Uma Fabula Entre Chaminés

2 Capitulo II: Menino de verdade


O detetive segue para seu escritório com passos silenciosos e calmos, ele abre a porta que divide sua sala, seu lazer, a sua privacidade, de seu escritório. A bela Amy segue o Senhor B. Wolf a passos mais sofridos, o desmaio parece ter a feito esquecer como era andar. A moça olha para o detetive como se ele fosse o líder de matilha, liderando o caminho para um lobo ferido. Logan entra em seu escritório, La, ele vê David, o jornalista que já dividiu tantos casos no passado, apoiado em uma parede anotando mais e mais informações para a nova bomba que vai chocar o povo londrino no próximo jornal. Logan senta em sua cadeira e espera Amy chegar desajeitada e se alojar em um assento na frente da mesa.
–Bem, antes de começar a falar sobre o que aconteceu com meu... – Fala Amy travando no meio de sua fala após lembrar novamente do que aconteceu na noite passada – É... Porque você não me levou para minha casa, precisava de um tempo La, com as coisas dele, com seu cheiro no travesseiro...
– Amy, primeiramente não sei onde você mora e mesmo se soubesse, sua casa deve esta lotada de jornalistas e pessoas desagradáveis tentando tirar proveito do que ouve para ganhar dinheiro- Explica Logan calmamente.
– Realmente, a propósito, quem é este seu amigo?- Pergunta a moça se dirigindo a David que mal fez contato de visual com Amy.
– Sou David, desculpe não ter me apresentado, preciso organizar estes fatos para não quebrar todo o meu esquema para o dia – Exclama o jornalista
– Ele é um jornalista, mas trabalha como meu assistente para casos complicados como este- Explica Logan sem pressa.
– Um jornalista? Pensei que eles só tiravam proveito de situações como estas- Exclama Amy com certo repudio.
–Pode ate ser, não sei das intenções de David, porem sei que essa parceria funcionou bem por anos. Eu posso escolher quando os fatos do caso são publicados, o que não da à vantagem do assassino saber o que eu sei por conta de um jornal. Alem disso, colocar uma noticia falsa para enganar um criminoso é uma das táticas mais saborosas de realizar- Explica o detetive friamente.
–Alem disso, eu tenho as noticias exclusivas em primeira mão, e nada da mais audiência do que um jornal que ajuda a desvendar crimes. Os leitores vêm a loucura, uma fortuna para as indústrias jornalísticas- Continua David com a explicação
– Que seja, vamos para os fatos, esses sim podem ajudar a vingar o legado do meu marido, não a audiência- exclama Amy- Bem, você comentou que o assassino é um serial killer, como pode ter tanta certeza?- diz Amy tentando argumentar.
–Bem, minha cara Amy, eu tinha um pouco de duvida, poderia ser apenas um sádico contratado para dar um fim trágico a seu marido. Um namorado de alguma aluna que ele estava se relacionando, muitos fatos ainda tinham que ser analisados antes de tomar uma decisão final- explica Logan.
– Você esta insinuando que meu marido podia estar me traindo e trepando com alguma vagabunda alheia?! Ele era educado e amoroso e nunca faria isso comigo!- Interrompe Amy enquanto se despedaça em lagrimas a ponto de nas ultimas palavras estar soluçando em lagrimas.
–Calma Amy, o detetive deve considerar todos os fatos antes de decidir qual fato é o mais viável para tal situação- Afirma David tentando confortar a viúva.
–Como eu estava falando, eu tinha um pouco de duvida, ate achar isso em sua mão enquanto estava desmaiada no asfalto londrino- Exclama Logan mostrando o livro que mudou a vida da Bela moça.
O coração de Amy se despedaça ao ver tal livro novamente, seu corpo parecia tentar regurgitar qualquer memória ou emoção sobre ele. Um livro de capa negra com algumas inscrições de cor dourada, porem, um pouco desbotadas. Sem titulo na capa ou na lateral, este livro poderia passar em branco em estantes de uma livraria por anos. Amy tem um refluxo e fica meio enjoada, ela poderia vomitar a qualquer momento. David observa as emoções de Amy ao ver o livro e fica ansioso para descobrir o mistério que o aguarda nestas paginas.
