Uma Louca No Rangers
1 Como fui parar lá
Notas iniciais
leiam as notas finais.
Eu estava lendo, talvez pela vigésima vez, a parte em que Horace bate naqueles aprendizes de guerra do segundo ano. À desforra garoto! Do primeiro livro, é a minha parte favorita. O meu favorito é o sexto, a última parte. Do sétimo a primeira. Do oitavo, o meio. Do segundo, tudo. Do terceiro, o quarto e o quinto, o fim também.
Quando acabei de ler aquela parte, fechei o livro e o abracei. Aaaaaaaaaaahhhhhhhh,eu amo esse livro, livros, série. Tuuuuuudoooo. Hora de me arrumar pra escola. Pus minha roupa de balé numa mochilinha separada, gente, minha professora é muito rigorosa, não tolera nem uma manchinha. Fala sério, sofri muito com os primeiros alongamentos.
Claro que não podia deixar de levar um livro na bolsa. Leio no intervalo das aulas, quando não tem ninguém falando comigo. Umas três vezes por dia. E ultimamente tem sido só Rangers.
–- Aff, JÁ VOU, TO ARRUMANDO MEU CABELO!— gritei do quarto quando minha mãe me chamou pela quinta vez.
–- OLHA, NÃO FAZ “AFF” PRA MIM!!— Gritou minha mãe, muuuito irritada.
Hehe minha mãe é a coisa que eu mais amo, junto com meu pai, meu cachorro e meu gatinho. Bom, meus pais estão acima dos meus bichinhos, mas eu também amo meu irmão.
–- TO INDO!— vish, melhor eu ir, senão mamãe invade o quarto e me puxa pelos cabelos.
–- Camila, a gente ta fazendo uma festa surpresa pra Ana, tu vai participar?— perguntou a Alê.
–- Claro. Alguém vai levar o bolo?— perguntei.
–- Já, o Tavinho. — falou ela escrevendo num caderninho.
–-Aff, aquele feio, sabe que eu adoro levar os bolos pras festas. — olhei pro teto.
Fazemos tantas festas-surpresas pros nossos amigos, que nem são mais surpresas.
–- Feio ele não é. Muito fofo aquele garoto. — falou a Alê sonhadora.
–-Certo, não quero ouvir você falar do Tavinho. — hehe ela uma fofa.
–- A aula começou. Português, a matéria preferida da Camila!— disse a Alê.
–- Vai te sentar, menina!— ri.
–- Não, não. Tem que se esticar mais! Isso, agora sim! Faça a pirueta mais graciosa! Ah, esse pulo está perfeito! Ah, esse espetáculo vai ser lindo!— falou madame Sivine. Nome estranho, não? É francês, oou ela inventou para enganar pobres crianças ingênuas como nós.
Êêêê a aula acabou, trocar de roupa pra ir pra casa. Eeeee Rangers! Seria tão legal ir pra lá. Muito, muito legal. Conhecer o Halt, o Horace, o Will, e principalmente o Puxão! Adoro ele.
Claaro que eu quero falar com a Alyss, sobre o Will, e com a Pauline sobre o Halt, eu to sentindo que esses dois vão se casar.
Peguei Reis de Clonmel na mochila. Gente eu leio demais esse livro. O pior é que ele só faz aumentar minha ansiedade pra ler o nono. Uma vez eu vi ele, o nono, na prateleira de uma livraria, chega ele brilhava, mas mamãe não quis comprar ele pra mim. Eu sabia que ela sabia que eu sabia que não estudaria pra prova até acabar aquele livro. Mas pô! Ia levar só um dia, era sexta mesmo. Um dia sem eu bagunçando a casa.
Mas fazer o que? É minha mãe.
Estava saindo da aula de balé quando vi uma coisa na parede. Uma flecha entalhada! Demais! Toquei nela. Adivinha o que aconteceu?
a) Nada aconteceu.
b) O labirinto se abriu na parede revelando que a ponta da flecha era o triangulo de Dédalo (o.O)
c)fui sugada pra outra dimensão.
Aquele que marcou:
a)=errou.
b)errou.
c) errou.
Eu tive um vislumbre, de um homem numa clareira, com um arco e flecha atirando num alvo minúsculo.
Depois disso saí dali o mais rápido possível, mas tinha gente na rua, então não pude correr.
Esperei o ônibus chegar. Que demora! Quando ele chegou, sentei na janela, ouvindo Perfeição-legião urbana, mas só conseguia pensar no vislumbre. Certo, com certeza tem um hospício aqui na cidade. Vou pesquisar isso.
Adivinha? Estou passando em frente da flecha entalhada de novo. Por quê? Porque fica no caminho da minha academia de balé!
Bom, o mais sensato é ignorar, mas eu não sou nada sensata. Além do mais, estou curiosa, quando pensei sobre o assunto, fiz a coisa mais sensata do mundo, tão sensata, mas tão sensata, que nem parecia eu. Mandei tudo pro espaço e fui ler. Nada como ler pra esquecer as coisas. Quando li Rangers, Reis de Clonmel, percebi algumas semelhanças, a capa manchada, o alvo minúsculo, o arco-e-flecha e a clareira. Depois disso gritei bem alto. A sorte, chego em casa ás cinco e meu irmão, ás seis. Mas coitados dos meus vizinhos porque não foi um grito tipo: AHH.
Foi: AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH.
E eu grito muito, muito alto.
Toquei a flecha de novo. Não tinha ninguém dessa vez, mas eu demorei mais pra soltar, e senti também o vento, o chão o cheiro das flores, comecei a ter vertigens. Soltei saí correndo, mas lembrei que ainda tenho aula de balé, então voltei correndo. Acho que as pessoas me acharam um pouco louca. Mas e daí?
Treinei meus passos muito concentrada neles, se pensasse no que acabou de acontecer, cairia com certeza. Mas no fim da aula, eu já sabia o que ia fazer. Pensei nas possibilidades, e decidi ir pra lá.
“ Claro que eu posso estar usando dorgas sem eu saber, ou ter comido um cogumelo venenoso, que causa amnésia, delírios, e uma estranha vontade de tomar sorvete de flocos. Além de uma sensação de euforia” pensei.
MAS eu preferia pensar que seria sugada para outra dimensão.
Notas finais
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é mais ou menos assim.
espero que gostem da reescrição, se não ponho o antigo de volta.
beijos sabor de chocolate.
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