Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
43 Capítulo 43 - Reconciliação?
Notas iniciais
Pov. Isabella
– Alô? – Ouvi Renesmee do outro lado da linha. Sorri ao imagina-la, já estava tão crescida.
– Oi, filha. – Respondi carinhosa.
– Oi, mãe. – Ela deu um suspiro seguido de uma leve risada, parecia feliz.
– Como você está? – Me sentei no sofá, sabendo que a conversa seria longa. Toda vez que eu ligava pra sua casa ou Renesmee ligava pra a minha, a conversa rendia por horas, com altas risadas. Era bom manter essa conexão de mãe e filha.
– Estou bem. – Ela riu. – E você? – Indagou curiosa.
– Bem melhor. – Respondi sorrindo. – Alguma novidade? ... já que agora você é uma mulher casada e que vai a faculdade. – Brinquei e ela riu. Às vezes era estranho, quando eu parava pra pensar, me imaginar mãe de alguém... Mãe de uma mulher feita. Minha adolescência não parecia tão distante assim.... e não era distante. Toda minha vida, o jeito que é e todas essas coisas... era tudo baseado numa questão de perspectiva.
– Ah... Não tem o que falar... – Renesmee estava com a voz tão animada, que encheu meu peito de alegria. Desde o que aconteceu com Edward, essa era a primeira vez que eu conversava com uma filha feliz. – As aulas são legais, o professor é muito engraçado... Ah, eu fiz uma nova amiga, mãe! O nome dela é Olivia, mas pode chamar de Liv. – Ela ria enquanto contava. – Fiz um “amigo” também, mas Jake não gostou muito... Sabe como é, né? – Dei risada e ouvi Jake reclamar de algo, mas em tom de brincadeira.
– Entendi.... Bom... Fico feliz que as coisas estejam se ajeitando pra você, meu bebê. – Disse carinhosa. Ouvi um resmungo.
– Mãe, você sabe que não gosto quando me chamam assim.... Não sou bebê. – Pude imagina-la emburrada ao dizer isso. Dei risada.
– Realmente... Crianças que fazem crianças não são mais crianças. – Ouvi gargalhadas do outro lado da linha. – Ai, ai... Mas enfim, nenhuma novidade a mais? – Indaguei querendo puxar assunto.
– Fala sério, mãe... Foi você que ligou pra cá, você que tem novidades. – Renesmee afirmou convicta. – Você nunca saberá mentir, Isabella Cullen.
– Muito menos você. – Me defendi superiormente, fazendo minha pequena rir. – Ok, ok... Mas eu não estava mentindo. – Retomei. — Eu realmente quero saber como está sendo sua vida, filha... Você não mora mais aqui e nem tem seu pai pra ler sua mente.
– É... – Houve um silencio do outro lado da linha. Percebi que ela poderia estar melhor, mas tocar no assunto do pai não era uma boa. Nessie não sentia raiva dele, sentia tristeza e saudades.
– Desculpe.
– Tudo bem. – Ela suspirou. – De qualquer forma, sei que você quer falar do meu pai. Pode me contar, não tem problema... até porque eu te incentivei a se conciliar com ele... Me conta, mãe. – Renesmee pediu sincera. – Vocês conversaram?
– Bom... – Comecei a enrolar. – Eu pensei muito e tomei muita coragem...
– Fala logo, mãe. – Resmungou.
– Sim, conversamos. – Ri um pouco e minha filha suspirou aliviada.
– E aí? Deu tudo certo? – Percebi um pouco mais de animação e um fio de esperança em sua voz.
– Acho que... Sim. – Sorri.
*Flashback On*
– Você queria falar comigo? – Edward perguntou após bater na porta de nosso quarto no chalé. Fazia um tempinho que não “dormíamos” juntos. Um tempo considerável, já que antes de tudo isso nós não nos desgrudávamos.
– Sim. – Suspirei me sentindo meio nervosa. Depois que fui transformada em vampira, sempre me senti confiante. Não era mais tão... bobinha, digamos assim. Nunca tive medo de ir à luta, muito menos pela minha família. Nem medo de me machucar... pelo menos, não fisicamente. Mas os sentimentos, o medo de se machucar emocionalmente... nunca foi embora.
– Ok. – Edward suspirou e veio à minha frente. O observei. Sua cabeça estava baixa e seus olhos tão tristes, a vontade de abraça-lo aumentou cada vez mais.
Eu conhecia cada detalhe de seu corpo, e cada detalhe poderia dizer suas emoções. Meu marido nunca foi desleixado, e considerando a forma como ele estava acostumado a se vestir, suas roupas no momento eram deploráveis. Fora que as olheiras e a barba por fazer davam a ideia de que ele passou o dia todo chorando.... Mesmo sendo impossível isso acontecer.
