Uma Guerreira, Uma Dúvida
28 Confiança
Notas iniciais
“Talvez só mais uma vez, redesenhar em minha mente a verdadeira Thalia Grace que agora partira, mas que um dia irá voltar.”
E foi assim, de cabeça erguida, que segui meu dia.
P.O.V Reyna
Amanhece e a primeira coisa que ouço são batidas na porta. Vou de encontro com o possível louco que às 6 da manhã já chega batendo na porta dos outros:
– O que... Ah claro! Leo! – digo nada contente, fingindo..
– Olha só, marrentinha! Tenho algo sério pra lhe contar, venha! – diz Leo me puxando pelo braço
– Quando acabarás de me puxar assim? – pergunto
– Quando saístes daqui do Acampamento – diz ele sem virar seu rosto pra trás
– Affz! – digo acompanhando-o
Leo me levara para a Colina do Acampamento e se estiveres a se perguntar se eu percorri o Acampamento de pijama lhe respondo: Não, eu não durmo mal vestida.
Ele estava com uma reação preocupada, confusa.
– Leo? O que houve? – perguntei à ele
– Hã... Olha, eu sei que te odeio mas você mesmo sendo a pessoa mais chata que conheço é aqui, no Acampamento, a que mais confio. – diz ele nervoso
– Eu...? Fale logo! – digo
– Bom, Sabe Hera? Então... Ela quer que eu volte para o Caribe, onde estarei exposto e posso ser morto. Para isso ela está criando armadilhas para eu finalmente sair do Acampamento. Não sei o que fazer – diz ele totalmente confuso, cabelo bagunçado – aqueles lindos cachos cor de avelã – e roupa de dormir
– REYNA? – grita ele
– O que foi? – pergunto meio desligada
– Você estava meio... “Fora do ar” e aposto que não ouviu nada que eu disse – disse ele
– Tá, e o que queres que faça? No que posso ajudar? – pergunto
– Oi? Reyna se impondo pra ajudar? – pergunta ele
– Ué, tudo haver! – me pus a rir e Leo me acompanhou logo após
– Eu... Não sei! A primeira das armadilhas fora hoje, a noite. Ela tomara forma de uma garota, de sua idade. E seu objetivo era me hipnotizar para que eu me matasse, com uma adaga. – dissera ele preocupado
– Nossa... Eu não tenho nada a dizer. Me desculpe – falo isso e logo percebo estar preocupada com Leo, o que me era estranho.
– WOW! Você mudou mesmo! – diz ele sorrindo
– Mudei não! E então, alguma ideia?! Pergunto mudando de assunto
– Bom... Acredito que preciso de um herói comigo para eu não cair em uma dessas armadilhas. Quer se voluntariar? – pergunta ele
– Ok, isso inclui o que? – pergunto
– Bom, almoço, tarde e janta juntos. Eu não desejaria mas é preciso, não malicie – diz ele
– Ah... Tudo bem – digo sincera
Leo agradecera logo depois e percebo que a atitude que eu tive com ele foi uma das mais gentis que já tive com um campista. A mais gentil.
Leo confiara em mim, assim como meu avô. Eu tive de aceitar a proposta, mas as armadilhas eram à noite também. Será que Leo pensara nisso?
P.O.V Leo
Como eu sou um idiota! Ela deve estar pensando que eu dei em cima dela... E quando disse que Hera havia tomado outra forma, era a de Reyna. De algum jeito aquela deusa demoníaca havia sacado a LEVE atração que tenho pela marrentinha mas que logo passará.
Eu não acredito que quase caí na tal armadilha da adaga, foi tão estúpida quanto a primeira, de verdade.
Agora, isso foi tão perigoso que me senti quase no Mundo Inferior.
Preciso arranjar um jeito de sair bem desses empecilhos.
O verdadeiro motivo de Hera me fazer sair do Acampamento é porque assim como meu pai ela não me considera bonito e talentoso o suficiente para ser um herói. Seu objetivo é me aniquilar, de uma vez.
Sinto-me mais forte ao lado de Reyna, na luta, claro. Parece que ela me entendeu tanto e correspondeu ao pedido sincero com tanta franqueza que quase estranhei ao lembrar que veio de Reyna. Ela me parecia doce mas não gentil. Sei do passado dela e deveria dar um desconto mas não acredito que uma pessoa de característica tão bruta e egoísta possa virar gentil e compreensível. Esse era uma nova Reyna, uma na qual queria conhecer melhor... Eu acho
– É mesmo preciso isso? – pergunto à Reyna, enquanto ela me cobre numa barraca que havia armado
– Aonde aprendeu a armar barracas? Seu avô? – pergunto
– Não, meu pai mesmo. Sabe, ele não é o melhor pai do mundo, mas sabe ser gentil e fofo quando quer, é uma pessoa (deus) bom. – ela diz arrumando o estoque de comida que havíamos separado para a noite ali – Reyna dentro de outra barraca –
– Eu acredito. Só não tenho a mesma sorte... – digo cabisbaixo
– Pense positivamente, esqueça dos empecilhos! – diz ela com o mesmo adjetivo que me dera, positiva.
Desejei que essa Reyna nunca mudasse.
P.O.V Reyna
Nessa noite, minha missão estava sendo cumprida, a primeira parte.
Leo me pedira que dormisse numa barraca ao lado dele, ele estaria inconsciente, talvez sonâmbulo.
Eu estava preocupada e muito pilhada para descansar. Dormiria a observar a barraca de Leo.
– Vou a dormir, ok? – pergunta Leo
– Boa noite, engraçadinho – digo
– Estas triste? Quer me contar o porque? – diz ele
– Não eu só estou... Observando, refletindo – digo, mentindo
– Ah... Ok – ele diz meio corado e com expressão de insatisfação mas ainda assim gentil
Leo se posiciona para dormir e vejo da outra barraca. Eu realmente refletia mas a forma na qual disse um “boa noite” murcho era porque não tive coragem de dizer “não me abandone”. Confiava em Leo e essa minha confiança me intrigava, demais.
O que será que passara em minha mente enquanto o observava? Bom... Leo sempre foi um mistério, um dos meus favoritos. Por acaso, eu pensara em alguma forma em desvendar o enigma que ele pode ser denominado. Penso tristemente que talvez seja meu destino eu não decifrar e que esses momentos em que me permiti sorrir e confiar – coisas humanas que geralmente não fazia – possam ser um sinal de me avô, uma hora iria acontecer. Uma hora eu daria de encontro com um mistério, alguém mais problemático que eu e muito mais carente. Alguém que realmente precise do conforto, mas que não recebe.
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