Uma Garota Sombria

4 Dúvidas, medo, e um pesadelo assustador


Notas iniciais
Como prometido, capítulo quatro. Aproveitem, boa leitura, um beijo para todos que estão acompanhando. * HavennaPurple * Lollitha * GabyyEstevao * Gabuh

“Estava escuro. Ao longe, um homem me observava. Mas eu não estava com medo. Eu não queria ir embora. Ao contrário, eu queria ir falar com ele. De repente, senti uma mão tocar os meus cabelos. Eu gelei. O homem continuava parado onde estava. A mão deslizou pelas minhas costas, mas depois voltou ao meu cabelo. Ela o puxava sem força. Então eu percebi onde estava. Aquele era o cemitério, que eu tanto conhecia. Eu estava nervosa. Eu não sabia quem era aquele homem. E não sabia quem estava atrás de mim. Senti então alguma coisa tocar os meus pés. Estava descalçada, e podia sentir que era uma mão. Eu estava com medo. Fechei os olhos e em pouco tempo, as mãos estavam por todo o meu corpo. Eu não tinha coragem de abrir os olhos. Eu mal conseguia respirar. As mãos puxavam meu cabelo, e se agarravam ao meu tornozelo. Ás vezes elas passavam suas unhas pela minha garganta, como se quisessem me cortar. Mas afinal, o que elas queriam? Finalmente, abri os olhos, apavorada. Mas não havia nada no cemitério, além das lápides e um homem ao longe, me observando.”

Acordei assustada, olhando para todos os lados e tocando o meu corpo, como se para ter certeza de que eu estava bem.

Levantei apressada e abri a janela. Não tinha como ver o cemitério, apenas uma parte da floresta.

Eu não tinha idéia das horas. E tinha muitas coisas para resolver. Eu tinha a sensação de que seria um dia longo e cansativo.

Antes de voltar lá, eu precisava saber quem havia me seguido. Ou pelo menos saber se era um empregado da casa. Eu não tinha mais tanta certeza, como antes.

Vesti uma saia comprida e uma blusa com manga. Eu não tinha muitas opções. Eu só tinha roupas pretas. Não era como se eu ainda estivesse de luto. Simplesmente, depois da morte de meus pais, eu passei a gostar de me vestir assim.

Eu só tinha dois vestidos bem arrumados. Um deles eu usei no enterro de minha mãe. E o outro, você sabe qual é. O que eu usei no enterro de meu pai e no dia anterior. Sim, o mais triste dos vestidos.

Eu não o amava mais do que minha mãe, mas naquele dia era como se além de perdê-lo, eu a tivesse perdido de novo. Era aquela dor novamente... Só que mais forte!

Eu a vi adoecendo aos poucos durante dois anos. Eu pude me despedir, e dizer o quanto a amava. A cada dia, a morte chegando mais perto. E ela sabia disso. E eu também.

Quando meu pai foi assassinado com um tiro no peito, foi inesperado. Algo que ninguém poderia prever. E eu perdi o chão.

Lembrar do passado sempre me deixava estranha. Mas eu tinha que me concentrar no que estava acontecendo.

Depois de me vestir, me observei no espelho. Eu não era tão bonita. Algo em mim era... Morto. O meu olhar? Talvez fosse. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo mal feito e desci para tomar café da manhã.

Ainda na escada, ouvi a voz de minha tia Elissandra. Ela estava sentada na mesa, com uma xícara na mão. Conversava sobre algo engraçado com Bina, e dava risadinhas.

Quando cheguei na sala de jantar e as risadas acabaram, os empregados se entreolharam e minha irmã foi a única a rir.

- Bom dia, Anne. – Disse minha irmã com um grande sorriso.

- Bom dia Elise. – Tentei forçar um sorriso, mas não tive sucesso. – Bom dia, tia.

- Você tomando café da manhã conosco?

- É o que estou pretendendo.

- Eu separei um vestido para você. É muito bonito.

- Eu posso usar um vestido meu.

- Não, não pode. Você só pode fazer o que eu deixo você fazer. Deseja me afrontar Anne?

- Tudo bem tia, eu uso o que a senhora quiser.

Ela sorriu.

