Uma Garota Fora Da Lei
2 Decisão
Notas iniciais
Estava com a luz apagada, a porta fechada...
– Emily eu já vou me deitar... – Minha mãe diz do lado de fora.
– Se não queria que eu nascesse, porque se importa comigo? Vai lá, e faça bom proveito de cada parte do corpo do Brian...
– Emily, mas eu...
– Boa noite para você senhora Carmen...
Ela não responde, mas ouço os passos e a porta do seu quarto sendo fechada. Ótimo...
Escuto vários barulhos na minha janela, sem abrir eu olho pelo vidro e Pedro jogava pequenas pedras, eu acendo a luz e com a mão faço um sinal para ele esperar. Pego a mala e vou para a porta, minha mãe estava acordada e ouviria a porta, então o jeito é a janela, a abro.
– Você vai pular? — Pedro pergunta.
– Não Pedro, apenas queria ver sua cara antes de irmos. — Reviro os olhos.
– Eu sei, sou um gatão...
– E convencido.
– Isso é uma exceção.
– Segura. – Jogo a mala para ele, ele não pega – Você é um idiota, se fosse para cair no chão eu não diria “SEGURA”.
– Emily? Está com alguém ai? – Jogo-me para trás e caio na cama
– Só estou no telefone! — Respondo torcendo para ela não entrar no quarto.
– Hum... Olhe o que vai fazer.
– Me matar? Pode?
– Argh! Estou no meu quarto, boa noite!
– Tchau! – Reviro os olhos e volto para a janela – Faz mais silêncio.
– É você que está no andar de cima, quem faz mais barulho é você...
– Ah, esquece. – Coloco minha outra perna para fora e me viro de costas para a rua, seguro na janela, e piso em um pequeno espaço que tinha nas laterais da casa.
– Não se solta...
– Ah claro! Porque eu estou muito afim de me jogar não é?
– Menina dramática...
Ignoro e continuo a descer, coloco o pé em outro lugar, e a mão eu seguro onde meu pé estava antes, e assim eu desço, quando estava no último lugar, eu caio no chão.
– Ai... — Gemi pela dor que senti.
– Eu disse para não se soltar! – Peguei uma pedra e joguei nele.
– Você é um idiota!
– Mas você gosta...
– Ah claro, eu amo. – Disse irônica.
Fomos para o carro e encontramos o resto do pessoal, Ana, Victoria, João e o pior de todos, o Félix.
– Boa noite Félix. — Digo quando já estava dentro do carro.
– Menos papo, por favor, temos coisas melhores a fazer.
E ele liga o carro e vamos para o nosso devido local. Pouco tempo depois...
– Estava de castigo bebê? – Ana pergunta.
– Sim, porque eu sou um bebê muito rebelde...
– A mamãe ainda tem controle sob ela.
– Escuta, acha mesmo que se ela tivesse eu estaria aqui?
– Deixe a menina em paz... – Pedro pede.
– Você diz isso porque a ama. — Diz Ana.
– Não é isso. — Ele responde, se defendendo.
– Que se ferre... Que dia vamos chegar nessa boate? Ano que vem?
– Victoria fique na sua, já chegamos. – O tempo passou tão rápido. O que é bom, ninguém merece ficar muito tempo com todo esse pessoal.
Descemos do carro e nos escondemos atrás de uma coisa nojenta que tinha por lá, em outras palavras: uma lata de lixo.
– Quem vai atacar primeiro? – João perguntou
– Você quer ir? Vai! – Digo.
– Quem manda aqui é eu. – Diz Félix.
– Disse o chefão... – Eu o provoquei.
– Sabe que eu não tenho medo de bater em mulher, não é?
– Sabe que eu não tenho medo de revidar, não é?
– Eu sou o dobro de você Emily! — Ele diz, rindo.
– E isso é uma vantagem para mim...
– Se você fosse outra garota, já estaria toda roxa!
– Vamos parar, por favor, temos alguns mimados para assustar.
Apenas que queríamos nos divertir assustando algumas pessoas, essa não era a primeira vez que iriamos fazer isso, e também não seria a última, essa era apenas mais uma de nossas diversões.
– Faz assim, eu andei pesquisando o local – Félix começa –, não vai ser muito difícil de entrar, a esquecida porta dos fundos está prestes a cair, e só um peteleco a gente entra nessa boate. Já sabe o que vão fazer?
– Eu vou sair quebrando tudo. – Respondo.
– Eu vou pichar as paredes. – Victoria escolhe
– Eu vou assustar as gatinhas... – João diz
– Tá, sabemos muito bem como você quer assustar!
– Bom, o resto vamos faz o que quiser, sai roubando as bebidas, tacando fogo, não sei, se virem, mas eu quero esse lugar um inferno para eles.
