Uma História JakeNess- Como Acho Que Deveria Ser 2
39 Capítulo 39 - Encontros e desencontros.
Notas iniciais
Pov. Nessie
Abaixei a cabeça, ignorando qualquer tipo de contato visual com os outros alunos da faculdade. Haviam olhares normais, educados, assustados, impressionados, invejosos, pervertidos, e intimidados. Todos direcionados a minha pessoa. Eu sempre me senti muito estranha nesses momentos, nos quais parecem que simplesmente toda a humanidade está te encarando. Todas aquelas pessoas, incluindo funcionários de limpeza e tudo mais, me acompanhavam com os olhos, enquanto eu caminhava em direção a porta de vidro de saída.
Minhas aulas já tinham acabado, e as do Jacob também, e como o Sheldon insistiu e eu estava com preguiça de cozinhar um almoço lá em casa, iriamos todos comer aqui mesmo no campus, no prédio especifico onde Sheldon trabalha. Aqui no campus, temos diversos prédios. Eles são divididos entre várias qualificações, e dependendo da e de quantas faculdades você quer fazer, você pode acabar tendo uma aula em cada prédio.
Como Jake também faz administração, suas últimas aulas são num prédio diferente das minhas, e por isso estou completamente sozinha no último período, me deixando a mercê de vários olhares esquisitos das pessoas, e deixando minha vontade de encontra-lo maior ainda. Combinamos de nos encontrar na porta do prédio do Sheldon. O magricelo queria porque queria que o almoço fosse na cantina de lá... Como sempre, tudo de mais cômodo pra ele.
Empurrei a porta de vidro com as costas, enquanto fazia malabarismo para equilibrar livros no braço, mochila num ombro só, e celular na mão para responder as mensagens de Leah.
(Nessie) Eee Leah! Faltou justo no primeiro dia de aula?
(Leah) Ai Ness, nem vem! Já pedi desculpas... Não tô acostumada a acordar muito cedo... Principalmente depois da noite MARAVILHOSA que tive com o Fred. *-*
(Nessie) Nem começa com a baixaria, porque não tô afim dos detalhes sórdidos. ¬¬
(Leah) OK, ok... Prometo que amanhã eu vou na facul! Mas ai Nessie, o Fred tá sendo um fofo! Ele falou que vai me ajudar com tudo na faculdade, e que se eu quiser um dia largar, ele nem liga!
(Nessie) Nossa, Leh, você tá falando de um jeito tão apaixonado que nem parece você.
(Leah) Não enche tampinha! Eu amo o meu Frederico!
(Nessie) kkkkkkkkkk ok, ok.... Vou sair agora... Indo encontrar o Jake e o magricelo pra almoçar. Beijinhos
(Leah) kkkk Beijos. ;) ... Ps: Aproveito e dá uns pega no maridão... Hehe...
(Nessie) Já falei que tú não presta.... Vai dormir, Leah. Bjs kkkkkk
Leah visualizou a mensagem, e imaginei ela dando risada. Balancei a cabeça em negativa, com a conclusão de que eu só tenho amigos malucos. Equilibrei os livros que eu havia pegado na biblioteca somente por curiosidade nos braços, e me entortei tentando colocar meu celular num bolsinho da mochila. Senti algo esbarrar em mim, e derrubei tudo no chão.
– Ai desculpa senhorita! – Exclamou um menino de sotaque britânico, que antes mesmo de eu me abaixar, já estava pegando quase todos os livros.
– Tudo bem. – Sorri torto, com sua educação. – Mas é senhora, e não senhorita. – Completei, enquanto ele se erguia, me dando um completa visão de seu rosto.
Era um menino loiro, com um olhar inocente de cor azul acinzentado, que parecia ter a mesma idade de Jake. Era um pouco mais baixo que meu amor, porém possuía quase o mesmo porte físico. Aliás, seu tipo de corte de cabelo era parecido com o de Jacob, porém mais curto e menos despojado. Sua calça clara e seu suéter verde escuro, lhe deram um ar mais responsável, e claro, junto com seus sapatos sociais marrons escuros. Ele parecia um mini professor mais novo.
