Uma História De Amor E Descobertas
3 Confusa
Notas iniciais
Em longo inverno, leia-se semestre que ainda não acabou da faculdade.
Carly chegou em casa silenciosamente. Essa foi a primeira dica de Spencer que sua irmã estava chateada.
A segunda dica foi quando ela sentou no sofá, cabisbaixa. Geralmente, ela ia correndo fazer alguma coisa com a Sam, o Freddie ou até o Gibby.
A terceira dica foi ela falar:
– Spencer, estou chateada!
Era isso, o momento que Spencer sempre esperou, com um misto de ansiosidade e temor: era hora de bancar o irmão mais velho. Spencer largou seus pacotes de macarrão cru no balcão (era para uma escultura) e se sentou ao lado da irmã.
– Carly, estou aqui pra te ouvir.
– É que uma pessoa da escola se declarou pra mim e...
– Quem?
– Não interessa quem, Spencer! — protestou a menina, brava.
– Do meu ponto de vista, interessa sim — disse Spencer, mas ao perceber a cara emburrada da irmã, decidiu deixar pra lá. — Mas tudo bem, prossiga.
– Então, essa pessoa se declarou pra mim e eu não reagi muito bem.
– Como assim, não reagiu bem?
– Eu virei de costas e a deixei falando pras paredes.
– Nossa, Carly... Você mandou mal nessa.
– Eu sei, não precisa me deixar mais culpada do que já estou.
– Não é isso. É que, poxa, parece até frieza da sua parte.
– Mas foi só o choque que eu levei na hora — disse, quase gritando com irmão. Não estava gostando dos rumos da conversa.
– Eu sei. E você já se desculpou com o rapaz? — Carly deu um sorriso desconcertado que passou despercebido pelo irmão. Não era um rapaz, pensou, era a Sam. A menina respondeu apenas balançando a cabeça. — E porque cargas d'água você não se desculpou com ele?
– Eu... fiquei com vergonha.
– Entendo, vergonha — falou Spencer, pensativo. — E você gosta do garoto?
– Gosto, é um dos meus melhores... amigos — disse, com a última palavra soando um tanto artificial e forçada para um observador atento. Por sorte, Spencer não notou nada.
– Mas eu quis dizer se era recíproco, Carly. Você também gosta desse cara do mesmo jeito que ele gosta de você?
– Não sei — disse Carly, e parecia que ela estava prestes a chorar. — Eu nunca pensei... nele... desse jeito. Só como amigo, entende?
– Entendo. Alguns dos nossos sentimentos mais poderosos só são expostos quando jogados na nossa cara.
– O problema é que eu não sei o que falar pra essa pessoa. Não quero magoá-la, não quero perder sua amizade. Mas não sei se quero... ficar com ela — disse. E completou mentalmente: "não sei se quero ser gay".
– Bem, que tal você dizer a verdade?
– A verdade?
– É, a verdade. Parece ser uma grande coisa, falar a verdade, mas não é. O mundo seria mais simples se falássemos a verdade mais vezes.
– Mas e se...?
– Se a pessoa te entender? — interrompeu Spencer. — Ou se ela se magoar? Bem, eu te garanto que ela já ficou magoada com sua reação, Carly. Sinto em dizer isso, mas você tem pouco a perder.
Carly ficou muda por alguns segundos, pensativa. Depois, sorriu para o irmão e o abraçou. Spencer dava bons conselhos, afinal.
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