Uma Estranha No Meu Quarto

27 Capítulo 26 - Proposta parte 2


Notas iniciais
Olá gente! O capitulo está atrasado e sem revisão, to com uns problemas no meu editor, mas espero que gostem Boa leitura ♥

Os livros voavam pela sala de Roosevelt como um furacão enquanto eu gritava, totalmente descontrolada. A minha vontade era de explodir a mansão com os dois juntos, tamanho o ódio que eu estava sentindo. E dor, eu estava repleta de dor. Tinha confiado em Roosevelt e ele só queria esfregar meu passado na minha cara.

— Jaynet, se acalma por favor. ­— Hugo tentou tocar meu braço mas eu joguei um livro na cara dele com minha mente. Ele tinha um sorriso no rosto, o que só me deixava mais da vida. — Precisamos conversar, sozinhos.

— Vocês se conhecem? — Roosevelt perguntou para Hugo. — De onde você conhece ela? Eu exijo saber.

Gargalhei e peguei o livro Maia da mesa com minhas próprias mãos, jogando na cabeça de Roosevelt. Ele me fitou irritado e pegou o livro com cuidado, como se fosse um objeto precioso.

Como se esse porra tivesse esse direito.

— Ué você não sabe?! — Gritei bem mais alto, assumindo um tom de deboche. — Você sabe até que meu pai guarda meu corpo, mas não sabe que este é o palhaço que me matou? Você armou esse encontro pra me magoar, seu filho da puta babaca!

— O que?!

A voz de Roosevelt soou esganiçada. Ele fitou Hugo com ódio que em resposta simplesmente deu de ombros e virou de costas para ele, focando apenas em mim. Meu estômago embrulhou ao notar que Hugo ainda usava sua roupa de motorista, a mesma do dia em que ele e eu morremos.

— Jaynet eu não te matei! Como você fala isso? Eu te amo.. — Tentou pegar meu braço de novo mas eu dei dois passos largos para trás. — Eu sabia!! Sabia desde que virei fantasma que você era o motivo de eu ter ficado aqui.

— Não Hugo, você está certo, não me matou. — Continuei com a minha linha sarcástica — Só abriu a porra da porta da minha casa para que me matasse, estuprassem, e assaltassem.

— Jaynet... — Hugo baixou a cabeça. — Não era para você estar lá, você sabe disso... — Tornou a me fitar com um brilho estranho nos olhos. — Mas agora que nos reencontramos podemos consertar as coisas e viver juntos para sempre.

— Você acha que o que você fez tem conserto? — Sussurrei repleta de nojo. — Eu nunca, nunca, nunca teria nada com você. Nem se eu reencarnasse cem vezes. Nem se nós fossemos as últimas pessoas do universo, nem se meu pai implorasse. Eu tenho nojo de você, nojo, horror.

— Mas eu tentei te ajudar a fugir, e me custou a vida! Eu tomei um tiro por você. Eu te amo... te amo muito Jaynet.

— Para de dizer que me ama! — Gritei me sentindo zonza. — Você tomou um tiro por culpa sua, nada mais. Por que você é estúpido demais! Eu não precisaria ser salva se você não tivesse feito uma merda sem limites..

Eu estremeci, efeito colateral de querer chorar sem poder. Se eu tivesse reparado mais em Hugo talvez notasse que ele estava obcecado por mim, talvez eu pudesse evitar tudo. Roosevelt intercalava o olhar entre mim e Hugo. Deixei os livros que rodavam a sala caírem e cruzei meus braços me sentindo culpada. Christian tinha me avisado que era uma armadilha, insistiu que eu não viesse aqui, e eu tinha caído feito uma idiota.

— O que vocês vão fazer comigo? Façam logo de uma vez, estou sem paciência hoje.

— Como assim? — Roosevelt parecia horrorizado. — Jaynet, eu lamento muito... Lamento tanto por ter que passar por essa situação desagradável. Hugo é um dos fantasmas que eu acolhi, eu não sabia que ele tinha ligação com você. Ele mora aqui tem um tempo... assim como os outros fantasmas que eu te falei.

— Mentiroso! — Gritei. — É muita coincidência. Você quer me deixar confusa para acabar com o Christian! Você quer me deixar maluca inventando que eu posso reviver. Seu.... Psicopata escroto! Eu não sei como por um momento pude acreditar em você! Você é pior que o Hugo, por que você é mais falso que a Alison de Pretty Little Liars!

Me xinguei internamente, quando fico nervosa tenho essa péssima mania de falar besteiras. Ele obviamente não tinha entendido, na época dele nem existia TV, mas fingiu que entendeu.

—Você quer reviver? — Hugou mirou Roosevelt animado. — Ela pode fazer isso? Eu quero ajudar!!

— Não quero sua ajuda! — Berrei feito uma louca. — Capaz de você causar minha morte de novo.

— Não! Jaynet, eu não gosto do Christian não posso negar, mas tudo que eu te falei é verdade. Pela primeira vez em muitos anos eu não estou armando nada, eu gosto de você.... — Roosevelt se virou pro meu motorista. — Hugo, sai daqui por favor.