– Você pode sentar aqui... Se quiser, é claro. – Apoiei minha mão ao meu lado no colchão. Como eu sentia falta dele. Minha garganta arranhava... Uma vez me disseram que, quando eu me tornasse vampira, a vontade de sangue seria maior que meu amor por Edward. Mentira. As duas vontades são equivalentes... Se é que meu amor não é maior... Ficar sem ele era a mesma coisa que passar semanas sem caçar. Desesperador.
Edward me encarou por uns instantes e, como sempre, estava querendo decifrar minha mente... sem nenhum resultado. Suspirou e sentou-se ao meu lado na cama, mantendo certa distância. Eu podia sentir sua presença, sua aura gelada batia na minha.
– Acho que já sei sobre o que você quer conversar. – Ele quebrou o silencio perturbador.
– É... – Eu não sabia por onde começar. – Eu falei com Renesmee.
–Hum... Como ela está? – Senti receio em sua voz.
– Está bem... eu acho... não sei... – Eu respondi. Nessie não parecia esquecer aquilo, mas também não parecia estar tão triste como das últimas vezes que a tinha visto.
– Ah...
– É... – Concordei sem ter no que concordar. Respirei fundo. – Edward? – No momento em que o chamei, vi seus ombros relaxarem de forma perceptível. Meu marido dizia com os olhos que minha voz lhe acalmava.
– Diga... Bella.
– Eu... – Estava indecisa, pensei. Não sabia como começar. – Olha, eu vou falar tudo o que eu tenho a dizer e não me interrompa, por favor. – Pedi com a garganta presa. Eu não estava brava com ele, mas não sabia se conseguiria seguir o mandamento de Renesmee. Não sabia se eu podia voltar a viver normalmente com seu pai.
– Ok, não interromperei. – Edward parecia estar mais calmo, só pelo fato de trocarmos palavras. Há dias nós não nos falávamos.
– Dias atrás, quando você estava caçando, Renesmee veio falar comigo... E ela... ela me pediu pra voltar com você. – Eu contei de forma receosa, não sabia nem que palavras usar. Eu e Edward não tínhamos nos divorciado, mas o tom de conversa era tão estranho que parecia que sim.
– Você não precisa se não quer. – Edward respondeu secamente, o que me deixou um tanto incomodada. Ele nem sequer olhava pra mim, só ficava encarando a janela enquanto a chuva caía lá fora.
– Eu sei que eu não preciso se eu não quero. – Esbravejei entre dentes. O tom de voz o fez me encarar rapidamente, mas logo desviou o olhar.
– Essa conversa não irá funcionar.
– Por que? – Perguntei sem saber o que pensar. Eu estava sentindo tantas coisas ao mesmo tempo.
– Você claramente não sabe o que quer, e eu não quero que você aja sobre a influência de Renesmee. – Edward me encarou e percebeu o grande ponto de interrogação em minha testa. – Eu te amo, Isabella. – Naquele momento um frio se passou na minha espinha. — Sei que fiz a pior coisa do mundo, sei que você está brava e sei que eu não mereço pena de ninguém... Tanto que não quero. É horrível estar afastado de você e de nossa filha, mas não quero que você volte pra mim porque ela pediu... E sim porque deseja isso... Mas também sei que esse não é o fato. – Ele suspirou e balançou os ombros como se não houvesse mais nada a ser resolvido, como se estivesse desistindo. Sua atitude e suas palavras me chocaram.
– Você disse que não me interromperia. – Observei, engolindo seco.
– Não te interrompi, você já tinha parado de falar.
– Por que você está agindo assim? – Me levantei e o encarei, sentindo minha garganta arranhar mais. – Parece que não se importa... – Comecei a gritar. — Não sente mais nada? Não sente falta de nada? Não quer resolver isso? – Ele me encarou... Ele estava triste...tão triste que não saberia demonstrar em palavras. Abaixou a cabeça. Naquele momento eu soube que se ele pudesse chorar, estaria chorando.
– Estou agindo assim porque não sei como agir. – Edward sussurrou. – Desculpe... eu não devia estar aqui... – Ele se levantou e antes que chegasse a porta, corri e parei bem em sua frente. Ficamos tão perto um do outro... Aquilo me dava vontade de sentir o gosto de seus lábios finos novamente. – Não chegue tão perto. – Sua respiração ficou pesada.
– Edward... – Ignorei seu pedido. – Não é fácil pra mim também... Pra ninguém está sendo. Não pense que eu não quero.
– Não penso isso. – Ele interrompeu.
