Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
45 Capítulo 45 - A culpa agora não é só dele, Renesmee.
Pov. Nessie
Os dias passavam rápidos demais, chegava a ser estranho toda aquela vida de rotina. Não que eu não gostasse, aliás eu amava tudo aquilo. Uma rotina de família tradicional. Sorri com aquele pensamento. Mas chegava a ser estranho do mesmo jeito. Não estranho, mas imprevisível. Se eu voltasse para o primeiro dia em que mostrei minha história a vocês, nunca imaginaria que tudo isso fosse acontecer. Jake e eu já casamos, temos uma casa própria, além do Sheldon, nosso “filho adotivo”.... É engraçado se for pensar.
Quando comecei a sentir coisas diferentes pelo meu lobinho, não achava que ele gostasse de mim também. Pensava que ia ficar sozinha pra sempre. Não conhecia o mundo, somente o Jake.... Aliás, ele sempre foi o meu mundo. Se o mesmo me rejeitasse, imagino que eu ia ficar vagando sozinha por aí.
Eu estava me sentindo estranha emocionalmente esses dias. Muita coisa tinha mudado, e algumas não estavam do jeito que eu queria. Me entristeciam pra falar a verdade. Estou nessa rotina de faculdade, casa, sair com Jake ou com as meninas, ou convidar o povo pra cá... Mas estou distante das pessoas que me criaram. Claro que eu falo com elas, claro que ligo lá e de vez em quando vou lá..., mas o clima fica esquisito. Meu pai e eu não conseguimos conversar. Oi, tchau, como vai são as palavras que trocamos. Não passamos disso, e admito que a culpa é um pouco minha também. Não abro muito espaço para assunto, ele se retrai e sai do cômodo.
Eu queria ouvir dele, sabe? Queria que ele chegasse e botasse pra fora, queria meu pai de volta. Eu sinto tanta falta das nossas conversas, das nossas tardes no piano, dos seus abraços tão frios... que chegavam a ser quentes. E dói muito. A mesma parte que sente falta da figura paterna, não confia mais nela também.
Me encolhi.
– Não gosto de ver você falando isso. – Jake interrompeu meus pensamentos, enquanto fazia carinho em meus cabelos.
– Não falei nada. – O encarei confusa, mas logo percebi minha mão apoiada em seu peito nu. Estávamos na cabana, longe de tudo e de todos.
Ultimamente era um dos únicos lugares em que eu sentia paz, onde sentia Jake me protegendo de qualquer mal. Passávamos horas aqui. Fazendo amor, rindo ou só no silencio, colado um no outro.
– Você está mal, Renesmee. – Jake repetiu pela milésima vez aquela semana. Sua voz era calma, porém preocupada. – Me sinto horrível por não poder fazer nada, sendo que o problema é o Edward. – Senti uma lágrima escorrer de meus olhos ao ouvi-lo dizer aquilo. Me encolhi mais, quase ficando em posição fetal. – Meu amor, não gosto te ver assim. – Jake me puxou mais pra cima, encarando meus olhos. – Eu te amo tanto, Nessie.... Queria tanto poder te fazer sorrir, sem saber que esses pensamentos estão te rondando.
Abracei seu pescoço, sentindo uma cachoeira de lágrimas inundarem meu rosto. Era a primeira vez que eu chorava por meu pai, desde que descobri de tudo. Me senti um pouco bem em chorar, foi como se uma bola saísse da minha garganta.... e eu não conseguia parar. Chorava alto, ao mesmo tempo que minha cabeça doía com tal ato.
– Eu sinto tanta falta dele, Jake!
Pov. Jacob
– Eu sei, meu amor, eu sei. – Sussurrei envolvendo o corpinho de minha pequena em meus braços. Ouvi-la chorar eram facadas em meu peito, uma atrás da outra, sem intervalo. Tentava acalma-la, fazia carinho em suas costas, mas cada vez mais ela tremia. Me senti impotente, eu não sabia mais o que fazer.
– Eu não consigo mais falar com ele, Jake. Eu sei que você diz que eu tenho que tentar, mas não consigo.... Não confio mais nele, não consigo explicar. – Nessie chorava alto, sentia suas lagrimas escorrendo em meu ombro.
