Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
41 Capítulo 41 - Uma nova amiga.
Notas iniciais
Pov. Nessie
– Queridos alunos, hora de receberem o primeiro trabalho do bimestre. – Exclamou alto o professor Sikowitz, bem animado com alguma ideia mirabolante que ele estava planejando. Digo “mirabolante” pois todas as suas aulas têm alguma coisa fora do comum, que faz todos nós duvidarmos de sua sanidade mental.
– Primeiro trabalho do BIMESTRE? – Perguntou Jacob a mim, alarmado com a ideia de ter mais de um trabalho por ano. Dei risada, fazendo carinho em sua perna por debaixo da mesa.
– Você pensava que a faculdade era como? – Sorri divertida, enquanto ele intercalava seu olhar alarmado entre mim e o professor. – Relaxa amor, vai dar tudo certo, ok? Quando você menos esperar, já vai ter se formado.
– Sem querer ofender, pequena, mas seu papo de psicóloga não ajuda em muita coisa. – Revirei os olhos, enquanto meu lobinho ria divertido e fazia cafuné em meu cabelo.
– Bom, o trabalho será sobre... – Peguei a caneta e comecei a anotar em meu caderno enquanto o professor ditava cada detalhe do trabalho, que teria o tema sobre a biografia e as obras de William Shakespeare. A maioria dos alunos achou o assunto um pouco clichê, mas vindo do Sikowitz, tudo era possível, e algo me dizia que o trabalho no final não seria somente um seminário.
Jacob me olhou, sorriu e voltou a escrever em seu caderno, enquanto eu observava sua aliança refletindo a luz branca do auditório.... Eu amava ele. E como amava! Só de imaginar a vida sem meu lobinho, eu ficava triste. Eu jamais quero me separar dele. Porém, o único problema, a única coisa que não saía da minha cabeça era a briga, a discussão que tivemos por ciúmes.
Nós já tínhamos nos desculpado e até fomos pra cama depois de tudo, mas aquilo continuava latejando em minha mente. Ambos sabíamos que pela eternidade, ainda teriam várias crises de ciúmes, afinal, sem querer se sentir superior, mas nem eu e nem Jake éramos considerados pessoas feias. Nós dois já sofremos olhares indiscretos dos alunos e isso não é novidade. Mas eu não queria, não quero que isso se torne um problema constante em nossas vidas.
Seria impossível ter um casamento feliz e saudável, se a cada cinco segundos tivéssemos uma briga por ciúmes. Eu não gosto das meninas olhando para o Jake, mas sei que não é culpa dele. Não vou ser grossa ou fazer greve de sexo por causa disso... Até porque eu mesma não aguentaria uma greve de sexo muito longa. Fala sério...
A questão é que depois da discussão que tivemos, eu fiquei preocupada com isso. Eu sei que meu lobinho prometeu se controlar, e embora eu confie nele, tenho dúvidas se ele sempre vai conseguir esse controle. Como todo mundo, apesar de inúmeras qualidades, Jake também tem defeitos. Um deles é o ciúme possessivo sobre mim, um ciúme não tão equilibrado.
Eu não quero brigar. Sei que brigas são normais em relacionamentos, e até estranhei a gente só ter uma discussão de verdade somente agora, mas uma coisa é de vez em quando, e outra coisa são brigas a cada uma hora. Quero dizer... Não temos brigas toda hora, mas fico preocupada porque não quero chegar a esse ponto. Não quero que ciúmes atrapalhe. Eu amo muito meu marido e não quero deixar nada estragar o que construímos juntos.
– Não vai anotar? – Ouvi a voz de Jake e olhei para a folha do meu caderno. Ultimamente tenho pensado tanto na briga, que esqueço do que tenho que fazer.
– Ai droga, perdi metade do conteúdo e....
– Relaxa, amor. – Meu lobinho me parou, enquanto eu estava prestes a enlouquecer. Eu estava um pouco paranoica desde que nos casamos e assumimos uma posição mais “adulta”. Digamos que eu passei a ser uma “dona de casa” dedicada, sempre querendo as coisas arrumadinhas para deixar bonitinho.