–E..Est...Este livro... –exclama Amy um pouco assustada
–Este livro foi a prova principal de que o assassino esta bolando uma espécie de obra de arte, pelo menos na mente dele- Afirma Logan- Este fato conclui muita coisa, e o principal para você Amy, Tira a maior probabilidade de suspeita em você- Continua o detetive
–Suspeita em mim?! Você deve estar ficando louco!- Exclama a Bela Moça indignada.
–Em 73% dos casos o/a culpada, sempre é a mulher ou o marido. O Detetive tem muitos motivos para achar que a culpada seria você- Exclama David tentando esclarecer os fatos.
–Obrigado David. Agora, continuando com os fatos. Ontem , cerca de meia hora antes de alguém descobrir sobre o assassinato e começar o escândalo e caos, eu recebi uma carta. Nesta carta estava escrito apenas a rua onde o Senhor O’hara foi encontrado morto- Diz Logan enquanto observa Amy com uma feição triste ao relembrar da morte do marido- Todavia, o conteúdo neste livro permitiu a minha compreensão de que todos nos estamos presos em um jogo. Um jogo estratégico e meticuloso organizado por um ser bastante perverso- Finaliza Logan abrindo o livro e mostrando para a moça e para David.
Era Uma Vez
Com uma rosa eu ando
Pelos becos de Londres Eu o Procuro
Uma Rosa Eu o Oferece
Adam O’Hara, o príncipe desta noite
Uma Rosa ele Recusara
Uma Fera Virará

O Livro estava aberto, o texto chocara David e lembrava Amy da tragédia. Tudo pareceria como uma piada se as letras não estivessem sido escritas com sangue e pior ainda, um órgão que nenhum dos integrantes na sala conseguiu definir estava preso com um prego em algumas paginas. Muitas paginas foram cortadas para abrigar esse órgão humano sem que fosse percebido pela visão, alem disso, algumas paginas foram arrancadas totalmente. Amy tem uma ânsia de vomito colossal, todavia, ela segura e tenta lidar com a situação.
–Amy, não sei como você reagirá com este fato, porem, este órgão não é de Adam- afirma Logan.
–Como assim ?! – pergunta a moça sem entender.
–O fígado de seu marido ainda esta no corpo dele, este órgão é de outra vitima. Isso é uma pista, uma forma do assassino de sempre nos manter no caso, dando pistas como essa- Explica o Detetive –Alem disso, descobri isso entre duas paginas coladas do livro- Finaliza Logan mostrando uma pagina dobrada com um pouco de sangue seco novamente sendo utilizado para escrita.
Era Uma Vez
Um menino um carpinteiro vinha a desejar
Um boneco de madeira ele decidiu criar
Como uma fada um desejo vou realizar
Um menino de verdade o Boneco Virará
David mal tem reação, sua feição de espanto e de aflição finalmente o retira totalmente do trabalho e o arremessa no cruel mundo real. Amy fica indignada, ela achava que conseguiriam para o assassino rapidamente e já esta ai outro crime dele.
– A vitima deste possível assassinato já deveria estar morta antes de Adam ter sofrido o incidente- informa Logan.
–Você já tem alguma noção de quem foi a vitima?- Pergunta David assombrado.
– Não, Tenho que estudar melhor os fatos, Todavia, creio que se formos a cena do crime novamente e compararmos as fotos que tirei da cena com os fatos que foram deixados pra traz pelos policiais, podemos achar alguma pista- Afirma o Detetive- Alem disso uma testemunha importante foi descartada, um homem de rua categorizado como louco pode nos ajudar- Finaliza Logan
–Então... Quando vamos? –Pergunta Amy
–Eu e David vamos logo, você fica aqui ate decidirmos o melhor a se fazer- Exclama David.
–O meu marido Sofreu com o crime mais hediondo já visto nas ruas de Londres e você quer que eu fique aqui parada?! Espero que aceite minha companhia ou todos os jornais de Londres vão saber como fui seqüestrada por um detetive e um jornalista- Ameaça Amy.