- Você ficará linda. Conquistará o filho dos Longatto, tenho certeza. E vai querer se casar com ele. Um bom rapaz, minha sobrinha. Um bom rapaz...

Eu nem o conhecia, como queriam que eu já pensasse em casamento?

- Como é o nome dele?

-Marcony. Não é bonito? Você gostará dele, Anne. Parece ser um rapaz muito educado.

- É. Espero que sim.

- Ah, vocês vão se darão muito bem. Sei que não quer admitir, mas está ansiosa para conhecê-lo. Vejo que minha sobrinha está finalmente tomando juízo. – Ela abriu um largo sorriso. – Estou muito feliz por você.

Sim, todos pareciam felizes por mim. Pareciam estar aliviados. Talvez esperassem de mim rebeldia e discussões. A única insatisfeita ali era eu. A única que não via a menor graça nos Longatto, e em todo o seu dinheiro.

Eu tinha coisas muito mais importantes para pensar. Por enquanto eu me calaria. Eu tinha que descobrir o que realmente havia acontecido no cemitério, e quem era o misterioso homem que tinha falado comigo. Eu não ficaria em paz até descobrir.

Esperei minha tia terminar sua refeição. Então tomei coragem.

- Eu preciso falar em particular com a senhora. — Ela me olhou preocupada.

- Venha. – Ela se levantou e fomos para a sala de estar. Minha tia se sentou em sua poltrona vermelha. E após respirar fundo, olhou para mim. – Pode falar Anne.

- Ontem... Alguém falou comigo.

- Quem?

- É exatamente esse o problema.

- Você anda falando com estranhos, Anne?

- Não, é que... Eu estava no cemitério e...

- No cemitério? Mas quem era?

- Eu não sei tia. Eu estava lá e alguém começou a conversar comigo. Ficou me dizendo coisas...

- Coisas? Como assim alguém ficou dizendo coisas a você? Uma mulher? Um homem? Diga, Anne!

- Eu não tenho certeza. Eu não consegui ver quem era...

- Não viu? Mas como não viu?

- Eu estava de costas. Quando eu olhei, não tinha mais ninguém. Mas eu sei que tinha alguém ali, eu tenho certeza. Pode ter sido um empregado. Eu não sei como ele desapareceu, mas... Tia, eu quero que a senhora chame todos os empregados aqui. Alguém pode estar tentando...

Ela estava horrorizada. Levantou-se e me abraçou.

- Minha Anne... O que essa voz disse pra você?

- Disse que sentia muito pelas minhas perdas... Tia, você não acha que... Eu esteja ficando louca, não é?

- Anne, por que você faz isso comigo?

- O que? Tia, eu não estou mentindo. Eu ouvi... Alguém estava lá, eu tenho certeza.

- Olhe, não conte isso a ninguém. Ouviu? Não pode contar a ninguém. Esqueça isso, não vá mais lá.

- Mas tia...

- Não. Anne, eu te proíbo de ir lá novamente. E de tocar nesse assunto. – Ela parou e respirou fundo. — Você tem que esquecer isso. Se concentre em Marcony, você tem que estar linda para impressioná-lo. Não me decepcione mais. – Ela não entendia. Não tinha como fazê-la entender.

- Tudo bem tia.

- Venha, eu quero te mostrar o vestido.

Eu iria. Mas eu não era a garota que queriam que eu fosse. E nunca ia ser. Eu tinha certeza do que havia ouvido, e precisava saber quem ele era. De madrugada, eu iria fugir para o cemitério. Eu iria enfrentar ele, fosse ele o que fosse. Porque agora, a dúvida era o meu maior medo.

Notas finais
Olá. Olha eu aqui de novo. Bem, se você é daqueles que adora comentar as histórias, oportunidade imperdível ali em baixo, onde tem escrito "comente!" Se você é daqueles que mesmo adorando a história, não deixa sequer um singelo review, tenha vergonha de si mesmo! Tome coragem, deixe de preguiça, e vá logo escrever o que achou da história para mim. xD Mas se as minha palavras não fazem efeito em você e tu não quer nem saber, ok. Mas dá um "oi" lá pra eu pelo menos saber que você existe, né? ^^ Não percam o próximo capítulo.