Uma História Para Leah Clearwater
4 Capítulo 4
Notas iniciais
A sua primeira aula foi ótima, foi a mesma matéria que tinha aprendido com o doutor antes de embarcar, então, com isso estava mais tranquila, afinal não estava tão perdida, estava no mesmo nível intelectual que todos os outros alunos.
No segundo período já conseguiu fazer algumas amizades, até se reuniu com esse grupo na hora do almoço, e ficaram falando sobre suas vidas antes da faculdade, de onde vieram, quais as ambições de cada um.
— Eu quero me especializar em neurologia, que nem o meu personagem favorito de Grey’s Anatomy – falou uma ruiva, Laura
— Grey’s Anatomy não é como a vida real, mas eu gostaria de ser pneumologista – falou um garoto loiro cujo nome era James
— Eu quero ser pediatra, amo crianças – falou uma loira cujo nome era Elizabeth – e você Leah, qual especialidade pretende seguir?
— Ginecologia e obstetrícia – ela respondeu
— É uma área muito legal também e ajuda muitas mulheres – falou James
Após mais conversas foram se encaminhando as suas respectivas salas de aula, pois o horário de almoço já estava terminando, Leah se sentiu muito livre naquele lugar e com aquelas pessoas, não se lembrava da última conversa “normal” que tivera em muito tempo, sem que envolvesse vampiros, lobos, ou magia.
Foi com esse pensamento em mente que ela deu tudo de si e se empenhou ao máximo nos estudos, tamanho foi seu esforço que fechou o semestre sem nenhuma nota abaixo de 9, e sentiu-se orgulhosa de si mesma por isso, Carlisle ligou para ela, dando os parabéns pelo seu empenho. Leah estava realmente feliz, mas sentia que ainda faltava algo, parecia que nada estava realmente completo.
— Chega Leah – falou consigo mesma – Pare de esperar pelo felizes para sempre, porque isso só existe nos contos de fadas! Seja feliz por si mesma!
Ao chegar em casa ficou divagando e resolveu ligar para sua mãe e contar o resumo do semestre, as suas saídas aos pub’s locais, onde bebia e beijava vários meninos, e como se divertia vendo-os ficar bêbados tão rapidamente. Sue ficou triste ao saber que ela não voltaria durante as férias, mas Leah não queria abusar da boa vontade dos vampiros, resolveu que iria fazer um curso de férias para ocupar o seu tempo, e além do mais, fazia meses que ela não se transformava, e tinha que admitir que sentia falta da sensação do vento batendo contra seus pelos e a adrenalina correndo em suas veias.
Assim, ela foi com seu carro, a Ferrari, pois queria estreá-la; colocou algumas mudas de roupa dentro do carro, shorts e camiseta, pois como era verão na Europa ninguém ligaria de vê-la com aquelas roupas, lá seria muito normal, se dirigiu para perto do parque nacional, ao sul de Londres, pisou fundo no acelerador e se divertiu ao ver o quanto a Ferrari corria. Chegando lá, verificou se não havia ninguém por perto, como era uma sexta a tarde, o parque já estava quase vazio, as pessoas preferiam ir aos finais de semana para sentar na grama verde e relaxar, aproveitar os dias de sol. Leah se encaminhou para perto do bosque e quando se viu próxima ás árvores mais altas se despiu e rapidamente se transformou, correu que nem uma louca, e não tinha melhor sensação que essa, corria tão rápido que parecia que estava voando, foi parando ao se aproximar de um corpo d’água para se hidratar, quando começou a ouvir vozes em sua cabeça.
—Lee... é você? – ouviu a voz de Seth dizer
—Sim, por que você não está dormindo? Deve ser mais de meia-noite aí em Forks.
— Eu estou na ronda essa noite, já estava quase cochilando quando ouvi você
— Bom, desculpe por atrapalhar seu sono, volte a dormir.
— Não, faz éons que não nos falamos, sinto a sua falta, todos sentem, mas estamos felizes por você, como estão as coisas? – Seth se empolgou
— Calma maninho, eu estou bem, mas é sério, você deveria dormir, quando você começa a tagarelar desse jeito ou é porque está perto de alguém que gosta ou porque está com sono.
— Você é minha irmã, é claro que eu amo você!
—Sim, você me ama, mas também está com sono, e eu sei Seth, eu sempre sei o que você está sentindo, antes mesmo de poder ouvir os seus pensamentos.
— Mas eu queria conversar!
— Vá dormir, amanhã eu me transformo de novo, quando você estiver mais descansado e nós podemos ficar conversando o quanto você quiser!
— Ok, então, mas eu vou cobrar, viu! – Seth disse bocejando, se alguém consegue bocejar em pensamento, esse alguém seria seu irmão – Boa noite Lee, até daqui a pouco
— Durma bem pirralho
A loba ficou feliz por conversar com seu irmão, estava tudo bem em casa, ou Seth não estaria tão tranquilo, nem Jacob deixaria ele fazer ronda sozinho se houvesse alguma ameaça, ela então resolveu voltar pra casa, já que amanhã teria que retornar para falar com seu irmão, e alguma parte dela dizia que amanhã ele não estaria sozinho, é claro que Leah gostava de falar com seu irmão, mas ainda não estava preparada pra dividir os seus pensamentos com o resto do bando, Embry, Quill e Jacob. Dirigiu novamente o mais rápido possível, tomou um banho na banheira preparou uma comida rápida no micro-ondas e logo após foi dormir.
