Uma Grande Mudança
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Missa estava dormindo em um sono profundo e sereno. Até que a claridade que adentrava pela janela do quarto onde estava começou a incomodá-la. A menina foi abrindo os olhos castanhos vagarosamente até os abrir totalmente.
"Onde estou? Ah! Que horas são? Mai-san vai se atrasar para a reunião com o Naru-san." pensou a garotinha.
Ela olhou para o despertador que ficava em cima do criado-mudo e viu que já eram 08h20. A menina se levantou da cama e caminhou cambaleante até o quarto de Mai, que se encontrava aberto. Missa deixou um sorriso doce escapar.
"Ela confia em mim de tal maneira que nem teve medo de deixar a porta aberta."
A pequena chegou perto da cama de Mai e se sentou na beirada ficando ao lado dela.
– Mai-san, temos que nos preparar para ver o Naru-san. Mai-san! — Missa disse em um tom de voz não muito alto e gentil.
–Ne, Mai-san. Arigatou — Ela disse, agora em um tom mais baixo e doce.
–Mai-san! — Falou em um tom alto fazendo Mai abrir os olhos.
– Eh...? O que foi Missa-chan? — Mai pergunta sem saber o que estava acontecendo.
– Já são oito e vinte e cinco. Se não nos prepararmos agora vamos acabar nos atrasando. — A menina falou ainda sentada na cama de Mai.
– Caramba! Tinha me esquecido de programar o despertador. Já pensou se você não tivesse me acordado? Eu estaria frita! Obrigada Missa-chan. — Falou Mai sorrindo. — Está com fome? Você dormiu rápido ontem a noite e não comeu nada.
Mai nem deixou a garota responder e saiu "arrastando" ela para cozinha.
– Espere aqui que eu vou separar pra você uma escova de dente que eu tenho sobrando e algumas roupas que acho que vão lhe servir. — Mai disse saindo da cozinha.
Mai foi até o banheiro de seu quarto e pegou uma escova de dente que não havia sido usada, ainda lacrada na embalagem; indo em seguida ao seu guarda-roupa e pegando alguns itens. Depois Mai foi até o quarto da Missa e deixou as peças de roupa sobre a cama. Depois se dirigiu ao banheiro do quarto, e colocou a escova de dente em cima da pia.
– Missa-chan, já arrumei algumas coisas pra você. Tem uma toalha no seu banheiro para você poder tomar banho. O chuveiro já está quentinho, só não demore porque nós estamos meio atrasadas. Eu também tomarei banho e depois faço algo para o café.
– Hum! ... Mai-san — Mai interrompeu a pequena dizendo:
– Missa-chan, não precisa me chamar assim. Pode me chamar de "nee-san" — Ela disse com um sorriso para Missa.
– Nee-san. Arigatou — Missa disse dando um sorriso angelical.
– Não precisa me agradecer. Quando você precisar conversar com alguém saiba que eu estou aqui, pode contar comigo,o.k? — Mai falou bagunçando gentilmente os cabelos negros e longos de Missa.
Missa respondeu abraçando Mai, um abraço apertado mas gentil e cheio de afeto que foi retribuído da mesma forma.
Missa se dirigiu ao banheiro de seu quarto e Mai fez o mesmo. As duas fizeram sua higiene diária e quando terminaram foram para cozinha.
Mai percebeu que os longos cabelos de Missa estavam bem molhados.
– Missa-chan, seus cabelos estão muito molhados. Se você ficar assim vai pegar um resfriado. Eu vou buscar o secador.
– Não ligue pra isso. E além do mais, nós não temos tempo suficiente para secar meu cabelo.
– Então fique com a toalha no cabelo, pelo menos enquanto comemos. — Mai falou indo buscar a toalha.
Mai preparou um café simples. Basicamente pão, café, leite, manteiga e um bom pedaço de queijo.
As duas pegaram o ônibus e chegaram lá bem mais rápido do que pensavam. Elas entraram o escritório e perceberam que ninguém tinha chegado -com exceção de Lin e Naru.