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As Ruas de Londres se abrem ao chegar perto do rio Thamis, barcos e navios baixos repletos de mercadoria chegam ao porto Harwich. A fumaça das chaminés dos navios cobre, junto às nuvens cinzentas, o céu impedindo o sol de penetrar na cidade com seus raios de luz que aquecem o ambiente. Isto, junto às frentes frias deixa o clima bastante frio neste dia, alem disso um vento vindo em direção do rio passa rasgando a cidade e jogando papeis e lixo do chão ao ar. Saindo da área do porto esta uma oficial da policia de Londres, Simonne White, junto a um oficial com roupa de policial bastante comum. A Oficial White é uma mulher de cabelos negros que chegavam a pouco mais de seu ombro, sua face é seria e mostrava maturidade e profissionalismo da mulher. Sua pele é branca como a neve que cai dos céus londrinos no ápice do inverno, seus lábios eram vermelhos como uma maçã, e traziam bastante beleza para o conjunto que formava a Senhora White. O homem ao lado dela tinha face tão seria quanto a Oficial. Traços asiáticos em seu rosto como seus olhos puxados destacavam sua face, sua falta de barba fazia sua face aparentar lisa como a de uma mulher. O corpo do oficial era um pouco menos fortalecido do que o de outros policiais e seu tamanho era menor também, ao ponto dele ter a mesma altura da Senhora White, todos assumiram que estas diferenças corporais se davam por conta de sua descendência asiática e ignoravam o resto.
– Não acredito que acabamos de negociar informações com um pirata, alem disso, como você sabe que o caso do boneco de madeira tem relação com o seqüestro da senhora Harry? — Exclama o Oficial
– Só um pressentimento mesmo, de qualquer forma nos sabemos que aquele assassino voltou a tona, você viu o caso com Adam O’Hara não é mesmo ?- Afirma Simonne respondendo
–De qualquer forma, por que não estamos investigando o caso do professor O’Hara, porque temos que procurar uma mulher desaparecida a 7 meses?- Pergunta o Homem asiático.
– Nosso “brilhante” chefe decidiu colocar o detetive Wolf no caso, e como você sabe, não suporto detetives como ele, prefiro resolver este caso sozinha sem ter contato algum com esse “desbravador de mistérios”- Explica a Oficial
– E para isso nos vamos cometer o crime de trocar informações com um pirata? Esse cara rouba mercadorias dos navios londrinos ha anos e ele vai sair impune? Alem disso, você viu o cara, ele tinha um gancho no lugar da mão, ele é insano!- Exclama o Oficial
– Que seja, agora sabemos que aqueles drogados sabem algo sobre o seqüestro da senhora Harry, com sorte nos conseguiremos extrair bastante informação deles- Exclama a Sr. White.
–Mas quem é essa tal de Tinna Bell que estamos procurando? E como você sabe onde ela esta?- Pergunta o Oficial
– Ela é uma drogada que junto com o marido oferecem cocaína a crianças para viciar elas e usar elas para vender pela cidade, essa mulher já foi presa diversas vezes, Toda via, ela sempre acha um buraco novo para se esconder, sorte minha que duas semanas atrás eu participei de um caso que envolvia algumas crianças roubando, bem eu consegui a localização dela assim, aterrorizando a mente de crianças com interrogatórios sufocantes- explica Simonne
–Extorquir informações de crianças, você já teve tempos melhores Simonne- Ironiza o oficial
– Todos nos temos tempos difíceis, não é mesmo “Marius”-Ironiza a Oficial- Venha, temos que chegar logo no buraco onde esses drogados se escondem- Exclama Simonne

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A rua cinzenta londrina parece nem mais relembrar o terrível assassinato que acontecera ha um dia atrás. Os olhos de Amy tentam negar este lugar, negar cada informação e evento que aconteceu nesta localidade. Uma carroça esta localizada ao lado do beco onde o senhor O’Hara foi encontrado morto, respingos de chuva criam um clima apropriado para o ambiente. O detetive B. Wolf olhava fotos que ele tirou da cena do crime e tenta criar algum tipo de teoria para os acontecimentos.
– Amy, tome um tempo antes de entrar no beco, vou discutir com Dvid enquanto isso- Exclama Logan calmamente, tentando confortar a moça que acabara de passar por um trauma
Amy acena com a cabeça e se afasta com uma feição depressiva, porem, reagindo bem diante da situação sufocante que ela esta passando. Logan se aproxima de David e mostra as fotos do assassinato.
– Como você pode ver, a vitima foi torturada antes de ser assassinada, o sangue esta seco na parte de baixo do corpo, enquanto a parte de cima ainda tem sangue escorrendo. O assassino teve o prazer de cortar o pênis e deslocar os ossos de Adam antes de matá-lo, sua face foi deformada enquanto ele ainda respirava e seu couro cabeludo foi arrancado enquanto ele ainda estava vivo- explica o detetive- Eu ainda acho que a barriga dele foi cortada e suas entranhas foram postas a mostra aqui neste beco- conclui Logan.
