Uma Insuportável Adolescente
20 Segunda-feira, Passeio, Buraco
Notas iniciais
– Sakura, tá afim de cantar? – Neji perguntou, chegando na sala de aula em plena segunda-feira com uma animação fora do normal, pousando as mãos sobre a minha mesa. Pulei de susto. Infeliz.
– Não, tô com sono, me deixa. – Resmunguei, voltando a cabeça para o meio dos meus braços, apoiados na mesa e fechando os olhos.
– Ai que sem graça, não agora né, retardada... – Ele revirou os olhos. Eu nem me mexi. Se eu ignorar ele vai embora? Ai como sou ruim.
– Mas o que foi, Neji? – Sasuke, que estava do meu lado, perguntou ao moreno, depois de ver a animação do mesmo.
– A Tsunade pediu para a gente tocar para ela em uma festa que ela vai dar, acho que é aniversário da sobrinha dela ou algo assim... Ela disse que a menina estava no baile e gostou da gente. – Ele explicou, falando rápido. Me deixa dormir, eu nunca te pedi nada, por favor.
– O que eu ganho com isso? – Perguntei, ainda mau humorada, o encarando.
– Ela vai nos pagar... – Neji sorriu. Babaca. Nossa Sakura, você está um amor hoje.
– Dinheiro eu tenho, desculpa. – Voltei a deitar, o cabeludo revirou os olhos novamente, Sasuke segurou o riso.
– Neji, é segunda, sete horas da manhã, você não vai conseguir convencer a Sakura para nada. – Sasuke disse, passando a mão nos meus cabelos. Só ouvi verdades.
– O Sasuke te deixa comer pizza todos os dias essa semana, o dia todo, se você quiser, ele vai comprar quantas você quiser. Você só precisa cantar na tal festa, é no fim de semana. – Ah então ele ia jogar sujo.
– Ei! – Sasuke reclamou.
– Pizza e batata frita. E tem que ser calzone. – Falei, entrando no jogo. O Sasuke me incomodava quando eu queria comer pizza ou essas coisas, dizendo que eu não podia comer tanta porcaria. Neji estava com um sorriso no rosto.
– Claro, o que você quiser. – Ele sorriu ainda mais, enquanto Sasuke se emburrava.
– Fechado. – Sorri e apertei a mão dele.
– Você vai engordar. – Meu namorado falou, me encarando. Querido, esse é o menor dos problemas, estamos falando de pizza.
– Se eu engordar eu deito no chão e rolo. – Falei, fechando os olhos e capotando na mesa de novo, enquanto ele reclamava alguma coisa.
Acordei com um susto quando a porta se abriu rapidamente e a professora Anko entrou. Cretina, vai me matar do coração.
– Muito bem, crianças, peguem a tarefa que vocês tinham para hoje. – Foi a primeira coisa que ela disse. Tarefa? Que tarefa?
Estendi a mão para Sasuke, que revirou os olhos e me passou seu caderno. Mas como eu nasci para ser o sinônimo de desgraça, a Anko parou do meu lado.
– Que bonito, Haruno, sem tarefa? Tsc. – Ela negou com a cabeça.
– Ah, professora, são sete e pouca da manhã de uma segunda-feira, a senhora devia me agradecer que eu não vim de pijama. – Falei, sem paciência para ela. Vi que ela me mandou um olhar mortal.
– Desculpe, professora, TPM, segunda-feira, sabe como é, né? – Sasuke falou, sorrindo amarelo para ela. Vi que a mesma bufou e voltou para o quadro, corrigindo a tal da tarefa. – Você tá louca? – Ele murmurou irritado, mas estava se segurando para não rir.
– Tsc, detalhe.
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– Sakura, que bicho te mordeu hoje, menina? – Tenten perguntou, enquanto comíamos no intervalo, se referindo ao episódio da sala de aula.
– Um bicho chamado início de semana. Depois das onze melhora, meu cérebro começa a funcionar. – Falei, mordendo um sanduíche.
– Faz sentido. – Ela murmurou.
– Hoje ela tá amável ainda. – Sasuke disse, abraçando minha cintura.
– Eu sou sempre amável, só que às vezes mais e às vezes menos. – Ele gargalhou.
Terminamos nosso lanche e lamentamos porque agora seria aula do Michel Jackson purpurinado.
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– Good morning! – A bicha louca entrou na sala para dar sua aula de química. Estávamos fazendo uns exercícios lá que eu não entendi nada, quando um colega pediu ajuda para o professor, depois de um tempo, escutei ele falando para o menino algo tipo “você não quer discutir comigo, não é”?
Nesse momento tive uma espécie de dejá vu, eu já tinha ouvido essa mesma frase, com essa mesma voz e dicção antes. Soou completamente diferente de como a biba costumava falar. Eu fiquei tentando lembrar, até que escutei ele se dirigindo a mim.
– Ah, é mesmo, Haruno, pode vir comigo um minutinho? – Ele pediu, sorrindo. Olhei para Sasuke, que estava com uma sobrancelha arqueada. – É rápido, eu sei que você gosta dos exercícios, mas depois você pode voltar para eles. – Ele riu, juntando as mãos em seu peito e meio que rebolando. Bizarro. Pensando nos exercícios até que me deu uma vontade de conversar com o professor. Ele abriu a porta para que eu passasse.
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Caminhamos um pouco demais. Já chegamos no jardim.
– Onde vamos, professor? Por que estamos no jardim? – Perguntei, já desconfiada.
– Só mais um pouco, querida, quero discutir algo com você. – Ele continuou andando.
Dei mais dois passos e senti o chão falhar aos meus pés, gritei quando me vi caindo em um buraco não muito fundo, mas o bastante para caber mais umas duas de mim até a borda, totalmente imprevisível, mas que não me pareceu acidente.
– Oh, você está bem, querida? – O meu “acompanhante” espiou da borda, mas estava claro o sorriso cínico em seus lábios. Acidente, aham. – Vou procurar ajuda para te tirar daí, já volto, não se mexa, querida! – A bicha falou, se achando a atriz, logo vi o mesmo gargalhar e colocar a “tampa” do buraco de volta no lugar, me deixando no escuro e longe do mundo lá fora. Foi quando me lembrei da voz.
– Orochimaru! Seu canalha, me tira daqui, sua drag queen de quinta categoria! – Bufei, vou perder o almoço.
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