– Ainda são oito e cinquenta e cinco. Chegamos um pouco cedo. — Mai diz se sentando em sua mesa.
Missa assentiu com a cabeça e foi até a janela aonde gostava de se sentar.
– Mai, quanto tempo. Como você está? — Ayako fala entrando no escritório.
–Ayako-san. Estou bem, e você? — Mai diz se levantando e abraçando a sacerdotisa.
– Estou bem, Mai. E onde está ela? — Ayako pergunta se referindo a Missa.
– Está alí. — Mai afirma apontando para menina.
– Olá! Prazer conhecê-la. — A pequena fala se levantando para cumprimentar Ayako.
Ayako permanece calada e boquiaberta.
– Kyyyaaaa!!!! Mai, você não disse que ela era tão kawaaaii!! — Ayako fala apertando e abraçando a menina.
– Ayako-san, assim você vai sufocar a menina. — Mai fala com uma gota na cabeça.
– Desculpe. Também é um prazer enorme te conhecer, Missa-chan. — Ayako fala sorrindo.
– Ayako-san — Missa é cortada pela sacerdotisa.
– Só Ayako já basta. Nada de formalidades. — Ela fala acariciando os longos cabelos de Missa agora presos em um rabo de cavalo alto.
– Ayako, você gosta de árvores? — A menina pergunta curiosa.
– C-como você sabe que eu... — Ayako gagueja com os olhos arregalados.
–Me desculpe, eu não... De verdade eu sinto muito. — Missa se enrola nas palavra, balançando as mãos negativamente na frente do corpo.
– Eu não fiquei chateada, só surpresa. Não se preocupe mas como você sabe? — Ayako pergunta bastante curiosa.
– Eu não sei explicar muito bem como eu sei. — A menina fala desviando o olhar.
– Não se preocupe Missa-chan. Pode falar. — Mai fala para acalmar a menina que estava um pouco nervosa.
– É que eu consigo... digamos, sentir a aura das pessoas. E a sua me lembra muito a das árvores. — Missa fala olhando para Ayako.
– Mai, essa criança... o que ela é? — Ayako pergunta para Mai parecendo estar um tando curiosa.
– O Naru disse que ela é uma médium, mas ele não sabe se ela tem a mesma capacidade da Masako.
– Entendo. Parece que vamos nos dar bem Missa-chan! — Ayako fala dando um sorriso meigo para Missa, que o retribui.
John e Masako entram no escritório. Ayako olha para eles com um olhar malicioso.
– Ahh! Vejo que os dois se resolveram né? — Ayako os provoca.
– N-não é nada disso! É que eu a encontrei na portaria do prédio e nós subimos juntos, só isso. — John fala corado.
– Ayako-san, por que você não conversa um pouco mais com as árvores? Talvez te ajude. — Masako fala tampando o sorriso com a ponta do quimono.
–Sua... — Ayako foi cortada por Mai.
– Ei! Nós temos visita. Será que vocês duas não conseguem parar de brigar só um pouquinho?
– Ah sim, onde está a Missa? — Masako pergunta.
– Olá! Prazer em conhecê-los. — Missa fala sorrindo simpaticamente.
" Acho que nunca disse tanto essa frase em um dia" pensa Missa.
– Olá, o prazer é meu. — John a cumprimentar retribuindo o sorriso.
– Olá, Mai me disse que você também é uma médium. Se precisar conversar sobre isso eu estou a sua disposição. — Masako fala gentilmente.
– Você também pode os ver? — Missa pergunta curiosa chegando mais perto de Masako. — Você sente medo?
– E algumas vezes sim, mas na maioria não. Eu já me acostumei. — Masako fala se abaixando para ficar na altura da menina. — Eu como você, sofri por causa disso, então eu sei o que está passando.
– É bom saber que alguém além de mim pode os ver. — Missa diz com um ar de alívio.
Takigawa entra no escritório escandalosamente e corre até Mai.
– Maaaai-chaaaan!!! Que saudades! A quanto tempo! — Ele grita a abraçando e a girando no ar.
