Notas iniciais
A história toda será narrada em terceira pessoa. Pelo menos é o que eu planejo. Tudo muda, o mundo gira num segundo rs'

- IDIOTA! — berrou a loira, fechando com força a porta do seu quarto. A mãe de Sam, Pam, levou um susto. Não que Sam não gritasse muito, já que mãe e filha brigavam constantemente, mas dessa vez Pam não tinha feito nada. Pelo menos ela achava que não tinha feito nada. Ela não se lembrava. Misturar aqueles antidepressivos com vodca a deixava meio esquecido.

- Sam? O que aconteceu? — perguntou a mãe, do corredor.

- Nada, mãe, me deixa — disse Sam, com a voz abafada. Pam não era a melhor e mais atenta mãe do mundo, mas percebeu que Sam parecia estar com a cabeça enterreda no travesseiro e começava a chorar.

- Sam, querida, a mamãe não fez nada de errado dessa vez, fez?

O som de uma pessoa rindo e chorando ao mesmo tempo é algo bem estranho. Pam ouviu Sam fazendo esse som logo após sua pergunta.

- Relaxa, mãe. Você está limpa.

- O que foi então?

- Deixa pra lá.

- Alguma briga no colégio?

- Mãe... — Sam já estava impaciente. Oras, justamente quando sua mãe resolvia procurar saber sobre ela era na hora que Sam menos queria conversar.

- Com aquela menina Carly ou com aquele garoto pateta? Ou então com o gordinho? — indagou Pam. Mas uma vez a mãe ouviu o som da sua filha chorando e rindo ao mesmo tempo.

- Mãe, deixa pra lá...

- Tá ok, Sam. Se você quiser conversar, pode falar comigo.

Sam ouviu o som da sua mãe se afastando pelo corredor e se deitando no quarto. Ultimamente, ela vinha passando muito tempo deitada.

A garota até ficava feliz por sua mãe mostrar alguma preocupação por ela, mas não era consolo o suficiente. Afinal, naquele dia, ela tinha feito papel de otária em frente dos amigos. Na frente dela. Sua vida estava arruinada.

Mas também, porque ela foi tão estúpida? Ela sabia que as chances de seu amor ser mútuo eram mínimas. Olhe para Sam: mal educada, comilona, grossa e — segundo alguns — assustadora. Mas ainda assim, ela teve que falar as três malditas palavras. A voz de Sam simplesmente saiu, quase involuntariamente, e se declarou.

- A verdade é que... — após uma breve pausa, completou: — Eu te amo.

E a reação da pessoa amada ao ouvir essa declaração pode ser traumatizadora. Ela pode rir, pode falar que são 'apenas amigos'... A pessoa amada pode te destruir com o mais mínimo detalhe de sua reação. Mas quando ela vira de costas e age como se não tivesse acontecido nada, é como se um punho fechasse em seu coração. E foi isso que a Carly fez.

Notas finais
Gostaram?