no momento. — Está satisfeita agora?

A azulada abaixou o livro que lia e olhou para garota.

– Na verdade, eu só falei aquilo porque era verdade, e não para te provocar. — Dizia Mari. — Já a vi nas aulas. Sei que você só fica mexendo no celular o dia inteiro, e dando valor mais para a sua beleza, o que atrapalha os seus estudos.

– Então...?

A azulada pegou o livrou de volta e voltou a ler.

– Se quiser nossa ajuda, terá que ser como nós. — Falou Mari ainda lendo. — Estudo sempre em primeiro lugar.

Olhou indignada para a garota. Não gostava nada daquela proposta, mas como não tinha muito o se fazer.

– E como eu faço para ser uma de vocês? — Não acreditava que estava falando aquilo.

– Eu e a Mari nos encontramos todo fim de aula aqui, na biblioteca. — Diz Sieghart. — A única coisa que você tem que fazer é ficar com a gente, apenas estudando.

– Só?

– Sim ou não, decida de uma vez. — Fala Mari sem olha-la. — Não tenho o dia todo.

Suspirou como resposta. Colocou sua bolsa sobre a mesa e se sentou ao lado de Mari. Pegou a folha com o problema que a azulada tinha passado para ela no dia anterior e pôs na sua frente.

– Por favor. — Pediu Amy, olhando para a folha sem resposta alguma.

Mari parou de ler e fechou o livro, o colocando de lado. Puxou um pouco a folha para si, desse jeito conseguindo explicar para a rosada.

– Farei isso só porque Var pediu. — Disse Mari pegando um lápis. — E é melhor você levar isso à sério.

– Vou levar. — Disse determinada.

– Que bom. Agora, irei explicar como se faz, e é melhor você estar prestando a atenção.

Confirmou a cabeça confiante.

♥♥♥

Tinha se passado alguns dias depois do encontro que teve com Mari e Sieghart. Por sorte, eles a ajudaram nos deveres e nas dúvidas que tinha nas matérias. Mas mesmo eles a ajudando, Amy continuava a achar eles pessoas mal educadas, e que não devia se envolver muito. Bem, ela não se importava em ter amigos, e muito menos com aqueles tipos de pessoas.

No momento, tinha terminado a aula de educação física, onde teve que correr um bom percurso. Estava molhando o rosto em uma das pias que tinha no lado de fora do colégio. Como aquela água gelada a deixava aliviada, tirando o calor que sentia. Mas todos os seus pensamentos somem ao ouvir vozes.

– Droga, esqueci minha toalha. — Diz uma garota, acompanhada com as demais.

Amy desligou a torneira que usava e olhou discretamente para o grupo de garotas atrás dela. Tirou a toalha que estava em seu ombro e olhou séria.

– Agora vai! — Pensou a rosada.

Se virou rapidamente para o grupo, erguendo a toalha que segurava desse jeito.

– Eu tenho uma! — Gritou Amy, uma coisa que ela não queria ter feito. — Posso te emprestar.

– Sério? — Olhou surpresa a garota. — Obrigada.

Se aproximou dela e entregou a toalha para a mesma. Sorriu envergonhada ao ver que ela tinha aceitado sua ajuda. Não estava acostumada com esse tipo de coisa.

– Essa toalha é tão macia. — Menciona a garota olhando para o tecido. — Onde você comprou?

– Em uma loja muito cara. — Diz Amy com os braços cruzados. Começava a falar com um tom orgulhoso. — Meu pai pediu que a loja vendesse para ele a melhor toalha que tinha, e a mais cara. Provavelmente vocês nunca ouviram falar, né?

– Não somos de ir em lojas desse tipo. — Fala uma delas.

– É normal ver isso em pessoas como você. — Falou a rosada soltando uma risada em seguida. — Mas eu poderia dar essas toalhas para vocês, se quiserem. Tenho muitas sobrando em casa mesmo.

Soltou outra risada, porém parando quando ver sua toalha sendo arremessada contra ela. Pegou e olhou confusa para as garotas, que começaram a dar as costas para ela e ir embora.

– Não precisamos de sua caridade. — Disse uma delas antes de ir.

– Hã? — Olhava confusa. Não sabia onde tinha errado. — Eu não quis...