– Ok! – Todos concordamos, e vamos pela porta do fundo.
Não é mesmo que um leve tapa derruba tudo? A porta cai e nós entramos. Vamos devagar, passamos por um lugar meio apertado até chegarmos à pista de dança...
– Preparar, apontar... Façam o que quiserem.
Corremos gritando que nem um bando de loucos, eu peguei o bastão ou taco, sei lá... E comecei a bater em tudo, quebrando e não deixando nada intacto.
Olhei para o lado e Victoria e Ana pichavam o lugar, e os vestidos das garotas, João “assustava as gatinhas” Félix estava... Bom, não deu para ver o que ele fazia. E Pedro estava comigo quebrando tudo e mais um pouco.
Pedro se afasta e eu continuo, as pessoas corriam de um lado para o outro e tentavam sair do local, os garotos pareciam mais assustados que as meninas, somente alguns tentavam algo, por isso que odeio esses mimados.
Quando eu vou bater o taco em uma estante de bebidas alguém segura atrás de mim, viro-me e um ser com os cabelos pretos, marrons, não sei... Estava segurando.
– SOLTA! — Grito e tento puxar.
– Solta você, isso não é coisa para meninas...
– Pois então não me considere uma, solta isso ou eu vou bater em sua cabeça...
– Solta isso, os seguranças vão entrar!
– Que entre, mas eu não saio daqui sem quebrar TUDO. – As meninas corriam para o banheiro, e outras sumiam de vista assim, do nada.
– Solta isso garota.
– Solta você. – Puxo de vez e dou uma joelhada... Bom... Onde o sol não bate.
– Você me paga!
– Desculpa, mas não trouxe dinheiro. – Disse e continuei derrubando tudo, os seguranças entram e é a nossa vez de sair correndo, entra policia e tudo o mais no local.
– Vamos Emily – Pedro me chama, mas antes que eu saia correndo, eu bato o bastão em uma estrutura que segurava algo, que eu não sei o que é, e a coisa perecia que ia cair, eu corri.
– Corre Emily, vai cair – Pedro grita mais um pouco, quando eu estava pronta para sair totalmente algo atinge minha cabeça e eu caio com tudo no chão, vejo a imagem de Pedro embaçada e logo desaparece...
***
– Essa já é a sexta vez só essa semana senhora Moore.
– Eu sei, eu já fiz de tudo, mas não tem jeito.
– Tem jeito sim, você sabe qual é, sua filha é uma delinquente e dessa vez poderia ter morrido se aquele ferro a pegasse de jeito.
– Eu sei, mas...
– Como ela não tem dezoito, aqui está o total do gasto. – O policial entrega algo a minha mãe que se assusta ao ver o que está escrito. – Dessa vez ela poderia ser presa, mas como eu conheço a sua família, eu sei que você consegue consertar essa menina, espero que dessa vez você consiga, porque se não, da próxima a coisa vai ficar feia não só para ela, como para o seu lado também. Tenha boa sorte.
– Obrigada! – Minha mãe se vira e eu fecho os olhos, eu estava deitada, obviamente em um hospital. – Emily pode parar, eu sei que está acordada.
Eu não me movo.
– Emily para, eu te conheço, vamos... Levante! – Ainda não respondo – Vou te chamar pela ultima vez, e se não responder...
– O que é? – Abro os olhos – Será que nem com a cabeça doendo e quase que eu morri a senhora não me deixa em paz?
– Você quase morreu porque estava aprontando.
– Mas eu... — Ela me interrompe
– Você nada, levante daí, vou ver se você já pode ir para casa – Ela sai, mas só isso? Pensei que iria ter a 3ª guerra mundial... Só que só dentro do hospital...
– Irmã? – Olho para a porta e Lara entra, um sorriso preenche meus lábios e o sorriso cresce mais ainda quando eu vejo que meu pai está junto
– Pai! – Sorri e ele me abraça – Saudades!
Ele era o único que eu conseguia amar de verdade, o único que eu olhava nos olhos e dizia aquelas três palavrinhas que se eu disser para outro, pode me internar, ou vou está louca.
– Eu não sabia que eu tinha que parar em um hospital para você se descolar daquela loira em sua casa e vim me visitar. – Eu falei, nós rimos.
– Me desculpa, você sabe que eu ando muito ocupado.
– Tudo bem, eu perdoou dessa vez...
– Assim como perdoou das outras!
– Pois é – Sorrio.
– Emily, você tem que parar com isso!
– Pai, volta para casa que eu paro rapidinho.
– Você sabe que não é esse o problema Emily, eu estou com outra e sua mãe também já tem outro e isso faz quase três anos.
– Mas não interessa, eu não aceitei.
– Isso não vem ao acaso, o caso é: Você foi longe demais dessa vez, atacar uma boate e sair destruindo tudo?
