Uma Estranha No Meu Quarto

41 Capitulo 35 - Reencontrando eu mesma.


Notas iniciais
Mais um capítulo fresquinho!! Não vou me prolongar não, só tenham uma boa leitura.. ♥

— Protocolo de emergência, selando portas e acionando as autoridades. Favor confirmar código de liberação por voz. Tempo restante: Oito minutos e sete segundos. Todos seguranças encaminhem-se ao andar trinta e três.

Helena.

Balancei a cabeça e não pude deixar de esboçar um sorriso ao lembrar de quando meu pai a projetara, anos atrás, com ajuda de outros cientistas e alguns especialistas em informática. O prédio acabara de ser construído, e eu adorava andar nos elevadores, brincar nos laboratórios, mexendo nos tubos de ensaio e em pesquisas importantes. A construção era maior que eu já havia visto e mais se parecia com um parque de diversão, com todos aqueles aparatos que uma criança não era capaz de compreender. Os cientistas ficavam furiosos quando eu entrava nos laboratórios, no entanto meu pai nunca me repreendia. Pelo contrário, sentava comigo e aos poucos me ensinava. Se eu tenho um pouco de conhecimento foi graças a ele, que sempre me amou e me incluiu em sua vida, mesmo a profissional.

Um dia meu pai me colocou em seu colo e brincando com meu cabelo perguntou a mim como eu queria que Helena, seu projeto mais importante e caro, a defesa de todo seu legado, aparentasse. E assim ela, ganhou sua forma excêntrica, meia fada, meia elfa e seus lindos olhos violetas. Como uma criança de oito anos, era como eu imaginava que ela devia ser; a fada-elfa protetora com o nome de minha avó.

E imaginava ela como minha amiga. Pode parecer estranho, mas ainda considero ela como da família, assim como meu pai a considera. E como da família ela jamais permitiria intrusos em nossa segunda casa.

Em outras circunstâncias estaria grata a ela, mas agora ela não estava protegendo a casa, e sim machucando meus amigos. Machucando Christian. Se eu pudesse falar com Helena...

— Helena, desative o protocolo. — Ordeno minha voz firme mais firme e determinada. Ela não me ouve, claro. Mas eu tinha que tentar. — Helena...

Olho para o meu mediador estirado ao chão, atirando. Seu ombro sangra e me sinto muito culpada. Fui contra vir aqui desde o início, mas no final acabei compactuando com esse plano impossível, ao invés de manter meu aviso sobre ser perigoso, já que eu era a única que conhecia o local. A vontade de retornar a vida se sobrepôs as minhas convicções e estou me sentindo um lixo de ser humano.

Roosevelt atirou no último homem de pé. Enquanto a maioria relutava, inclusive Hugo e o Xerife, ele matava a todos com o sangue frio e um olhar fosco de alguém que sabe exatamente o que está fazendo. Ele afirma que seu irmão Carlisle é o psicopata, quando ele mesmo age como um. Tão instável que me faz imaginar o quão seria ruim tê-lo como nosso inimigo. Mas relevo, pois se não fosse por ele, sua frieza e experiência... os meninos já estariam mortos. Seu olhar cruza com o meu a distância e ele parece exausto. Todos eles denotam cansaço, tanto os vivos quanto os mortos.

Enquanto eu permanecia como uma inútil. A única que não ajudou em nada até agora.

— Jaynet, acabou? — Ele pergunta baixando as duas metralhadoras em suas mãos sem esboçar qualquer reação quanto a pilha de corpos aos seus pés.

Começo a contar mentalmente os seguranças; Vinte... Trinta, trinta e dois. Cada andar conta com cinco seguranças. Num prédio de 33 andares...

— Não. Tem mais que o triplo ainda.

— São cerca de duzentos seguranças. — Complementa Hugo e tenho nojo até de ouvir sua voz. — Eles devem chegar a qualquer momento por uma das duas escadarias, por que nessas situações a Helena trava os elevadores.

Roosevelt exige com os olhos de mim uma confirmação. Assinto deixando claro que Hugo está certo. Além de meu motorista ele era responsável pela minha segurança o que faz dele um grande conhecedor do prédio, quase tanto quanto eu mesma.

— É melhor a gente se entregar. — Deduz Kevin, que não nos enxerga, mas ainda consegue nos ouvir. — Não tem outra alternativa; Nick e Christian estão feridos. Somos adolescentes talvez relevem.

— Não.

Christian ficou de joelhos e me aproximei dele, segurando-o pelo braço e ajudando-o a levantar. Ele me encarou enquanto recarregava a arma e e segurou minha mão. Seu olhar estava tão penetrante e indecifrável, mas principalmente sua expressão carregava uma determinação que me fizera desviar o olhar.

