Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
9 Capítulo 9 - Tentando se salvar
Notas iniciais
Pov. Nessie
A raiva me dominava. Nahuel continuava provocando, e a cada segundo eu queria ter sua cabeça numa bandeja. Até hoje, ele foi o começo e o fim de todos os meus problemas. Nós dois poderíamos morrer nisso, mas eu não ligava. Só queria ver Nahuel morto, decepado, queimado, enterrado.
Mas ele estava em vantagem. Se por algum momento, eu desse sinal de vitória, suas irmãs entrariam em ação e eu estaria condenada à morte. Se é que já não estou. Mas continuei lutando. Concentrando toda a raiva nos golpes que eu dava em Nahuel.
Mesmo eu já tendo derrotado um monte de vampiros na batalha contra os Volturi, parecia que a confiança e a segurança de Nahuel me diminuía. E sem falar que agora, eu estava sozinha. Sendo encoberta pelo poder dele e por suas irmãs, eu estava em desvantagem.
Continuamos lutando, e por mais que eu desviasse de seus golpes, os que ele acertava, eram quase fatais. Estava começando a ficar fraca, e minha cabeça ainda latejava de dor, mesmo já tendo cicatrizado. Por alguma razão, senti que meu sangue tinha escapado além da conta. Uzura continuava com seus olhos focados em mim, e eu tinha que dar um jeito de conseguir distraí-la. Tinha que conseguir meu poder de volta.
Num momento de pura distração em meio a pensamentos, Nahuel conseguiu segurar meus dois braços, me colando ao seu corpo. Senti algo perfurando minha barriga, no momento em que ele fez isso. Gritei em silencio. Não conseguia pronunciar uma só palavra. Na hora, soube que Nahuel tinha enfiado uma faca em mim, e mesmo sabendo que logo iria cicatrizar, e dor era alucinante. Alucinante do mesmo jeito que o sangue escorria por minhas roupas. Eu já estava fraca demais pra tentar lutar naquele momento.
Inclinei a cabeça pra trás com medo de ele tentar me beijar ou coisa do tipo. Aqueles lábios, aquele homem a minha frente me dava nojo.
– Vai querer complicar mesmo as coisas, garotinha? – Nahuel sussurrou perto demais, virei o rosto. – Calma, não fica com medo não... Eu não mordo... – Ele brincou, mas eu sabia que ele tinha veneno em suas presas. E era disso que eu tinha um pouco mais de receio. – Não precisa ficar assim.... Tudo bem que você nunca mais vai ver aquele cachorro idiota... – O olhei com raiva, segurando algumas palavras. Ele sorriu sarcasticamente percebendo a raiva em meus olhos todas as vezes que ele falava mal de Jake. – Não vai doer nada. Te dou minha palavra.
– Jacob vai te matar. Te dou minha palavra. – Falei firme mesmo sentindo dor, e cuspi bem na cara dele. Nahuel respirou fundo, e com força me jogou longe contra uma arvore.
Gritei baixinho, logo que bati minha testa contra uma pedra, que ficava embaixo da arvore onde ele me jogou. As coisas giravam ao meu redor. Minha cabeça latejava, e ao mesmo tempo sangrava como nunca sangrou. O corte foi profundo. Eu podia ter características de vampiros, mas também tinha a fraqueza de um humano.
Nahuel correu até mim, e com nenhuma delicadeza, me colocou sentada, encostada na arvore. Pisquei algumas vezes, tentando me manter acordada. Abaixou na minha frente, e me encarou com raiva.
– Você gosta de provocar, né vadia? — Eu respirava com dificuldade, enquanto tentava estocar o sangramento do mesmo jeito que meu querido vô me tinha ensinado. Fiquei pressionando. – Mas vamos fazer assim.... Mudei de ideia... Eu vou te matar dolorosamente, afinal você adora brincar com fogo, não é mesmo? – Ele debochou. – Aí depois que você já tiver em outra, eu... eu podia matar sua vó René... – Entrei em pânico quando ele disse aquilo. – Ou a sua amiguinha humana Rachel... Aposto que Paul também morre se ela morrer... – Fiquei abismada percebendo que ele realmente estava me vigiando desde aquele meu aniversário de 7 anos. – Ou eu podia, em vez de matar os outros, largar seu corpo lá na frente da sua casa... Quero ver a cara de todo mundo quando verem a “Princesinha Cullen” morta e toda ensanguentada. – Ele era um sádico. Definitivamente, ele estava sendo pior que Aro por alguns segundos.
– Por que.... Tá me contando todos os seus planos? – Falei com dificuldade. – Pensei que os vilões não contavam seus planos para os mocinhos... – Debochei puxando toda a força do mundo para conseguir citar tais palavras.