Era tarde demais, já tinha falado o que não devia. Como sempre. Tudo que Amy queria, era fazer amigas, mas era uma tarefa difícil para ela. Sempre quando estava conversando com uma delas, acabava falando algo que as ofendia.

Não era à toa que não tinha amigo algum.

Pisou forte no chão, irritada. Foi dar uma passo à frente, porém caindo de cara quando ia dar o próximo. Olhou para os pés, vendo o cadarço de seus sapatos desamarrado. Bufou ao lembrar que tinha esquecido de amarra-los.

– O que faz no chão? — Ouviu alguém perguntar.

Levantou o rosto, vendo Sieghart agachado perto dela. O moreno estranhava o estado que ela se encontrava.

– Eu caí, seu idiota. — Disse ela ao se sentar no chão. — Não está vendo?

– E como que você caiu?

– Não enche! — Gritou irritada, logo começando a amarrar os cadarços. — Estou ocupada.

O moreno não persistiu, apenas olhou a rosada amarrar seus cadarços, porém falhando. Os largou e soltou um grito irritada. Sieghart percebeu que ela não conseguia fazer um nó, o que fez o rapaz rir da cara dela.

– Você não sabe amarrar o sapato. — Dizia o moreno em meio aos risos.

– Eu sei! — Olhou vermelha de vergonha para ele. — Eu só não amarro porque eu não quero!

– Aham, sei. — Colocou ambas as mãos na barriga, de tanta dor que sentia por causa das risadas.

Olhou para frente e tentou esconder a vergonha que sentia. Mas não aguentou ficar ouvindo as gargalhadas do rapaz, teve que se levantar do chão e dar de costas para o mesmo.

– Eu vou ir embora. — Falou Amy.

Começou a andar com bastante cuidado, tudo para não tropeçar novamente.

– Ei, espera! — Gritou Sieghart a seguindo. — Deixa eu te ajudar.

Parou na frente da rosada, a impedindo de continuar. Sem que dissesse nada, ele se abaixou e pegou os cadarços, assim os amarrando. Amy ficou em silêncio, vendo seus sapatos sendo amarrados.

– Pronto. — Disse o moreno ao terminar.

Se levantou sorridente. Amy olhou para os seus pés e viu os laços perfeitos que Sieghart tinha feito.

– Obrigada. — Disse Amy tímida. — Não precisava.

– Tá tudo bem. — Olhou para as mãos da garota, onde segurava uma toalha. Sem permissão, Sieghart a pegou e secou seu rosto suado. Amy apenas olhou com nojo. — Mas quem eram aquelas garotas? São suas amigas?

– Não, não são. — Desviou o olhar. — Na verdade, eu nem conheço elas.

– Que pena. Elas são bem bonitas. — Solta uma pequena risada. — Gostaria de conhecê-las.

– Sinto muito, mas não as conheço. — Olhou o rapaz dos pés à cabeça. — Mas acho que você teria uma chance com elas.

Sieghart olhou animado para a rosada. Iria dizer algo, porém é impedido por alguém que o chama.

– Sieghart, quer voltar pro jogo?! — Gritava um rapaz bem longe.

– Tô indo! — Gritou em resposta. — Bem, nos vemos mais tarde. — Fala para Amy.

Deu uma pequena corrida em direção à quadra, até Amy o chamar. Parou os passos e olhou para a garota.

– Por que você me ajudou? — Perguntou a rosada. — Algumas pessoas ririam de minha cara e iria embora, mas você riu e me ajudou. Por quê?

– É coisas que amigos fazem!

Abriu bem os olhos, ficando surpresa. Sieghart acenou sorridente e voltou a correr para a quadra. Amy continuou a olhar o rapaz indo embora, sem dizer nenhuma palavra.

– Amigos... — Sussurrou.

Nunca tinha sentido essa sensação. Era estranho, pensava. Por que ele tinha dito aquilo para ela? Amy nunca o tinha considerado como amigo, apenas alguém para estudar, ou um conhecido. Mas agora que ele tinha dito aquilo, ela se sentia estranha.

Olhou para as próprias mãos, as vendo vazias. Por um momento, esqueceu de algo.

– Ele pegou minha toalha. — Diz em voz baixa. — Ah, depois eu pego.

♥♥♥

Após termina aquela longa conta, soltou um suspiro. Já estava de tarde, com o céu alaranjado, que logo ficaria escuro. Mari e Sieghart tinham ido embora quando terminaram de ajudar Amy com o dever, porém a rosada continuou na biblioteca para terminar o dever.