— Onde está seu corpo, Jaynet? Eu irei busca-lo. — Ele fitou Michael que apoiava o peso de Nick com os ombros. — Podem se entregar. Falem que entraram aqui por acidente, ou uma aposta doida, não sei... Meu pai é amigo do pai de Jaynet, ele pode perdoar vocês. Obrigada pela ajuda.

— Nem pensar, porra! — Gritou Nick, rasgando a manga da blusa e enrolando na perna como um torniquete. — Nós vamos com você. Não cheguei aqui para voltar.

Os outros meninos assente. Eu suspiro e puxo o braço de Christian, encarando-o duramente.

— Chega, não deveríamos nem ter vindo aqui! Você vai embora junto com eles.

— Não vou caralho. Desde que me tornei um mediador eu ajudo a todos os fantasmas, faço o melhor que posso, por que tenho você ao meu lado me apoiando. E quando chega a vez de te ajudar, eu não posso? — Ele segurou minha mão. — Jaynet eu.. eu... — Christian acariciou meu rosto com as costas da mão, baixando a voz. —Por favor, me ajuda a te ajudar. Eu quero muito que você volte à vida.

— Eu também.... — Acabo sussurrando.

— Protocolo de emergência, selando portas e acionando as autoridades. Favor confirmar código de liberação por voz. Tempo restante: Seis minutos e trinta e sete segundos. Todos seguranças encaminhem-se ao andar trinta e três.

Sei que vou me arrepender depois, mas a voz de Helena em sua contagem infernal me arremete a uma ideia que renova minha esperança. Subitamente me lembro que Helena tem terminais em todos os andares e caminho até o fim do corredor, procurando o computador correspondente a esse andar. Acesso o sistema de Helena e digito a senha do meu pai o mais rápido possível. Não posso desativar o protocolo, mas posso fazer algo que nos dará uma vantagem. Com acesso liberado, digito o comando que desbloqueia os elevadores e trava as portas das escadas.

Deixo escapar um sorriso quando ouço os elevadores abrindo. Os seguranças são orientados a subirem pelas escadas, não vão notar de imediato e isso dará tempo suficiente para que a gente improvise parte do plano de Roosevelt. Encaro o fantasma que, percebendo minhas intenções, desponta um sorriso também.

— O que você fez? — Pergunta Hugo, exigindo meu olhar.

O ignoro e encaro a Christian que está distraído pressionando o buraco em seu braço a fim de estancar o sangramento. Ele logo percebe e volta o olhar para mim.

— Abri os elevadores. Meu corpo fica um andar abaixo dos laboratórios. Primeiro temos que descer até o térreo e pegar um outro elevador pois estes não dão acesso ao andar que queremos..

Sou interrompida por batidas grotescas na porta que dá acesso a uma das escadas. Algumas faíscas forçam passagem pela fresta como se derretessem a fechadura com um maçarico.

— Eles vão arrombar. — Roosevelt levanta uma das armas. — Vão vocês, eu ficarei dando cobertura. Não temos muito tempo

Assim que ele termina sua frase a porta vai definitivamente ao chão. Os seguranças despontam no corredor e dão de cara com os meninos. Eles prontamente avançam em nossa direção, mas Christian e eu entramos no elevador, seguidos por Kevin e Michael que apoiavam Nick nos braços. Roosevelt, Hugo e o Xerife permanecem lá, atrasando-os. Aperto o botão do térreo e as portas demoram uma eternidade para fechar, mas enfim estamos livres de todo aquele tiroteio. Os meninos soltam o ar em uníssono.

— Muito tenso. — Comenta Kevin enquanto o elevador começa a se movimentar. — E agora Jaynet?

— Precisamos pegar o elevador lateral, kevin. O destinado a pessoas autorizadas. — Respondo-o e olho pro painel do elevador; ele marca que ainda estamos no andar vinte. Kevin não tem costume de conversar diretamente e sinto necessidade de acrescentar algo mais. — Sinto muito pelos transtornos que estão passando.

— Que isso, você é do grupo agora.

Sorrio, me esquecendo que não posso vista por ele.

— Nick, como está sua perna? — Pergunta Christian seu semblante preocupado.

— Se preocupe com seu braço.

— Se fuder. — Christian ri, contudo o riso não chega aos olhos.

Ele se escora no espelho do elevador, retira a máscara que cobria seu rosto e fecha os olhos. Baixo meu olhar até o ferimento em seu braço. O Sangramento parece controlado, no entanto seus lábios estão pálidos e sua pele um pouco mais clara. Fico preocupada e um silencio incomodo acomete o elevador. Michael percebe o semblante desanimado de seus amigos e começa a cantarolar “OK, You’re Right do 50 Cent” e logo os quatro estão cantando.

— Fiz uma playlist com músicas de crime, mas esqueci de trazer o celular. — Comenta ele.

— Bem apropriado. — Aprova Chris, recolocando a máscara no rosto.