– Tá tudo bem, pequena, tá tudo bem. – Sussurrei quase desesperado. Era horrível a ouvir chorar daquele jeito, principalmente pelo próprio pai. Ela se sentia impotente, mas ao mesmo tempo, raivosa. Não acreditava que por uma besteira, o herói da vida dela tenha destruído quase toda sua relação com ele.
– Não, não está. – Ela balbuciou. – Por que essas coisas acontecem, Jake? Por que? Eu não consigo ter paz nunca! – Exclamou chateada. Através de seu dom, vi os momentos ruins que Renesmee passou ao longo de sua curta vida. Os Volturi, eu em coma, Nahuel... agora seu pai. A abracei mais forte, queria poder tirar toda dor de seu peito e transferir para o meu, sem pensar duas vezes.
– Ei, ei, ei. – A chamei. Nessie levantou a cabeça e me encarou.
Pude ver seu rostinho que normalmente é branquinho, todo vermelho devido à crise de choro. Outra facada em meu peito. Tirei seus cabelos ruivos molhados de seus olhos, e comecei a beija-la.... Beijei cada resquício de lagrima que havia em sua face. Não queria vê-la chorar, não queria a ver sentindo dor, queria seu sorriso. Somente seu sorriso.
– Eu te amo muito. – Declarei para seus grandes olhos chocolates. – Nunca pense nisso de novo, nunca pense em não ter nascido, Renesmee. – Pedi após ver o que suas mãos tinham me transmitido. Segurei-as em meu peito. – Sei que sua vida não é normal... e provavelmente nunca vai ser, eu sei disso. Mas também sei que é isso que te faz tão especial. – Nessie quase sorriu ao ouvir a declaração. — Se você não tivesse nascido, se você não tivesse sido quem você é, eu estaria sem rumo, meu amor. Não se descarte desse jeito, você salvou muita gente, mesmo que involuntariamente. Seu nascimento uniu famílias, uniu amigos... me uniu a você.... E não consigo dizer o quanto sou grato por isso. – Beijei suas mãos. – Coisas ruins acontecem com todo mundo, mas nem todo mundo tem alguém pra ajudar... Você tem muitas pessoas, mas principalmente tem a mim. E eu realmente estou aqui, não estou? – Nessie assentiu sorrindo torto. – Sim, meu amor. – Sorri. – Eu estou aqui. E mesmo nas vezes que parecia que eu não estava, eu voltei, não voltei? – Senti seus bracinhos rodearem meu pescoço num abraço apertado. — Estou cumprindo minha promessa, Renesmee... – Beijei seus cabelos. — E mesmo que não fosse uma promessa, eu faria do mesmo jeito. Não quero você se sentindo solitária, pequena. Eu estou aqui e eu te amo demais.
– Eu te amo demais também. – Sua voz era mais calma agora. Senti seus lábios doces encostarem nos meus, um selinho demorado, com muito significado.
– Não vou deixar você se machucar mais. – Declarei.
Nessie sorriu.
Eu sorri.
Fizemos amor.
***
– Alô? – Ouvi a voz de Bella do outro lado da linha.
– Oi, Bels. – Cumprimentei, mas sem cabeça para enrolar conversa. – Precisamos falar sobre a Nessie. – Declarei limpando minhas mãos de graxa.
– O que aconteceu? – Senti seu tom de voz mudar completamente, a preocupação era perceptível. Me apoiei no balcão.
– Está sozinha? Não quero ouvidos “vampirescos” ouvindo essa conversa. – Debochei, mas ainda sério. Escutei um barulho e percebi que minha velha amiga usou sua velocidade anormal.
– Pronto, Jacob. – Ela afirmou séria. – O que há de errado com minha filha? Tem a ver com Edward, não tem?
– Sim. – Suspirei triste, lembrar de minha princesa chorando em meus braços era assustador. Eu sentia uma necessidade enorme de voltar no tempo, fazer algo para que ela nem chegasse a ter pensado naquilo. – Olha, Bella, ela não está bem.
– Eu sei disso. – Pude imaginar minha sogra se encolhendo ao falar isso.
