Era Natal, a neve caia devagar do lado de fora das aconchegantes casas. As luzes enfeitavam toda aquela cidade branca, fazendo surgir um mundo mágico onde tudo de bom poderia acontecer. Enfeites eram vistos em todos os lados, desde Papai Noel saindo de chaminés, até mesmo de renas saltando com o trenó através dos telhados.

Na simples porem bonita casa dos Burton´s, a festa era mais alegre, muito mais pela parte de Barry, pois enquanto estava enfrentando os horrores da mansão, ele pensou que jamais veria o sorriso das suas tão queridas filhas, Moira e Poly, mas agora era só comemoração, porque ele havia se mudado para o interior com sua família, longe de Raccoon City, longe dos pesadelos e longe da Umbrella. Ele havia convidado seus velhos amigos para passarem a noite de Natal com ele e sua família, alias apesar de tudo, eles mereciam ter um bom dia e Barry queria junta-los uma vez mais antes que o pior acontecesse.

Barry Burton, se encostou em uma cadeira próxima a lareira e ficou aproveitando do calor. Nesse momento suas filhas chegaram, correndo e abraçando as suas pernas. Com lágrimas nos olhos ele as abraçou e beijou cada uma.

--- Que foi pai? --- perguntou uma delas percebendo uma lágrima cair --- Não chora pai não, eu amo muito o senhor.

Ele não pode conter o choro e abraçou elas fortemente. Depois ergueu ambas e rodou com elas no ar dando uma risada alta e forte.

--- O papai vai estar sempre com vocês --- disse para as duas meninas que eram só risos --- Agora vão arrumar a bagunça que vocês duas fizeram na sala, antes que os convidados cheguem --- ele apontou com uma cara brava, porém brincalhona para as duas que haviam deixado alguns brinquedos no tapete.

As pequenas meninas saíram correndo para guardas seus brinquedos no quarto.

Barry enxugou as lágrimas e agradeceu a Deus por poder continuar vivo para ver suas doces filhinhas crescerem. Nesse momento sua esposa apareceu sorrindo para ele.

--- O Natal derreteu seu coração ursinho --- disse ela carinhosamente.

--- Apenas estou contente, minha família tão feliz e cheia de saúde e logo mais meus amigos tão queridos aqui, não tem como fazer um homem mais feliz.

--- Concordo querido --- ela piscou e foi até ele, dando um abraço forte e um beijo.

Toc Toc

Alguém bateu na porta. Barry e sua esposa foram ver quem era. Olhou pelo olho mágico e viu um jovem rapaz que ele conhecia muito bem, junto de uma moça jovem também, linda e com cabelos vermelhos.

--- Chris! --- exclamou ao abrir a porta e reconhecer seu grande amigo --- Que bom que veio --- Deu um forte abraço em Redfield que perdeu o ar por um tempo --- E quem é essa, sua namorada?

--- Não --- riu Chris --- Essa é minha irmã Claire.

--- Nossa Claire! --- exclamou ele reconhecendo a irmã de Redfield --- Como você cresceu, não deve fazer nem dois anos que vi você pela última vez --- ele deu um beijo no rosto dela, que corou um pouco envergonhada.

--- Obrigada Sr. Burton.

--- Por favor me chame de Barry --- Abriu um longo sorriso puxando sua esposa de lado delicadamente e erguendo a mão fazendo sinal para entrarem --- Por favor esta frio, entrem.

Os dois entraram, tirando um pouco de neve que havia em seus calçados e assim que a porta se fechou Chris e Claire ergueram dois pacotes para o casal.

--- Para as meninas Barry --- disse Chris sorridente.

--- Não precisava Chris --- disse Barry quase deixando outra lágrima cair --- Obrigado de coração.

Barry pegou os presentes e colocou discretamente dentro de um pequeno armário ao lado da porta, enquanto sua esposa levou os dois para a sala, onde os deixou sentados próximos a lareira. Quando foi se juntar a eles, novamente alguém bateu na porta. Mais sorridente do que nunca ele foi até a porta receber os convidados.

--- Jill! --- exclamou ele reconhecendo a policial --- Meu Deus Rebecca!

Barry demorou para notar a jovem médica da antiga equipe Bravo.

--- É bom velo Barry --- disse Rebecca erguendo um pacote para ele.

Jill aproveitou e ergueu o seu embrulho também.

--- Não precisava --- pegou os presentes dando um longo abraço em cada uma delas --- Vamos entrem, Chris e Claire já chegaram.

Assim que os novos convidados foram levados até a sala, cumprimentaram os que já tinham chegado e por fim, Barry se sentou entre eles todo sorridente.

--- Muito obrigado pela presença de vocês hoje aqui comigo --- disse ele quase chorando.

--- Que nada parceiro --- disse Chris piscando pra ele.

--- Todos nos te amamos Barry --- disse Jill enchendo o coração do policial de alegria, mais do que já estava.

A Sra. Burton trouxe cinco xicaras fumegantes de chocolate quente. Cada um pegou uma e beberam do líquido quente, aquecendo o corpo do frio.

--- Então Beccy --- quis saber Chris --- Seus pais não vão se importar se você passar aqui conosco?

--- Não --- respondeu ela sem jeito --- Eles decidiram viajar esse ano, então pedi pra ficar e passar o natal com meus amigos.

Nessa hora as duas filhas de Barry apareceram e saíram correndo para abraçar Jill e Chris. Barry apresentou os outros convidados as duas e com uma felicidade tremenda viu Chris brincando com as suas duas filhinhas, fazendo caretas e criando um clima de pura gargalhada e alegria. Enquanto isso Jill fez sinal e ela e Barry seguiram para um canto mais isolado da casa.

