Uma Guerreira, Uma Dúvida
29 A vida longe do Acampamento
Notas iniciais
“Uma hora eu daria de encontro com um mistério, alguém mais problemático que eu e muito mais carente. Alguém que realmente precise do conforto, mas que não recebe.”
Logo após, dormi.
P.O.V Thalia
Após ter deixado Nico no acampamento percebi que, eu teria de colocar em mente alguns objetivos. A coisa mais difícil eu já fizera, não posso estar fisicamente presente com Jason e tão distante em meus pensamentos. Los Angeles não é de tanto mal, aqui tem uma faculdade na qual pretendo cursar. Jason está em estado estável, isso me alivia em noites escuras nas quais me lembro o que deixei no Acampamento. Além de Nico, deixei uma família.
De todas as vezes que passei fome, sede, frio, calor nas ruas lembro-me do conforto que eu tivera no Acampamento. A solidariedade e compreensão de Quíron, o jeito gentil de Annie comigo, a simpatia e lerdeza sociável de Percy... Todos esses que me ajudaram nos dias mais felizes da minha vida serão inesquecíveis para mim. Não posso esquecê-los.
Quando penso em todos esses momentos, em todas essas pessoas sei que, devo ser feliz aqui nessa cidade. Me lamentar não é uma opção, mesmo que seja tentadora.
Boto em minha mente seguir em frente, talvez assim Jason se recupere mais rápido e eu possa fazer o que mais quero, voltar ao Acampamento. Até lá tenho que me inscrever na faculdade, me estruturar aqui, arranjar onde morar permanentemente.
Descobri algo sobre mim mesma, eu escrevo. Nas noites que acompanhei o caso de Jason no hospital fiquei apegada à um caderninho que comprei num camelô. O caderno foi barato, mas o valor que ele tem pra mim vai além de um preço.
Sabe o que eu mais gosto aqui em Los Angeles? Os ônibus! São acessíveis e consigo ver tudo aqui, são perfeitos. Sabe, conheci pessoas aqui também, Jude, minha colega de quarto numa república onde consegui negociar um quarto. Normalmente aqui só se hospedam universitários, mas consegui fazer um trato com o dono, eu trabalharia aqui como faxineira temporária e eu teria um quarto sem despesa alguma.
Conheci Ed também, um universitário que estuda direito, embora eu ache esse curso banal ele é um cara legal e tem opinião, isso me é agradável.
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P.O.V Reyna
Acordei com a face morena de Leo como minha primeira visão, logo me assusto.
– O que fazes aqui em minha barraca? – pergunto, ainda assustada
– Achei que gostaria de se acordar cedo para novas... – diz ele nem sério, nem saltitante
– Novas? Que tipo de linguagem informal é essa? – pergunto confusa
– Menina, você precisa aprender algumas coisas com o papai aqui – fala ele com seu ar de convencimento
– Papai? Você dorme com 6 bichos de pelúcia, chupa o dedo enquanto dorme e ainda fica falando “já tô indo mamma” – falo rindo
– Isso é... Não conte pra ninguém – fala ele e assim me ponho a rir
– Claro, não direi Leosinho da mamma – digo ainda me rindo
– Olha só engraçadinha, depois que eu perdi minha mãe fora uma senhora louca de uma das escolas que fui expulso que me abrigara, não tente rir do meu passado – fala ele incrivelmente sério
– Ah... Me desculpa – digo cabisbaixa
– Peguei você! Muahahahaha – diz ele a se rir
– Ah, cala a boca menino, fale logo o que tens à dizer porque eu tô com sono e não quero esperar muito mais – digo jogando-lhe uma almofada
– Tudo bem, nesta noite eu tive um sonho muito esquisito, já estou acostumado com sonhos nos quais Hera os domina mas esse fora diferente, vi seu avô – diz ele
– Meu... Meu avô? – digo temendo algo que estaria por vir
– Sim, ele me disse que você tem uma missão, me disse que você sabe qual é mas que esconde para si mesma. Eu não entendi, você pode me explicar – logo que ele fala, algumas palavras de meu avô me vem em mente e desmaio
As últimas coisas que ouço antes de inconsciente ficar foram: “Reyna? O que houve? REYNA?!” e então eu apaguei.
Ainda inconsciente lembrei de algumas palavras de meu avô, isso me atormentara a vida toda. Meu avô uma vez me dissera, antes de morrer, que confiava em meu astral, confiava em meus atos.
Acho que senti certa pressão, eu era uma boa pessoa. Depois que ele morrera eu fiquei fria, amarga e mal humorada. Acho que sempre esperei um pouco mais de meu pai, ele nunca tivera tempo pra mim, como um Deus castigado ele sempre foi um pai distante. Eu acho que de todos os agradáveis dias que passara com meu avô percebi que, eu necessitava da presença de meu pai também. Missão... Uma palavra que temi por anos, sendo direta percebi há pouco tempo quem eu tinha de proteger, quem necessitava mais do que de atenção.
– Reyna? Você está bem?! – Leo me pergunta
– Leo, eu tenho que te contar algo...
P.O.V Thalia
– A inscrição é 340 dólares – diz a recepcionista da universidade
– Mas tudo isso? – pergunto incrédula
– Bom, você pode fazer um prova de 75 questões em 25 minutos, é a única chance de você garantir uma vaga aqui sem pagar, mas mesmo assim a mensalidade seria alta se não tirar mais de 70. – diz a moça
– Vou tentar! – digo confiante
– Ok, espere na fila para a inscrição para a prova – diz a moça apontando para uma enorme fila
– ok... – falo desanimada
Espero na fila por 65 minutos, até ser atendida e poder completar a ficha de inscrição que exigia muita informação que nem eu lembrava mais que existia e que eu tinha.
Enfim consegui, logo fui para o hospital no qual Jason se internara pelo seu estado grave de hipertensão.
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