– Ne... Bou-san... está me sufocando! — Mai geme entre a falta de ar.
– Desculpe. — Takigawa fala a soltando.
– Esse é o meu afilhado: Rin. — Takigawa fala apontando orgulhoso para o garoto atrás de si.
– Prazer. — O menino de olhos e cabelos nanquim fala acenando com uma das mãos para Mai.
– Oi, o prazer é meu. Quantos anos você tem, Rin? — Mai pergunta se apoiando nos joelhos para ficar na altura do menino.
– 15 anos. — Ele responde colocando uma das mãos no bolso da calça.
– Ah! Você tem quase a mesma idade da Missa-chan. — Mai fala animada.
– Missa? — Rin pergunta confuso.
– Sim. Venha aqui, eu vou apresentá-a a você . — Mai fala levando o garoto até aonde Missa conversava com Masako e Ayako (perto da janela).
– Missa-chan esse é o...- Mai foi cortada pelos dois.
– VOCÊ?? — Os dois gritam em uníssono apontando um para o outro.
– Vocês já se conhecem? — Takigawa pergunta sem entender e arqueando uma sobrancelha.
– Sim! Ele é... — A menina faz uma pausa procurando a palavra. — coisado. — Missa fala fazendo biquinho e serrando os olhos para ele.
– "Coisado"? — Rin fala franzindo o senho. Não sabia se ficava confuso ou ofendido.
– É! Não tem uma palavra que defina a sua pessoa. — Missa fala mostrando a língua pra ele.
– Ei! Vocês dois se acalmem e contem um de cada vez o porquê de vocês não se entenderem.
– Eu primeiro! — Missa fala chegando perto da mesa de Mai.
Todos se sentaram nos sofás da sala e esperaram a explicação, inclusive Rin.
– Na semana passada eu estava passeando pela rua distraída e nem percebi a presença de dois garotos que se aproximavam. Eu acabei me chocando com um deles e cai no chão. Quando eu olhei pra cima para ver em quem tinha esbarrado me deparei com um garoto uns 15 cm mais alto que eu com cabelos castanhos e olhos mais claros e o outro garoto era Rin. Eu me levantei e percebi que o garoto era bem mais alto do que só 15 cm, eu batia nos ombros dele.
Eu desviei deles e comecei a andar quando o garoto alto que estava com Rin puxou minha mão e disse:
"Ei, Você não pode sair esbarrando nos outros e ir saindo sem nem ao menos pedir desculpas." — Missa fez uma imitação da voz do menino, o que tornou a história mais descontraída.
"Desculpe. Agora você pode me largar?" Eu falo indiferente.
"Você é bem corajosa falando assim com um garoto" O menino falou sorrindo (como um retardado, na minha opinião).
Eu apenas ergui uma sobrancelha e ri. Ele me puxou e eu acabei batendo em uma árvore.
"Ei, me solte! O que está fazendo? Eu já não pedi desculpas?" Eu disse tentando me soltar das mão dele.
"Mas você é muito abusada" O garoto fala.
Eu não sei muito bem mas, foi me subindo uma raiva tão grande que eu não aguentei. Fechei o punho e dei um belo de um soco no rosto dele o fazendo cair no chão.
"Ei! Como foi que você..." O garoto perguntou indignado do chão.
"Urusai! Não quer levar outro soco, né?" Eu falo e olho para Rin que estava parado com os olhos arregalados igual um palerma e...
– Olha como se refere a mim, garota! — Interfere Rin.
– Calado! Me deixe continuar.
"Você vai ficar parado ai olhando, Rin?" O garoto pergunta enquanto se levantando.
"É melhor deixar isso para lá. Afinal você é que esta errado" Rin finalmente diz algo para interceder.
"Você está de que lado? Do meu ou do dessa problemática?" O menino pergunta se aproximando de mim sorrindo (como um retardado novamente ¬.¬).
