Uma Lua para os Amantes
1 Corações, almas e mentes
Notas iniciais
Passaram-se sete anos. Sete longos anos, que Edgar cruzou o caminho de Lydia. Talvez, preciso te recordar como foi esse encontro. Não foi muito aprazível, chegou a ser estranho. Ele dúbio, ela preocupada e desconfiada. E desse estranho encontro, nasceu uma semente. Uma semente arrebatadora que chamamos de sentimento. É necessário confessar que no início, era só atração. Ele, o conhecido mulherengo, que por onde passasse, arrasava todos os corações das damas que se atreveram a brincar de enamorar-se.
Mas, Lydia tinha um sétimo sentido e logo de cara, não confiou muito nele. Talvez por ser uma fairy doctor? Talvez, foi o seu instinto feminino. Quem sabe? Só o que conhecemos é que a união desse casal foi lenta, gradual e, por isso mesmo, duradoura.
E sete anos se passaram, até esse momento, em que Lydia percorre o corredor da mansão dos Ashenbert rumo ao seu quarto. Aliás, o quarto dela e de Edgar... Sim, eles estão casados, você não sabia? Sim, há seis anos e tem um pequeno filho, Aurthur, que por sinal, um pouco antes era acalentado por Lydia a entrar no mundo de Morpheu e brincar nos mistérios dos sonhos.
Naquela noite, particularmente, ela estava cansada. Não foi um dia ruim, ela só estava cansada, porém ansiava desesperadamente por aconchego, doçura e amor. Ah! Mas, isso Edgar podia oferecer... E milhares de vezes. E esta noite não seria diferente.
Agora, ela está em frente ao seu quarto. A Lua é crescente no céu, apesar da noite estar relativamente nublada, como era de costume em Londres.
Ao abrir a porta do aposento, Lydia percebeu as diversas pétalas de rosas espalhadas pelo chão. Elas faziam uma trilha até a cama dossel do casal. Ela sorriu e caminhou pé ante pé até o leito e reparou no ramalhete de flores-do-campo em seu travesseiro. Quando chegou próxima a uma das cortinas, foi surpreendida da mesma forma que conheceu seu amor pela primeira vez. Ele a agarrou por trás, colocou uma das mãos em sua boca e com um dos braços a envolveu pela cintura e sussurrou em seu ouvido:
Sugestão de trilha: Edgar to Lydia (Hakushaku to Yousei – OST)
— Resgate-me! Por favor! Resgate-me, minha fada!
Edgar então a soltou e ela virou-se para ele. Dos sorrisos vieram os beijos, que aos poucos, lhes abriram o apetite. Ele a conduziu à cama com a mesma suavidade de uma valsa.
Ela dizia baixinho em seu ouvido:
— Edy! Eu te amo! Te amo!
Ele deitou o seu corpo sob o dela com ternura e os beijos foram ficando mais vorazes. Com as pernas entrelaçadas e os corpos encaixados, a respiração de ambos foi ficando cada vez mais ofegante. Ela segurou a mecha dos cabelos louros de Edgar na altura da nuca e disse balbuciante em seu ouvido:
— Eu te resgato, mas só com uma condição…
Ele, atrevido, perguntou:
— E qual seria, minha fada?
Voltaram-se a se beijar, desta vez, de forma mais demorada. Quando as bocas se soltaram, Lydia respondeu em seu ouvido:
— Que você seja meu! Só meu!
Ele suspirou de forma lasciva e murmurou:
— Farei sua vontade…
Desta vez, os lábios de Edgar percorreram o corpo de Lydia ainda vestido. Aos poucos, ele retirou peça por peça das roupas da esposa. Ela podia sentir seu coração pulsar quase com violência e seu corpo aquecido mesmo que estivesse seminua. A sensação era tão prazerosa, que pequenos arrepios subiam e desciam pelo seu corpo.
