Notas iniciais
Ainda é o começo da história, ainda há muito a se desenrolar pelos capítulos...

Serra Mansa é uma dessas cidades que há uns trinta anos atrás era só mato e hoje estão crescendo cada vez mais. Desse tempo pra cá, a população aumentou subitamente, fazendo com que bairros como o Platina fiquem lotados de gente por todas as ruas.

A Escola Municipal Dionísio de Camargo fica nesse bairro e agora é o exato momento em que a rua fica lotada de gente, como eu disse no parágrafo anterior, afinal os alunos estão todos se direcionando para suas casas, loucos para abandonar essas aulas entediantes e encherem o estômago com a deliciosa refeição que suas mães, ou quem quer que seja que cuide deles, preparou.

Está certo, estamos em abril, faz pouco tempo que a aula começou, mas esse tempo já é o suficiente para que novas paixões nasçam:

— Então é hoje que você vai falar para seus pais? — Pergunta a apaixonada Letícia, ela realmente não sabe esperar.

— É hoje! — Diz André, esse já tem menos pressa, por ele essa conversa com os pais aconteceria bem mais tarde — Você também vai falar com sua mãe, Letícia?

— Vou, sim! Então, eu vou indo! — Antes de ir embora, é claro, que eles se beijam

Quem chega em casa, primeiro, é a Letícia, não porque a casa dela fica mais perto, a distância da casa de ambos até a escola é praticamente a mesma, mas sim porque Letícia é ansiosa mesmo. Ao chegar em casa, sua mãe, Valéria, abre a porta e Letícia já vai entrando e dizendo:

— Mãe, hoje eu tenho uma coisa muito importante pra te falar! — Letícia realmente está muito ansiosa

— Calma, filha, você tem que almoçar! — Valéria acabou de fazer o almoço — Já tá pronto, eu fiz um macarrão, aí você come e fala, tá bom?

— Nossa, mãe, eu amo macarrão! — Ela nem gosta tanto

Valéria vai até a cozinha e Letícia senta na mesa de jantar, enquanto a filha senta, mais ansiosa do que nunca, a mãe coloca os pratos, o raso pra filha e o fundo pra ela, já que Valéria sabe muito bem que Letícia nem gosta tanto assim dessas massas italianas.

— Pode falar, filha! — Valéria percebe a ansiedade dela — Você tá quase morrendo para falar essa coisa aí, desembucha…

— Eu tô namorando…

— Ah, que bom, Letícia! — A mãe comemora — O seu primeiro namorado, olha, eu tô emocionada, hein — As duas riem

— Eu também tô muito feliz! — Letícia está animada — Amanhã mesmo eu vou almoçar na casa dele!

— Já? — Valéria fica curiosa — Então eu quero saber quem é que vai me fazer almoçar sozinha!

— Você não deve conhecer… — Eles se mudaram pra cá há uns três meses, mais ou menos.

— Ah, qual que é o nome dele, então? — Valéria realmente está muito curiosa — Tem que ser um nome bonito, hein…

— André! — Diz Letícia apaixonada — André Rodrigues, o mesmo sobrenome que a gente, eu nem vou precisar mudar quando eu for casar — As duas riem novamente

— Conta então sobre ele, há quanto tempo vocês estão namorando? — Valéria interage com a filha — Eu quero saber tudo!

Enquanto elas almoçam e conversam, André, enfim, consegue chamar a atenção dos pais no almoço. A mãe dele, Bárbara, tava ocupada na cozinha e o pai, Fernando, demorou um pouco para chegar do serviço até em casa, só estava disponível sua avó, Cristina, e sua irmã mais nova, Tatiana, mas ele queria falar quando a família toda estivesse reunida.

— Gente, eu preciso falar uma coisa pra vocês — André é bem direto — Eu tô namorando!

— Ai que bom, meu filho! — Bárbara comemora — Depois trás ela aqui pra gente conhecer!

— Você é rápido, hein, André — Fernando é sarcástico — A gente chegou na cidade há uns três meses e você já arranjou namoradinha!