– Então ele foi torturado em algum lugar antes de ser trazido para este beco. Precisamos descobrir no mínimo como ele foi transportado para este local, assim, fica mais fácil descobrir o paradeiro do assassino- Afirma David.
– Exatamente, por isso viemos aqui, uma testemunha ignorada vive neste beco- Exclama Logan, agora olhando para Amy e fazendo um gesto com a cabeça para ela se aproximar novamente.
Amy anda calmamente, meio desajeitada por estar num lugar onde muitas emoções se confundem, ela segue em direção a Logan e sem muitas palavras ela anda em direção ao beco, um pouco a frente dos seus companheiros.
– Amy, tenha calma, esses próximos passos serão os mais difíceis, mesmo o corpo de seu marido já ter sido retirado, este local pode te lembrar de coisas que devem ser esquecidas- Avisa David, tentando ajudar a moça a passar por tal situação.
A bela moça entra no beco sutilmente, para alguém observando de longe, poderia apenas parecer uma garota entrando num beco, todavia, para Amy, ela sentia como e estivesse quebrando uma barreira e entrando em um local onde as trevas mais profundas de seu coração se espalhavam pelo seu corpo como um vírus parasitando uma garota indefesa. O beco emana um cheiro de morte que junto a o sangue seco no chão criam um clima aterrorizante para qualquer um que tiver a coragem de entrar nele. Ao fundo do beco, uma sombra de um homem assusta Amy e deixa David e Logan curiosos. Do local onde a sombra se projeta, um som começa a ser escutado pelos três companheiros, uma voz ecoa pelas paredes estreitas do beco.
– Eles estão se aproximando, devemos tomar cuidado? Não podemos deixar que eles o roubem- Exclama a voz com um tom assustado- Cale a boca, eles vão te escutar, devem ser só pessoas querendo saber sobre o homem que morreu ontem- Exclama a mesma voz, agora com um tom agressivo enquanto os companheiros se aproximam- Mesmo assim, precisamos protegê-lo – continua a mesma voz
–Ola senhor, não queremos lhe causar nenhum mal, só precisamos de algumas informações- Interrompe Logan
–Eles só querem saber do homem, como eu disse- exclama a voz seguida de tosses do homem – Ola, nos podemos ajudar- exclama a mesma voz, agora saindo das sombras.
Agora, David se recorda, este homem estava sendo abordado por policiais na cena do crime, o jornalista ate anotou alguns acontecimentos envolvendo esse morador de rua. Sua pele era pálida, ao ponto de ser quase cinzenta, ele tinha alguns dentes quebrados formando pontas, seus olhos azuis eram enormes e destacavam seu rosto. Ele tinha cabelos castanhos, porem, sua falta de cabelo era evidente, era possível ver facilmente seu couro cabeludo, poucos fios conseguiam cobrir sua cabeça totalmente.
– Soubemos que você viu o crime acontecer, precisamos que conte tudo- Exclama Logan friamente, tentando conseguir a colaboração do homem.
– Sim, nos vimos uma figura vestida de preto, não podíamos ver nenhuma parte de sua pele, ele veio com uma carroça e carregou o homem ate aqui, sim, ele cortou a barriga dele e mostrou e tirou o que tem dentro dele, ele tinha uma rosa na mão- Explica o homem.
– Uma carroça? Como a que esta na frente deste beco?- Pergunta Amy
–Sim, ele deixou a carroça, saiu daqui e nos deixou com o corpo, nos pensamos que ele queria roubar nosso precioso- Exclama a voz – Cale a boca, não deixe eles saberem do precioso, ele é meu... Quer dizer, nosso- finaliza o morador de rua enquanto rapidamente anda para a sombra.
– Espere!- exclama Amy
– Não se preocupe, já temos o que queríamos- afirma David olhando para a entrada do beco e vendo a ponta de uma carroça.