– Acho que é isso. — Diz em voz baixa, em seguida sorrindo ao ver que tinha conseguido.

Levantou os braços, se espreguiçando. Tinha passado meia hora desde que ficou sozinha e ficou fazendo o dever, então era normal estar cansada daquele jeito. Mas valia a pena, pois suas notas estavam melhorando com as ajudas de Mari.

Ficaria devendo uma para a azulada depois daquilo.

– Já tá tarde. — Pensou ao ver o relógio. — É melhor eu ir!

Pegou suas coisas e as guardou. Colocou sua bolsa no ombro e saiu correndo pelos os corredores. Não queria chegar atrasada em casa para ouvir seu pai a questionando.

Atravessou o portão de entrada, sentindo o vento gelado do lado de fora bater contra seus cabelos. Sorriu. Aquele estava sendo um bom dia para ela. Mas tudo parece mudar quando sente tropeçar em algo, o que faz ela cair no chão. Antes da queda, virou o corpo de lado, caindo sobre o ombro e o ralando assim.

– Ops! — Ouviu alguém dizer. — Não vi você aí.

Soltou um pequeno gemido enquanto se levantava. O seu ombro estava todo ralado, o que doía muito para Amy. A rosada se virou e viu uma garota. Não a reconheceu de forma alguma, era uma desconhecida.

– Por que fez isso?! — Gritou Amy irritada.

– Você ofendeu minhas amigas com o seu jeito. — Dizia ela. — Acha mesmo que você é superior que os outros?! Você acha?

Se lembrou da garota, onde ela estava no meio do grupo na aula de educação física.

– Não me acho superior. — Falava Amy passando a mão em seu ombro machucado. — Vocês que agem de forma inferior!

– Só porque tem dinheiro, não quer dizer que você vale mais que a gente. — Aperto os punhos. — São as atitudes que nos tornam, e não o que temos! É por isso que não têm amigos.

– Eu tenho amigos sim! — Gritou irritada. — Eles só não estudam aqui.

– É mesmo? — Fingi olhar surpresa. — E cadê eles?

Olhou para o lado, sem saber o que dizer.

– Tão solitária. — Falava a garota. — Não sabe nem como é ter alguém ao seu lado.

Fechou os olhos, querendo não ver mais ela. Cada provocação machucava seriamente Amy, direto no seu coração. Era verdade, ela não tinha amigos. E o pior de tudo é que ela sabia disso.

– Cala a boca! — Berrou Amy.

Jogou sua bolsa de lado e correu com as mãos abertas na direção da garota. Amy foi rápida o suficiente para joga-la no chão antes que ela desviasse. Caiu sobre a garota, puxando seus cabelos com toda força que tinha.

– Me solta! — Gritou ela.

Sem perceber, a rosada é jogada de lado, assim a garota subindo nela dessa vez. Começou a dar tapas em Amy, mesmo que seus cabelos estivessem sendo puxados. Quanto mais tapas eram acertados em Amy, mais seus rosto ficava vermelho e com alguns arranhões.

Após tomar golpes violentos daquela garotas, os ataques param de repente. Lentamente abriu os olhos, vendo a jovem sendo retirada de cima dela. Olhou confusa, mas logo percebendo quem era que a ajudava.

– Por que vocês estão brigando? — Perguntou Sieghart, ainda erguendo a garota pelo o casaco.

– Si-Sieghart. — Gaguejou a jovem ao ver o moreno.

Foi solta pelo o mesmo.

– Não estávamos brigando. — Falava ela. — Bem...

Sieghart a olhava confuso, sem entender o que ela dizia. A garota ficou vermelha de vergonha, a fazendo correr para longe.

– O que estava acontecendo? — Perguntou Sieghart, olhando para Amy.

– Pensei que já tinha ido embora. — Diz a rosada quando se senta no chão.

– Mari acabou esquecendo de pegar o caderno dela na sala, então voltamos para pegar.

– Peguei. — Diz Mari ao se aproximar do grupo. Pelo visto, a garota tinha entrado no colégio e pegado seu caderno, ignorando totalmente a briga que estava tendo alguns minutos atrás.

