Notas iniciais
Olá querido leitor! Aguardo ansiosa pela sua participação nos comentários e favoritos.

— Quem diabos é você?

— Eu sou a mãe dela. — a forma ríspida com a qual o respondeu, deu certeza ao homem de que seria seu último dia de vida.

O diálogo não pode se prolongar, pois Yor logo enfiou uma de suas afiadas adagas no centro da garganta do bandido. O ato fez jorrar sangue em todo seu corpo, sujando sua roupa social. Não estava preparada para matar, mas quando vira Ania nas mãos daquele homem… Há algumas semanas havia sido convidada pela polícia secreta para uma conversa particular. Pensou que fosse sobre sua profissão secreta, mas era um assunto um tanto quanto inesperado: seu casamento. Aparentemente haviam descoberto seu casamento fictício e isso era considerado “crime”. Por não conhecer muito da lei, decidiu aceitar aquele argumento. Decidiu que chegaria em casa e conversaria com Loid calmamente, explicando o ocorrido e chegando a um consenso. Porém, algo muito mais inesperado ocorreu: Ele ligou para ela.

Flashback On

Yor voltava da entrevista atordoada com as perguntas e acusações, tentando processar se aquilo tudo fazia de fato algum sentido. Sentira muito medo de ter sido pega. Já era tarde da noite e chovia muito, ela voltava pra casa com um bolo comprado no supermercado. O pavor que sentira fez com que refletisse sobre o quão importante sua família, de fato, era para ela. Talvez tivesse sido uma mentira no começo, mas estava longe disso agora. Tudo o que queria agora era cruzar as portas de seu lar e se deparar com seu marido e filha e, depois de um jantar delicioso, partilhar de um doce gostoso. As conversas difíceis ficariam para o dia seguinte. Sentiu o celular vibrar no bolso e equilibrou-se para segurar o guarda-chuva em uma mão, o celular no ombro e o bolo na outra mão. Sorriu ao ouvir a voz de seu amado.

- Loid-san, que surpresa! — atendeu alegremente.

- Yor…

- Desculpa a demora! Estou na rua ainda, mas já estou a caminho de casa. Tive que fazer uma entrevista, foi algo complicado haha… Mas passei no supermercado e-

- Yor! — exclamou sério, cortando-a.

- S-Sim… Desculpa…

- Não… Tudo bem…

- Se é algo sério, posso me apressar pra chegar em casa…

- Não precisa.

- É um pulo daqui, eu consigo! Chego ai em um minuto! — respondeu animada.

- Você não entendeu Yor.

- Como assim?

- Não precisa mais vir para a minha casa.

- …

- Não deveríamos ter ficado juntos… Foi um erro desde o começo. Não sei porque aceitou esse trato, mas não posso mais viver assim. Yor, já assinei o papel do divórcio e vou enviar para o endereço do seu irmão para você assinar. Providenciarei tudo para que não te falte alimento, remédio ou teto, por isso fique tranquila, está livre para ficar ao lado de quem amar.

- …

- Sinto muito te falar por telefone, mas tenho estado muito ocupado nos últimos dias e precisava falar o mais rápido possível.

- …

- Yor…

- …

- Por favor, fale alguma coisa…

- E… E a Ania? — perguntou com a voz embargada pelo choro, o que fez o loiro trincar os dentes, com ódio de si mesmo.

- A Ania é minha filha.

- Mas eu també-

- Ela ficará comigo, será como sempre foi. Peço que não entre em contato conosco. Ela se apegou demais a você e isso tem sido muito ruim para ela, por isso, se se importa com ela de verdade, por favor, deixe-a ir.

- …

- Preciso que me diga que compreendeu tudo o que eu disse.

- …

- Yor.

- Loid… Só mais uma coisa… E eu prometo nunca mais te incomodar…

- Diga. — sentiu a garganta seca pelo desespero, pela angústia.

- Loid… Você nunca… Me amou? Nunca foi… De verdade?

- … — o loiro pode sentir as lágrimas grossas escorrerem e teve que tapar a boca para disfarçar o choro.

