Uma Guerreira, Uma Dúvida
26 Uma noite, dois acontecimentos
Notas iniciais
Não deixarei uma carta, talvez mande um e-mail, uma mensagem mas no dia de amanhã não pretendo pensar.
Minha decisão ninguém pode mudar, saiba e reflita que o que eu passo hoje pouca gente já teve a mesma experiência. Meu coração está dividido mas sei que o certo é ajudar Jason afinal tenho de admitir que amar irei várias vezes. Mas se estivesse no meu lugar concordaria comigo, me entenderia.
P.O.V Leo
Reyna abrira a porta e agora eu podia ver seus belos olhos negros a lacrimejar, seriamente inchados. Aquela expressão dela me deixava cabisbaixo, isso me torturava.
– O que queres? Não está feliz? Pois devia – Reyna dizia ainda na parte dentro do quarto, com uma roupa estilo pijama
– Quero saber o motivo de estar a chorar e eu não fico feliz com a infelicidade dos outros, eu não lhe procuraria se não estivesse preocupado com sua devida reação – digo abrindo mais a porta que só mostrava uma parte de Reyna, seus olhos.
– Entra – diz Reyna abrindo agora, totalmente a porta
– Você vai começar por onde? – pergunto
– Pelo meu pai – diz ela se sentando na sua cama improvisada, agora que pude perceber, Reyna era de certa forma, musculosa na parte dos braços e suas coxas que agora estavam a mostra eram definidas. Ela parecia realmente se esforçar em algo – ele é o motorista do ônibus, ele na verdade, não é só o motorista, também é um dos deuses menores e foi punido para 100 anos de motorista dos heróis do Acampamento, como o Sr.D ele um dia já fez coisas que não devia... Meu avô era a pessoa na qual eu mais contava, minha mãe eu nunca pude conhecer e e meu avô materno nunca me abandonou, eu morava na casa dele. Meu pai me visitara e como na época era proibido deuses terem contato com seus filhos meio-sangues ele iria ser punido com o enfraquecimento que o torna quase morto. Meu avô não concordou com isso e mesmo não devendo seu último dia de vida declarou que se fosse para matar alguém que deveria ser ele
– Nossa – digo
– Deixe-me continuar – fala Reyna secando uma lágrima – Ele disse que eu precisava de um pai e que não devia de me faltar nada, ele disse que acreditava numa bondade que existia em mim que poucos viam. Suas últimas palavras foram: “Reyna, você é o meu maior presente, faça um dia, aquilo que achas que é melhor por alguém que se importa. Certas gentilezas não são em vão e salvam vidas”
Refleti sobre a mensagem do avô de Reyna e não pude chegar à conclusão alguma
– Sei que pensas que essa bondade que ele descreveu não existe, não precisa evitar falar a verdade – diz ela abaixando sua cabeça, a olhar pro chão
– Você tinha razão, eu tenho esse defeito, julgo mal as pessoas de uma forma muito ridícula. Você não tem motivos para ser esnobe mas tem razão em se fechar do mundo, evitas a dor.
– Eu fujo dela, eu faço exatamente o oposto do que meu avô me aconselhou a fazer – nesse momento sento-me na mesma cama em que Reyna sentara
– Olhe, conheço pessoas que no seu lugar nunca teriam coragem de seguir em frente, às vezes percebemos que a vida não é justa de forma alguma. Temos de lidar com isso.
– Porque está sendo gentil comigo? Eu não mereço tal conforto – diz ela
– Marrentinha, ainda te odeio, só que ver as pessoas tristes me faz mal – digo
– Então está sendo falso comigo? – pergunta Reyna
– Não exatamente, estou sendo gentil, como se você fosse minha amiga – digo
– Engraçadinho, cai fora! – diz ela me empurrando pra fora do quarto dela, ela não parecia brava, parecia que estava a zoar
– Tô indo! Te acalma! Tanto amor... – falo zoando dos gestos de Reyna
– O que estava fazendo no quarto de Reyna, Sr. Valdez? – pergunta Quíron me reprimindo com um olhar
P.O.V Nico
Estava a entardecer e percebia que o meu tempo com Thalia já era, agora com o toque de recolher vamos cada um pra sua chalé e só verei ela amanhã
– Então... Tá ficando tarde e – sou interrompido
– Não estou nem ligando pro toque de recolher, Nico, fique mais um pouco – diz Thalia, estávamos na parte mais alta da colina. Perto da chalé de Hades, a minha.
