Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
15 Capítulo 15 - Tentando conversar
Notas iniciais
Pov. Jacob
Sorri, enquanto lembrava da noite que passei com minha pequena. Nós não fizemos amor, mas só de tê-la dormindo em meu braços, já me faz o homem mais feliz do mundo. Aliás, do universo. Não consigo parar de sorri. Ela está bem. Viva, e com o coração batendo. Batendo por mim. Por nós.
Bom, as coisas lá em casa ficaram alegres de um dia por outro. Não tem mais nenhum “vilão” na história, e Nessie está ótima. Ótima e paparicada. Admito que sou eu quem a paparico mais. Tudo que Renesmee pede eu faço. Principalmente quando ela me chama para tomar banho com ela. Claro que eu aceito. Não perco essa oportunidade por nada nesse mundo.
Terminei de arrumar a roda da moto de um cliente, e me levantei jogando a ferramenta no balcão. Peguei um pano, e limpei minhas mãos sujas de graxa. Senti um cheiro conhecido, e um suspiro atrás de mim. Respirei fundo, já sabendo de quem se tratava. Edward.
Eu sabia o porquê dele estar na minha oficina. Da última vez que esteve, não foi por algo muito agradável. Mas agora, eu sabia que ele queria pedir desculpas. Porém, eu ainda estava puto com ele.
– Jacob. – Edward cumprimentou sério, porém deu pra perceber que ele estava sem graça.
– Edward. – Falei indiferente.
– Você sabe porque eu estou aqui, certo?
– Sei. – Dei de ombros. – Mas não quer dizer nada.
– Jacob... Não complique as coisas. Me dói admitir que estou errado. Principalmente por pra você. – Edward disse com obviedade. Dei um sorriso sarcástico. – Estou falando sério. Quero pedir desculpas por meu comportamento...
– Comportamento? – Indaguei incredulamente indignado. – Você me chantageou! Ameaçou me tirar a pessoa mais importante que tenho na vida! Você... Você é maluco, cara! – Gritei nervoso, não me importando se alguém ia ouvir ou não. Já tive que engolir muita coisa desse meu sogro.
– Eu sei. – Edward permaneceu calmo, porém suplicante. – Mas você sabe que só fiz aquilo para proteger Renesmee.
– Ah claro. Proteger. – Debochei o imitando. Edward suspirou. – Não sei se você sabe, ou se ignora saber... – Fui me aproximando lentamente dele. — Enquanto você “protegia” Renesmee, ela chorava no meu colo e pedia para eu não deixar ela! – Gritei nervoso lembrando do sofrimento de minha pequena. – Ela achava, aliás, acha que não pode me dar filhos... Filhos normais... E fica se culpando por isso! Sabe quantos dias peguei ela chorando por causa de toda essa merda que você fez?! – Esbravejei tentando não me transformar ali mesmo.
– Jacob, se acalme. – Edward disse dando um passo para trás. Cerrei os punhos. – Eu admito que errei, e que... Só agora percebi o quanto vocês são ligados, e que não podem viver sem o outro.
– Sua filha precisou morrer para você perceber isso?! – Perguntei visivelmente irritado com as atitudes de Edward. – Você precisou que ela sofresse, fosse ferida, e MORTA pra você poder enxergar o quão estupido você é?! – Cuspi as palavras.
– Jacob, não fale assim comigo! – Edward aumentou o tom de voz também. – Estou aqui pedindo desculpas! Já disse que me arrependo!
Ouvimos um barulhos na porta da oficina, e vimos Quil nos olhando interrogativamente.
– Tá tudo bem aqui? – Ele perguntou arqueando a sobrancelha.
– Tá tudo ótimo. – Falei entredentes, e meu amigo entendeu que era pra ele vazar antes que partisse pra cima dele também. E logicamente entendeu que era para ficar de bico fechado a respeito de tudo aqui.