– Então você entende... Não é questão de querer... Tudo o que aconteceu foi um baque, eu nunca... nunca imaginei que você fosse capaz de fazer aquilo. – Falei com pesar.
– Acho que nem eu. – Ele concordou depois de um longo silencio.
– Então por que fez? –Aquela pergunta batucava tanto na minha cabeça. Não tinha como esquecer, não era possível que meu marido tenha feito tudo aquilo com a própria filha só pelo medo de perde-la numa gravidez.
Edward me encarou por um instante, sentindo a acusação nas minhas palavras.
– Eu avisei que a conversa não iria funcionar. – Ele tentou passar o braço por mim para chegar a maçaneta. O gesto nos deixou cada vez mais próximos. – Por favor, me deixe ir embora.
– Não consegue responder a pergunta?
– Mas que diabos, Bella! ... Sei que não tenho o mínimo direito de me irritar, mas já respondi essa pergunta semanas atrás.... – Edward soltou a porta e começou a andar pelo quarto. — Eu devo ser louco, ok? Não sei... Eu fiz o que fiz para tentar proteger nossa filha! E foi errado, não sei o que pensar! ... Não sei o que deu em mim... Eu fiz merda, não tem mais o que falar... Isso só vai te machucar. – Ele me encarou de tal forma, como se estivesse vendo todos os detalhes da minha mente e alma. Aquele olhar que ele sempre me deu conhecia todas as partes de mim. Principalmente meu coração. – E eu não quero te machucar. Não quero causar mais dor, não mais do que já causei. – Completou.
– Tá... Mas que saco! – Exclamei mais pra mim mesma, do que para meu marido. Por que as coisas tinham que ser tão complicadas? Pensei. Desde que essa bomba tinha sido solta sobre nossa família, tinha vezes que eu nem me sentia uma vampira. Eu me sentia como uma humana frágil, cujo os sentimentos eram tão confusos e pesados, que pareciam se transformar até em dor física.
– É... Desculpe. – Edward disse de repente, e acho que acabei liberando meu escudo. – Não são as coisas que são complicadas, meu amor. Eu que errei. Errei muito feio. – Andou até a cômoda e pegou um retrato, retrato com uma foto nossa e de nossa filha, quando ela ainda era um bebezinho. – Deixe as coisas como estão, Bella. – Antes que eu dissesse algo, ele completou. – Não pense que eu não quero resolver isso, porque eu quero muito. Mas acho que Nessie não está preparada e nem quer me perdoar no momento. – Suspirou e soltou um sorriso fraco para a foto. – Deixe o tempo ajudar. Talvez um dia as coisas voltem ao normal... ou voltem pelo menos perto do normal.
Suspirou novamente e soltou a foto, veio até mim, e percebi que ele queria ir embora. Por impulso, peguei sua mão gelada e o puxei até cama. Sentamos e olhei em seus olhos. Edward ficou surpreso com minha atitude e posso dizer que as células do meu corpo também. Senti calafrios ao encostar em sua pele, que desde sempre é meu conforto.
– Olha... Não. – Discordei depois de uns segundos. – Com a Renesmee, eu não sei. Mas comigo... Vamos tentar, Edward.
Fiquei surpresa por quem estar pedindo isso ser eu e não ele, afinal ele que cometeu o erro. Digo... Já tivemos algumas discussões bobas antigamente, mas ele que sempre tentava reconciliar. Edward me abraçava e dizia: ok, você está certa, meu amor. Não vamos fazer grande caso disso. Era sempre assim, mas agora foi diferente. Não porque ele tem vergonha de pedir desculpas ou coisa do tipo, só que foi um baque pra todo mundo. Não foi uma simples discussão, foi uma ENORME...e ele sabe que não deve insistir, pelo menos não agora... sabe que não vai adiantar. Eu entendi isso.
– Eu quero tentar. – Larguei sua mão, envergonhada e olhei para janela. Parecia uma menina com medo e não uma mulher casada. – Honestamente? Eu te amo. – Edward só me encarava, com uma expressão um pouco mais calma. – E eu sinto saudades.
– Também sinto. – Ele disse.
– Então... – Exclamei, tentando incentiva-lo. — Não aceito o que você fez, achei totalmente errado. Mas até mesmo a Renesmee disse... não posso tomar a dor dela por completo e destruir o meu casamento, não posso ser uma estranha pro meu próprio marido. E eu concordo com isso, é verdade. – Expliquei. — Por isso eu quero tentar. Pode demorar pra gente ter o que tínhamos antes, e pode até mudar um pouco, mas embora eu tenha ficado brava contigo, eu quero tentar essa reconciliação. É difícil, mas... Ah... Vamos. – O encarei após declarar tudo, ambos surpresos. Eu por falar e ele por ouvir. Edward soltou um sorriso torto.