– Ah! – O tal menino exclamou como se lembrasse de algo, enquanto olhava pra minha mão, e depois para meu rosto. E diferente dos outros olhares masculinos, não havia perversão. – Você é a outra parte do tal casal já casado? – Ele indagou sorrindo simpático, segurando meus livros nas mãos de pele clara, porém não tão clara quanto a minha.
– O que? – Perguntei confusa, sorrindo forçado por não entender do que aquele individuo estava falando.
– Bom, é que andam falando por aí que entrou um casal de bonitões casados precocemente aqui na faculdade, composto por uma ruiva e um moreno... Então presumi que você fosse a tal esposa. – Ele sorriu. – No momento estamos sem ruivas na faculdade, e acho que ninguém sairia com um anel desse no meio da rua. – Ele arregalou os olhos, apontando para o meu anel de noivado, feito inteiramente de diamante.
– Ah... Err... – Sorri envergonhada. – Sim, eu sou a tal esposa. – Ri sem graça. Ele deu risada. – Renesmee Black. – Estendi minha mão educadamente, e o tal guri ainda sem nome conhecido, encaixou os livros em um braço, e apertou minha mão também.
– Nossa, sua mão é quente! – O menino exclamou surpreso, devido ao fato de minha temperatura ser um pouco mais alta que a dos humanos. Sorri nervosa, olhando disfarçadamente para os lados. — David Weels. – Ele se apresentou depois de ficar encarando minha mão, e sorriu confiante. Dei um meio sorriso, mas logo algo me veio em mente.
– Mas então... O que é que andam falando de mim e do Jake? – Perguntei sem graça.
– Ah, então o sortudo tem nome.... – David brincou, me fazendo corar um pouco. Eu queria ser educada, mas a imagem de Jake o espancando só por falar isso, começou a me assombrar. – Então, respondendo sua pergunta Renesmee, primeiro os meninos do clube de esportes daqui começaram a falar sobre uma ruiva, desculpe pelo palavreado deles, “ruiva com potencial”. – Fiz careta, com sua declaração. Esses homens de hoje em dia são muito atirados pro meu gosto. – Eu sei. É uma falta de respeito completa... Enfim. – David fez menção para continuar. – Enquanto eles falavam isso, o grupo de meninas atiradas da faculdade começou a comentar sobre um tal moreno de “tirar o folego.” – Bufei irritada de ciúmes, e David só deu uma risadinha, e não falou nada. – Mas em geral, todos ficavam falando que vocês dois estavam juntos... Até que uma menina disse que numa certa aula, ela sentou perto de Jacob para dar uma “verificada”, e viu a aliança de casamento nos dedos.... E aí foi um alarde, e como você pode notar, todos que passam por você, ficam olhando suas mãos para checar se é verdade a história do tal casamento precoce. – Ele fez menção para um grupo de meninas, que passaram do nosso lado, encarando chocadas o meu anel de noivado.
– Bom, que todos me encaram, eu já percebi. – Revirei os olhos, irritada em como as pessoas preferem cuidar da vida dos outros, do que das próprias.
– Não fique assim, Renesmee. – David falou calmo, e sorrindo. Algo me diz que ele sempre está de bom humor. – Somente se acostume. Aqui na faculdade é comum as notícias correrem soltas... Até mesmo as das vidas dos professores... Você ouve cada coisa... – Só sorri em resposta, ainda pensando nessas meninas que ficam fofocando sobre meu lobinho. – Mas sobre esses comentários de “casamento precoce”, não ligue... Aliás, acho que para o amor não têm idade. E aposto que se você casou com esse tal de Jake, você realmente deve o amar.
– Não sabe o quanto. – Suspirei, sorrindo torto. David sorriu simpático.
– Posso te perguntar uma coisa?
– Pode. – Assenti, ainda estranhando aquela conversa. Eu nem conhecia o menino direito, e ele falava comigo como se já me conhecesse a anos. Jake não vai gostar de nada disso. Pensei preocupada.
– É verdade que você ameaçou a Brittany? – David perguntou, cortando meus pensamentos no meio.
– Hã? Quem? – Exclamei confusa. – Eu nem sei que menina é essa.... E não sou nenhuma psicopata pra ficar ameaçando pessoas por aí... – Falei com obviedade.