Não que eu tenha virado uma Sheldonlina, mas eu realmente não gosto de coisas jogadas e espalhadas de qualquer jeito pelo chão. Tanto que Jake disse que, como ele fez aquela casa especialmente para mim, eu poderia mudar e organizar do jeito que eu quisesse. Não mudei moveis nem nada, mas na cozinha por exemplo, cada coisa tem seu lugar. Fora que minha preocupação com a faculdade, sempre querendo chegar na hora, aumentou bastante. Afinal os estudos estão sendo essenciais para Jake e eu.
– Eu anotei tudo o que ele falou. – Meu amor continuou. — Depois você pega comigo, pequena. – Jake sorriu e me mostrou tudo o que tinha escrito. Agradeci, sentindo seus lábios darem um pequeno toque em minha bochecha, e seu braço rodear meu ombro me puxando para mais perto.
– O trabalho será em dupla! – Sikowitz disse alto, e um coro de alunos felizes surgiu. – Porém quero que vocês façam duplas com quem nunca trabalharam. – O coro murchou, e Jake bufou. Eu sabia o quanto ele queria ficar comigo e eu também queria, afinal agora não temos todo o tempo do mundo para ficar namorando. – Não façam essas caras deprimidas! – O professor brincou. – Esse é o primeiro trabalho do ano e a maioria dessa sala não se conhece.... Vamos conhecer pessoas novas, gente! Quem sabe até surge um romance aqui? – Sikowitz fez um cara maliciosa, fazendo todos rirem. Eu ri, mas não pelo professor, e sim pela cara nervosinha de Jake.
– Amor, relaxa. Prometo que não farei trabalho com um menino... Vou achar uma garota pra ser minha dupla, ok? – Jake assentiu meio contrariado e eu sorri. – Meu garoto. – Lhe dei um selinho, e me agarrei mais a seu corpo.
***
– Eu vou falar com ele, calma. – Disse a Jake, afinal o professor tinha escolhido as duplas por sorteio, e eu caí com um guri chamado Kevin e Jake caiu com uma guria chamada Olivia. Por mais que eu não demonstrasse, não queria uma guria sozinha com Jake na biblioteca. Tá doido!
– Nessie, algum problema? – Professor Sikowitz incrivelmente já me conhecia e simpatizava comigo. Aliás, ele disse que ama a cor do meu cabelo. Jake riu a primeira vez que ele falou conosco a sós.
– Oi, sim... Então professor, eu estava pensando se você poderia trocar a minha dupla com a do Jake.
– Por que? – Ele perguntou intercalando o olhar entre mim e meu lobinho, enquanto os alunos pegavam suas coisas para saírem do auditório. – O propósito das duplas por sorteio é vocês conhecerem colegas novos.
– Sim, mas eu prometi ao Jake que faria o trabalho com uma menina, mas caí com um guri chamado Kevin. – Tentei explicar, sem querer dar detalhes do real motivo. Nós dois éramos ciumentos e gostávamos de prevenção contra beijos a força.
– Ai meu Deus, já entendi.... Vocês são ciumentos, né? – Sikowitz disse divertido, balançando a cabeça com um tom de repreensão.
– Olha, é que... – Jake tentou dar uma melhor impressão, considerando que o professor estava nos olhando como se fossemos dois animais possessivos um pelo outro.
– Não precisa se apressar, Jacob. – Sikowitz riu. – Eu entendo como é ser ciumento... Não gosto de outras pessoas admirando minha cacatua de estimação. – Eu e Jake nos olhamos, estranhando. – Não façam essas caras... A Matilda é uma cacatua muito educada e divertida.
– Ok então... – Jake respondeu, mas percebi que ele segurava o riso.
– Bom... Vou inverter as dupla dos senhores, mas que isso não se repita. – Eu e Jake assentimos, agradecendo. — Não posso dar preferência aos alunos... Se eu mudasse cada dupla por causa de ciúmes, esse trabalho seria uma confusão... Já vi cada tipo de casal por essa faculdade. – Ele balançou a cabeça em negativa, dando risada.