– Bella... eu fico até feliz de você querer isso porque também sinto sua falta, mas você tem certeza? Não vou te obrigar a nada. – Ele segurou minha mão de novo.
– Tenho sim. Vamos devagar, só tentar... Está tudo diferente e tudo mais, até pros outros membros da família, mas vamos. – Conclui querendo acabar logo com tudo aquilo e ter minha família unida de volta.
– Ok. – Ele parecia um pouco mais feliz agora, enquanto olhando minha mão entrelaçada a sua.
– É. – Por impulso lhe dei um beijo na bochecha. Edward me olhou surpreso e sorriu torto. Se eu fosse humana, estaria corada. Pensei. – Ah... Eu tenho que fazer umas coisas... Depois a gente conversa mais. – Falei largando sua mão e indo em direção a porta, estava toda atrapalhada.
– Ok, até qualquer hora. – Ele riu um pouco e eu sorri envergonhada. Por mais que ambos ainda estivéssemos mal com toda aquela situação, dava uma sensação boa saber que ainda havia uma chance de tudo voltar ao normal. Só dar tempo ao tempo, tudo vai se resolver.
*Flashback Off*
– Então... – Nessie incentivou. – E aí, mãe? Vão ficar juntos, deu certo?
– Então que a gente combinou de ir devagar, mas vamos tentar.
– Ufa... – Ela brincou suspirando. – Amém.
– Sim. – Dei risada. – Mas e você filha? O que achou da conversa? – Perguntei querendo tirar alguma informação, algo que me permitisse entender o que ela estava sentindo em relação ao seu pai. Nessie parecia ter pegado no ar minha intenção.
– Ah, mãe... Não acho nada da conversa, só estou feliz que vocês irão tentar... Vão aos poucos voltando a ser o casal de antes. Só isso. – Ela respondeu e pude imagina-la dando de ombros.
– Hum... Entendi. – Exclamei entediada com aquela resposta. – Aliás, Renesmee, obrigada. Obrigada por me incentivar a fazer isso. – Sorri. – Mesmo que eu ainda esteja digerindo essa história toda, eu sinto saudade de seu pai.
– Eu sei, mãe. Relaxa, nem precisa agradecer. – Renesmee respondeu e eu pude ouvir o barulho de panelas ao fundo. — Até porque é obvio que, depois de tudo o que passaram juntos, jamais é que vocês iam se separar. – Ela riu. – Mas enfim... Ainda bem que as coisas estão dando certo contigo e com ele.
– É... – Suspirei e respondi perguntar. – Mas e você, filha? Eu sei que tudo é recente, mas um dia você irá dar uma chance ao Edward? Ele é seu pai. – Insisti. Essa minha mania de teimar com as pessoas era boa prumas coisas e ruins pra outras.
– Ele é meu pai e fez o que fez. – Renesmee disse seca, mas percebi que foi por impulso. – Olha, mãe... vamos mudar de assunto?
– Você insistiu comigo e eu tenho o direito de insistir com você, Renesmee Carlie Cullen. – Rebati com firmeza.
– Ai, tá, mãe! – Ela resmungou e pareceu uma adolescente novamente. Ouvi Jacob pedir calma a ela do outro lado da linha, a fazendo bufar. – A senhora mesmo disse que tudo é recente, então não insista! Não quero falar sobre isso agora... Hoje está sendo um dos poucos dias que eu estou em paz, pode por favor parar? – Me arrependi de ter perguntado logo que ela disse aquilo. Eu entendia minha filha, só que a teimosia falou mais alto. Porém era verdade. Eu não podia exigir tanto dela, até porque era tão difícil a ver bem desde a revelação sobre a chantagem de Edward.
– Desculpe, bebê... Eu só estou preocupada e queria saber se...
– Tudo bem, mãe. Desculpa ter gritado com senhora. – Nessie me interrompeu e percebi um nó em sua voz, como se quisesse chorar. – Olha... Fico feliz por você e tudo mais, mas a gente está fazendo o jantar aqui. Preciso ajudar o Jake e você sabe como o Sheldon é, né? – Ela forçou uma risada. – Vou desligar, tá? Fique bem, te amo. – A única coisa que ouvi depois foi o som do telefone.
Como era difícil tudo isso. Por um lado eu entendia a raiva ou seja lá o que minha filha estivesse sentindo, mas por outro... queria tanto que tudo fosse como antes. Sinto falta das caçadas em família, do doce som do piano quando ambos meus anjos estavam tocando... Sinto falta dos sorrisos.
Ai, ai... Pensei. Calma, Isabella. Vamos com calma. Dê tempo ao tempo... Isso... Nada como o tempo.
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