Pov. Jacob

Todos estavam assustados com tudo o que aconteceu, mas eu não. Já esperava essa reação. Eu só estava preocupado com o que ia acontecer depois. E um desespero se apossou de mim. Minha pequena tinha saído nessa chuva forte, nervosa e chorando, com o carro por esta pista completamente molhada. E eu não tinha ideia de aonde ela iria.

– Ai merda! – Exclamei pra mim mesmo. Todos me olhavam, como se esperassem algo. Ela saiu nervosa, nessa chuva! E se ela bater o carro?! Pensei preocupado. Corri desesperado até Alice e Edward. — Pra onde ela foi? – Perguntei quase me afogando com as gostas incessantes de chuva. Alice se protegia, embaixo da entrada da casa. Edward era o único ensopado como eu.

– Não sei... Não consigo ler a mente dela. Bella está com o escudo. – Ele respondeu visivelmente preocupado com a filha, mas assustado de mais para fazer algo. Além disso, todos sabiam que o único que podia ir até Nessie naquele momento, era eu.

– Você sabe que nunca consegui ver o futuro dela direito. – Alice completou, cruzando os braços, se encolhendo devido a chuva. Passei as mãos por meus cabelos nervosamente, com medo do que poderia acontecer.

– Siga ela, Jacob. – Jasper disse correndo até mim, com sua velocidade anormal. Me entregou a chave, e olhou para um dos carros da família, estacionados ao lado do lugar onde o carro de minha pequena estava. Nem agradeci. Simplesmente, saí correndo, logo abrindo a porta do motorista, e dirigindo feito um louco.

Pov. Nessie

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Eu não conseguia acreditar. Meu próprio pai tinha armado tudo aquilo, e mesmo querendo o meu bem, ele só me machucou. Por que ele tinha feito aquilo? Não podia simplesmente deixar a vida acontecer? Mas ele tinha que se deixar levar pelo ciúme doentio, não é mesmo? Ele tinha que se intrometer num assunto já resolvido entre eu e meu marido. Droga!

Perguntas repetitivas, e incrédulas rondavam minha mente, que tentava se concentrar na estrada escura a minha frente. Mesmo com o farol aceso, eu não conseguia enxergar, devido as incessantes gotas de chuvas que cobriam o vidro do meu carro. As gotas eram como minhas lágrimas, que encharcavam meu rosto, dificultando minha visão, e aumentando minha vontade de sumir do mapa.

Eu não sabia onde ir. Queria fugir de tudo aquilo que me machucava. Meu próprio pai me machucava. E eu fiquei pensando em porque sempre tem alguém tentando destruir meu relacionamento com Jacob. Eu o amo mais que tudo. Por que ninguém percebe isso? Eu não quero, e eu não consigo ficar longe de meu amor. Nunca vou me afastar dele. Mas por que as pessoas ao redor insistem nisso? Insistem em se intrometer, e complicar mais as coisas... Por que?

Minha vontade de sumir era relativa à eu não conseguir mais olhar para meu próprio pai. Eu não conseguia olhar para o homem que me ensinou tantas coisas boas na vida, e ao mesmo tempo, fez algo tão... Repulsivo. Edward Cullen havia me ensinado a olhar a vida de forma positiva, a sempre seguir meus sonhos, a sempre fazer o bem... Me ensinou a tocar piano, que foi algo que sempre realçou nossa relação de pai e filha. Mas agora tudo parece tão... Manchado.

Sim. Manchado. Manchado por atos que nunca imaginei que alguém pudesse realizar. Quero dizer... Sei que existem pessoas no mundo que armam esse tipo de coisa, mas nunca pensei que uma desses pessoas fosse meu pai. Meu pai que antes eu amava com todas as minhas forças. Eu ainda o amo. Mas não consigo olhar para seus olhos. Tanto pelo fato de ele fazer aquela chantagem horrível, quanto pelo fato de que estou triste por todas as palavras que proferi a ele.

Sou uma idiota por me sentir culpada em algo em que fui uma das vítimas, mas na hora da raiva, simplesmente falei tudo o que eu sentia. Sei que fui muito dura, mas no fundo sei que ele merecia aquelas palavras.

Pisei mais fundo no acelerador, como se por um milagre, todos aqueles metros de asfalto deixados para trás, levassem consigo, toda a dor, tristeza, e raiva que eu sentia. Mas ao contrário do que eu queria, todos aqueles sentimentos irremediáveis, só me consumiam cada vez mais.