Quando o dia raiou, tudo o que ela queria era continuar na cama, mas prometeu ao irmão que iria, e se tinha algo que ela valorizava eram as suas promessas.
Tomou um café da manhã reforçado com tudo o que tinha direito, pão de queijo, tapioca, leite, frutas e um suco de laranja, saiu de casa na maior calma possível, a Ferrari parecia sorrir ao correr na estrada, ligou o som do carro e começou a cantar junto com a música, fazia muito tempo que não tinha motivos para cantar. Ao chegar na floresta repetiu o processo do dia anterior e se transformou, os humanos ainda não estavam na rua, afinal era um sábado de manhã e já era tarde em Forks.
— Leah? É o Jacob, Seth disse que você falou com ele ontem...
— Ele falou, ou vocês leram isso na cabeça dele? Rsrs
Os outros estranharam, não se lembravam de ver ou ouvir Leah Clearwater rindo como uma boba.
— Será que ela foi abduzida? E colocaram outra no lugar – Quill disse rindo também
— Affs, essa tinha que vir de você, não é mesmo? Oi Embry
— Oi Leah, é bom te ver... ouvir!
— Hahaha, vocês são tão bobos, mas me contem as novidades, com está Claire e a Nessie, vamos não me escondam nada.
— Elas estão bem, cada vez maiores – Jacob e Quill responderam juntos e depois deram risada
— Mas você está bem mesmo Lee – Seth falou receoso
— Estou, a faculdade está indo bem e próximo semestre eu começarei um estágio em uma clínica para pacientes de baixa renda, é só como assistente mas já é algo, ao menos vou poder juntar um dinheiro para pagar os Cullens
— Não acho que eles vão aceitar mas tudo bem, não sei quem é a mais teimosa, você ou a Alice – Jacob disse
— Por que diz isso?
— Alice cismou de fazer uma festa de aniversário para todos os lobos desde que a “guerra” acabou, diz ela que a sua ida a faculdade serviu pra nos aproximarmos ainda mais e ela quer fazer com que valorizemos cada dia ou ano de nossas vidas – Embry falou um pouco desgastado, pelo que podia ver ele tentou discutir várias vezes com a vampira, nenhuma com resultados positivos.
— Bom, uma pena pra vocês, e sorte a minha que estou bem longe
— A distância nunca foi um problema para a Alice, Leah, devo avisar – Edward disse, é claro que estaria lendo as mentes dos lobos, e com as mentes conectadas, não importava se Leah estava do lado dele ou do outro lado do mundo, ele leria ela como um livro aberto.
— Oi Edward, suponho que você não esteja sozinho, diga olá a sua família por mim
— Eu direi!
— Bom meninos, acho melhor eu ir indo...
— É a Leah? Fala pra ela que eu não vejo a hora de organizar o aniversário dela! – Leah ouviu Alice dizer
— Bom garotos, foi ótimo falar com vocês, mas eu tenho que ir, sabe, tenho que me preparar para as consultas na clínica... – desconversou
— Claro, claro, fuja enquanto pode, ela vai te encontrar de qualquer forma, você sabe – Jacob disse sorrindo
— Mas ela não pode me ver
— Mas ela pode ver os pontos que ela não pode ver, ela sabe qual cidade você está, o resto é dedução e ela é ótima em deduzir coisas – Edward disse a contra gosto.
— Bom eu vou indo de qualquer forma, tchau!!
Logo após se transformou de volta em humana, essa conversa foi muito estranha, os meninos estavam surpresos com a sua nova fase, uma mulher mais madura, ela estava surpresa consigo mesma, mas ao ouvir de Alice querer fazer festa, não ficou tão feliz, não queria comemorar se ainda não havia nada pra comemorar, ela estava bem mas não tão bem assim, e além do mais seria mais dinheiro sendo gasto com ela e não queria somar isso a conta já enorme de despesa que estava dando aos vampiros.
Estava se preparando pra retornar ao carro quando ouviu um pio muito alto. Leah estranhou e foi averiguar o que estava acontecendo, vai ver tinha algum animal ferido precisando de ajuda, ela sempre quis medicina, mas não podia negar que sua alma era biológica, ao se aproximar de uma clareira ouviu o mesmo som de novo e quando olhou pra cima viu uma coruja caindo em sua direção, tentou ao máximo segurá-la sem machuca-la, estava toda ensanguentada, como se tivesse acabado de sair de uma briga de lobos disputando uma presa, e ela era a presa. Não sabia o que fazer, só sabia que tinha que levar a coruja a um veterinário ou centro ambiental o mais rápido possível, já estava se afastando quando ouviu alguém chama-la.
— Ei, você! Ela está bem? oh Margot, eu sinto muito – gritou enquanto corria uma menina de uns 16/17 anos com os cabelos pretos encaracolados presos em um rabo de cavalo, sua pele era morena quase no mesmo tom que a da loba.
— Acho que sim, desculpe você a chamou de Margot?
— Sim, é o nome dela, essa é a minha coruja! – a menina respondeu confusa e ao mesmo tempo preocupada com a sua coruja
— Sua coruja? Você tem uma coruja de estimação?
— Sim, pelo que eu saiba não é proibido! Ai, coitada, provavelmente foi atacada por algum testrálio, eles são tão dóceis em Hogwarts! – a menina começou a tagarelar, mas Leah já não estava entendendo nada
— Testrálio? Hogwarts? Moça, você tá bem?
— Ah, não me diga que você é uma trouxa?
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