Logan vai em direção da carroça, observando cada detalhe, desde a trilha de sangue seco ate a carroça que mal pode ser percebida ate os fios de cabelo no chão que foram espalhados pelo vento da carroça ao chão. Logan esta frente a frente ao veiculo, sujeito a frente do objeto. Amy tenta se aproximar, mas David põe a mão no ombro dela que a faz entender que deve deixar Logan analisar sozinho. O detetive penetra nos mistérios daquele objeto, inicialmente, ele olha pelo pano que cobre a base do veiculo. Fios de cabelo castanhos mal podiam ser percebidos, porem Logan já deduz que Adam foi enrolado neste pano durante a viagem ate este beco. Retirando o pano, Logan percebe um ponto branco, ao analisar melhor, ele percebe que é uma lasca de dente, alem disso certo pó branco de dente induz que alguns dentes foram lixados. Todavia, um símbolo talhado na madeira resolve o maior dos mistérios desta carroça, este símbolo remete a antiga carpintaria do famoso Gerald, que teve uma empresa de sucesso, porem, uma vida não tão feliz.

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As ruas são estreitas, nenhum veiculo se atreve a passar por ela, pessoas de todos os tipos espreitam Simonne e o oficial Marius. O cheiro do ópio contamina o ambiente, assim como as faces viciadas que perambulam pela escuridão em busca de um motivo para viver, todavia, geralmente acabam caindo na mesma armadilha narcótica que os afundou neste mundo. Simonne atentamente analisa cada residência e loja que eram encontradas pelo caminho, ela estava a procura de algo, Marius estava mais interessado em ver se algum drogado se atrevia a atrapalhar o caminho dos agente policiais. Após alguns minutos andando nestas ruas cinzentas repletas de lixo, material e humano, Simone guia Marius para um beco sem qualquer alma para interromper o trabalho deles. Algumas poças de água espalhadas pelo beco refletem os oficiais andando ate seu fim, o lixo espalhado pelo chão cria um clima desagradável. Logo uma porta pode ser vista em uma das paredes do beco, Simonne sinaliza para Marius fazer silencio e vozes começam a ecoar pelo ambiente.
– Não tenha medo sinta o cheiro- uma voz feminina exclama dentro da residência ao lado dos dois.
– Mas estou com medo- exclama uma voz infantil.
– Cheire essa porra logo seu moleque imprestável – uma voz masculina aparece.
– Não seja grosso com ele babaca, quer foder nosso negocio novamente?- A voz feminina exclama.
A conversa é interrompida por um estrondo causado pelo arrombamento da porta. Marius derrubara a porta de madeira com um chute certeiro, deixando as pessoas dentro da residência abismadas. O oficial agora empunha uma arma junto a Simonne que carrega uma menor, os dois apontam a arma em direção as duas figuras adultas que eles reconheceram. Vestindo um vestido meio esverdeado já desbotado a cor com o tempo, rasgado em algumas pontas e sujo por completo, junto a asas de fada que podem ser compradas em qualquer loja de fantasias porem provavelmente roubadas de um teatro, uma mulher destaca o ambiente. Um homem ruivo fumando um cigarro arregala os olhos e tenta se afastar lentamente. Três crianças pequenas também se assustam, sendo que uma delas estava chorando com a cara repleta de um pó branco, a frente dela uma mesa repleta de cocaína e ópio espalhados declara o crime que acontecia nesta residência.
– Todas as crianças para fora!- exclama Marius enquanto mira no ombro do homem com cigarro, tal homem que tenta agarra uma das crianças para usar como refém, porem recebe um tiro de raspão.
O grito do adulto é rapidamente abafado por sua mão, na tentativa de não atrair mais pessoas para o local. A mulher com asas de fada começa a chorar e soluçar sem parar, Simonne mira a arma na cabeça dela com calma e paciência.
– Bem, Tina, parece que você nunca vai sair desse poço de merda que você mesma cavou, não é mesmo? — Exclama Simonne enquanto vê a criminosa sem resposta – Você ficou bem feliz quando saiu da cadeia não é? O que fez desta vez, deu para um policial qualquer, conseguiu alguém para te tirar e aumentou suas dividas? Não importa, nunca importou para você, já foram quantas vezes La dentro, duas, três? Já não faz diferença, o importante é sair e voltar para este complexo de trafico que foi criado por suas mãos- Afirma Simonne se aproximando da drogada.
– Cale a boca, Vocês policiais sempre são a mesma merda. Não importa o quão difícil é o mundo para vocês, nos só vendemos para quem quiser comprar, alem disso só queremos conseguir nosso pão de cada dia- Exclama o homem com o ombro sangrando.