Demorou alguns segundos para a azulada percebe os machucados em Amy. Abriu sua bolsa e guardou seu caderno, em seguida pegando um pano que ela guardava. Se abaixou próxima a Amy, assim esticando para ela o pedaço de pano.

– Você está com o rosto sujo. — Menciona Mari. — Limpe com isso.

Olhou confusa para Mari, depois para o pano. Não entendia a gentileza da garota.

– Obrigada. — Disse com receio, aceitando o pequeno pano.

Dando alguns gemidos de dor, Amy limpava seu rosto.

– Por que não a levamos para a sua casa? — Pergunta Sieghart para Mari. — Tem alguns curativos para ela lá.

– Tem razão. — Concorda a azulada sem persistir muito. Olhou para a rosada no chão. — Amy, venha com nós.

Deu nem tempo para a garota responder. Mari deu as costas e começou a seguir seu caminho sem preocupação. Sieghart fez um rápido sinal com a mão, para que ela fosse com eles.

– Es-Esperem! — Pediu Amy se levantando e pegando sua bolsa, logo correndo atrás dos dois. — Eu tenho que estar em casa!

– Não seja chata. — Disse o moreno com um sorriso de deboche. — Só vai ser alguns minutos.

– Meu pai vai me matar se eu não chegar a tempo.

– Ele vai te matar se te ver assim, não? — Estranha Sieghart.

Olhou surpresa. Tinha esquecido totalmente da briga que teve quase agora, e de seus machucados. Se seu pai soubesse que Amy esteve em uma briga, estaria encrencada por isso. Seria uma decepção para sua família, já que todos são muito bem educados. Não poderia deixar ele souber disso.

Encheu as bochechas de raiva e deu uma rápida corrida para acompanhar os, dois que estava bem à sua frente. Ficou ao lado de Mari, porém sem olha-la. Já Sieghart, do outro lado, abriu um largo sorriso para a rosada, que o ignorou da mesma forma.

– Idiotas. — Disse Amy.

♥♥♥

– Cheguei. — Fala Mari ao entrar em sua casa, mas parecendo um sussurro para si mesma.

Antes que entrasse em direção à sala, tirou os sapatos e colocou em um canto. O mesmo fez Sieghart, como sempre fazia, tirou os sapatos e colocou ao lado dos sapatos de Mari.

– Não tenha medo. — Diz o rapaz olhando para Amy. — Pode entrar.

Não querendo ser mal educada, tirou os sapatos e os colocou no canto. Não queria entrar na casa dos outros e sujar o piso.

Seguiu Mari até a cozinha. Antes que chegasse lá, sentiu um cheiro incomum, um cheiro delicioso. Carne.

– Veja só! Nova visita! — Exclama alguém.

Estava tão distraída por causa do cheiro que nem percebeu ao entrar no cômodo e ver aquela moça, que era extremamente parecida com Mari. Com um pouco de vergonha, fez uma rápida reverência de saudação para a moça, que riu em resposta.

– Mari, quer me apresentar sua amiga? — Exigiu a moça. — Não sou nenhum tipo de adivinha.

– Essa é Amy, a garota que eu disse que estava ajudando no colégio. — Fala sem importância.

– Oh, então é essa. — Olha impressionada para Amy. — Você é tão bonita! Parece uma boneca.

– O-Obrigada. — Passa a mão no cabelo, sem jeito.

Voltou o olhar para Mari, que se sentava na mesa da cozinha com uma pequena maleta branca. A garota abriu, mostrando alguns medicamentos que tinha ali dentro.

– Amy precisa de alguns curativos. — Menciona Mari. — Pode ajudar ela?

– Claro! — Diz sua mãe, em seguida se sentando ao lado de Mari e apontando para que Amy sentasse logo à frente. A rosada fez o que foi mandado. — Primeiramente, conte o que aconteceu, mocinha.

Amy aproximou a cadeira para perto da moça. Ela pegou alguns algodões com um líquido e colocou a passar delicadamente nos arranhões do rosto de Amy. A mesma fez uma careta no começo, mas depois se acostumou.

– Tinha uma menina que veio brigar comigo, só isso. — Falava Amy. — Eu fiz algo que não devia, então ela ficou brava.

– Entendo como é isso. — Diz a mãe de Mari, logo apontando para a sua filha ao lado. — Essa aqui diz algo inapropriado de vez em quando. Sorte a dela ter o Sieghart por perto.