– Não vou fazer isso novamente. – Edward voltou sua atenção a mim, num tom mais calmo. Ri sarcástico.
– Ok, vai ver se eu tô na esquina Edward. – Debochei me virando. Controlei o lobo dentro de mim.
– Jacob, estou falando sério. Já disse e repito. Me arrependi de ter feito tudo isso. Magoei minha filha em vez de protege-la. Não devia... Jacob, eu me sinto culpado. – Edward fez uma pausa, como se esperasse que eu dissesse algo. Mas eu não ia dizer. Eu sabia que ele se sentia culpado, e era pra se sentir mesmo. Edward percebeu meu silencio, e continuou. – Errei. Queria poder voltar no tempo para consertar isso, mas não posso. O máximo que posso fazer é pedir desculpas. Vocês tem o direito de serem... Felizes. Do jeito que der. – Ele completou dando um suspiro.
– Eu já sabia de tudo isso. – Confirmei sério.
– Desculpa... Vou falar com Nessie hoje mesmo.
– Não, não vai. – Falei me virando.
– Preciso fazer isso por conta própria, Jacob.
– Você vai fazer por conta própria. Mas não agora. – Disse firme. Edward me olhou confuso. –– Eu tentei falar de tudo pra Nessie várias vezes. Ela que não deixou. Todas as vezes que você saía, eu ia atrás dela.
– Eu sei disso. – O olhei confuso, mas logo entendi o que aconteceu. – Esqueceu que posso ler mentes, Jacob? Vi as memorias de cada um naquela casa, sobre a conversa de vocês.
– E porque não fez nada? – Perguntei tentando entender qual era o joguinho de Edward.
– Porque na época, se você contasse algo, eu iria embora com minha filha, lembra?
– Pois é.... – Suspirei. – De qualquer forma, prometi pra Nessie que eu só ia contar o motivo quando ela pedisse. – Antes que o vampiro a minha frente falasse algo, eu continuei. – Mas... Eu vou tentar contar pra ela. Acredito que seja o certo.
– Eu que tenho que contar, Jacob. Eu que errei. Você não tem culpa. Só tentou proteger o romance de vocês dois. – Fiz careta. Depois de tudo, é que o Edward percebe isso.
– Sim, mas tenho que... “Preparar o terreno”. – Falei suspirando. – Preciso ver como Ness reage. Não vou contar a verdade, mas ela vai saber logo que eu disser que você quer conversar com ela.
– Realmente. – Edward concluiu. – Mas uma vez peço desculpas, e sei que isso não vai mudar muita coisa, mas... Prometo não fazer novamente. – Ele estendeu a mão. A encarei, e o olhei firme.
– Nessie me ensinou a perdoar. E eu perdoo. Mas só não aperto sua mão porque acredito em você. – Deixei as cartas na mesa. Edward bufou, recolhendo a mão ao bolso. – É sério, Edward. A alguns meses atrás você prometeu a mesma coisa, logo depois que brigou com a Ness e a chamou de vadia só porque estávamos nos beijando. – Lembrei da briga que levou a minha pequena a tristeza profunda.
– Não a chamei de vadia.
– Diga isso pra quem acredita. – Falei dando de ombros. – A questão é que naquela mesma época, você prometeu não se meter mais no nosso relacionamento, e deixar a Nessie tomar suas próprias decisões... Olhe agora. Cometeu o mesmo erro, só que de forma diferente. – Edward suspirou, como se admitisse que eu estava certo. – Por isso e mais algumas coisas que eu não acredito em você. Mas eu te desculpo.
Edward me olhou por um instante, e assentiu se virando para ir embora.
– Só toma cuidado. – Alertei sério. Ele me olhou novamente, meio indignado.
– Está me ameaçando, Jacob?