– Não, Bels, não sabe. – Neguei. – De umas semanas pra cá, Nessie está cada vez mais triste... Eu vejo tudo pelo dom dela. Ela se sente incompleta. Tem tudo o que sempre quis.... Tem uma casa, tem eu do lado dela, mas não tem o próprio pai... Ouço isso na minha cabeça todo dia quando ela encosta em mim.
– Eu pensei que ela tinha melhorado, Jake. – Se Bella pudesse chorar, estaria chorando com certeza. – Ela parecia bem no telefone... eu acho, não sei... talvez não. – Foi se corrigindo conforme lembrava das atitudes de minha pequena ultimamente.
– Sim, Bella, uma hora ela tinha melhorado sim... Um pouco. – Confirmei. – Mas é obvio que ela não ia conseguir ficar bem pra sempre, né? O Edward sempre foi um herói pra ela, Bella... desde sempre. Ela sente falta dele.
Contei o ocorrido da cabana, sem muitos detalhes. Lembrar daquilo era horrível, e sem falar que Nessie não iria gostar nada quando soubesse dessa conversa. Eu já havia pedido milhares de vezes para a mesma falar com a mãe, mas é uma menina teimosa desde sempre. Juro que tentei não abrir a boca, mas ver minha esposa sem o lindo sorriso no rosto... me fez mudar de ideia.
Renesmee podia me bater se quisesse, me mandar dormir no sofá, mas eu não ia deixar aquilo ficar assim... Tudo estava a magoando. Não só a ela, mas como também a Bella e aos outros membros de sua família. Edward pode ter feito uma grande merda por besteira, mas uma coisa que aprendi nesses acontecimentos da minha vida é perdoar alguém... aprendi a reconstruir tudo de novo, seja lá o que fosse preciso para isso. E se for para ver meu amor sorrir de novo, moverei o mundo.
***
Pov. Nessie
Senti o cheiro de minha mãe e corri para abrir a porta. Sorri sentindo meu coração se encher, eu estava morrendo de saudade de Dona Bella. Devido ao meu distanciamento com meu pai, não tinha visitado muito ela ultimamente. Mas por outro lado isso era até bom, os dois tinham voltado a ficar grudados um no outro.
– Mãe! – Exclamei a abraçando. Um arrepio percorreu meu corpo devido a sua baixa temperatura. – Eu estava com tantas saudades! – Declarei feliz.
– Eu também, minha filha. Eu também. – Abraçou forte fazendo cafuné em minha cabeça. Como eu sentia falta daquilo. – Você não vai mais em casa, precisei vir aqui, né? – Ela brincou me soltando. Éramos da mesma altura praticamente, isso me permitiu encarar seus olhos dourados de perto. Duas baixinhas natas.
– Que bom que você veio, mãe. – Senti meus olhos se encherem.
– Ai, meu Deus, Renesmee, não chore. – Ela me abraçou preocupada. Dei risada.
– Não estou triste, mãe. – Suas mãos frias limparam uma lágrima escorrida de meu rosto. – Estou feliz por você estar aqui.
– Ai, meu bebê. – Rimos do jeito que ela me chamou. Era tão bom estar em seus braços.
***
– Onde seu maridão está? – Dona Bella brincou, enquanto conversamos no sofá. Parecíamos duas amigas adolescentes, contando as novidades e se divertindo.
– Na ronda, mãe. – Sorri. – E Sheldon está lá em cima, lendo gibis, ou sei lá. – Dei risada. – Quer que eu o chame para cumprimentar? – Perguntei já me levantando.
– Ah, não, pelo amor de Deus! – Minha mãe negou rapidamente, me fazendo rir.
– Eu ouvi isso, senhora Cullen! – A voz do cientista ecoou pela escada. Demos risada.
A conversa fluía sem problemas, ambas contávamos novidades. Relatei sobre a faculdade, sobre o trabalho no Cheesecake Factory, que agora era somente algumas vezes por semana, mas com o mesmo salário. Contei sobre Liv e sobre o encontro com Embry, sobre aquele menino David de qual Jake sentiu ciúmes... mesmo não tendo motivo para isso.
– Nossa, Nessie, não sabia que Jake era assim. – Minha mãe comentou surpresa. Dei de ombros sorrindo.