– Brittany é a popular, metida, líder de torcida, filha do reitor, e estudante de artes musicais, mesmo tendo voz de galinha esganiçada. – O jeito que David respondeu com desdém, me fez rir. Principalmente porque o seu jeito britânico e certinho de falar, junto com essa roupa de professor, não o permitem teoricamente de ser assim tão cômico.
– Bom, embora ela pareça uma pessoa horrível como você fala, eu não ameacei ninguém.... – Respondi divertida.
– Ah, eu não sei direito, mas a questão é que nem se preocupe, porque essa menina adora criar falsas verdades sobre os outros... Principalmente de quem ela tem inveja.
– Ok, vou ignorar... Mas talvez ela tenha falado isso, porque eu sou meio ciumenta com o Jake, e olhei feio todas as garotas hoje de manhã. — Admiti envergonhada, e David riu.
– Ah, de você eu não sabia, mas os meninos falaram que o seu marido quase matou alguns hoje. – Ele comentou rindo divertido. Sorri envergonhada.
– É... Ele é um pouco ciumento também.
– Mas ele têm razão para isso. Com uma esposa bonita dessa, eu também teria ciúmes. – David comentou com um sorriso inocente no rosto, sem saber o quão sem graça me deixava, e ao mesmo tempo, o quanto preocupada. Eu estava morrendo de medo do que Jake iria fazer, caso me pegasse conversando com outro menino.
Suspirei com o silencio desconfortável que se instalou sobre nós dois, enquanto David ainda segurava meus livros com um sorriso inocente, e eu ficava casa vez mais vermelha.
– Ah, bom, já tá na minha hora! – Quando ele exclamou aquilo, senti um peso sair dos meus ombros, aliviada.
– Ah, e já está hora de eu encontrar meu Jake. – Sorri simpática, tentando demostrar o meu amor pelo Jake com a palavra “meu”, pra ver se o loirinho a minha frente entendesse que não tinha chance. Para minha infelicidade, David nem percebeu, ou se percebeu, não demonstrou. Simplesmente, devolveu meus livros educadamente.
– OK... Nós nos vemos por aí, Senhora Black. – Ele disse, e se retirou sorrindo. Sorri educada, e suspirei aliviada, seguindo adiante meu caminho. Mas logo que me virei, esbarrei em outra pessoa. Uma pessoa bem mais gelada, e que eu reconheceria o cheiro em qualquer lugar.
– Desculpe. – Sua voz calma, soprou sobre minha testa. Apertei os livros contra meu peito, com medo de que os mesmos caíssem de novo.
– Oi pai. – Sussurrei calma, com medo de que algum humano nos escutasse, e encarei seus olhos dourados. E logo que olhei seu rosto, senti um embrulho no estomago. Por mais que eu o amasse, e quisesse voltar a falar com ele, toda aquela história de chantagem ficava revirando em minha mente, como se meu cérebro alertasse Não se aproxime de novo, você pode se machucar... Ele já tinha pedido desculpas uma vez, mas errou pior ainda agora... Você quer isso pra você? Quer se machucar de novo com alguém que você ama? Resista.
– Oi Renesmee. – Meu pai respondeu, e vi uma sombra passar sobre seu rosto pálido, devido a ele poder ouvir todos os meus pensamentos naquele momento. Balancei a cabeça, tentando afastar tudo aquilo que deixava minha relação com meu pai muito mais estranha.
Alguns alunos ficaram encarando eu e meu pai, provavelmente se perguntando quem era ele, e o porquê de ser tão bonito. Mas todo esse cenário sumiu, dando relevância em cada olhar que trocávamos. Seus olhos dourados não estavam tão tristes como antes, embora ainda estivessem um pouco opacos. Sua olheiras tinham sumido, e ele parecia também tentar decifrar meu olhar. Tudo uma questão de saber como cada um está, depois daquela revelação chocante.
– Eu estava passando por aqui, e vi você, e.... – Meu pai começou a se explicar todo atrapalhado. Eu posso não ter sabido da descoberta antes, mas eu sabia quando ele estava mentindo.