– Então tudo bem? – Perguntei, ignorando sua risada completamente estranha que estava deixando eu e Jake desconfortáveis.
– Claro, claro... Kevin, Olivia! – Sikowitz gritou, antes que ambos saíssem da sala. – Eu troquei a dupla de vocês. A senhora vai com Renesmee, e o senhor vai com Jacob. – A menina deu de ombros e sorriu simpática pra mim, enquanto o guri tinha ficado um pouco irritado. Jake me olhou suspirando e rodeou minha cintura.
– Valeu professor. – Ele agradeceu, e nos encaminhamos para nossas duplas.
***
– Amor, eu já vou lá pra cantina, encontrar o Sheldon. – Disse Jake após dar seu número de celular ao Kevin. – Depois você vai lá?
– Vou sim, só vou falar com ela. – Olhei sorrindo para Olivia e ela sorriu de volta. Jake assentiu, me deu um beijo na testa e se retirou do auditório.
– Bom, garotas, eu também já vou indo. – Kevin disse. Ele provavelmente participava do time de futebol americano da faculdade, devido a sua jaqueta. Ele era alto como Jake, só que com pele mais clara e olhos verdes. – Olivia, Nessie. – Ele cumprimentou, mas achei bem suspeito seu olhar sobre mim. Esses meninos...
– Então, Olivia, que dias você está disponível? – Perguntei simpática, após ignorar o olhar de Kevin. Eu e ela começamos a andar pelos corredores, após sair do auditório.
– Ah, pode me chamar de Liv. – A menina de cabelos loiros cacheados disse. Sorri. – Ah, eu ainda tenho que checar... Estou meio ocupada com alguns trabalhos de outras matérias, mas acho que esse fim de semana estou livre.
– Ah ok... Podemos fazer o trabalho na minha casa, se você não se importar. – Ofereci dando de ombros. – Jake provavelmente irá na oficina, e acho que se eu avisar, não teremos problemas com o Sheldon... Então teremos a casa livre pra gente.
– Nossa, você realmente é diferente do que a Amber andou espalhando por aí. – Liv disse com ênfase. A olhei confusa. – Amber... A filha do reitor... – Ela explicou. — E também a menina que deu em cima do seu marido na lanchonete dias atrás.
– Ah... Mas o que ela espalhou? – Perguntei com medo de ser algo terrível.
– Nada demais. – Liv deu de ombros, e continuamos nosso caminho. – Quero dizer... Poderia ser algo ruim, mas ninguém acredita no que ela espalha...
– Por que não? – Dei uma pequena risada irônica. – Agora que sei quem ela é, pensei que como é filha do reitor, ela meio que mandava aqui.
– Amber finge que manda. – A menina considerada uma nova amiga minha apontou. – E ninguém acredita nas coisas que ela espalha... A não ser que ela prove. – Liv deu de ombros novamente. — Ninguém liga, porque sabemos que ela ama inventar coisas pra se sair por cima ou só pra detonar a imagem de alguém que ela não gosta.
– Nossa... Mas ela sabe que ninguém se importa com ela? – Indaguei confusa. – Aposto que se ela soubesse que ninguém se importa, pararia de tentar... – Busquei as palavras certas. – Bom, pararia de tentar chamar atenção... Pararia de tentar ser a “rainha de tudo”.
– Errado. – Liv advertiu. – Ela só tentaria chamar mais atenção. – Suspirei, lembrando o quanto eu odeio pessoas que se comportam assim. — Até o pai dela não gosta das coisas que ela faz.... Acho que só agora, nos últimos anos, ele percebeu o quanto mimou a filha. – Liv revirou os olhos. – É ridículo. Aliás, o mais ridículo é saber que tem gente burra que gosta e idolatra ela.
– Quem? – Perguntei incrédula. – Pensei que ninguém gostava dela nessa faculdade.