– Acho que foi só algo repentino, mãe.... Sofremos mudança de ambiente, certo? Jake não estava acostumado com outros caras sendo amigáveis comigo.... Só tinha os meninos da matilha. – Ela concordou. – Além disso já conversamos, e agora ele não tem mais esses ataques extremos, mesmo ficando meio emburrado as vezes. – Dei risada.
– Entendi, meu amor. – Ela sorriu, mas logo vi sua feição mudar. Suspirou.
– O que foi, mãe? – Me preocupei. Cheguei mais perto, pegando sua mão.
– Eu tenho que falar com você, filha. – Disse mexendo nos cabelos, como se o assunto fosse complicado de continuar. Imaginei o que seria. Abaixei a cabeça. – Você sabe sobre o que é já, Renesmee. E honestamente, não vou mais deixar de ter essa conversa. Você está mal, eu estou mal... Precisamos resolver isso.
Permaneci quieta enquanto ela não fechava a boca. Eu odiava tudo aquilo. Virei o rosto, mostrando que não estava nem um pouco com vontade de falar a respeito.
– Sei que tudo o que aconteceu foi horrível, filha, mas já estão se passando meses... E cada vez mais você se afasta. – Minha mãe parecia realmente confiante para tocar no assunto. — E não é só do seu pai, é de mim e de toda a família. Vai da faculdade pra casa, liga pra mim, mas não para de pensar nele... Sei que você sente falta do Edward, meu amor.
– Olha, eu...
– Não, Renesmee, vai me deixar terminar de falar. – Sua voz era calma, porém rígida e preocupada. – Ele também sente sua falta.... A casa sente falta... tudo perde cor sem a caçula da família. – Sorriu torto passando a mão em meus cabelos. – Por favor, olhe para mim. – Ignorei seu pedido. – Filha, pelo amor de Deus, eu não aguento mais isso.
– Você não aguenta mais isso?! – Gritei me levantando. Bella se assustou. – Você, mãe? – Apontei o dedo em sua direção. – Como você acha que eu me sinto, dona Isabella?! Acha que eu tô feliz sabendo que meu pai fez toda essa merda?
– Renesmee, não quis dizer isso, você sabe! – Ela também levantou nervosa.
– Quis dizer o que? Que estou sendo orgulhosa demais em me afastar, mãe? — A raiva percorria meu sangue, me segurava pra não botar fogo na casa toda. Eu só queria passar um tempo com alguém sem ter que pensar naquilo. Meu Deus, o que estava acontecendo comigo? Estava tudo fora o lugar.
– Minha filha, pelo amor de Deus, você sabe que não foi nada disso que quis dizer! – Minha mãe se enrolava na fala, de tão nervosa que estava. Não sabia como reagir a minhas acusações, que saíam sem dó de minha boca. – Só tente perdoar seu pai, meu Deus! Sei que tudo foi horrível, ainda está sendo, mas uma hora isso vai ter que se resolver! Não podem ficar pra sempre sem se falar, aprenda a perdoar, Renesmee.
– Oh, meu Deus! – Me virei nervosa. Olhei para a janela, tentando me acalmar. – Mãe, você acha que é questão de perdoar? – Indaguei séria, porém mais relaxada. – Perdoar eu perdoei faz tempo.... Pelo menos um pouco, eu acho. Perdoar não é o ponto de partida aqui. – Afirmei, era ótimo colocar aquilo pra fora. Eu estava tão irritada. – Mãe, eu não consigo falar mais com ele. – Fui me aproximando. – É claro que eu quero voltar a abraçar ele e ter uma vida normal de pai e filha, mas mãe, meu deus, eu não consigo! Eu não confio nele! Não mais!
– Eu entendo, filha, mas...
– Mãe, a gente já tinha tido uma discussão idiota por causa do Jake, quando éramos somente namorados. Papai pediu desculpas, eu aceitei. Confiei nele, mãe. Meu Deus, eu confiei nele. – Ela abaixou a cabeça. – Eu acreditei em suas palavras.... Acreditei que ele não faria mais algo assim, muito menos depois de eu ter ficado noiva. Mas ele fez.... Fez pior. – Senti enjoo ao lembrar de quando eu descobri. – O pior de tudo é que foi por um motivo tão besta.... Tão besta, mãe.