– Passando por aqui? – Indaguei sorrindo fraco. – Edward, você faz faculdade em Seattle, e não costuma sair de casa para dar uma “volta na cidade”. – Falei o obvio, usando seu nome em vez de “pai”, para os humanos não acharem estranho. Meu pai sorriu torto, envergonhado.
– Ok, eu sei, me desculpe... Eu vim aqui de propósito. Eu queria ver como você está, afinal você é minha... Irmã. – Logo que decidimos fazer faculdade, minha família havia decidido que, para todos os efeitos, meu pai seria meu irmão. Afinal, com o passar dos anos, eu fiquei muito mais parecida com ele do que com minha mãe.
Com um olhar discreto, percebi vários alunos se inclinando para o lado, tentando ouvir nossa conversa. Alguns comentários surgiram como:
Será que ele é amante dela?
Não, você não ouviu? É irmão dela.
Ah, então quer dizer que eu tenho chance com o branquinho ali?
Nossa, eu daria tudo pra trepar com aquela ruiva.
Meu pai olhou feio para o menino que havia dito aquilo, e eu deixei. Afinal, que tipo de comentário era aquele? Aliás, acho que esse povo está muito intrometido pro meu gosto. O tal menino encolheu os ombros, e saiu do pátio com seus amigos. Meu pai trincou os dentes, revirando os olhos, e logo me encarou, esperando minha resposta em relação a sua visita.
– Não precisa se desculpar. – Falei calma, e passei por ele, querendo chegar ao meu ponto de encontro com Jake. Eu queria conversar com meu pai, porém meu marido ia começar a se preocupar, se eu ficasse demorando. Papai era o segundo a me parar para conversar, embora o David não tenha sido proposital, e sim mais um esbarrão de ombros.
Senti meu pai correndo até mim, parando ao meu lado, e acompanhando meus passos nem tão lentos, e nem tão rápidos.
– Não preciso? – Ele indagou, com uma pitada de esperança na voz. Mas acho que devido ao seu dom, meu pai sabia muito bem o que eu pensava a respeito dele.
– Não... Er... Tudo bem. Você é meu... Irmão, e em parte, eu também queria saber como você está. – Admiti, olhando para minhas sapatilhas. Não tinha tanta coragem como antes, para ficar constantemente encarando seus olhos dourados. Só me trazia más lembranças.
– Olha, Renesmee, sei que você não quer me ver, e....
– Não é isso, Edward. – Parei de imediato, o interrompendo, e me virei para encara-lo. Meu pai prendeu a respiração. – Você faz parte da minha família... Aliás, em parte, você é minha família. – Admiti. – Você não sabe o quanto eu queria que tudo fosse com antes, mas não dá... Simplesmente não dá, ok? Por mais que eu queira te ver, toda vez que acontece, tudo fica revirando na minha mente... Mas não pense que eu te odeio, Edward. Acho que nunca vou ser capaz de te odiar. – Expliquei séria. – Por mais que as vezes eu tenha vontade.... – Sussurrei mais pra mim mesma, do que pra ele. Meu pai respirou fundo, e abaixou o olhar, ficando em silencio por um instante. Comecei a sentir um mínimo alivio por ter falado aquilo pra ele. Algumas coisas ainda tinham ficado presas na garganta, após minha volta da lua de mel.
– Eu não sei o que dizer. – Papai sussurrou.
– Então não diga nada. – Falei secamente, balançando a cabeça em negativa, e voltando a caminhar com passos mais rápidos. Era tão estranho falar com meu pai depois de tudo aquilo... Você sente aquela sensação ruim, quando você percebe que uma pessoa que você amava tanto, virou simplesmente mais um alguém na sua vida....
Quando você vê que começa a ficar desconfortável conversar com uma pessoa, que antes, era seu porto seguro.
– Renesmee, espera. – Ele segurou um braço levemente, e eu me virei suspirando. – Eu queria te agradecer.
– Agradecer? Pelo que? – Perguntei, com indiferença.