– Mas Thalia, iremos ser castigados se nos virem depois do toque de recolher – digo meio que confuso com a atitude de Thalia
– Tagarela, você é mais importante pra mim do que o acampamento. Não ligo se eles não querem que fiquemos até tarde fora das chalés, quero estar ao seu lado, esta noite – ela diz e eu coro
– Co-comigo? Mas... – digo confuso
– Com você – Thalia segura uma de minhas mãos, fomos até minha chalé que sem mudanças estava vazia.
Thalia me beijara como se fosse a última vez que me veria, o beijo era urgente e intenso. Logo eu entendi o recado.
– Thalia você tem certeza que é isso que você quer? – digo
– Tagarela, esqueça o resto do mundo, não faço nada por influência – diz ela com aquela sua forma de falar meio revolucionária que eu amava
– Eu te amo – digo beijando-a
Os poucos móveis da chalé foram ao chão, Thalia e eu estávamos em sintonia, não queria de forma alguma estragar aquele momento. Sempre pensei como poderia ser a nossa primeira vez mas idealizar é diferente de realizar. Thalia não hesitou, parecia estar decidida. A cama era de solteiro mas não ligávamos pra isso, do jeito que passávamos os minutos mais inesquecíveis de nossas vidas sobraria espaço o suficiente para dormirmos ali. Logo, minha camisa estava sendo retirada por Thalia, a urgência agora já não existia, não estávamos nervosos.
Com uma certa audácia me pus a fazer o mesmo que Thalia, que não se importou. Roupas pelo chão, móveis e objetos também... Levei Thalia para cima da cômoda, minhas mãos em sua cintura estavam tremulas, Thalia chegava cada vez mais perto de mim e eu a segura mais forte contra meu peitoral, como se ela fosse fugir dali. Sentimos falta do oxigênio mas não por isso hesitamos. A hora tão esperada estava chegando e nem ligávamos se agora estávamos no chão frio da Chalé, estávamos juntos e era isso o que realmente nos importava, o momento pedia mais de nós, Thalia mais perto de mim, eu mais louco por ela. Eu poderia ter pensado nessa noite como algo normal ou como mais uma noite mas, não.
Penso nessa noite como a noite em que descobri que não vivo sem minha irritadinha revolucionária.
No final da noite, quando nos pusemos à dormir, — agora na cama — sussurro em seu delicado ouvido:
– Nunca se esqueça que eu te amo
Uma lágrima dos olhos de Thalia veio a toma, não entendi o porque mas não pensei em me preocupar com isso, eu já era o semideus mais feliz do mundo.
P.O.V Reyna
Leo foi visto em meu quarto, isso era proibido no Acampamento, ele estava muito encrencado.
– Quíron! Eu... – Leo tentou falar mas sua voz vacilou
– Ele estava me consolando – digo – Eu fiquei triste com a ideia de ter que passar 3 meses no Acampamento e eu pedi que entrasse, não lembrava da tal regra de uma garota e um garoto de pais olimpianos diferentes não podem ficar em um quarto juntos
– Pois bem, como são novatos irei liberar dessa vez mas da próxima terão de trabalhar com as Harpias da limpeza! – diz Quíron que se retira
– Obrigada, Marrentinha
– Leo, você ainda tá me devendo essa! – digo, com um sorriso que ele havia arrancado de mim
– Sorrindo, é?! – fala ele
– Hum, enganar Quíron não é nada entediante – digo e logo me pus a rir, Leo acompanha logo após
– Boa noite, Marrentinha
– Boa noite, idiota – digo
– Sonha comigo
– Se eu sonhar com você deixa de ser um sonho e vira pesadelo – digo
– Que seja! – diz ele se retirando, meu coração ficara apertado ao vê-lo partir
Não sou das mais confusas mas Leo causara esse efeito em mim.
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