– Eu sei que você está mal, meu amor, Jake conversou comigo, mas precisamos...
– O Jacob falou com você? – Fiquei mais furiosa ainda. Eu tinha pedido pra ele não se meter.
– Ai, nossa. – Minha mãe colocou a mão na testa, como se não fosse pra contar aquilo. – Não brigue com ele, filha. Ele fez pelo seu bem.
– Esquece, mãe. Nem estou com cabeça pra pensar nisso agora. – Suspirei desabando no sofá. Apoiei meu rosto em minhas mãos e assim fiquei. – Eu só estou nervosa. – Declarei com uma dor de cabeça horrível. – Eu sei que eu tô mal, sei que me afastei... Desculpa ter gritado contigo. – Ela sentou ao meu lado. – Só que.... Honestamente eu não sei o que fazer. Não sei como agir.... E tem você, tem o Jake... me falando vai, Nessie, tenta, vai, não quero você mal. Eu sei disso. Só que eu não consigo…. Sei lá, me dá um frio na barriga e acabo sendo seca com meu próprio pai. Me sinto horrível.
– Quer que eu converse com ele? Eu digo como está se sentindo. – Mamãe me abraçou, tirando meus cabelos dos olhos.
– Não, mãe.... Por que ele não toma essa atitude? Por que fica todo mundo no meu pé, sendo que ele que fez essa droga toda? Que saco! – Exclamei irritada. Ouvi seu suspiro.
– Olha, Renesmee... – Se levantou arrumando sua blusa no lugar. – Não pensei que fosse dizer isso para você..., mas honestamente, você está sendo orgulhosa demais. – Antes que eu me pronunciasse, sua voz firme me cortou. – Não diga que não, eu te conheço muito bem. E você nunca foi de fazer isso.
– Como se uma chantagem não fosse motivo suficiente. – Debochei.
– Olha, Renesmee, entendo como se sente. Foi horroroso esse baque pra família, principalmente pra você. Mas quer saber a verdade? – Indagou tão calma que chegou a me irritar mais. – Sabe por que todo mundo “pega no seu pé”? – Ironizou minha fala. — Aliás, nem meto o Jacob nisso porque ele nem vai mais lá em casa, não viu você e seu pai conversando. Sabe por que EU pego no seu pé? – Cruzou os braços. – Porque eu vi o seu modo de agir, Renesmee. Seu pai admitiu o erro... está tentando de todas as formas, ele puxa assunto, e você o corta. É grossa, exatamente do jeito que você falou agora. – Me encolhi. – Mas não se faça de vítima na situação toda, pelo menos não nesse momento.... Já se passaram meses, Renesmee. MESES. E você não faz absolutamente nada para mudar isso. Espera que seu pai venha falar com você como? Você não abre espaço, mas quer que o mesmo surja de repente, é isso?
– Mãe...
– Eu sei que Edward agiu errado. Sei muito bem disso. Mas foi você que falou pra eu tentar voltar com ele... eu tentei, não tentei? Tentei e agora está tudo bem entre mim e seu pai. Não estou tomando partido na situação e o defendendo pela coisa horrível que fez, mas sei perdoar alguém, sei estabelecer limites. – Ela não parava com as acusações, uma atrás da outra. – Não diga pra mim que já o perdoou, porque sei que não. Na sua cabeça dura pode até parecer que sim, mas está obvio que isso não ocorreu. – Se abaixou para ficar na mesma altura que meus olhos. – Filha, eu não estou brava com você. Não quero fazer você se sentir mais mal do que já está, mas é sério. Admita seu orgulho, engula ele e siga em frente. Seu pai errou feio, mas você também tem que ceder. Você não vai querer passar seu aniversário sem ele, isso eu garanto. – Sorriu angelicalmente. – Eu te amo, querida. Só pense um pouco, ok? Não vou mais te incomodar.
Seus lábios frios tocaram minha testa. Comecei a tremer, queria chorar. Eu estava mal, mal por saber que minha mãe estava certa. Eu só não queria admitir.