Eu não sabia onde aquele caminho me levava. Tudo a minha frente estava escuro, como minha mente. E aquelas luzes dos faróis não davam conta de iluminar a estrada, e muito menos meus pensamentos.

Ouvi um barulhinho no banco de couro cinza claro ao meu lado, e vi meu celular piscando, com o nome de minha mãe no visor. Relutante, atendi o IPhone, sem tirar os olhos da estrada sombria a minha frente.

Volte pra casa, Renesmee. – Ela mandou firmemente, logo que atendi o telefone.

– Não posso... Não consigo. – Respondi chorando mais, e mais. Apertei o volante em minhas mãos, com o nervosismo me consumindo. – Desculpe, eu não...

Filha, onde você está? – Minha mãe me interrompeu, com preocupação e medo na voz.

– Na estrada... – Solucei. — Aqui está escuro, mãe... – Eu me referia mais a mim mesma, do que ao ambiente ao meu redor. Ouvi murmúrios do outro lado da linha, e um desses era de meu pai.

Jacob está indo te buscar. Onde você está? – Ela perguntou novamente, preocupada.

– Eu não sei... Não consigo enxergar nada, mãe.... Está tudo no escuro... Tudo embasado. – Respondi chorando, sentindo meu coração sendo exprimido, enquanto eu relembrava minha recente briga, com uma das pessoas que eu mais amo no mundo.

Meu Deus, Renesmee! Pare esse carro, agora! Vai sofrer um acidente! – Minha mãe exclamou nervosa, e com medo na voz. Funguei, colocando as luzes do farol no máximo.

Pov. Edward

A preocupação me consumia, enquanto ouvia Bella conversando com Renesmee pelo celular, bem a minha frente. Bella estava extremamente preocupada com a filha, que só respondia chorando, e coisas meio desconexas. Conhecendo Renesmee como conheço, eu sabia que ela não se referia só ao escuro da estrada.

Eu não sei, Jasper! Tá difícil de enxergar tudo isso aqui! Mais que merda! – Jacob gritou ao telefone, com o meu irmão que tentava localizar Renesmee, assim como Bella. Mas, devido à chuva, ninguém ali sabia onde Jacob e ela estavam, nem mesmo os dois próprios.

A culpa corroía todo o meu corpo, junto com a preocupação. Se Renesmee sofresse um acidente, aquilo também seria culpa minha. Por que você fez isso, Edward?! Gritei comigo em pensamento. Cerrei os punhos. Senti uma mão gelada em meu ombro, e vi Esme com aquele sorriso maternal, tentando me acalmar. Como ela podia me amar depois de tudo o que eu fiz a neta dela?

Não aguentei a preocupação, e rapidamente levantei do sofá, e peguei o celular da mão de Bella. Ela me olhou com tristeza, e sem ação. Respirei fundo.

– Renesmee. – Pude ouvir a pausa repentina da respiração de minha filha, logo que ela ouviu minha voz. – Renesmee, eu sei que te magoei, mas você precisa voltar pra casa. – Falei calmo, porém firme. – A chuva está muito forte. Volte pra casa. Precisamos de você a salvo. – Declarei, enquanto só ouvia o barulho da chuva forte do outro lado da linha.

Todos ficaram me olhando com expectativa, esperando alguma resposta de Renesmee, que simplesmente começou a chorar cada vez mais. Emmet suspirou abatido. Ele detestava, assim como os outros, ver nossa princesa triste.

Me desculpa, pai. – Por fim, Renesmee falou com culpa na voz. Senti um nó na garganta, enquanto todos ficavam confusos e surpresos. – Me desculpa por ter falado tudo aquilo. – Minha princesa chorou, e começou a soluçar.

– Não. Está tudo bem. Você... Você estava certa. Só volte para casa. – Pedi com a voz tremula.

Não posso... Não consigo te encarar, pai... Me desculpe, mas eu... – Tudo o que se ouviu após aquele pedido de desculpas, foi o bipe do celular, indicando que a chamada estava encerrada. O silencio se formou na casa. Nos pensamentos de todos, se formou a imagem de Renesmee capotando, ou batendo com o carro.