— Qual a sua cara, com a minha Jaynet?! — Ele balançou a cabeça. — Que negócio é esse de você gostar dela Roosevelt, você já tem esposa... A Jaynet é minha!

— Eu não sou de ninguém — Gritei. — Você não ouviu nada do que eu disse? Eu te odeio..

— Hugo .. — Roosevelt esfregou as têmporas. — Só sai daqui por favor, só por uns minutos, depois que ela se acalmar você retorna.

Hugo não fez nem menção de se mover. Roosevelt o ignorou e estendendo as mãos pro alto, caminhou devagar na minha direção. Mas eu não queria ouvir nada, não queria me acalmar coisa nenhuma, eu só queria sair dali, de perto dos dois. Tentei me desmaterializar entretanto meus pés pareciam pregados ao chão. Estava nervosa demais para isso.

Me abracei e fechei os olhos com força desejando um milagre que me tirasse dali. Então ouvi um estrondo forte e tornei a abri-los.

Uma pedra havia enorme havia sido arremessada contra a janela atrás de mim, quebrando as tábuas que estavam pregadas e o resto do vidro. Meu susto foi tão grande que me abaixei com medo, tentando me proteger dos destroços, esquecendo completamente que eu não poderia ser atingida. Tão logo os cacos de vidro chegaram ao chão um corpo chegou junto com eles. Um corpo de um mediador muito sexy e furioso.

— Christian!!!

Chris encarou Roosevelt e Hugo com cara de poucos amigos e se meteu na minha frente de braços abertos, como um escudo, meu escudo. Abracei suas costas com força e apoiei meu queixo em seu ombro. Ele olhou para trás de soslaio.

— Jaynet o que está acontecendo? Lá fora dá pra ouvir seus gritos.

Apertei ele com mais força. Ele suspirou.

— Só me tira daqui por favor.

— Jaynet, não vai embora assim.. — Roosevelt tentou se aproximar de mim, ele não estava com medo de Christian. — Não quero que vá embora pensando essas coisas de mim!

— Se afasta Roosevelt, ou eu quebro sua cara e te exorcizo aqui e agora. — Chris praticamente rosnou me puxando pelo braço. Fitou meu motorista com desdém. — Eu não te conheço, mas isso vale para você também. Vale para todos que se meterem com a minha... Amiga.

Christian me arrastou pelo braço e Roosevelt abriu caminho me lançando um olhar triste. Hugo fitou Christian num misto de raiva e medo. Nós refizemos o caminho que eu havia feito mais cedo de livre e espontânea vontade, agora com ele praticamente me arrastando. Quando passamos pelo portão de entrada meu braço já estava sentindo pontadas de dor. Se eu estivesse viva provavelmente já estaria com um grande hematoma roxo.

— Meu braço Chris, está me machucando! — Reclamei.

— Como se você pudesse se machucar.

— Mas... minha alma se lembra da dor, é como se você estivesse me apertando de verdade.

Ele afrouxou a mão mas continuo me puxando em direção ao sua Ferrari. Olhei em volta em busca de Jason mas ele não estava em parte nenhuma.

— Eu mandei ele ir embora e falei que ficaria te esperando. — Disse abrindo a porta e me empurrando para dentro. — Sorte ele não ter ouvido seus gritos histéricos, já imaginou o que ia acontecer?

Não respondi, nem precisaria responder. Imagens de Jason destruindo a mansão inteira me vieram a mente, pondo a segurança do quarteirão todo em risco, foi bom ele ter ido embora. Chris deu a volta e entrou no carro, acionou a partida e acelerou sem nem me dirigir o olhar. Pensei que nós iriamos para casa mas ele pagou uma saída de Londres e seguiu dirigindo que nem um louco. Apertava tanto o volante que os nós dos dedos estavam brancos. Fitei o painel e me espantei ao perceber que marcava mais do que 300k/h. E claro, estava acostumada com meu pai, mas o Christian nunca tinha dirigido tão rápido assim.

Fiquei com medo, com muito medo. Não por mim, mas por ele.

— Christian, vai mais devagar por favor. — Sussurrei.

— Não enche! — Ele gargalhou completamente azedo. — O que pode te acontecer? Se liga Jaynet, você já está morta.

— Mas você não está...

Sussurrei, me encolhendo no banco. Estava ficando triste com as suas palavras.

— Talvez eu devesse estar, assim a gente ficava juntos e você não se envolvia com outro homem!

Christian ligou o radio e estava tocando “I’m a Wanted man” do Royal Deluxe. Nós dois ficamos muito tempo em silêncio, ambos perdidos em pensamentos. Fiquei pensando no que ele tinha dito, enquanto observava as árvores tomarem os lugares das casas e construções e a estrada se tornando cada vez mais deserta. Até que ele desviou para uma estrada de terra e começou a subir um penhasco.

Lá em cima no fim da estrada havia somente uma casinha pequena e uma arvore, bem na beira. Ele estacionou próximo a casa.