– Por você ter conversado com a Bella. – Meu pai respondeu, ignorando meu desinteresse. Por mais que eu quisesse ser educada com ele, no final, eu sempre ficava na defensiva. Começava bem, acabava mal. – Para nós recomeçarmos... Ela veio falar comigo, e aos poucos, ela está chegando mais perto. – Era percebível a alegria em sua voz, junto com esperança. Isso explicava aquele novo brilho em seu olhar. – Obrigado.
– Tudo bem. – Suspirei, mais calma. Sorri fraco. – Não precisa agradecer... Só acho que vocês não funcionam se ficarem separados.... Não podem ficar se ignorando pelo resto da vida. Isso é ridículo. – Exclamei, revirando os olhos. – Mas não preciso agradecer. Só fiz o que considerei ser o certo.
– Obrigado mesmo assim. – Meu pai sorriu torto, e eu dei de ombros, continuando com minha caminhada, em direção ao prédio em que eu iria almoçar com os meninos.
Ficamos num silencio confortável pelos próximos minutos. Confortável porque não estávamos nos falando. Se eu conversasse com meu pai, tinha uma grande probabilidade de acabar sendo grossa com ele, e eu não queria isso, embora fosse incontrolável. Meu pai parecia uma sombra. Ficava somente do meu lado, encarando meu rosto, enquanto eu intercalava meu olhar entre minhas sapatilhas pretas, e o campus a minha frente.
Os olhares que as pessoas nos lançavam já estavam me irritando. Mas que merda?! Por que elas não vão cuidar da vida delas, e param de ficar me encarando, e se especulando se eu sou algum tipo de ET? Pensei irritada, fazendo meu pai dar uma pequena risadinha. Bufei.
– Se acostume, Renesmee. Sempre foi, e sempre será assim.
– Fazer o que? – Concordei, suspirando. O alivio estava quase me domando, por saber que logo estaria perto do meu lobinho. É ruim ficar longe dele. Parece que têm algo faltando. Papai sorriu com meus pensamentos. Apesar de tudo, ele sabia como eu me sentia. Ele nunca suportou ficar longe de minha mãe.
– Então... Gostando da faculdade? – Ele tentou puxar assunto.
– Sim. – Fui sincera, e sorri torto. – Tirando o povo intrometido, e as meninas se atirando pra cima do meu marido, está tudo ótimo.
– Meu marido... – Papai refletiu com minhas palavras. – Não acredito que você já está casada... Já cresceu tanto.
– É. Talvez você só não quer aceitar isso. – Comentei, e nem eu mesma percebi a acidez naquelas palavras. Papai engoliu em seco, e desviou o olhar. Suspirei, irritada comigo mesma. Era uma droga brigar com as pessoas que você ama. Você quer ficar perto delas, mas tudo fica nadando em suas memórias...
– Er... Gostou do seu professor?
– Sim... Ele é meio maluquinho, e tem uma forma de ensinar menos convencional, mas suas aulas são muito concorridas. – Dei risada, lembrando do Professor Sikowitz. Ele tinha um estilo bem diferente, e ia dar aula com sandálias, calças folgadas, e blusas enormes, com casaquinhos de lã e tudo mais... Teve horas que ficou descalço, e ficou subindo e descendo as escadas do auditório, enquanto explicava. Sem falar que suas aulas rendem altas risadas.
(n/a: Ok, não resisti. Amo esse personagem.)
Foto do professor: http://images2.nick.com/nick-assets/shows/images/blogs/blogs-1/nick-back-to-school-teachers-say-best-4x3-image-01.jpg?width=520&format=jpg&quality=0.75
Andamos mais um passos, enquanto eu dava respostas curtas a algumas perguntas de meu pai, até por fim avistar Jake sentado na escada de entrada do prédio do Sheldon. Ele estava lendo algumas coisas em seu caderno, mas logo elevou seu olhar negro até mim e meu pai. Ficou surpreso, mas não disse nada.
– Ok. Eu tenho que ir, pai. – Falei sem graça, e ele assentiu.
– Tudo bem. Tchau... Filha. – Ouvi ele sussurrar pra ele mesmo, mas eu já estava a uns dois passos dos braços de Jake. Meu pai só ficou nos encarando de longe, enquanto Jake se levantava com um sorriso fofo no rosto, e ajeitava sua bolsa em seu ombro.