Pov. Nessie

Eu me sentia extremamente culpada, por ter dito todas aquelas horríveis ao meu pai. Mas ao mesmo tempo, sabendo de tudo o que ele tinha armado tanto pra mim, quanto para meu Jacob, eu não iria conseguir olhar na sua cara novamente, sem pensar em tudo aquilo. Ainda não conseguia acreditar nas barbaridades de toda aquela chantagem, e não conseguia imaginar meu pai chegando na oficina de Jake, para falar tudo aquilo, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Joguei o celular no banco de carona novamente, e continuei dirigindo. Calculei quantos quilômetros eu já tinha dirigido, e quantos faltavam pra onde eu recentemente tinha decidido ir. Fugir para tentar apagar a mente.

Eu tentava me controlar, mas as lagrimas simplesmente caíam mais e mais, enquanto eu me lembrava de tudo o que tinha acontecido. Cada palavra proferida pelos lábios finos de meu pai, admitindo toda a vergonhosa verdade. E eu sabia que ele estava arrependido. Seus olhos dourados transmitiam toda a dor que ele sentia, mas eu estava com tanta raiva. Em uma briga contraditória comigo mesma, eu ainda sentia raiva de meu pai. Tudo porque ainda não conseguia acreditar em toda aquela merda que ele fez.

Me assustei ao ver uma luz forte na minha frente, e uma buzina batucando em meus ouvidos. Virei o volante para direita, saindo da pista totalmente molhada. O carro seguiu, e quase bati numa arvore. Freei a tempo. O caminhão que quase me atingiu, foi embora em meio a chuva.

Meu coração deu um solavanco, com o susto. Pisquei alguma vezes, e cobri minhas mãos com a manga do meu casaco, limpando as lagrimas misturadas a chuva que cobriam meus olhos, deixando minha visão embasada. Olhei no retrovisor, e vi meus olhos ainda tentando se livrar da tonificação de roxo vivo. Senti um nó na garganta, ao lembrar que podia ter machucado alguém com meu dom incendiário.

Um monte de emoções nublavam minha mente e meu coração, deixando difícil continuar. Era involuntário. Todos os acontecimentos ficavam rondando minha mente, num filme sem fim. Logo me vi em lágrimas intermináveis novamente. Como sou burra! Jake tentou me avisar... Ele quis me contar, e eu não deixei. Mais que droga, Renesmee!

Saí do carro, sentindo a chuva me ensopar de imediato. Olhei para os lados, e só tinha escuridão. Nenhum sinal de carro, ou luz. Agradeci pelo barulho da chuva ser mais alta, que a dos meus pensamentos sofridos. Vi a placa que indicava que eu estava perto de onde eu queria chegar.

Com a manga encharcada de meu casaco de lã preto, limpei inutilmente uma de minhas inúmeras lagrimas, e fitei a floresta densa a minha frente. Larguei o carro com a porta aberta, os faróis acesos, e a chave na ignição, correndo para dentro daquela floresta enorme.

***

Eu chorava, enquanto corria em meio a arvores e pinheiros enormes, que me cobriam de grande parte da chuva, devido as suas grandes folhas esverdeadas. O único barulho eram meus passos rápidos, em meio a minha respiração irregular, com o choro envolvido.

Eu me lembrei de todos os momentos felizes que tive ao lado de meu pai. Aquelas vezes que nós tocávamos piano, e ele sorria pra mim em aprovação, quando eu acertava as notas facilmente. Tudo parecia tão inocente naquela época. Sem nenhum vestígio de que no futuro brigas iriam ocorrer.

Me lembrei de duas semanas atrás, quando fui me despedir em meio a lagrimas. Afinal, eu não era mais sua garotinha. E meu pai me disse coisas tão lindas, e tão acolhedoras, em meio aquele abraço gelado. Mas embora fosse gelado, transmitia aquele carinhoso calor paterno. Os momentos felizes de pai e filha pareciam tão distantes agora.

Os galhos, e até espinhos de algumas arvores rasgavam meu casaco, enquanto eu corria numa velocidade, que nem eu imaginei que pudesse alcançar. As lagrimas embaçaram tanto minha visão, em meio a tantas emoções, que eu simplesmente tropecei em uma pedra, e caí rasgando minha calça, e ferindo meu joelho. Ignorei o sangue, sabendo que logo cicatrizaria, e continuei correndo em direção ao penhasco de La Push.