Amy olhou na direção do rapaz, que estava na geladeira pegando uma lata de refrigerante. Ele a abriu com uma mão só, em seguida bebendo.

– Fico curiosa em saber como o Sieghart e a Mari viraram amigos. — Diz Amy um pouco tímida. — Parecem tão...

– Diferentes? — Completa mãe de Mari. — É, também achava isso no começo. De qualquer jeito, esses dois aprontaram muitas até chegaram à essa relação. — Dar uma pequena risada. — É uma longa história, só isso que eu digo.

– Oh. — Murmura a rosada impressionada. — Grandes amigos.

Nem percebeu quando o último curativo foi colocado em seu rosto. Não sentia mais dor, felizmente, mas sentia os curativos sobre eles. Bem, não se importava mais com a aparência naquele momento, pela primeira vez na vida.

Agradeceu à mãe de Mari e disse que já iria, porém foi impedida pela a mesma. Amy acabou ficando para o jantar, junto com Sieghart que parecia está acostumado com aquilo. Se sentou na mesa e foi servida pela a mãe da Mari. Sorriu ao comer a comida da moça, que era deliciosa. Não tinha nem comparação com as que ela comia em sua casa.

Sieghart colocou uma garfada na boca e soltou um pequeno "hum", seguido pelo o largo sorriso dele. Amy nunca tinha visto essa expressão nele.

– Linda, você é a melhor cozinheira do mundo. — Dizia o moreno apontando o garfo para ela. — A cada dia você me surpreende com esses pratos.

– Linda? — Pergunta Amy confusa.

– Esse é meu nome. — Fala a mãe da Mari. — Sieghart costuma me chamar pelo o primeiro nome.

– Mas não é falta de respeito chamar um adulto pelo o primeiro nome?

– Algo desrespeitoso vindo do Sieghart não é novidade. — Rir Linda. — E bem, não me importo com isso. Me sinto até jovem.

Amy riu. Se sentiu confortável em estar com eles, por estranho que pareça. Falavam de coisas aleatórias, principalmente Sieghart, mas que faziam sentido depois de um tempo. Até mesmo Mari participava sem humor algum, porém fazendo todos rirem de qualquer jeito.

Sieghart era diferente de como ela pensava. Linda, a mãe de Mari, era uma maravilhosa pessoa. E Mari... Ela era gentil, sincera e esperta.

– Obrigada por tudo, senhorita Onette. — Fala Amy enquanto saía. Tinha terminado o delicioso jantar, agora se despedia de todos. — O jantar estava maravilhoso.

– Não foi nada, querida. — Diz Linda. — Volte sempre. Mari não costuma trazer garotas para cá.

– Bem...

Olhou para Mari, e viu que a azulada não se importava muito.

– Nos vemos amanhã no colégio. — Fala Mari com sua típica tranquilidade. — Se quiser, você pode vim amanhã para cá.

– Ah, certo. — Concorda a rosada animada.

Se despediu de todos, até mesmo de Sieghart que ficaria ali por mais um tempo. Saiu da casa de Mari com um sorriso bobo no rosto. Nunca tinha se sentido tão feliz assim.

♥♥♥

Fechou o caderno e se espreguiçou. Conseguiu termina de fazer os deveres que Mari tinha dado. Ultimamente tinha conseguido fazer os deveres que a azulada tinha dado para ela. Começava a se esforça nos estudos cada vez mais.

Sieghart e Mari disseram que iriam até a sala de Var para entregar um trabalho que deviam. Amy tinha trabalho também para entregar, então foi junto com os dois.

– Var. — Chama Mari ao chegar na sala.

A garota nem esperou a resposta do rapaz para ela entrar, o mesmo fazendo Sieghart. A rosada estranhou aquilo, principalmente por Mari ter chamado o professor pelo o primeiro nome.

– Querem alguma coisa? — Pergunta o rapaz enquanto tomava uma caneca de café. Após tomar, percebeu Amy ali, o que deixou surpreso. — O que faz aqui, senhorita Amy? É uma surpresa vê-la com esses dois.

– Você que falou para eu ficar com eles para estudar. — Diz a rosada. — Não venha com esse negócio de surpresa.

– Achei que não sobreviveria ficar com o idiota do Sieghart e a fria da Mari. — Menciona o rapaz, em seguida soltando uma risada sem graça. — Mas estava enganado.