Ela, então, o empurrou para trás e começou o mesmo jogo com ele. Tirou as meias, subiu no corpo dele e destravou o pequeno broche que prendia a gravata e a desfez, retirou a sobrecasaca e o colete. Quando Lydia começou a desabotoar a camisa percebeu que a excitação dele era bem visível. Ela voltou a beijá-lo mais uma vez.
Ele, por sua vez, acariciava seus longos cabelos cor de caramelo. O perfume de Lydia... Ah, o perfume de Lydia é a coisa mais maravilhosa que ele já tinha sentindo. E por tantas vezes, ele procurou isso em outras mulheres, antes de conhecê-la. Mas, era ela, só ela, que conseguia fazê-lo perder-se nas suas próprias sensações. E Edgar sabia que ela participava tanto quanto ele desse delicioso jogo.
Agora as bocas se soltaram e ela continuou a despi-lo até a última peça de roupa. E vieram beijos e mais beijos que Lydia espalhava pelo corpo todo de Edgar. Ele que apresentava uma pele tão alva, agora estava rosada em um tom forte.
E em um certo momento, ele sentiu que a esposa tinha chegado ao ponto mais nevrálgico do seu corpo. Enquanto Lydia proporcionava aquela sensação tão boa, o marido sentiu a cabeça rodopiar e quase perdeu os sentidos. Sabia que se ela prolongasse mais um pouco, chegaria mais cedo do que gostaria. E quase de forma descontrolada, Edgar a jogou ao seu lado e puxou-a para si. E Lydia respondeu com um gemido.
E tudo que ele disse naquele momento foi:
—Agora é sua vez! – com um sorriso nos lábios.
Os cabelos soltos e espalhados pelo lençol, os braços estendidos como estivesse rendida àquele momento. E o seu sorriso, tão doce, tão sincero e os olhos semicerrados. “Ah, como Lydia é linda!”, foi o que pensou.
Edgar despiu as últimas peças que faltavam e logo depois, percorreu seu corpo beijando cada parte. Enquanto isso, ela gemia baixinho, chamando-o carinhosamente e percorria com as pontas dos dedos a curva das costas do marido.
Por um momento ela fechou os olhos. O que mais queria da vida? Lydia não ousava imaginar quando solteira esse tipo de jogo de amantes fosse tão maravilhoso, tão delicado e com tanta, tanta entrega.
E aí, ele afastou as pernas dela com delicadeza e começou a beijar a sua delicada flor. Edgar não pôde ver o quanto de prazer ela sentia nesse ato. Lydia se contorcia, gemia e o chamava:
— Edy! Por favor, não pare!! Te amo!!
Mas, ele sabia que não iria conseguir aguentar por mais tempo e veio ao encontro dela. Os seus corpos pediam por uma conclusão de modo desesperado. E assim, eles se completaram. Os movimentos começaram lentos, ternos, e foram ficando, aos poucos, avassaladores. Parecia que havia uma fogueira em volta deles.
Ora os olhos se fechavam, deixando que os sentidos falassem por si só. Ora sorriam felizes, entre gemidos e sussurros. E como eles eram gratos por estarem juntos. E dessa forma, experimentaram diversas posições.
Agora, eles estavam frente a frente, ela sentada sob ele, as respirações ofegantes, os poros da pele latejando de calor. Edgar murmurava no ouvido de Lydia:
— Minha fada! Minha fada! Minha fada!
E eram tantos beijos, mãos que percorriam os corpos e, volta e meia, entrelaçavam-se. O prazer para ambos era quase insuportável. E então, eles chegaram juntos.
O dela foi tão forte que ele precisou segurá-la para que não tombasse para trás. Lydia abraçou-o trêmula e disse:
— Estou tão feliz! Tão feliz!!
E Edgar retribuiu dizendo:
— Não sei viver sem você!!
Depois, soltaram-se e deitaram lado a lado. As respirações foram acalmando-se, as conversas ficavam cada vez mais entrecortadas. Aos poucos, de forma faceira, o sono os surpreendeu, mas não pôde separá-los porque um encontrava-se aninhado ao outro. E isso era tudo que eles queriam, até o amanhecer.
Fim!
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