– AH, e quem é você mesmo? Ah sim, um drogado que vicia crianças que quer discutir conceitos de moral e ética. Você deveria ter vergonha da própria vida!- Exclama Marius tomando um passo para frente.
– Vocês dois se metem em muita merda a cada dia, quem diria que uma destas pode ajudar a policia londrina- Afirma Simonne
– Ajudar, do que você esta falando?- Pergunta Tina se recompondo do que acontecera.
– Sim, pelo pior que parece uma vez na vida vocês podem nos ajudar- Responde Marius com repudio
– Digamos que fomos informados que vocês sabem algo sobre o seqüestro de Reyna Harry- Exclama Simonne
– Quem, não sabemos de nada sobre o seqüestro de ninguém, nos deixem em paz! – Exclama Tina
– Oh, que surpresa, vocês negaram. Vamos explicar melhor a situação para vocês. Ou vocês falar sobre o seqüestro da senhora Harry ou a cadeia os aguarda. E saibam que não será uma cadeia qualquer, eu mesmo garantirei que vocês fiquem em uma prisão de estupradores em alguma ilha qualquer- Finaliza Marius
As faces de Tina e do homem ruivo a seu lado ficaram perplexas, Marius sabia como fazer pessoas como eles falarem, ele podia não ter muita experiência porem ele tinha o talento. Após terminar sua fala ele da um passo brusco para frente e se aproxima com sua arma a cabeça do homem.
– Senhora Harry? De quem vocês estão falando, não sabemos!- Afirma Tina com a face molhada de lagrimas
– Vocês estão falando daquela loira rica? – pergunta o Homem ruivo
– Parece que agora finalmente começamos a falar de verdade- Exclama Simonne com um sorriso.
– Sim, eu me lembro, nos estávamos querendo pegar aquele... Quero dizer vender algumas jóias para ela e depois de seguir a vagabunda nos vimos uma figura negra bater com um cabo de arma na cabeça dela- Responde Tina.
– E depois o filho da puta foi atrás da gente! Achei que ia morrer, mas ele só queria nos entregar um papel- Finaliza o homem
–Um papel?- pergunta Marius
– Sim, Peta, onde você guardou esta merda?- Exclama Tina
– Eu guardei como um suvenir- exclama o homem com o ombro sangrando enquanto levanta e vai atrás de uma de suas gavetas- Achei, aqui está!- Exclama Peta
– Deixe-me ver- exclama Marius estendendo a mão para Peta.
O criminoso da o papel para o oficial que se afasta e lê o conteúdo nele. O papel tinha palavras escritas com sangue, Marius se assustou ao ver, porem, voltou à calma e começou a ler.

Cabelos Dourados realçam a beleza,
A riqueza da nobreza enlouquecera sua mente.
Agora, Numa torre ela calmamente espera,
Com esperança de uma visita ela anseia firmemente.
7 meses, quando sua beleza expira,
Os vermes e a decomposição a trarão uma nova vida.

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A carpintaria era de madeira, suas janelas estão cobertas por sujeira e teias de aranha, sua porta estava obstruída por algumas tabuas de madeira pregadas nela. Uma chuva tão fraca que mal podia ser percebida caia das nuvens londrinas, passando pela fumaça de suas enormes chaminés e carregando a sujeira dos céus. O detetive Wolf acaba de chegar a frente desta antiga residência, junto a David e a Amy, com um pouco de medo e aflição, Amy se aproxima da janela para tentar ver alguma coisa, todavia, o vidro que já foi transparente por completo, sofreu do terrível plano que o tempo arma para cada um e a cada coisa neste mundo. David não para de escrever, estes crime poderia ser a escada para o sucesso para sua carreira, ele abandonaria sua condição financeira razoável e aterrissaria no sonho capitalista. O detetive começa sua viagem mental, teria este local alguma coisa haver com o papel onde aquela mensagem de sangue sobre um boneco de madeira? Seria o desejo do assassino esta descoberta? E mais importante, o que os aguarda atrás destas paredes de madeira velha?
– Logan, o que faremos agora? Arrombar essa residência seria muito notório não acha? – Exclama David
– Realmente, procuraremos uma porta dos fundos, caso conseguirmos entrar, teremos que voltar a noite com algumas ferramentas – Afirma Logan.
– Bem, o que estamos esperando? Vamos – Exclama David tentando quebrar o clima desagradável do local.