***
Pov. Jacob
– Cadê a Nessie? – Bocejei ao chegar em casa. Eu estava estudando e trabalhando muito, fazia de tudo para garantir uma vida boa para minha mulher, sem precisar depender de ninguém.
– Está lá em cima. – Sheldon respondeu sentando em seu lugar no sofá, com um copo de chá na mão. – Sua sogra veio aqui falar com ela... Renesmee não está nada amigável. – Balançou a cabeça com um tsc, tsc. Respirei fundo, temendo a conversa que estaria por vir.
– Ok, obrigado. – Sussurrei largando minha bolsa e correndo escada a cima.
Bati na porta de nosso quarto. Podia ser nosso, mas se Nessie não quisesse que eu entrasse, não entraria. Podia ouvir seu choro baixinho.
– Entra. – Ouvi sua voz. Mas não era uma voz normal, era um misto de diversas emoções. Não sabia a qual me apegar. Senti a raiva, a tristeza, o desapontamento.... Tudo isso naquele som angelical.
Girei a maçaneta dourada e logo senti o vento em meu rosto. Já estava escurecendo, portanto estava mais frio. As cortinas brancas do quarto balançavam incessantemente, me motivando a correr e fechar todas as janelas. Nessie estava tremendo com a baixa temperatura, mas parecia distante demais pra sequer pensar nisso.
Com a cabeça apoiada nas mãos, minha pequena se encolhia na cama, com os olhos tão vazios... Parecia Alice quando tinha uma visão. Estavam vidrados em outro lugar, pude imaginar os milhares de pensamentos que passavam em sua mente. Sentei ao seu lado e peguei sua mão. O gesto não foi recíproco.
– Sua mãe veio aqui, não veio? – Suspirei a encarando. Nessie assentiu. – Como foi? – Perguntei somente.
Não havia muito o que falar. Eu que pedi pra Bella conversar com ela, afinal não consegui mais achar saídas. Não dá pra ficar enrolando com um assunto tão sério como esse. De repente, uma nuvem de vozes e imagens veio em minha mente, Renesmee usava seu dom sobre mim.
– Ah... – Sussurrei sem saber o que lhe dizer. A tarde tinha sido pesada.
– Você falou com ela. – Seus olhos finalmente me fitaram. Respirei fundo, nem sequer sabia o que ela sentia a meu respeito. Seus pensamentos eram tão confusos.
– Sim, eu falei. – Admiti. – Me desculpe, mas não sabia mais o que fazer. – Eu seria sincero com Renesmee. Eu realmente não sabia mesmo como proceder, sendo que sempre a via triste pelos cantos da casa, tudo por causa de seu pai. – Pode brigar comigo se quiser, mas eu não voltaria atrás nem se pudesse. – Dei de ombros fazendo carinho em sua mão gelada. — Fiz isso pensando no seu bem, Renesmee... Só pedirei desculpas em parte, porque eu não sabia que a conversa de vocês duas iria tomar tanta proporção assim.
– Vai me julgar que nem ela? – Perguntou. Seus olhos vermelhos me fizeram prender o ar.
– De jeito nenhum, meu amor.... Nem posso. – Declarei calmo. — Como Bella falou, faz muito tempo que não vou na casa da sua família. Não sei o que aconteceu direito lá, e honestamente não quero saber.... Eu só queria que isso se resolvesse. – Suspirei.
– Não é fácil assim. – Sussurrou soltando minha mão da sua. Não cedi. Eu realmente não sentia culpa por quase nada. Minha intenção foi ver ela sorrir e abraçar o pai. Mesmo que ficasse brava comigo por falar com Bella, eu não ia ligar. Desde que tudo se resolvesse.
