Uma Família Feliz...
14 A melhor advogada
O Caso Volturi
Aro Volturi não facilitava.
O caso envolvia uma disputa societária milionária, acusações de quebra de contrato e possíveis irregularidades fiscais.
Era complexo.
Estratégico.
Perigoso.
Perfeito para testar alguém.
Na primeira audiência preliminar, Bella sentiu o velho frio na espinha — mas dessa vez não era ansiedade patológica.
Era adrenalina profissional.
Aro observava cada reação dela.
Em determinado momento, durante uma pausa, ele se aproximou.
— Espero que esteja… emocionalmente preparada, doutora. Este caso exige estabilidade.
A frase foi calculada.
Uma provocação.
Ele sabia.
Forks falava.
Bella sustentou o olhar.
— Minha estabilidade não é da sua conta. Minha competência é.
Edward, que assistia à audiência, sentiu orgulho percorrer o peito.
Não porque ela estava forte.
Mas porque estava lúcida.
Tentativa de Desestabilização
Dias depois, um boato surgiu discretamente em um blog jurídico local:
“Advogada Cullen retorna após internação psiquiátrica. Clientes devem se preocupar?”
Edward ficou furioso.
Emmett queria processar imediatamente.
Bella leu.
Respirou fundo.
O passado ainda doía.
Mas não a dominava mais.
— Eu não vou me esconder — ela disse.
Na audiência seguinte, ela estava impecável.
Clara.
Objetiva.
Brilhante.
Aro percebeu.
E, pela primeira vez, sorriu com respeito genuíno.
A Reconstrução do Casamento
Naquela noite, depois de um dia exaustivo no tribunal, Bella chegou em casa diferente.
Cansada.
Mas viva.
As crianças dormiam.
A casa estava silenciosa.
Edward estava na sala, lendo.
Ela parou na frente dele.
— Eu senti falta disso.
— Do quê?
— De me sentir eu.
Ele fechou o livro.
Ela sentou ao lado dele.
Não houve pressa.
Não houve urgência.
Houve proximidade.
Eles conversaram primeiro.
Sobre o caso.
Sobre Anthony na escola.
Sobre Charlie aprendendo a engatinhar.
Depois o silêncio mudou de qualidade.
Ele tocou o rosto dela como quem pede permissão.
Ela assentiu.
O beijo não foi explosivo.
Foi lento.
Reconhecedor.
Como se estivessem reaprendendo a geografia um do outro.
Não havia fantasmas.
Não havia paranoia.
Não havia vozes distorcidas.
Havia dois adultos que quase se perderam — e decidiram ficar.
Ela deslizou os dedos pela camisa dele.
Ele sussurrou:
— Se em algum momento você não quiser, a gente para.
Ela sorriu suave.
— Eu quero.
A intimidade foi construída no ritmo da confiança.
Sem pressa.
Sem necessidade de provar nada.
Quando finalmente se deitaram juntos, não era fuga.
Era reconexão.
Ela sentiu o peso dele.
O calor.
O coração batendo no mesmo compasso.
E, pela primeira vez desde o nascimento de Charlie, ela não teve medo de si mesma.
Depois, ficaram deitados.
Respirações desacelerando.
O quarto escuro, mas seguro.
A Conversa
Edward estava com o braço sob a cabeça dela quando falou:
— Eu marquei consulta com o urologista.
Ela ergueu o olhar.
— Pra quê?
Ele respirou fundo.
— Vasectomia.
O silêncio não foi pesado.
Foi reflexivo.
— Tão decidido assim? — ela perguntou, com um leve sorriso curioso.
Ele passou o polegar pelo ombro dela.
— Eu sempre sonhei com uma casa cheia de filhos meus.
Ela riu baixo.
— Eu sei.
— Mas o medo de te perder é maior.
A frase não foi dramática.
Foi simples.
Honesta.
Ela ficou alguns segundos observando o rosto dele.
— E se um dia eu quiser mais?
Ele sorriu de canto.
— A gente conversa. A medicina evoluiu bastante.
Ela apoiou o queixo no peito dele.
— Você teria mais filhos comigo?
— Com você? Sempre. — Ele beijou o topo da cabeça dela. — Mas não às custas da sua saúde.
Ela sentiu algo novo naquele momento.
Não pressão.
Não expectativa.
Não obrigação.
Escolha.
— Obrigada por escolher ficar comigo. Mesmo quando eu não era fácil.
Ele soltou uma pequena risada.
— Você nunca foi fácil.
Ela fingiu indignação.
Ele continuou:
— Mas sempre valeu a pena.
Ela o beijou de novo.
Sem desespero.
Sem medo.
Só amor.
Epílogo do Capítulo
Na semana seguinte, Bella venceu a primeira grande etapa do caso Volturi.
Anthony começou a falar com orgulho:
— Minha mãe trabalha no tribunal.
Charlie gargalhava quando Bella chegava do escritório.
Edward marcou a consulta.
E Bella, ao se olhar no espelho numa manhã comum, percebeu algo essencial:
Ela não era mais a mulher que quase se perdeu.
Ela era a mulher que voltou.
Fale com o autor