Os três seguem Logan ate os fundos da antiga carpintaria, lá eles encontram uma porta dupla de madeira arrombada. A porta era larga e se ligavam ao meio, as dobradiças foram destruídas, talvez com tiros, ou apenas com o empurrão de alguém forte. A tranca não estava muito danificada e teias de aranha foram rompidas ao arrombamento da porta.
– Parece que alguém já abriu caminho para nos- Exclama David
– Alguém esteve aqui antes de nós – Afirma Logan
– Como pode ter tanta certeza? – pergunta Amy
– Preste atenção, teias de aranha foram rompidas, elas não durariam soltas por muito tempo, em no máximo uma semana atrás este local foi arrombado- Afirma Logan.
– Então o assassino estava aqui há poucos dias- Exclama David
– Não exatamente- Afirma Logan- Veja essa tranca, não acho q Gerald teria condições de comprar algo assim, pelo menos não neste estabelecimento, ele vivia na pobreza quase absoluta, este era sua carpintaria e casa, seu sucesso só começou quando ele se mudou para o centro da cidade- Explica Logan- Alem disso – Continua ele, agora se movendo para dentro do local- Uma tranca de madeira bastante simples era usada aqui, não entendo porque duas trancas seriam colocadas, a menos que alguém tenha a colocado isso para se aproveitar de uma antiga carpintaria e transformar-la em seu covil- Finaliza Logan
– Então você esta insinuando que o assassino instalou uma tranca, duvido que ele tenha conseguido fazer isso sem a ajuda de algum chaveiro- Exclama David- Logan, isole essa tranca, talvez conseguiremos achar quem fez esse serviço- Afirma David.
– Bem pensado, faremos isso depois, melhor entrarmos logo- Afirma Logan
Entrando neste local dominado por teias de aranha, mofo e um cheiro de morte e decomposição, os três que estavam espreitando pela porta adentram a este novo ambiente. Uma sala de estar totalmente pisada pelo tempo se apresenta para os invasores da residência, uma cama, ao lado da mesa de jantar destruída, estava repleta de teias de aranha, uma cozinha bem precária podia ser vista perto dela. O local era pequeno, os poucos moveis estavam apertados nesta sala e o cheiro desagradável de morte começava a aumentar. A madeira velha emitia um barulho ao ser pisada e insetos se afastavam ao perceber a presença de algo entrando em seu isolado habitat. Abrindo uma porta velha, Logan expõe outro ambiente, este, agora dominado por bonecos e manequins de madeira, relógios, cadeiras, nada muito requintado, todavia, o que mais chama a atenção de todos é um corpo enforcado e pendurado por uma corda em seu pescoço. Logan não se surpreende, porem, sempre é chocante ver algum corpo morto. Amy fica pasma, pálida e fria, seu estomago da uma revirada e ela sente uma grande ânsia de vomito. David fica chocado, sua audácia e fúria para descobrir o criminoso por traz disso tudo aumenta. O corpo esta pendurado, frio, imóvel, mal poderia ser possível de ver ele se Logan não acendesse o seu isqueiro. Agora, tudo fica pior, mais aterrorizante. O corpo não esta normal, sua pele parece se desprender do seu interior, sua boca esta aberta e tem algo nela, Logan não consegue ver direito, ele ainda esta tentando processar ver este corpo de um homem de cabelo escuro pendurado numa sala. Seus olhos foram arrancados, deixando um vazio em seu rosto, porem Logan reconhecera quem este homem é.
–Este é o filho de Gerald- exclama Logan- Um trágico fim para ele, todavia, duvido que o pai dele se lembre disso- Afirma o Detetive.
Logan retira um lenço de seu bolso e toca na perna do homem com seu pano impedindo que ele deixe digitais. Agora, o Detetive percebe, o corpo deste homem não esta pendurado, ele nem nesta carpintaria está, apenas a pele dele foi retirada, e posta num manequim de madeira. Logan sobe a camisa do homem um pouco para ver os cortes que foram deixados para que o boneco entrasse nesta “roupa“ de pele humana. Agora O detetive abre espaço para os outros perceberem a abominação a frente deles sozinhos. Amy da um suspiro ríspido e assustado ao ver o que acontecera, David fica pasmo.
– Pobre Gerald- Exclama Amy.
– Pena dele que mal reconheceria seu filho nesta situação- exclama David
– O que acontecera com ele exatamente?- Pergunta a bela moça, assustada pela situação.