– Eu sei que não é. – Revirei os olhos, um pouco nervoso. – Olha, Renesmee, honestamente.... Se quiser ficar brava comigo ou qualquer coisa do tipo, vá em frente. Fique. – Vi sua face confusa e surpresa com minhas palavras. – Não quero ser babaca nem nada contigo, mas sério.... Eu não ligo. – Fitei seus olhos. — Minha intenção foi boa, ok? Desculpa se isso feriu tua confiança em mim, mas prefiro isso do que te ver chorando pelos cantos. – Concluí calmo. — Eu te amo, você sabe disso. Faço de tudo pra te ver sorrir. E sei que se a situação fosse contrária, você faria o mesmo por mim. – Suspirei. – Olha, amor, eu não estou te julgando e nem vou fazer isso... eu poderia tomar alguma atitude precipitada em relação a você, devido ao que sua mãe falou. Mas não sou assim, pelo menos não mais. – Especifiquei, afinal já fui muito idiota quando era mais jovem. – Não quero saber se você foi grossa com Edward, ou se está sendo orgulhosa, ou sei lá.... Não quero saber de nada e nem julgar ninguém, porque esse baque foi gigantesco pra você, e você tem seus motivos pra agir do jeito que está agindo.
– Jake...
– Eu só queria que as coisas ficassem bem, sabe? Eu fiquei muito puto com teu pai, você não tem noção do quanto eu fiquei puto com ele. – Balancei a cabeça lembrando do dia em que aconteceu. – Mas os meses foram passando, a raiva foi diminuindo... Fora que tive pessoas, tive amigos que me acalmaram também... E ver você sorrindo com a casa nova e tudo mais, me fez esquecer tudo aquilo. – Sorri torto. Era gostoso lembrar da primeira vez que Nessie viu a casa que construí pra ela. — Afinal eu não me importo com qualquer circunstância nesse mundo, desde que você esteja feliz. – Declarei dando de ombros.
E eu não me importava mesmo. Desde que Nessie cresceu, desde que a vi com outros olhos, ela podia sair com outros caras se quisesse, ela podia me querer longe, ela podia ter se afastado de mim depois que amadureceu.... Eram tantas as possibilidades do que poderia ter acontecido tempos atrás. E eu não ligava pra elas. Nessie podia não estar necessariamente me amando ou qualquer coisa do tipo, mas se ela estivesse feliz.... Se ela sorrisse, se desse aquela risada gostosa, eu não me importaria de ser só seu amigo.
– Mas você voltou a ficar mal, senti nosso mundo ficando cinza, não sei explicar... E você tendo pesadelos, uns sonhos estranhos.... – Senti um arrepio na espinha. O jeito que minha pequena acordava às vezes era assustador. — E é horrível te ver assim, Renesmee. – Concluí após refletir um pouco. Fitei seus olhos. Foi um segundo eterno nossa troca de olhares. – Mas se você não quer falar comigo agora, ok. Não vou insistir. Só quero que entenda que fiz pensando no seu sorriso.
Respirei fundo e me levantei. Cada passo em direção a porta era uma tortura. Nessie jamais tinha ficado brava comigo assim, a ponto de se afastar e nem sequer falar comigo. Pensar que aquela “briga” poderia ir adiante me assustava. Assustava muito.
Antes que qualquer pensamento ruim aumentasse, senti pequenos bracinhos envolvendo minha cintura num aperto extremamente forte. Meus ombros relaxaram no mesmo instante, e foi possível soltar a angustia presa em minha garganta.
– Me desculpa, Jake, me desculpa. – Nessie engatou num choro sufocante. Ela soluçava e tudo o que eu queria era envolve-la, fugir dali e nunca mais voltar. Ir para um lugar só nosso, cuidar de minha princesa. – Eu estou me sentindo horrível. Minha mãe está certa e eu não sei o que fazer. Jake, eu quero as coisas boas de volta. Me desculpa se fui grossa contigo, eu te amo tanto, Jake. – Ela soltava as palavras tão rapidamente, que dificultei a raciocinar.
– Vem aqui. – Sussurrei a lhe pegando no colo. – Eu te amo também, meu amor. E amo muito.
Deitamos na cama e a abracei. A abracei forte, sentindo que ela se esvairia de meus braços se eu não o fizesse. Seu corpo parou de tremer e fiquei mais calmo, queria que ela sentisse o calor do meu coração. Queria que ela sentisse na pele o quanto amo ela. O quanto quero que seu mundo fique com cor e com vida, com calor. Não quero um mundo frio pra minha pequena, quero ela feliz. E isso iria acontecer. Ela teria sua felicidade de volta, eu teria meu motivo de viver de volta.
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