– Interprete do jeito que quiser. – Falei não dando a mínima pra ele. – As coisas vão voltar a ser normais entre a gente? Vão. Mas algumas mudam. Não confio em você como antes, ok? – Deixei bem claro o meu ponto de vista. – Estou dizendo pra tomar cuidado porque na próxima vez que você fizer alguma coisa, e tentar se intrometer no meu relacionamento com Renesmee... Ou pior... Se fizer ela sofrer... Não respondo por meus atos. Posso até ter sido burro de ter aceitado essa chantagem, mas na próxima... Faço de tudo pra proteger minha Nessie. – Declarei firme, sem alterar o tom de voz. – Por isso, tome cuidado com as coisas que faz. Aprendi com você mesmo que as os atos tem consequências.
– Não haverá próxima vez, Jacob. – Edward disse sério, como se não se importasse com o que eu tinha acabado de falar.
– Espero. – Concluí a conversa, e voltei ao meu trabalho. Ao longe, ouvi os passos lentos de Edward se distanciarem.
***
Pov. Nessie
– Por favor, Nessie! – Rachel implorou.
– Não! – Repeti pela milésima vez.
– Vai ser legal! – Ela insistiu.
– Não quero despedida de solteira. – Falei com obviedade, pra ver se elas paravam de encher o saco.
– Por que não? – Leah perguntou me seguindo, enquanto eu sentava ao lado de meu tio Jasper no sofá, com um balde de pipoca na mão.
– Porque essas festas tem muita... Baixaria. – Falei sentindo o sangue subir as minhas bochechas. Minha mãe deu risada.
– E daí? Essa é a melhor parte. – Leah disse com obviedade na voz. Revirei os olhos. Tio Emmet riu.
– Não e não. – Falei firme as olhando seriamente. As duas bufaram, e foram sentar ao lado dos meninos, no chão. Não sei porque mas eles sempre gostavam de sentar com as almofadas, em cima do tapete.
– Nessie, eu poderia te fazer umas perguntas? – Sheldon disse se sentando ao meu lado, com uma prancheta na mão.
– Sheldon, eu acho que não...
– Ótimo, vamos começar. – Ele me interrompeu, apertando a parte superior da caneta, fazendo um clique. – Primeiramente, vamos para o histórico hospitalar.
– Sheldon, pra que você precisa disso? – Perguntei confusa.
– Um dia você saberá. – Ele disse sério. Fiz careta, e olhei pra minha mãe. Ela também estava sem entender nada. – Bom... Já teve diabetes?
– Não. – Resolvi responder para acabar logo com aquilo. Eu sabia que se eu não respondesse, ele não ia me deixar quieta por um bom tempo.
– Doença renal?
– Não.
– Enxaqueca?
– Estou tendo uma. – Respondi bufando. Tio Jasper riu discretamente ao meu lado. Sheldon me olhou meio desconfiado, mas logo voltou ao papel, anotando algumas coisas. Ouvimos um barulho, e logo Jake entrou em casa. Trocou um olhar com meu pai, e veio em minha direção.
– Ainda não Jacob. – Sheldon o impediu de beijar minha testa. – Estou entrevistando Nessie. – Jake fez careta, e bufou, se sentando numa poltrona. — Algum sintoma de gravidez?
– Não.
– Tem certeza? Seus seios estão um pouco grandinhos. – Quando ele falou isso, a casa explodiu em risadas. Olhei Sheldon séria. – Normalmente, os seios das mamães ficam assim quando produzem leite. – Ele completou não entendendo meu olha. Embry e Seth trocavam risadinhas maliciosas. Jake balançou a cabeça em negativa.
– Cale a boca. – Mandei séria.
– Não posso. Não terminei as perguntas. – Sheldon disse voltando sua atenção a prancheta. – Ciclo menstrual?
– Ah pelo amor de Deus! Próxima pergunta. – Mandei irritada.
– Vou colocar em progresso. – Ele disse insinuando que eu estava de TPM, ou coisa do tipo. Bufei. Meu tio Emmet quase enfartava de dar risada. Juntos com os meninos, é claro. Afs...