--- Barry você esta bem? --- perguntou ela ao seu velho companheiro.

--- Estou feliz de ver vocês, não esperava, achei que todos estariam ocupados, com você sabe o que.

--- Estávamos sim, sabe os irmãos Redfield estão em guerra, o Chris sumiu faz meses e apareceu só agora pra vir aqui, Claire esteve procurando por ele que nem uma louca, mas o pior é que ele vai pra Europa novamente e a Claire quer ir junto, mas você conhece o Chris.

--- Sim --- ele baixou a cabeça e disse --- Eu gostaria muito de ajudar vocês.

--- Barry por favor --- disse ela colocando a mão no seu ombro --- Você tem família, uma esposa carinhosa e duas filhinhas lindas, não estrague isso --- Ela deu um abraço forte no amigo e continuou --- Nós estamos muito perto de acabar com você-sabe-quem, por isso eu quero que você não se preocupe, ficaremos bem, isso eu te prometo.

--- Por favor, não custe em pedir minha ajuda, atravessaria o mundo só pra buscar você novamente de helicóptero --- disse se referindo a meses atrás quando extremamente preocupado, rondou toda Raccoon City atrás dela.

--- Obrigada Barry --- ela sentia que um peso enorme estava lá fora a esperando --- Barry mas me diga qual é a surpresa que você disse que teria?

--- Vou precisar da sua ajuda e do Chris.

--- Me conte.

Barry explicou direitinho para Jill o que ele havia planejado para essa noite. Jill aos risos apoio totalmente a ideia e foi correndo contar para Chris que ficou rindo também, mas disse que ajudaria.

Com tudo resolvido, o grupo passou o resto da noite se divertindo, apenas indo para a sala de jantar mais tarde para comer as delícias da ceia de Natal. Peru, Tender, lombo, pernil, frango, saladas, frutas cristalizadas, panettone, nozes, castanhas, avelãs, pudim, pavê, sorvete e sucos. Depois de comerem bastante e ficarem um tempo na sala descansando e assistindo aos programas natalinos, as duas meninas acabaram adormecendo no momento exato que Barry esperava que fosse acontecer.

As meninas dormiam calmamente, sonhando, quando Sra. Burton as acordou.

--- Meninas acordem.

Meio sonolentas as duas garotinhas levantaram.

--- Papai Noel vai chegar, vocês não querem esperar por ele?

Esquecendo a sonolência as duas pularam do sofá e saíram correndo até a porta. Jill, Chris, a Sra. Burton, Claire e Rebecca foram logo atrás, com exceção de Barry que não estava, mas ninguém pareceu notar sua falta.

Assim que a porta foi aberta as duas crianças pularam para o quintal, observando o céu, esperando o bom velhinho aparecer em seu trenó, trazendo os presentes. Para uma criança, a magia existe e não tem como mudar isso, e por acaso elas naquele dia acreditaram mais do que nunca, ao olharem para o céu estrelado observaram as estrelas, mas sem sinal de nenhum trenó voador, quando de repente algo cruzou o céu, um faixo branco atravessou caindo justamente do lado de trás da casa dos Burton´s, foi o que ambas imaginaram, não demorou muito para acontecer o que houve depois. Sem que esperassem o bom velhinho apareceu, vindo de trás da casa, com sua roupa vermelha e trazendo seu saco cheio de pacotes. As duas meninas saíram correndo para ajuda-lo, a pedidos dele, pegaram cada uma em uma mão e o levaram até a casa. Com mais alegria ainda receberam os presentes e com poucas palavras sobre estar com pressa ele desejou um feliz Natal e partiu sorridente pelo lugar por onde havia chegado.

--- Pai? --- Moira a mais velha estranhou uma coisa, aquelas botas, não eram botas, mas sim o coturno que seu pai usava, isso a deixou com uma pulga atrás da orelha, mas já era tarde ele havia desaparecido.

Enquanto as duas se distraiam em abrir os presentes, todos estavam sorridentes de verem a alegria das meninas e quando menos elas esperavam do nada surgiu Barry de trás deles e as abraçou desmoronando em lágrimas, ninguém impediu, sabia exatamente porque ele estava assim e deixaram que ele chorasse o quanto quisesse.

O que ninguém notou foi que ele estava com coturno, e passou o resto da noite assim, esquecendo completamente o fato.

Quando já era hora de todos irem embora, Chris e todos os outros ex-policiais empurraram ele de lado.

--- Barbudão --- falou Chris --- Seu presente --- Retirou das costas um pacote retangular.

--- Eu disse que não precisava Chris.

--- Apenas abra, esse é um presente de todos nós.

Barry não demorou, rasgou o papel e observou o presente. Um porta retrato, mas não era um comum, havia pequenos quarda-chuva espalhados em todo seu contorno e no meio havia uma foto, uma que ele não via a muito tempo, lá estavam Chris, Jill, Rebecca e ele, sentados em um barzinho segurando cada um deles, pedaços de um guardanapo cheio de Katchup, onde ele se lembrava que havia desenhado o símbolo da Umbrella e repartido para cada um. Uma lembrança da primeira reunião que fizeram para planejar o fim da Corporação Umbrella.

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Quando eu era criança eu e minha prima passamos por isso, uma estrela cadente caiu e nesse exata momento, quando ela sumiu, chegou nosso tio vestido de Papai Noel, eu fui o único a reparar, isso mais tarde devido ao fato que sempre fui curioso e claro reparei na falta dele na hora, além do bom velhinho estar usando os sapatos do meu tio....rs

Bom espero que tenham gostado, porque essa é uma das melhores memórias que tenho da minha infância.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!