A dor do machucado era nula em comparação a dor que eu sentia em meu coração. Eram tantas coisas misturadas. Chega uma hora que você nem sabe por qual sentimento está chorando, simplesmente quer chorar para tentar aliviar tudo aquilo que te impede de seguir em frente. Tudo aquilo que só faz você reviver o que te causou a dor. Tudo aquilo que foi causado por alguém que você ama.

As arvores cessaram ao meu redor, e freei os pés, quase caindo no mar abaixo do penhasco. Eu havia chegado. O mar estava violento, e refleti observando a natureza aos meus pés. Com a mesma violência em que o mar se chocava com as pedras ao pé do alto penhasco, meu coração ia se apertando, como se mãos frias tentassem o esmagar.

Ajoelhei bem na pontinha do grande penhasco de La Push, sentindo a chuva chicotear contra meu rosto. Fiquei observando o mar abaixo de mim, pensando em como seria pular dali. Mas eu não queria pular. No mar eu não me sentiria segura, mas a cima dele, com aquela paisagem toda pra mim, era como um remédio de efeito mínimo, para minha tristeza.

Pov. Jake

A adrenalina misturada com a preocupação, me deixava alerta para qualquer sinal de minha inconsolável Renesmee. A chuva já estava cessando, porém minha angustia, não. Nessie havia pisado fundo no acelerador, em meio àquela chuva estrondosa. As probabilidade de ela sofrer um acidente eram enormes.

Mesmo com o farol ligado no máximo, estava difícil observar a estrada. As gotas de chuva haviam formado uma camada de agua sobre o vidro o carro, que mesmo com os para brisas ligados, a dificuldade em dirigir cautelosamente, ainda era grande.

Seria mais fácil eu me transformar, e sair correndo, acompanhando a estrada, em meio a floresta. Mas com a velocidade que minha pequena dirigiu quando saiu de casa, seria difícil alcança-la somente com meras patas. Sem falar, que eu tenho certeza que quando eu a encontrar, a única coisa que Nessie vai querer, é receber um abraço.

Em momentos como esse, não precisamos de palavras de consolo. Afinal, as pessoas mentem. Eu não vou mentir pra Nessie. Se fosse outro cara, iria abraça-la e dizer que sabe como ela está se sentindo. Mas não sabe. E eu não vou fazer isso com minha pequena. Vou simplesmente abraça-la. Eu não sei como ela está se sentindo especificamente, porque nunca passei por uma situação parecida, que envolvesse um pai chantagista. Mas sei que se fosse eu no lugar dela, obviamente não estaria nos meus melhores momentos.

Freei abruptamente ao ver a luz de uns faróis, no canto da direito da estrada. Parei o carro próximo do local, e desliguei o motor. Coloquei a chave no bolso, e logo que abri a porta, percebi ser o carrinho preto de Nessie. A chuva já tinha diminuído, e por isso consegui enxergar melhor. A porta estava aberta.

Rapidamente, me aproximei, e vi que a chave ainda estava na ignição. Apurei meus sentidos de lobo, e percebi que Nessie tinha seguido pela floresta densa. Seu perfume de rosas tinha se espalhado inteiramente pela entrada entre as grandes arvores e pinheiros. Fechei a porta do carro dela, e saí correndo, querendo confortar meu amor. Me doía no peito só de imaginar minha pequena num lugar por aí, chorando inconsolável.

Peguei meu celular, e digitei o número da casa dos Cullen. Carlisle atendeu no primeiro toque.

– Achei o carro da Nessie. – Informei enquanto corria na maior velocidade que eu conseguiria alcançar, desviando de alguns arbustos que bloqueavam minha visão, da trilha a minha frente. Agradeci mentalmente aos meus genes de lobo.

Como assim o carro da Nessie? – Carlisle perguntou receoso, e percebi que ele tinha o mesmo medo, que eu tive a pouco tempo. Medo de nossa princesa ter sofrido um acidente em meio a chuva, que no momento, ia parando aos poucos.

– Calma... – Desviei de um galho, e percebi que a chuva tinha cessado. – Está tudo bem... Quero dizer, o carro está intacto... Não tem sinal de qualquer acidente...

Onde está minha neta? – Ele perguntou firme, e com receio. Ouvi murmúrios do outro lado da linha.

– Eu não sei. O cheiro dela tá numa parte da floresta. Eu estou correndo até lá.... Tô seguindo o cheiro dela... Mas estou achando esse caminho meio perigoso. – Comentei mais pra mim mesmo, do que pra ele.

– Como assim? – Bella pegou o telefone de Carlisle.