– Não sou fria. — Diz Mari, sem reação. — Essa sua acusação é desnecessária.

– E eu não sou idiota, ok? — Fala Sieghart, colocando ambas as mãos sobre a mesa e encarando o professor. — Você que é.

Amy olhava aquela cena intimidada. Ver Mari e Sieghart agindo com o professor daquele jeito era muito estranho. Parece que eles eram bem amigos para tratarem um ao outro assim.

– Tanto faz. — Diz Var. — Coloque os trabalhos sobre a mesa e podem ir. Tenho muita prova para corrigir.

Obedeceram e colocaram o trabalho na mesa, em seguida saindo da sala sem se despedir do rapaz. Amy foi a última a colocar, mas sendo chamada quando ia embora.

– Como está indo a relação com esses dois? — Pergunta Var curioso.

– Bem, eu acho. — Coça a bochecha. — Sieghart é legal e muito amigável. Gosto dele. Já a Mari é um pouco difícil de entender ela. Vive séria e sendo fria comigo e com o Sieghart.

– Você se acostuma depois de um tempo. — Volta pegar sua caneca e tomar o café quente. — Vocês podem ser amigos, pelo o que eu vi. E não se preocupe, Mari tem esse jeito mesmo.

– Eu sei, mas é que eu gostaria que ela fosse um pouco mais... — Procura a palavra. — Amigável comigo.

– Será difícil de isso acontecer. — Toma um gole da bebida. — São poucas coisas que deixam Mari próxima de você, isso é, você tem que ter alguma coisa de interessante se quiser que ela a trate bem.

– Algo de interessante? — Olha confusa. — Acho que tenho nada disso.

Var dar de ombros.

– Relaxa, eu só falei isso de brincadeira. De qualquer jeito, é melhor você ir. — Suspira. — Tenho trabalho a fazer, e você não vai querer ir embora sozinha, né?

Amy olhou confusa. Não entendeu o que ele quis dizer com aquilo. Mesmo não entendendo, se despediu do rapaz e saiu da sala.

– Nunca achei que o Var podia ser um pouco estranho. — Murmura.

Saiu do colégio, vendo o tempo alaranjado do lado de fora. Quando ia descer as escadas, olhou surpresa. Sieghart e Mari estavam parados a esperando.

– Você demorou. — Menciona o moreno. — Tava tendo um caso com o Var? — Olha desconfiado.

– Hã? — Pergunta confusa. Não estava entendendo nada que acontecia.

Quando Sieghart ia falar, é interrompido por um tapa no ombro, vindo de Mari.

– Ignore ele. — Diz a azulada. — Só achamos que você estava fazendo outra coisa para demorar tanto.

Amy desceu as escadas e se aproximou deles.

– Espera um pouco. — Pede a rosada. — Vocês estavam me esperando?

Os dois se olharam e confirmaram.

– Sim, estávamos. — Diz o rapaz. — Algum problema?

– Era só para confirmar. — Rir em jeito. — Bem, então vamos.

Seguiram o caminho, até Sieghart parar e começar a mexer em sua mochila. Chamou Amy e jogou algo para ela.

– Tinha esquecido de te devolver, foi mal. — Diz o moreno.

A rosada olha para suas mãos e ver a toalha que tinha emprestado para Sieghart. Estranhou, o tecido estava macio e cheiroso.

– Pedi para Mari lavar para mim. — Continua o rapaz. — Quer dizer, a mãe dela.

– Não precisava devolver. — Fala Amy. — Tenho um monte em casa mesmo.

– Era melhor ele ter devolvido mesmo. — Menciona Mari, porém olhando para frente. — Sieg ainda me deve muitas coisas que ele pegou emprestado.

Olhou para o moreno e viu ele fazer uma cara emburrada. Era verdade.

– Já disse que eu vou te pagar. — Diz o rapaz.

– Estou esperando.

A rosada ficou olhando a discussão dos dois em silêncio. Deu uma pequena risada quando viu Sieghart perder para Mari na discussão. Parece que o moreno não era tão bom nas palavras.

Lentamente, Amy parou de andar. Os dois continuaram a andar, nem percebendo a rosada ficando para trás. A garota continuou a olhar eles, analisando cada um.

– Amigos. — Sussurra para si.