– Eu ia dar outro soco nele, mas aí o Rin me segurou enquanto o garoto retardado saía correndo feito um bebê. E foi isso que houve. Ele viu aquele palerma do amiguinho retardado quase me matando e nem sequer falou nada enquanto ele me imprensava na árvore. — Terminou Missa
– Rin, você ficou toda a briga só olhando? — Takigawa perguntou com uma careta implicante.
– É que eu não esperava que uma garota assim daria aquele soco no Reo. — Rin fala cruzando os braços.
– Ah! Então o nome daquele pivete é Reo. E o que você quis dizer com "uma garota assim" — Missa falou ressaltando a última palavra.
– Você é tão pequena, quem imaginaria que você tiraria sangue de um cara que é duas vezes maior que você? — Rin falou isso fazendo Takigawa rir e Missa serrar os dentes pra ele.
– É Missa, você foi bem corajosa. É das minhas. — Ayako fala sorrindo.
– E você concorda com a história da Missa-chan, Rin? — Mai pergunta olhando para ele que assentiu com a cabeça.
– É claro que ele concorda. — Missa fala com um ar sombrio e dando um risinho.
– Essa garota me da medo. — Rin diz fazendo careta de assustado. Todos riram da situação.
Mai se levanta e vai até a sala de Naru para saber se ele sabia que todos já tinham chagado.
– Naru?
– Mai, chá. — Naru ordena não tirando os olhos do livro que estava lendo.
– Hai. Todos já estão aqui, pode começar quando... — Mai foi cortada por Naru.
– Depois do chá eu começo a reunião.
– Hai, vou buscar. — Mai fala saindo da sala de Naru e indo para cozinha.
Em quanto isso na sala, Ayako tentava fazer Missa e Rin fazerem as pazes.
– Por que eu tenho que pedir desculpas pra ele? Eu não fiz nada! — Missa questiona Ayako.
– Pra vocês viverem em paz. — Ayako fala fazendo os dois ficarem um de frente para o outro.
– Vamos Rin, você primeiro. — Ayako fala dando um tapinha em suas costas.
–Desculpe. — Rin murmurou desviando o olhar.
– Desculpe pelo que? — Ayako disse na tentativa de fazer o garoto prosseguir com a resposta.
– Me desculpe por não ter te ajudado naquele dia... Missa. — Rin falou agora encarando nos olhos de Missa.
– Está desculpado. E me desculpe também. — Missa falou estendendo a mão para o menino. — Amigos? — E Rin retribuiu o gesto.
– Missa-chan, o chá acabou. Você se importa de ir na loja de conveniências aqui perto comprar mais pra mim? — Mai pergunta fazendo cara de pidona.
– Claro. — Missa respondeu sorrindo e indo na direção de Mai para pegar o dinheiro.
–Rin, vá fazer companhia a ela. — Takigawa falou baixo só para Rin escutar, dando um empurrão no garoto fazendo ele ficar atrás de Missa que já estava abrindo a porta.
Eles saíram do prédio e caminharam até o mercado que ficava umas três quadras do escritório. Eles conversaram sobre várias coisas, mas na maior parte do tempo discutiam.
Eles entraram no mercado e foram para seção onde os chás ficavam. Missa pegou duas embalagens e eles se dirigiram ao caixa.
Os dois estavam no corredor que dava acesso ao caixa quando Missa parou de repente, fazendo Rin — que estava atrás — esbarrar em suas costas.
– O que foi, garota? Não pare assim do nada! — Rin reclamou a rodeando para ver sua face, que estava boquiaberta com os olhos arregalados.
– O que foi, Missa? — Rin pergunta preocupado.
– Err.... é.. — Missa balbucia.
– É... Missa, o Bou-san comentou comigo que você é diferente. Mas se você estiver vendo alguma coisa... pode me falar, eu não vou fazer nada com você. Além do mais, eu também não sou normal. — Falou Rin tentando reconfortar a garota, que o olhou dentro dos olhos do garoto.
– Eu vou te falar, mas não fica com medo, o.k? — Missa falou o puxando para outro corredor.
– Certo. — Rin respondeu
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