– Sempre há exceções, senhorita Cullen. – Olivia disse brincando e fazendo cara de uma anciã com altas sabedorias. Dei risada. – Ela realmente é uma vaca, mas três pessoas ainda amam ela profundamente. – Liv começou a contar nos dedos. – Temos o namoradinho britânico gostoso dela, que a visita uma vez por mês, quando consegue dinheiro para voar de Londres. – Comecei a rir com sua cara ao dizer gostoso. – Quero dizer... Eles dizem que se amam, mas ela chifrou ele já umas três vezes nessas festas que ela dá em casa, e na última visita do Zac, eu percebi que ele também já está meio de saco cheio das futilidades dela.
– Nossa, que jeito estranho da Amber amar o cara. – Falei irônica. – Ela deu em cima do meu marido, fala sério.
– Né? – Liv concordou balançando a cabeça em negativa. – Continuando... E as outras duas pessoas são as amiguinhas estupidas, mongas e adoradoras de satã dela.
– Adoradoras de satã? – Elevei minha voz, chocada.
– Pra gostar do capeta da Amber, né? – Dei risada com a resposta de Liv. – E bom... Os meninos do time de futebol, tipo o Kevin, só gostam dela porque ela fica rebolando aquela bunda seca nos jogos, e já dormiu com metade do time.
– Mas ela não tinha traído o namorado só três vezes? – Perguntei confusa.
– E quem disse que não foram com três ou mais homens ao mesmo tempo? – Liv arqueou as sobrancelhas, enquanto eu ficava cada vez mais chocada.
– Que horror.... Ai, que nojo. – Falei fazendo careta.
– É, pois é.... – Liv suspirou. – Acho que você é uma das novadas que já tem bastante motivos pra odiar a Amber. – A olhei confusa, sentindo um desconforto ao ouvi-la falar daquele jeito. – É que sabe... Ela já fez muita besteira dando em cima do... Jacob, né?
– Sim, sim. – Afirmei, esperando ela continuar.
– Então... Além de ela fazer isso, mandou as amiguinhas espalharem a maioria dos boatos de você e do David. – Entreabri a boca, horrorizada com a capacidade de alguns humanos serem tão baixos. – Sinto muito... Todo mundo sabe que não é verdade, mas eu estava no estacionamento aquele dia... Eu vi o Jacob brigando com você. Sinto muito.
– Uou. – Puxei o ar sem saber o que dizer. – A Amber não tem limites, né? – Perguntei desconfortável. – Nossa... Não acredito que alguém é capaz disso... Eu hein... Nossa.
– É... – Liv me encarou, e sorriu tentando me reconfortar. – Mas olha... Não liga pra isso, não. Embora seja um pouco raro ver casais dessa idade casados, eu vejo o jeito que ele olha pra você. E sei que você também ama e admira muito ele... Pelo menos, é o que todo mundo vê quando vocês estão juntos. – Sorri com suas palavras. – Claro que tem muito babaca por aí que vai tentar inventar essas coisas, mas não se deixe abater, Nessie... Posso te chamar assim?
– Claro. – Assenti sorrindo.
– Ok... Então, não pensa nisso, não se preocupe. Vocês são... Legais juntos. – Liv sorriu simpática. – Vai dar tudo certo.
– Olha, não sei se você quer, mas eu já te considero uma boa amiga. – Rimos juntas e Olivia assentiu.
– Tudo bem... Eu estava pensando a mesma coisa.
E foi assim que eu fiz uma nova amizade. Eu e Jake não queríamos nos aproximar tanto de pessoas desconhecidas, afinal somos de um mundo completamente diferente, mas apesar disso, só com uma conversa criei uma afeição por ela. Não é todo dia que se encontra pessoas educadas e legais assim. Sem falar que ela foi uma ótima conselheira. Afinal eu estava pensando no lance da briga com Jake o dia todo, e ela pareceu entender... Mesmo que não tivesse entendido, me deu um ótimo conselho. Por algum motivo, percebi que ela faria parte de alguma coisa na vida de todos que eu conheço.
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