– O caminho está indo na direção do... Do penhasco de La Push. – Revelei, e ouvi um silencio se instaurar no outro lado da linha. O único barulho era minha respiração irregular, e meus passos sobre a terra molhada da floresta. Meu coração batia cada vez mais rápido, conforme eu me aproximava. – Olha... Eu sinto que a Nessie está bem, ok? Na medida do possível... Digo.... Eu sinto, que ela não está ferida. — Fisicamente. Pensei. -Mas só liguei pra avisar que eu tô chegando perto, e é pra alguém vir buscar o carro dela aqui... A chave já está lá... É só seguir a estrada, e você vê o carro dela ali parado.

Jacob, pelo amor de Deus, me diz que Renesmee está bem. – Bella disse desesperada. Pude imaginar ela com a mão sobre o peito, enquanto Carlisle tentava acalma-la.

– Na medida do possível... Ela está bem, Bella. – Afirmei sincero, logo que vi minha pequena na ponta do penhasco, ajoelhada, e chorando. Mil facas atravessaram meu coração, ao ver, ao sentir cada lágrima escorrendo pelo rosto de porcelana de minha pequena.

Desliguei o celular, e fui correndo cauteloso até meu amor.

– Nessie. – Sussurrei para não assusta-la, e apoiei minha mão em seu ombros. Ela se virou rapidamente, e fitei seus olhos vermelhos de tanto chorar. – Meu amor.

– Jake! – Minha pequena exclamou, e se jogou nos meus braços, caindo em mais lágrimas. Eu sabia que isso aconteceria. Sabe quando você segura tanto as lagrimas, e quando alguém chega pra te acalmar, você por fim desaba? Pois é.

Puxei ela pra longe da ponta do penhasco, me livrando do medo de meu amor cair, e me sentei naquela pedra gelada. A puxei para meu colo, com todo o carinho do mundo. Nessie se encolheu, chorando, enquanto eu a abraçava, e me afundava em seus cabelos molhados. Minha pequena tremia com frio, e percebi por seus olhos, que toda aquela raiva foi substituída por tristeza. A apertei mais forte, querendo transferir toda aquela dor pra mim. Mas eu sabia que seria impossível.

– Calma, meu amor. – Sussurrei em seu ouvido, enquanto sua tremedeira diminuía, conforme eu a esquentava com o calor de meu corpo. – Eu estou aqui por você.... Sempre estarei aqui com você. – Declarei, enquanto Nessie se encolhia em meu colo, com suas mãozinhas tremulas e molhadas, agarrando, em punhos, minha camisa.

Ouvi um barulho na floresta, e vi Embry em forma de lobo, no meio das arvores, me olhando interrogativo. Ele provavelmente deve ter sentido o cheiro de Nessie, e estranhado. Afinal, ele sabe que ela nunca mais saiu de casa à noite por ordem dos pais, desde que aquela hibrida desconhecida me atacou, e me deixou, em coma. Fiz um sinal pra ele se afastar, e disse que estava tudo bem. Quero dizer, bem na medida do possível. Embry assentiu, e saiu para o seu horário de ronda.

Senti a mãozinha delicada de minha pequena em meu rosto, e a encarei. Fiz um carinho em sua bochecha, enquanto ela descia sua mão pra minha nuca, e sustentava meu olhar com o dela. Seus olhos chocolates eram tão tristes, tão sofridos... Meu coração se quebrava só por vê-la daquele jeito.

– Jake, me desculpa... Me desculpa por não ter deixado você me contar a verdade, me desculpa por meu pai ter armado isso contra você, me desculpa por pensar que você realmente não queria filhos, me desculpa por...

– Ei, ei, ei... – A interrompi limpando uma de suas lagrimas, passando meus dedos por aquela pele macia. – Você não sabia.... Eu te amo, e.... Você não tem culpa de nada, meu amor. – Declarei tirando uma mecha de seus cabelos molhados da frente de seus olhos.

– Eu também te amo, Jake.... Mas eu não.... Não acredito no que meu pai fez... Como ele pode? – Ela perguntou com os olhos marejados. – Ai, Jake! – Nessie começou a chorar mais, e se enterrou em meu peito. Me senti incapacitado, e sem ação. O máximo que consegui fazer naquele momento foi abraçar minha esposa, com todo o amor e carinho do mundo, prometendo a ela que sempre estaria do seu lado, para o que der e vier.