– Desculpa, eu...
– Por que não me disse? Eu tinha uma coisa que ia te ajudar nisso – Ele ri e eu acompanho
– Você é o melhor – Sorrio e o abraço
– Você já pode ir para casa, venha Emily – Minha mãe aparece na porta.
– Você vai pai?
– Vou sim, sua mãe quer me falar algo – Sorrio, e meu pai me ajuda a descer da cama.
Minha mãe vai com o Brian em um carro e eu vou com o meu pai e a Lara em outro.
Vamos cantando o caminho todo, uma música qualquer que passava no rádio, até que chegamos em casa, e o meu sorriso desaparece.
– Estava tão bom, tem mesmo que parar aqui?
– Emily, ela é a sua mãe.
– Se pelo menos ela me amasse.
– Ela te ama, você só não dá chances para ela dizer.
– E eu não quero que ela diga, tenho nojo de amor, com exceção de você, claro – Ele balança a cabeça negativamente.
– Tudo bem, vamos entrar, vamos Lara?
– Vamos pai! – Ela sorri e entramos em casa, eu me sento ao sofá e Lara ao meu lado, meu pai senta na poltrona e Brian em outra, minha mãe fica em pé.
– Vai demorar para o show começar? Eu quero dormir – Eu disse e ela me fuzila
– Emily... Dessa vez você foi longe demais...
– Fala sério mãe, eu já...
– Cale a boca que eu não terminei de falar – Eu cruzo os braços e encosto-me ao sofá, reviro os olhos e a encaro.
– Esse foi o ultimo fio, minha paciência esgotou, assim como A MINHA CONTA BANCARIA.
– Você trabalha com...
– Eu sei no que eu trabalho... Você foi longe dessa vez Emily, muito longe, aquela é uma das boates mais caras da cidade, sabe o preço que eu vou pagar – Ela gritava e ninguém abria a boca para dizer nada.
– Sabe? Não, você não sabe, porque não pensa nas consequências de seus atos Emily, você não pensa no que vem a seguir, você não pensa que a prejudicada da historia também sou eu.
– Mas não foi só eu, foi meus amigos também.
– QUE AMIGOS? Se fossem mesmo amigos estariam aqui, te ajudando com a multa e seria menos reclamação, todos acham que foi só você.
– Ah claro, porque eu sou a ninja que consegue destruir uma boate inteira sozinha.
– Chega de papo, vamos direto ao ponto.
– Até que enfim!
– Você sabe o que eu digo a seguir não é?
– Sim, Emily... Você vai para um reformatório – Disse fazendo uma voz chata, ou seja, a dela.
– Não – A encaro e todos também
– Não?
– Não...
– Então eu estou livre... – Sorri e levanto, eu já estava na escada
–Ainda não terminei mocinha, volte aqui – Me viro e volto para o sofá
– Então?
– Então a historia é... Eu andei pensando muito, muito mesmo... E sabe o que eu decidi?
– Que me odeia e quer me matar?
– Você não vai para um reformatório, e sim para um internato.
– O QUE?
– Isso mesmo.
– MAS MÃE, o internato é cheio de pessoas idiotas, filhinhas de papai, que ficam se gabando por tudo!
– Exatamente, você odeia essas coisas, e por isso que vai para lá.
– Pai? – Olho para ele – Você vai deixar? – Ele não responde – Mãe eu prefiro ir para o reformatório.
– Eu andei pensando, e no reformatório tem gente da mesma laia que você, então o melhor é um internato e olha... É o melhor que tem na cidade
– Você não vai fazer isso, VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO.
– POSSO SIM, eu sou sua mãe faço o que quiser com você, sua matricula já foi feita e amanha pela tarde você irá.
– Mas... MÃE!
– Suba para o seu quarto e vá arrumar as malas
– Eu não vou!
– VAI SIM EMILY, SUBA AGORA!
– Eu não vou, eu fujo, me mato, mas eu não vou, pai? Você vai deixar?
– Filha é o melhor para você.
– O melhor? O melhor? Eu odeio gente daquele jeito mimadinhos e vocês sabem disso, estão cansados de saber.
– Vai ser melhor enturmar com gente de outro jeito. Você vai mudar
– EU NÃO QUERO MUDAR. Mas como estão todos contra mim, já que minha opinião não vale... Ok! Mande-me para onde quiserem, mesmo o reformatório sendo cheio de câmeras, com mais regras que outros lugares, com diretores muitos mais severos e mais protegido, me mande para onde é cheio de patricinhas, me mande para onde tem menos regras e fazemos o que quisermos, ok! Amanha estarei pronta – Grito e subo. Tranco a porta e saio jogando tudo, mas tudo... No chão
– Que inferno que é essa vida!
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