– Ansiedade, stress, bipolaridade?
– Mas que saco, Sheldon! – Falei brava.
– Ataques de raiva. – Ele escreveu na prancheta. Bufei colocando um punhado de pipoca na boca, nervosamente.
– Alguma tatuagem?
– Mas é claro que não. – Respondi com obviedade.
– Jacob tem uma. Pensei que você também tivesse. – Ele se referiu a tatuagem de Jake sobre sua tribo, e tals. Bufei. – Bom, isto é suficiente por enquanto. Com licença. – Ele disse, e se levantou, se dirigindo ao escritório que ele e meu vô dividiam.
– Tchau pra quem fica. – Falei pegando meu balde pipoca, e se dirigindo a escada. Hoje estava tipicamente frio, e eu queria é ficar em baixo das cobertas, comendo pipoca, e bebendo chocolate quente. Não sinto tanto frio quantos os humanos, mas gosto de fazer essas coisas mesmo assim.
Senti os passos de Jacob atrás de mim, e logo que entramos no nosso quarto, ele me deu um selinho demorado. Sorri em seus lábios, e sentei em nossa cama, o puxando junto. Jake sentou na minha frente, com pernas de índio.
– Pipoca? – Ofereci dando de ombros. Jake deu um meio sorriso, e negou, tirando o balde de pipoca de minha mãe e o colocando no criado mudo. Ele estava estranho.
– Queria conversar com você. – Jake disse calmo, porém percebi o tremor em sua voz.
– Já estamos conversando. – Observei com obviedade, afastando os pensamento ruins de minha mente.
– Quero conversar, tipo... Um papo sério.
– Vai terminar comigo? – Perguntei já sentindo lagrimas se formando. Jake arregalou os olhos.
– Não! Não pequena. Não. – Ele disse me puxando para seu colo. Passei meus braços por seu pescoço, o olhando inocente. – Jamais vou terminar com você, minha linda. – Sorri sapeca, e beijei seus pescoço. Jake estremeceu com meu toque. – Eu queria conversa sobre outra coisa.
– Pode falar. – Falei dando de ombros, enquanto beijava seu pescoço, e ia descendo até seu peitoral, e depois voltando. Fiquei traçando esse caminho com meus lábios. Jake engoliu em seco.
– Olha... Eu não sei se você lembra dessa conversa... Ou se continua pensando nela... – Ele foi tentando falar, enquanto eu continuava lhe beijando. – Não sei se quer falar sobre isso... Te prometi não tocar no assunto, mas... Não fica brava comigo, ok? – Quando ele falou aquelas palavras, eu sabia exatamente do que se tratava. Parei com meus beijos, e encarei seus olhos negros, e no momento, receosos.
– Jake...
– Nessie, eu sei que não era pra eu tocar no assunto, mas...
– Jake, não quero falar sobre isso. – Declarei me desencostando de seu peito. Jake segurou minha mão.
– Mas é importante...
– Você prometeu.
– Eu sei.
– Quando eu quiser saber, eu vou atrás. Não agora. – Falei firme. Jake abaixou o olhar pedindo desculpas. – Amor, sei que você quer contar mas a gente já conversou sobre isso. – Falei segurando seu rosto entre minhas mãos. – Eu já tinha até me esquecido... Parado de me preocupar... Por favor, não vamos mais falar sobre isso. Prometo que quando quiser realmente saber, eu te pergunto, ok?
Jake ficou me encarando, com uma dúvida no olhar. Como se perguntasse-se o que ia fazer. Contar ou não contar. Mas no momento, eu realmente não queria saber.
– Ok. – Jake respondeu por fim, suspirando. Sorri, e lhe dei um selinho demorado. – Te amo, meu lobinho. – Falei me afundando em seu peitoral. Meu amor beijou o topo de minha cabeça, e me rodeou com seus braços fortes e morenos.
– Te amo, minha monstrinha.
Fale com o autor