– A vida de Gerald não é um conto feliz, ele vive na ilusão que seu filho é um boneco de madeira- Exclama David enquanto vê Amy sem entender.
– Ele foi diagnosticado com esquizofrenia, tinha o costume de falar com seus bonecos, forjava seus amigos de pedaços de madeira- Afirma Logan- Ele tinha muitos amigos, estes, ele não vendia para seus clientes, talvez isso implicou em seu péssimo lucro em seus primeiros anos. Todavia, ele sempre quis um filho, acima de tudo, então, fez um manequim, seu filho, ele o vestia todo dia e conversava bastante, sua insanidade era alimentada por aquele boneco. Porem, o destino o aproximou de uma mulher, eles tiveram um filho e ela morreu no parto, nesta época, sua carpintaria já era famosa. Ele cuidou do filho, apresentou ele para seus amigos de madeira e aos poucos, com o tempo, manequim dele foi ficando de lado. Todavia, anos depois, seu filho cresceu, e o pobre Gerald foi ficando velho, e como o ciclo da vida continua, o filho dele saiu de casa e foi trabalhar. Gerald ficou triste, o que implicou da volta de seu manequim, seu filho de madeira. Com a velhice, ele acabou esquecendo-se de seu filho de verdade, para ele, tudo que foi vivenciado com seu filho, na verdade foi com o manequim- Finaliza Logan.
Amy olha para o Detetive abismado, como deus poderia armar tal destino para um homem? E pior, como alguém poderia ser cruel o suficiente para piorar ainda mais a vida dele? No final, esta é a realidade que deus criou, seja ela cruel ou não.

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Os olhos de Simonne relaxam ao ver sua casa, um peso é retirado de seus ombros ao perceber que seu trabalho acabara. Ela anda sem pressa ate a porta, acompanhada do oficial Marius. Simonne entra na casa e joga as chaves no oficial.
–Tranque por favor, esse dia já foi cansativo demais pro meu gosto- exclama Simonne.
– O dia foi cansativo para você? hum, vou deixar o arrombamento de porta para você na próxima vez- exclama Marius tirando seu chapéu de policial.
O chapéu cai no chão e da cabeça de Marius, cabelos longos e femininos caem, chegando ate seu ombro. O retirar de sua camisa deixa tudo mais evidente ainda, um pano fazia volume para tentar esconder peitos femininos, eram pequenos, porem eles estavam ali. O oficial robusto e frio se transformara em uma mulher asiática com curvas sensuais e delicadeza nos olhos. Simonne observa feliz e chega perto da mulher que estava travestida.
– Sempre bom ver minha Milley novamente- Exclama Simonne
– Sempre bom voltar a ser a sua Milley- Exclama Milley rindo
– Serio, ate quando você vai continuar com essa mentira ?- Exclama Simonne pegando na virilha da asiática e movendo seus dedos lentamente para o cinto dela.
– Não sei, talvez nunca, a vida como mulher policial não é das melhores, principalmente no meu caso onde não vou ficar resolvendo crimes como você e sim batendo em uns babacas pelo caminho- Explica Milley- E nem me fale dos seus planos de fugir viu, já foi difícil o bastante entrar nesse país , imagina fugir dele- Exclama Milley, passando as mãos pela cintura da pálida moça a gente dela.
– Pelo menos deixe me imaginar- Exclama Simonne retirando o cinto da moça asiática e então passando as mãos pela nua bunda dela.
Milley parte para um beijo, primeiro, a camisa de Simonne voa longe, logo depois, a calça, sapato e etc... chega a hora quando Milley esta acariciando os peitos de Simonne, enquanto ela passa a mão na virilha e então na vagina de Milley. O clima começa a ficar mais e mais tempo naquela sala, onde as duas agora estavam no sofá se beijando e realizando fantasias sexuais. Após um bom tempo, as duas estão deitadas uma sobre a outra, relaxando, simonne esta fumando e lançando a fumaça para o alto e milley esta sonolenta. Uma da um olhar para a outra, um olhar tão profundo que transmite mil palavras nele, o sorriso nos olhos delas reflete a felicidade e prazer de estarem juntas. Com seus corpos nus e relaxados, elas dão um ultimo beijo e vão em direção a cama dormir. Ao amanhecer, seus problemas voltavam, porem, naquele exato momento, elas eram uma só, e nada podia abalar aquele momento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.