Mesmo falando em voz baixa, Mari e Sieghart ouviram. Pararam de andar e olharam confusos para a garota.

– Que foi, Amy? — Pergunta o moreno.

A garota olhou para baixo, desviando do olhar deles. Fechou um dos punhos. Olhou para frente, encarando eles.

– O que vocês são para mim?! — Pergunta Amy.

– O quer dizer com isso? — Fala Mari.

– Vocês são as únicas pessoas que são boas comigo naquele colégio. Eu só queria saber se vocês estão fingindo ou não.

– Hã? — Sieghart passa a mão no cabelo espetado. — E por quê a gente fingiria?

Amy volta a olhar para baixo, vendo somente suas mãos segurando a bolsa. Começava a ficar com vergonha.

– As pessoas que geralmente costumam se aproximar de mim estão só interessadas no dinheiro que eu tenho. Nunca tive amigo por isso. — Levanta o olhar para eles. — Tenho medo que vocês estejam fazendo o mesmo.

Mari, como sempre, não expressava nenhuma reação, sendo difícil de saber o que ela pensava. Já Sieghart se aproximou da rosada, a deixando um pouco com medo. O rapaz ao chegar perto, coloca a mão no ombro da mesma, a olhando seriamente.

– Você é rica?! — Pergunta Sieghart surpreso.

– Sim, eu sou. — Afirma com a cabeça.

– Que máximo! — Os olhos do rapaz começa a brilhar. — Será que você pode me emprestar uma grana para eu pagar a Mari?

Antes que Amy dissesse algo, Sieghart solta um grito de dor quando sente sua orelha sendo puxada. Mari o afastou da rosada, dando espaço para ela falar.

– Não importa se você tem ou não dinheiro. — Falava a azulada. — Você é o que você é, e ninguém pode dizer o que você deve fazer ou não. Não nos importamos com o seu dinheiro, Amy.

– Não? — Olha surpresa.

– Não, nenhum pouco.

Amy olhou impressionada para Mari. Mesmo a garota sendo fria com ela, a azulada era uma boa pessoa, de verdade.

– Vo-Vocês são meus amigos então?

– É claro. — Responde Mari sem animação alguma.

Amy não conseguiu de deixar o sorriso bobo abrir em seu rosto. Sem querer, acaba se jogando contra Mari e abraçando. A azulada continuou sem expressão.

– Então seremos grandes amigas! — Falava a garota bastante animada. — Eu, você e o Sieghart.

– Tanto faz. — Dar de ombros.

Soltou Mari e começou a andar na frente.

– Então que tal a gente passar em uma loja e comprar alguma coisa para comer? — Sugere a rosada. — Eu pago!

– Não. — Diz Mari. Andou até a rosada e parou, em seguida apontando para Sieghart. — Ele paga.

– O que?! — Diz o rapaz surpreso. — Mas eu nem tenho dinheiro pra mim, muito menos para pagar comida para vocês!

– Dê seu jeito. — Falou a azulada fria.

Quando Sieghart foi responder, alguém o impede quando o chama. Olhou para trás e viu um monte de rapaz o cercando. Ele pareceu nem se importar com aquilo.

– Sieghart, você pensa que vai fugir?! — Grita um dos rapazes, apontando uma barra de ferro para o mesmo. — É melhor pagar tudo que você nos deve!

– E-Eu devo pedir ajuda? — Sussurra Amy assustada.

– Não, ele dá um jeito. — Diz Mari, se virando e indo embora. — Vamos, Amy.

A garota olhou para Sieghart de forma preocupada, depois para a azulada que já ia embora. Não sabia o que fazer, então deu de ombros e correu atrás de Mari.

– Pagar? — Estranha Sieghart. — Eu devo algo há vocês?

– É claro que deve!

– Foi mal, pessoal, tô sem grana. — Diz o rapaz já se despedindo. — Pago depois.

Quando o moreno iria embora, um dos garotos o segura pela a mochila, o parando rapidamente. Sieghart não gostou daquilo, o fazendo olhar sério para eles.

– É melhor pagar o que deve, senão teremos que força-lo a pagar.

O rapaz nem responder, apenas deu uma cotovelada no cara que o segurava. Ao receber o golpe, caiu direto no chão, assustando as pessoas em sua volta.

– Já disse que tô sem grana. — Repete Sieghart. — Entendam isso.

