Uma Loja no Acampamento
2 Capítulo 2: Os medos de Grover
-Sejam bem vindos. – disseram as duas ao mesmo tempo, era estranho porque não parecia ser uma coisa ensaiada, apenas como se pensassem a mesma coisa e transmitissem ao mesmo tempo.
-São campistas. – disse a de rosa.
-São campistas. – repetiu a de azul.
-Tirem os sapatos, por favor. – disseram as duas.
Fiz o que pediram mesmo sem entender nada e logo elas estavam puxando a mim e Annabeth para mais dentro da casa. Nos levaram até uma porta que se abria horizontalmente e abriram. Lá dentro havia muita fumaça, mas era fina, e não fedia tanto quanto a de cigarro.
Olhei para Annabeth e vi uma expressão de fúria, segui o seu olhar e vi quem estava fumando, um garoto que eu acho que tinha quase minha idade, talvez um pouco mais velho, que estava esparramado no sofá que era o único móvel da sala além de um pequeno criado-mudo, vestia um kimono levemente aberto e tinha a aparência cansada.
-Ora se não são mais campistas. – disse uma bola de pelos que poderia se passar com um coelho de pelúcia com uma pedra na testa, ela me lembrava muito um pokemón.
-O que? – sussurrou Annabeth se perguntando o que acontecia.
-Olá. – disse o garoto olhando para nós dois, por traz dos óculos que usava pude notar que ele tinha olhos de cores diferentes, sendo um azul e o outro verde. – o que dois campistas vieram perguntar em minha loja? – perguntou gentilmente, enquanto soltava a fumaça que continha na boca.
Olhei para Annabeth e ela parecia brava com alguma coisa.
-Não devia fumar. – disse ela cheia de coragem, então era por isso a cara de brava.
O garoto riu, não aquela risada de deboche, mas aquela risada que você sente vontade de rir também apenas pelo fato de ver alguém feliz. Mas contive minha vontade pois vi a cara de irritada de Annabeth, acho que aquilo havia piorado a situação para o garoto. Annabeth era muito certinha para aceitar alguém de menor fumante, ainda mais dentro do acampamento.
Quando percebeu a cara que ela fazia parou de rir, ganhando uma expressão séria.
-O que os traz à minha loja? Apenas curiosidade?
-Qual o seu nome? – perguntei, mas me calei assim que vi Annabeth me fulminando com o olhar.
-Kimihiro Watanuki, e quanto aos seus? Filho de Poseidon e filha de Atena.
-Annabeth Chase. – respondeu cheia de si.
-Percy Jackson.
-Essas pequenas são Marudashi e Morodashi. Mas podem chamá-las de Maru e de Moro. – observei mais intensamente seus olhos e pude notar algo diferente, como se de alguma forma ela me lembrasse Quíron.
-Por que está aqui? – perguntou Annabeth.
-Como Quíron já deve ter-lhes explicado, tudo será dito do jantar de hoje. – sorrio ternamente, me lembrando de Quíron mais uma vez.
-Querem almoçar conosco? Annabeth-chan e Percy-kun? Um conhecido meu acaba de chegar com as compras. Maru, Moro, vão recepcionar o Doumeki.
Era impressão minha ou essa gente só tinha nome estranho?
Poucos segundos depois entrou um homem com cerca de quase 30 anos, sua expressão era daquelas que por mais que observe nunca consegue decifrar, carregava uma sacola cheia de compras, mas a maioria dos ingredientes estavam com as embalagens escritas em japonês ou chinês, eu não sei a diferença, acho que é a mesma coisa[N.A. é em japonês ta gente?].
Mas não demorou muito para Grover entrar na sala com as “pernas” tremendo, parecia nervoso com algo, já que ficava retorcendo sua camisa laranja do acampamento.
-Olá Grover. – disse Watanuki ao meu amigo sátiro, o que fez com que ele se arrepiasse inteiro, o que era uma coisa meio bizarra.
-O-oi. – Grover tremeu ao olhar para Watanuki, que epenas sorria e o olhava com afeto.
Mas Grover estava com medo.
-O senhor D. está chamando, Percy, Annabeth. – batia os cascos no chão enquanto falava.
E assim fizemos, saímos da casa acompanhados pelas duas crianças.
-Voltem em breve. – disse Watanuki na porta.
Assim que atravessamos o “portal” Grover pareceu relaxar.
-O que houve Grover? – perguntei estranhando o comportamento do meu amigo.
-É a quantidade de energia mágica que essa loja emana. – olhou assustado para a casa. – é tão poderosa que chego a sentir nos meus pelos. E esse garoto, Watanuki, fico arrepiado só de ficar perto dele. Quando eu estava na busca por Pã, eu fui parar no Japão só por causa dessa loja.
-Espera aí. – interrompeu Annabeth. – você foi até o Watanuki antes de ir ao mar-de-monstros?
-Pois é, a magia aí era mais poderosa. Quando cheguei lá, fui antendido por ele, e simplesmente não consegui falar nada sem gaguejar.
-Igual quando está com um deus? – perguntei me lembrando de como Grover agia com qualquer deus que econtremos.
-Isso! Mas com os deuses eu não sou mais assim, já que sou membro do casco fendido. Eu achei que também não agiria assim de novo com ele, mas quando entrei aí. Me veio todo o nervosismo de novo. – torceu a barra da camisa e olhou melancólico, fazia tempo que eu não sentia nosso elo de empatia, mas hoje ele transmitia tristeza.
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