– Tá tudo bem? – Ele sussurrou pra mim, passando seus braços pela minha cintura, de forma carinhosa. Senti meu peito se encher, logo que a abstinência de seu corpo se dissipou.
– Tá sim. – Sorri torto, apoiando minhas mãos sobre seu peito. Meu amor sorriu amorosamente, e me deu um selinho rápido, seguido de um na bochecha, e outro na testa. Respirei fundo, apoiando minha cabeça em seu peito, enquanto milhares de pensamentos borbulhavam no meu cérebro. Ao longe, vi meu pai nos encarando, com as duas mãos no bolso da calça jeans preta. E ele fez algo que me surpreendeu. Sorriu.
Jake intercalou seu olhar entre mim e meu pai, com um misto de confusão e preocupação. O olhei, e balancei a cabeça em negativa.
– É sério... Tá tudo bem, Jake. – Afirmei, lhe dando um beijo no queixo, enquanto ouvia os passos de Edward se distanciarem. – Vem. – Puxei sua mão, abrindo a porta de vidro.
***
Após montar meu prato no buffet da cantina da escola, ignorando os olhares curiosos das pessoas, me virei, indo em direção a mesa onde estava Jake e Sheldon. Para minha surpresa, havia uma menina loira, com uma roupa minúscula de líder de torcida, se inclinando sobre a mesa, dando uma visão enorme de um decote além da conta.
Sheldon olhava a menina estranhando seu comportamento, enquanto Jake tentava educadamente se livrar da tal oferecida.
– A senhorita não sente frio? – Com minha audição vampiresca, consegui ouvi Sheldon perguntar, olhando o modelito minúsculo da menina que estava me deixando com uma raiva tremenda. Vi alguns olhares se intercalarem entre mim, e a mesa dos meninos. Acho que todos já perceberam que sou ciumenta.
– Como é? – A menina perguntou, sem tirar os olhos de Jake.
– Hoje não está um dia muito quente, e você está com essa roupa, que se minha mãe visse, diria que é uma representação da Maria Madalena. – Jake segurou o riso, enquanto Sheldon explicava seu ponto de vista.
– Maria Madalena? – A menina indagou, sem entender nada.
– Dizem que ela era a mulher de Jesus Cristo. Minha mãe diz que ela era uma prostituta. – Quando Sheldon disse aquilo, risadas e mais risadas se espalharam pelas essas próximas. Jake segurou o riso, enquanto se inclinava pra trás na cadeira, se afastando da menina. Eu percebia que ele estava querendo se livrar.
– Como ousa? – A loira oxigenada exclamou com uma voz esganiçada. – Nunca fale assim comigo, seu magricelo maluco! – Na hora que ela falou aquilo, a raiva me subiu à cabeça. Juro que quase quebrei a bandeja que estava em minha mão, só para conseguir controlar meu dom de chamas. – Então, seu nome é Jacob, né? – Ela continuou.
Andei até a mesa com passos duros, e todos os olhares se voltaram a mim.
– Não fale assim com o Sheldon. – Mandei séria, sentindo meu instinto de caçadora vir à tona. Jake engoliu seco, e eu percebi que ele tinha medo de eu tacar fogo na cabeça loura daquela oferecida. – Aliás, saia daí, porque eu que sento nesse lugar. – Falei, quando ela estava prestes a se sentar do lado do meu marido.
– Ai, Jake, fala pra sua amiguinha sentar do outro lado. – Ela falou manhosa, mas percebi medo em seu olhar. Jake a olhou incrédulo, afinal ele nem conhecia a menina, e ela já estava lhe chamando pelo apelido, e ainda quase gemendo no ouvido dele.
– Ela não é minha “amiguinha”. – Jake disse tirando a mão dela de cima de seu braço. – Ela é minha esposa. – Ele afirmou, a fazendo automaticamente intercalar o olhar entre nossas mãos. Ela arregalou os olhos quando viu o meu anel de noivado. — Então sai pra lá, guria. – Jake mandou com obviedade. – Eu, hein. – Meu amor fez careta. Ele sempre falou que acha ridículo essas meninas que agem como vadias.