– Então é melhor nos pagar de alguma forma! — Grita o outro, também nervoso.

O moreno sorri de repente, alargando de forma assustadora. Alguns ficaram intimidados pela a sua expressão, outros nãos.

– Ok, irei pagar. — Ergue as duas mãos e começa a estalar os dedos. — Como desejam.

♥♥♥

– Mari! — Grita Amy ao avista-la.

Chegou no colégio correndo, mas isso não impediu de correr mais um pouco até Mari quando a viu pelo o corredor. Se aproximou da garota e disse "Bom Dia." Como sempre, Mari falou o mesmo.

Tinha se passado algumas semanas desde que começaram a serem amigas. Sieghart também aceitou Amy como uma grande amiga, assim sempre a ajudando quando ela precisava. A rosada conseguiu ser mais amigáveis com as pessoas, principalmente a falar com os garotos, que eram os que mais a ignorava. Todo o dia iam embora juntos, parando em uma lanchonete ou não. Depois disso, Amy ia para casa de Mari ter aulas extras com a mesma. Um dia até dormiu na casa da azulada.

– Cadê o Sieghart? — Pergunta a rosada olhando em volta. — Não está com você hoje?

– Provavelmente deve estar naquela multidão ali. — Aponta Mari.

Um bando de garotas circulavam uma pessoa, que como a azulada previa, era Sieghart. O rapaz estava com alguns curativos no rosto, tudo causado pela a briga que teve outra vez com uma gangue vizinha. As garotas na sua volta olhavam preocupadas, perguntando se ele precisava de algo. Sieghart, como um pervertido, como Mari o chama, dizia que estava com algumas dores e que a companhia delas o fazia bem.

– Já chega, vou acabar com isso de uma vez. — Diz Mari séria.

– Mari, será que você gosta do Sieghart? — Pergunta Amy curiosa. — É ciúmes que você tá tendo?

– Não, eu não gosto dele. — Falou seca. — Provavelmente ele deve gostar de mim, já que nunca me deixa em paz. — Suspira. — De qualquer jeito, preciso dele para fazer um trabalho.

Deixo nem Amy questiona-la, foi logo andando até onde o rapaz estava e entrando no meio da multidão. Ao se aproximar de Sieghart, o pegou pela a orelha e o puxou para fora da multidão. Sim, aquilo doía.

– Mari, isso machuca. — Dizia o moreno enquanto era puxado.

– Temos que fazer o trabalho, se esqueceu?

Amy percebeu as garotas olhando furiosas para Mari, o que fez a mesma soltar uma pequena risada. Viu os dois se distanciando e correu atrás deles.

– Me esperem! — Pede Amy os seguindo.

Enquanto corria, acabou esbarrando em uma das garotas e deixando o livro que segurava cair. Olhou emburrada para uma delas, mas teve que ignorar e pegar o livro. Porém, nem precisou se abaixar para pegar pois alguém o esticava para ela.

– Obrigada. — Diz Amy um pouco corada.

Era um garoto um pouco maior que ela. Tinha longos cabelos vermelhos, presos por um rabo de cavalo. Seus olhos eram da mesma cor, vermelhos. Mas o rapaz a olhava seriamente, por isso nem disse nada quando devolveu o livro para a rosada. Virou para frente continuou a seguir seu caminho.

Depois que o ruivo sumiu de sua visão, Amy se deu conta que Mari e Sieghart tinha sumido. Suspirou cansada e saiu correndo à procura deles.

– Me esperem! — Gritou outra vez.

Mari e Sieghart eram seus únicos amigos que ela considerava como uns. Mal sabia ela que esse pequeno trio aumentaria em breve, com a chegada de um lutador que é contra a violência, o príncipe branco e uma vândala.

Esse colégio não será o mesmo quando todos eles se conhecerem.

Notas finais
Review? *Então, a cada capítulo será um personagem novo para o grupo! O de hoje foi a Amy, o próximo capítulo vai ser outro, entenderam?! Eu dei até a dica de quem serão os próximos no final do capítulo :3 Vocês sabem quem são? *Quem é o garoto ruivo no final? Adivinhem! *Quero agradecer a todos que favoritaram a fic ♥ Especialmente ao LDAlex! Obrigada pela a linda recomendação :3 *Então é isso, até daqui há alguns meses para lançar outro capítulo kkkkk