– Vilão... – Ele pareceu pensativo. – Essa palavra cabe bem a mim... Afinal, matei meus irmãos... Minha tia... Meu pai... – Percebi que ele se referia aos seus irmãos criados por seu pai Joham, e também a sua tia Huilen. – Tudo com a ajuda daquelas ali. – Ele apontou pra Uzura e pra outra mulher que eu ainda não tinha ouvido muito a respeito. – E claro com a ajuda de Thayne, mas os cachorros já mataram ela... Aquela imbecil... Além de não completar o serviço direito, é morta. – Ele falava daquela que atacou Jake. Senti raiva.
– Fez tudo isso.... Matou todas essas pessoas... Atacou outras... Só por eu não querer ficar com você? – Perguntei incredulamente indignada.
– Não sou o mesmo cara que você conheceu a alguns anos atrás, Renesmee... As pessoas mudam pra melhor... No meu caso, pra pior. – Ele completou como se estivesse orgulhoso de tudo o que fez. Além de matar a própria família, ele matou a mulher que o criou. A que era o oposto dele. Era uma boa pessoa. Percebi Nahuel olhando para o meu ferimento. Um frio subiu na minha espinha. – Tá doendo muito? – Ele perguntou fingindo preocupação. – Que tal doer mais? – De repente, ele jogou minha mão para o lado, e abriu mais o ferimento, com um dos dedos. Sentindo o rasgo em minha pele, e o sangue se revelando mais, soltei um grito alto.
Pov. Jake
Me segurei no balcão sentindo uma dor enorme no peito, e um desconforto no lado esquerdo de minha barriga. Pisquei tentando não desmaiar. Minha respiração estava irregular. O mundo parecia girar ao meu redor, ao mesmo tempo em que eu tentava me aproximar da porta da oficina.
Eu sabia que tinha algo errado. Eu sabia com quem tinha algo errado. Minha Renesmee. E eu sabia que ela precisava de mim. Qual o seu problema, Jacob? Pensei comigo mesmo. Eu sabia desde que Ness saiu por aquela porta que algo iria acontecer. Que a qualquer momento, algo muito ruim iria se revelar. E isso se confirmou, logo que comecei a ouvir vozes em minha cabeça. Mas não eram “vozes” simplesmente. Era a voz de minha pequena.
Jake, me salve.
Jake, preciso de você agora.
Ela gritou em meio aos pedidos. E por alguma razão, eu sabia que ela estava fazendo isso conscientemente. Como se mesmo não dando certo, ela ia tentar qualquer coisa pra conseguir ajuda. E por meio de pensamentos desesperados, em meio a gritos, ela ficou me chamando. Mentalizando que eu poderia ouvi-la. E por alguma incrível conexão, eu a estava ouvindo.
Eu estou...
Antes que eu pudesse ouvir o resto da frase, Seth entrou na oficina, e na hora que me viu quase caindo aos pés do balcão, veio correndo me segurando.
– Meu Deus, Jacob! O que aconteceu? – Ele me segurou, e me acompanhou, percebendo que eu estava tentando sair da oficina.
– Seth, chame os Cullen... – Falei com dificuldade. – Se transforme, e corra até lá...
– Mas... O que está acontecendo? – Ele perguntou desesperado.
– Quando eu me transformar, te conto... Quando já estiver com os Cullen, chame os outros... – Pedi me apoiando em seu braço, e no balcão, seguindo até a porta da oficina.
– Não, Jake. Preciso te ajudar e....
– Seth, se quer me ajudar, preciso que chame eles. – Falei firme, olhando nos olhos do meu irmão caçula de consideração. Seth me olhou meio receoso, e assentiu. Agradeci com o olhar, e ele me ajudou a chegar pra fora da oficina. Já estava escuro. Senti um aperto no coração.
– Vai ficar bem? – Seth perguntou receoso.
– Vou Seth, agora vai! – Mandei sem paciência. Ele assentiu, e correu, se transformando.
Puxei todo o ar que podia, para conseguir me manter em pé. Observei ao redor, e fiquei esperando qualquer pensamento dela, afinal, não estava sentindo nenhum cheiro diferente. E isso era o mais estranho. Fechei os olhos, e me concentrei. Cerrei os punhos. Não ia deixar aquela dor no peito me dominar. Aquela dor, eu iria transformar em raiva. Em força para defender meu amor.
Jake... Nahuel está aqui.
Abri os olhos, me transformando. A raiva tinha me subido a cabeça, e agora eu sabia exatamente onde ir. Nessie não tinha me falado, mas minha intuição e a vontade de salvar meu amor, me dominaram. E eu corria sem parar, adentrando a floresta.
Jacob, eu te amo.
E aquele foi o último pensamento que ouvi de minha pequena.
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