A loira ficou chocada com a atitude de Jake, enquanto eu só era sorrisos. Aposto que era o tipo de garota mimada, que sempre conseguia os garotos que queria, porém com meu marido não vai ser assim.
Além de Sheldon, todos em volta encaravam a cena discretamente. A menina se levantou da cadeira, meio sem ação, e me encarou indignada.
– Você não acha que é muito nova pra já ser esposa de alguém? – Ela perguntou, se sentindo superior.
– E você não acha que é coisa de vadia dar em cima de homem casado? – Retruquei no mesmo segundo, na lata. Ouvi várias exclamações ao redor, e Jake e Sheldon se entreolharam de olhos arregalados, e meu amor segurou o riso.
– Está me chamando de vadia? – Ela exclamou incrédula, enquanto algumas pessoas davam risada.
– Eu não te chamei de vadia, mas se a carapuça serve.... – Dei de ombros, e sentei do lado do meu marido, que sorriu e me deu um selinho demorado. A menina nos olhou incrédula, e não sabia se falava algo ou se calava. E depois de abrir e fechar a boca diversas vezes, bufou e saiu batendo o pé.
– Te amo, minha ciumentinha. – Jake sussurrou sorrindo, enquanto deslizava sua mão quente por meu pescoço, me arrepiando por inteira. Segurou minha nuca, apoiando seu outro braço no encosto de minha cadeira, e tocou meus lábios com delicadeza. Sorri, e retribui com outro selinho.
– Eu te amo também. – Falei sorrindo divertida, enquanto trocávamos vários selinhos demorados.
– Ama? – Jake perguntou com a voz abafada, enquanto movia a cabeça, me dando selinhos deliciosos, com uma maciez indescritível.
– Lógico, meu lindo. – Me inclinei mais pra frente, apoiando minha mão em sua coxa, querendo aprofundar para algo mais. Jake estremeceu com minha mão tão perto de seu membro, e sorriu sacana, descendo sua mão por minhas costas, me puxando pra mais perto.
Entreabri os lábios, sentindo logo de primeira sua língua quente passando por minha pele. Arfei, quando Jake desceu e subiu com sua mão por minhas costas, num carinho delicioso, porém ardente. Enquanto sua língua me domava lentamente, num beijo cheio de movimentos suaves e arrepiantes, eu apertei sua perna, ficando cada vez mais extasiada com seus toques discretamente cheios de desejo. Passei minha mão por seus músculos do braço, e apoiei minha mão em seu peito, fazendo carinho.
– Acho que sei porque eles casaram cedo. – Ouvimos a voz de um menino, e demos risada em meio ao beijo, sem ligar para o fato de estarmos no meio da cantina da faculdade. Dei uma mordidinha no lábio inferior de Jake, recebendo em resposta, uma descida de mão, e apertada na coxa. Sorri pelo fato que desde que tivemos nossa primeira vez, nós não ligamos pra quase nada. Se quisermos nos beijar, não importa onde estamos, vamos nos beijar.... Deus, como isso é bom!
– Será que dá para os dois maníacos se controlarem? – Sheldon elevou um pouco o tom de voz, fazendo Jake terminar o beijo com vários selinhos, e uma chupada em meu lábio inferior. – Estão todos nos olhando como se estivéssemos consumando um culto sexual no meio da mesa. – Eu e meu amor olhamos ao redor, e nos ajeitamos nas cadeiras, segurando o riso.
Todas as pessoas que estavam em mesas próximas nos encaravam chocadas e impressionadas. Alguns só davam risada, e outros nos olhavam maliciosos.
– Não tem nada pra olhar aqui... – Jake disse segurando o riso, e percebi que sua boca estava mais vermelha que o normal. Todos riram. – Te pego em casa, gostosa. – Ele sussurrou no meu ouvido, e me deu um beijo rápido na bochecha. Sorri em resposta.
Jake sorriu, e se virou para o Sheldon como se não tivesse feito nada.
– Depois eu que sou maluco. – Sheldon disse, balançando a cabeça, nos fazendo rir.
Ok, os anos de faculdade serão longos.... E um tanto deliciosos... Se é que me entendem....
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