- Não precisa responder, você já deixou claro como se sente. Só quero que saiba… Que pra mim é e sempre foi real, Loid… Por favor, cuide dela com todo o carinho e zelo do mundo. Pra mim… Você sempre foi meu esposo… meu… amado… Por isso mesmo não quero ser um peso pra você ou pra sua família… Adeus, querido. — ela teve coragem de desligar o telefone e caiu de joelhos no chão, em um choro estridente e perturbador, completamente entregue ao seu coração partido e ao fim de seu sonho, de sua família.

Enquanto isso, na antiga casa da família Forger…

Loid tinha um revólver mirado em sua direção, era Yuri, da Polícia Secreta e a Fullmetal Lady, da WISE, assistindo. Ao ouvir o silêncio vindo da linha de telefone, deitou a cabeça na mesa e permitiu-se chorar em desespero, vendo o fim de sua amada família. Nada mais importava.

- Fullmetal Lady: Sinto muito agente Twilight… Infelizmente se apegou demais à missão. Mas alegre-se! Foi bem-sucedida! — apoiou a mão no ombro dele, tentando confortá-lo, mas não conseguiu, afastando-se novamente. Foi em direção ao homem que apontava a arma para a pobre criatura e o olhou ameaçadoramente. — Sei que a polícia secreta usa de métodos não convencionais, senhor, mas isso é realmente necessário?

- Yuri: Esse homem seduziu minha irmã, a enganou e a levou a um casamento de mentira! Brincou com os sentimentos de uma mulher tão pura quanto Yor! Ele é capaz de qualquer coisa! Esse homem merece a morte!

- Fullmetal Lady: Abaixe a arma agora. — apontou um revólver para Yuri. — Ele estava cumprindo ordens da WISE e, por causa disso, hoje temos paz. Ou preciso lembrá-lo, senhor, dos sacrifícios que todos fomos poupados de fazer por causa deste homem? — apontou para Loid, que agora não chorava mais, mas sentara com a expressão mais vazia que já vira na vida.

— Yuri: Eu não dou a mínima pra o que você faz ou deixa de fazer da sua vida. — abaixou o revólver, apoiando as mãos na mesa e aproximando ameaçadoramente a face da de Loid, falando diretamente com ele. — Mas não quero que chegue perto da minha irmã NUNCA MAIS. Entendido? Caso contrário, não vou poupar sua vida novamente.

Esperavam uma resposta do homem, mas só tiveram um rosto tristonho, prostrado, desacreditado e completamente entregue ao destino. Yuri então saiu batendo o pé, se mordendo de ódio. O loiro, por outro lado, levantou-se com dificuldade e seguiu para a porta, pronto para ir embora, tendo um último diálogo antes de ir embora.

— Agora que estamos a sós… Como você está? — perguntou empática.

— Onde está a Ania?

— Ela ficará bem.

— Onde ela está?

— É mais seguro que não saiba.

— …

— Você precisa de férias Twilight… Seu último trabalho tomou muito de você.

— Vou me aposentar.

— O que?

— Só preciso ter certeza que elas estarão bem… E vou me aposentar.

— Não pode ir atrás delas.

— Então por favor, por tudo o que já passamos juntos, me prometa que farão de tudo por elas. Ania precisa continuar os estudos e agora já tem um grupo de amigos estruturados, não é bom que mude de escola. Quero que tenha acesso a todos os tipos de esportes e hobbies que quiser praticar. Não afastem Bond dela! São melhores amigos! Inclusive, todas as noites ela precisa assistir seu programa de televisão favorito. — começou a chorar levemente. — E biscoitos com chocolate quente, ela ama isso! — secou as lágrimas, engolindo o choro baixinho, disfarçando ao máximo. — E quanto a Yor… Quero que deem 70% do dinheiro da minha aposentadoria para ela. Não preciso de mais do que 30% para viver e ela é uma mulher jovem, quero que viva da melhor forma possível… Ela merece… O melhor… Pode me prometer isso?

— Juro por tudo que me é mais sagrado, detetive.

— Posso ir em paz então.

— Twilight! — o chamou uma última vez antes que ele cruzasse a porta. — Obrigada por tantos anos de serviço. Foi uma honra.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.