— Mãe, você acredita? — André conta animado — Ela mesmo quer vir aqui, tipo, amanhã, ela tá muito ansiosa pra conhecer vocês!

— Olha, filho, eu já gostei dela, viu — Bárbara fica muito feliz

— O bom é que vocês combinam — Fernando novamente ironiza — Ela é rápida que nem vocês… — Ó… Só não vai separar rápido também, hein?

— Que piada sem graça, pai — André corta o pai na hora

— Olha como você fala com seu pai, André! — Cristina se manifesta pela primeira vez

— Ah, deixa o menino, mãe! — Fernando adora fazer piadas — Ele já tá virando homem, esse franguinho…

Todos riem e assim eles continuam almoçando normalmente.

Algumas horas mais tarde, Valéria está no seu quarto, a televisão está ligada, mas está passando jogo de Copa do Mundo, Alemanha x Argélia, então ela nem está prestando atenção na TV e sim, em seu celular, Valéria é curiosa, ela está procurando o tal André Rodrigues que está namorando sua filha. Não demora muito, ela o encontra, mas ao ver as fotos dele, se assusta com as pessoas que vê junto a ele e vai direto pro quarto da filha.

— Filha, eu tenho que falar com você, agora! — Valéria está muito nervosa

— Pode falar, mãe, o que aconteceu?

— Eu sinto muito, filha, mas você não vai poder namorar com esse André aí, não…

— O que? Como assim? — Letícia se desespera e grita — Por que, mãe? Por que?

— Ele é seu primo, Letícia! — Valéria não parece firme — De primeiro grau, não pode

— Ah, mãe, só por causa disso? — Letícia fica indignada e debocha da situação — E como assim, meu primo? Eu nunca nem vi ele antes…

— Nem, eu… — Valéria agora parece mais sincera — Faz muito tempo que eu não vejo meu irmão, minha mãe…

— Eu não tô entendendo, mãe — Letícia está bem confusa — Você fica esse tempo todo longe, não procura eles… E eles se mudam pra cá e não te procuram?

— Filha, eu não quero contato com eles — Valéria agora, sim, está bem firme em suas palavras — Eu não queria ver eles nunca mais na minha vida, nem pintados de ouro

— Nossa, mãe, por quê essa raiva… É sua família! — Letícia está assustada com sua mãe

— Eles não prestam! — Valéria está nervosa — Eu nunca vou conseguir conviver com eles, desde quando eu sai daquela casa, nunca mais…

— Mas por quê? — Letícia quer saber a verdade — Eu quero saber o porquê disso tudo!

— Filha, eu nunca te contei, mas eu só quero que você saiba… — Valéria está nervosa e desesperada, ao mesmo tempo — Eles são perigosos, fique longe deles…

— Tá, mãe! — Letícia tenta convencer a mãe — Mas você nem conheceu o André…

— Ah, menina! — Valéria fica ainda mais nervosa — Aqui, pro seu próprio bem, ele pode ser uma cobrinha que nem eles ou não… Você não vai ficar com ele

— Quer saber, mãe! — Letícia também se altera — Eu não tenho motivo pra não ficar com ele, eu vou ficar com ele, sim!

— Você vai me desobedecer, Letícia Rodrigues? — Valéria grita

— Eu não vejo nada de errado — Letícia fica um pouco mais tranquila

— Ah, menina, quer saber — Valéria grita bem brava — Você faz o que quiser da sua vida, almoçar com esse povo, fica com esse menino, mas não olha mais pra minha cara

Depois disso, Valéria sai do quarto e bate a porta, em seguida, entra no seu quarto e fecha a porta. As duas tentam se distrair, Valéria, com a novela que começou na hora que ela chegou, e Letícia, com a música nova que sua banda favorita, The Sun, lançou, mas elas não conseguem e acabam chorando. No dia seguinte, Letícia sai sem tomar café.

Continua...

Notas finais
No próximo capítulo: Letícia vai almoçar na casa de André e mais brigas.