O Elevador parou no térreo e antes de abrir os meninos já apontavam para a porta. Contudo para o nosso alívio, ninguém havia reparado no som do elevador chegando e como Roosevelt havia quebrado as câmeras podemos sair de surpresa e andar livremente pelo Hall até o elevador lateral, onde Christian passou meu crachá no leitor que libera a porta e subimos até o andar vinte e cinco, onde ficava o depósito de pesquisas e os corpos congelados. Mais uma vez o elevador ficou bastante silencioso no trajeto.

Quando as portas abriram demos de cara com a recepção fria e mal iluminada do andar. Guiei os meninos pelos corredores metálicos e tecnológicos. A essa altura eles haviam até esquecido de manter as armas apontadas, tamanho deslumbramento com o lugar. Passamos por diversas salas e fui olhando dentre os vidros à prova de balas, em busca da sala que eu queria.

— Tem muita coisa esquisita aqui. — Kevin diz olhando tudo de forma admirada. Então ele aponta para uma maquina cheia de braços acoplada a uma maca. — O que é aquilo?

— Não sei, não é de minha época. — Respondo olhando o objeto.

Enfim chegamos ao setor de armazenagem, então diminuímos os passos. Pequenos quadrados guardam os corpos junto as paredes, como vários sarcófago ultratecnológico ou mesmo um grande freezer. A má iluminação somada ao silencio e as luzes verdes em cada túmulo trazem uma atmosfera sombria a essa parte do prédio. Vejo os meninos se encolherem e fitarem os túmulos através dos vidros como se eles fossem se abrir e os mortos levantarem. Mesmo eu quando viva não gostava de vir aqui.

— Já chegamos? — Pergunta Michael com a voz trêmula. — Parece que estamos naquele primeiro filme de Resident Evil. Helena parece com a rainha vermelha, só que uma versão adulta e gostosa!

— Verdade!! — Responde Nick animado. — Será que o pai de jaynet meche com armas biológicas? Ia ser foda se esses corpos levantassem por conta de um vírus.

— Cruzes. — Kevin faz o sinal da cruz de forma exagerada. — Vocês tem cada idéia!!

— Meu corpo fica na última sala. — Informo a Christian que repassa a informação aos seus amigos, tirando o foco da conversa. E acho sim que meu pai faz experiências biológicas desse tipo, mas resolvo me manter em silencio.

A luz acima de nós falha e contenho uma risada quando os vejo pular de pavor.

— Protocolo de emergência, selando portas e acionando as autoridades. Favor confirmar código de liberação por voz. Tempo restante: Três minutos e dezoito segundos.

Helena não ordena mais que os seguranças se dirijam ao andar trinta e três e esse pequeno fato faz a gente apressar o passo até a última sala. Com o meu cartão abrimos a porta de titanium e entramos no cômodo. As luzes se acendem em sua totalidade, iluminando o sarcófago rente a parede. Percorremos apressados os pequenos túmulos quadrados dispostos em fileiras e suas as telas digitais que carregam as informações, em busca do quadrado em meu nome.

— Protocolo de emergência, selando portas e acionando as autoridades. Favor confirmar código de liberação por voz. Tempo restante: Dois Minutos e trinta segundos.

— Acho que encontrei!! — Grita Nick e mancando, se aproxima de um dos quadrados, apontando com o indicador para ele. — É esse sim! Jaynet Marshall Becker. Está escrito câmara dezenove, mas não tem nenhum botão de abrir ou algo assim.

— Eu cuido disso. — Digo a Christian e me dirijo ao computador da sala.

Os meninos se adiantam até onde Nick se encontra e eu fico sozinha próxima ao computador. Há muitos anos não vejo meu corpo, e minhas mãos tremem de ansiedade enquanto apresento meu crachá e digito no computador. Não sei qual o estado dele, se continua conservado e isso me deixa mais nervosa do que nunca estive em minha vida. Christian me olha ao longe e quando nossos olhares se cruzam percebo que está nervoso também, torcendo o tecido de sua blusa com as mãos de maneira compulsiva.

Coloco a senha e uma série de números em uma espécie de mapa dos corpos aparecem no visor. Seleciono o dezenove e confirmo. Então ainda de costas ouço um barulho vindo da direção dos meninos e ainda sem olhar para trás a voz de Helena preenche todo o cômodo.

— Câmera dezenove aberta. Paciente Jaynet Becker, idade dezesseis anos...

Helena continua dando os meus dados, contudo estou nervosa demais para ouvir, então me viro, a expectativa preenchendo cada pedaço de minha alma.

Notas finais
Bom é isso gente, estou meia nervosa com esse final que está sendo tão estilo ficção científica kkkkkk não é muito minha praia não admito, mas espero que tenha ficado bom e que tenham gostado. Qualquer coisa me digam. Beijoss!!