Uma Garota Sombria

9 Talvez... As rosas enganem


Notas iniciais
Voltei!! E voltei com tudo!! Ta pequenininho, mas vem muito mais por aí! Desculpem pela demora.

Eu não tinha medo, mas por algum motivo algo me dizia que eu devia sair dali imediatamente. Talvez fosse ele, a figura misteriosa que me vigiava. Talvez o pouco de juízo que eu ainda tinha, estivesse me alertando. Ou talvez... Eu simplesmente não quisesse admitir um sentimento covarde dentro de mim.

Eu nem mesmo sabia para onde ir, eu estava perdida e confusa. Saí andando sem rumo. As árvores eram todas iguais, a floresta densa parecia não ter brechas, não ter fim. Era patético admitir, mas eu estava perdida. Olhei para trás, com receio de encontrar o misterioso homem, mas não o vi. Porém ao olhar para frente novamente, o seu corpo sombrio estava na minha frente. O estranho fez um movimento com os braços, como se pedisse que o acompanhasse. Ele se virou e caminhou sem olhar para trás.

Talvez ele quisesse me mostrar a saída, pois de alguma forma, soubesse que eu não poderia sair sem ajuda.

O segui com medo, mas algo me dizia que eu estava segura. Eu era frágil e indefesa e estava sozinha. aquele homem não me faria mal, pois se sua intenção fosse me atacar e me machucar de alguma forma, ele já o teria feito. Se eu tentasse outro rumo certamente me perderia. Não havia outro jeito, se não seguir um estranho, que talvez fosse apenas feio demais, com vergonha de sua voz rouca. Talvez um homem ferido, cheio de cicatrizes. Talvez um homem que perdeu sua voz, ou que nunca a teve. Talvez... Um bom homem.

Em pouco tempo, eu estava novamente no cemitério. E numa rápida distração, causada pelo alívio de finalmente estar num local familiar, o estranho se foi. Eu não pude ver seu rosto. Eu não pude agradecê-lo.

Caminhando de volta para casa, repensei os últimos acontecimentos e minhas decisões. O que eu realmente queria? Eu não sabia ao certo. Depois de ler tantos romances, talvez eu quisesse amar e ser amada, por um lindo homem que realizaria todos os meus desejos. Talvez esse homem fosse Marcony. Definitivamente eu não o amava loucamente, mas... O que é o amor? Eu amava minha tia, minha irmã, meu primo... Se eu me casasse com ele certamente o amaria. Talvez eu quisesse paixão e mistério... Felicidade. Veio em minha mente uma rosa branca, e tudo pareceu fazer sentido.

“- Não vai mesmo me contar o que uma rosa branca lhe recorda?”

Não podia ser coincidência. Talvez fosse um sinal. O homem misterioso... Talvez fosse Marcony! Talvez ele quisesse que eu descobrisse. Porque ele faria isso? Para me conquistar? Agora nada mais importava. Eu já havia decidido que me casaria com ele.

Cheguei a casa e a porta estava entreaberta. Reconheci as vozes de Charlotte e Marcony.

- Você fez tudo errado. Era para ter lhe dado uma única rosa.

- Por que isso importa?

- Você me pediu ajuda, eu estou tentando. Se me escutar, isso tudo será seu um dia. Vou me livrar dessas rosas vermelhas antes que ela chegue.

Eu abri a porta com lágrimas nos olhos. Lágrimas de raiva. Charlotte havia entrado na cozinha.

- Anne, que bom vê-la novamente. – Ele sorriu, mas logo percebeu que havia algo errado. – Você está bem?

- Não, eu não estou.

- O que aconteceu?

- Não trouxe flores hoje?

- Não, eu... Não tive tempo.

- Como pôde Marcony? Por que fez isso comigo?

- Eu não sabia que era tão importante.

- Anne! Você chegou! – Charlotte veio correndo me abraçar. — Já estava ficando com saudades. Preciso de mais conselhos, mas vejo que não terei muita atenção hoje.

Ela deu um risinho.

- Como consegue ser tão falsa? – Disse seca.

- Anne, do que esta falando?

- Eu confiava em você. Não sei como descobriu, mas... Vocês queriam me manipular. Isso era totalmente desnecessário.

- Pare com bobagens, eu nem sei do que está falando.

- Já se livrou das flores? As flores vermelhas que Marcony não teve tempo de comprar? Eu não sou uma marionete Charlotte. Vocês me traíram.

- Que história é essa? Você também esta chateada comigo? Eu posso saber pelo menos por quê? Cada vez que eu tento te entender eu só fico mais confuso.

- Então pare de tentar entender e me deixe em paz! Achou que eu era tão idiota? Pois eu fui. Vocês quase me enganaram, mas foi patético.

- Anne...

- E sabe o que é mais patético? Eu realmente pretendia me casar com você.

Subi para o meu quarto e Charlotte me acompanhou.

- Anne, você entendeu errado. Eu só queria te ajudar.

- Me expondo? Eu lhe contei um segredo. Confiei em você.

- Eu não contei a Marcony aquela história. Disse apenas algumas coisas... Que o ajudariam a lhe conquistar

- Vocês estavam me manipulando.

- Ele não sabe de nada.

- E você? Como sabe sobre a rosa? Eu não lhe contei isso.

- Eu vi você chegando de madrugada, mas não disse nada para Marcony. Eu nunca faria isso! Arruinaria sua reputação.

- O que pretendia? Que eu achasse que o estranho misterioso fosse ele?

- Você deveria estar feliz por um homem como Marcony se interessar por você! Só queria que não desperdiçasse essa chance.

- Eu não o amo! E mesmo assim... Pretendia me casar com ele!

- Você está enfeitiçada. Esse homem que você quer não existe! É a sua mente te enganando.

- Eu só queria a verdade, Charlotte. Se nem a verdade posso esperar desse homem, então o que me resta?

- Um bom marido, um bom casamento, a salvação para a sua família! Mas é pouco para você, não é?

- É! É muito pouco!

Desci as escadas novamente. Charlotte não me deixaria em paz. Passei por Marcony e ele segurou meu braço quando tentei passar pela porta.

- Eu não sei do que se trata essa briga entre vocês e o que significa essa rosa, mas... O que sinto por você é verdadeiro.

- Será? Ou o que quer mesmo é o meu dote e ser dono de todos os negócios da minha família?

- Você não pode ser injusta comigo.

- Na verdade, eu posso sim!Mentiu para mim hoje.

- Eu realmente não sabia que isso era importante... Na verdade eu não estou entendendo nada!

- Deixe ela ir Marcony. – Disse Charlotte do alto da escada. — Ela não está em seu juízo perfeito. E isso não é de hoje. Eu não perdi uma amiga hoje, eu perdi uma amiga há dois anos atrás. Anne não era assim, mas ela nunca aceitou a morte dos pais, e não é você que vai fazer ela mudar. Deixe que ela vá embora, é isso o que ela quer.

- Pra onde você vai? – Perguntou Marcony soltando meu braço.

- Eu vou pra onde não mentem pra mim.

E fui sem olhar para trás. Charlotte sabia pra onde eu estava indo.

Notas finais
Gostaram? Por favor, deixem a opinião de vocês, para que eu possa continuar animada e melhorar no que for preciso :)