— Eu falei pra você não ir lá sem mim, que era perigoso. — Suspirou, abrindo a porta para mim. — Mas você quis ir atrás daquele cara...

— Eu queria saber o que ele tinha para me falar, eu não ia sossegar, você sabe como eu sou... E você não gosta dele, quis evitar uma situação desagradável.

— Espero que tenha valido a pena, a conversa e o beijo. — Respondeu com desdém. — Eu vocês se agarrando, que nojo... — Ele tocou meu braço, ficando mais sério agora. — E quem era aquele cara com roupa de motorista? Outro amante seu?

— O nome dele é hugo.. — Estremeci baixando a voz. — Por causa dele eu estou morta.

Christian me abraçou, acariciando meus cabelos. Ele apoiou o queixo no topo da minha cabeça e eu deitei ela em seu peito sentindo seu perfume tão reconfortante e acolhedor.

— Me desculpa Jaynet, pelas coisas que eu falei no carro sobre você estar morta, eu estava com raiva... e com ciúmes... mas isso não justifica, fui muito cruel... Se você precisar conversar sobre qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu estou aqui por você.

Então eu desabei nos braços dele e contei tudo; Contei da mulher que morreu no acidente, de como ela estava desorientada e triste. Contei todos os detalhes da minha morte; Hugo enrolando pra ir pra casa, contei dos empregados mortos, de como eles me fizeram revirar cada pedaço em busca de algo que eu não tinha ideia do que fosse, e do Ricardo tentando me estuprar no final. Contei dos dias que passei tentando chamar a atenção dos meus pais após minha morte, e dos anos que passei sozinha na casa antes deles chegarem. Contei que meu pai tinha guardado meu corpo e não vivia mais a vida dele, tentando me reviver.

Foi uma avalanche de informações e problemas sobre ele, eu sei. Mas estava tão cansada de guardar aquilo pra mim, foi tão reconfortante dividir com alguém. Já era difícil querer chorar esses anos todos e não conseguir. Pelo menos agora eu tinha a quem desabafar. Me apertei mais em seus braços com a garganta e os olhos ardendo.

Durante todo o tempo em que eu falei, Christian permaneceu imóvel. Comecei a duvidar que ele estivesse realmente prestando atenção mas ouvi um soluço. Depois outro.

Ele estava chorando? Fitei seus rosto aflita. Ele estava. Só então percebi que eu estava tremendo muito nos braços dele, talvez isso e a história da minha vida o tivesse assustado.

— Está chorando? Por que? Está tudo bem comigo... é só que..

— Você quer chorar e não pode. — Ele completou com a voz embargada. — Então eu choro por você.

Ai socorro, eu não resisto a esse garoto!

Fitei seus lindos olhos verdes e o puxei bruscamente de encontro a mim, que correspondeu imediatamente colando os lábios nos meus com força. Senti tudo a minha volta girar enquanto nos beijávamos apaixonadamente, sentindo a vida dele preencher minha alma. Repetimos o beijo por incontáveis vezes. E quando nos afastamos ele ofegava e exibia cansaço. Estava visivelmente fraco, se apoiando no tronco da única arvore. Baixei a cabeça chateada.

— Estou sugando todas suas energias.

Tentei me desvencilhar dele nervosa, mas ele me apertou mais em seu abraço, me forçando a ficar onde estava. Christian segurou meu rosto me fazendo olhar para ele, sorrindo.

— Eu não ligo Jay, vale a pena.

— Mas eu ligo!

— Não deveria. — Fez uma carranca. — Não vamos fazer disso uma discursão. Faz muito tempo que não ficamos sozinhos! O Jason é um mala sem alça. Sério, ele não para de me perseguir, estou ficando com medo. Não lembro de ter convidado ele pro nosso time, que inconveniente, justo quando eu estava conquistando a garota.

Eu ri de seu comentário e ele tomou meus lábios novamente. Christian escorregou pelo tronco comigo nos braços e acabei deitada no meio das suas pernas, contemplando o por sol. Ficamos em silencio durante muito tempo, e quando a noite caiu e o encarei de novo ele dormia profundamente, o semblante exausto. Provavelmente estava sem energias, graças a mim.

Retirei seu braço de minha volta com cuidado para não acordá-lo e me afastei de perto dele, observando-o a uma distância segura.

Essa era a principal diferença, como Roosevelt estava na mesma situação que eu, nós não esgotávamos um ao outro, é fácil ficar com ele, tão fácil que chega a ser tentador. Contudo eu não sentia nada mais que atração por ele. Já o Christian, tem como grande vantagem (ou desvantagem) o fato de eu amá-lo, embora ele não saiba disso. E por conta disso mesmo sem querer eu estava roubando a vida dele, além de sugar suas energias eu ainda o impedia de ter uma vida normal. Impedia ele de ter sentimentos por alguém que estivesse interessada nele, de namorar, casar e ter filhos pois estava alimentando algo impossível.

Bufei, eu nunca havia ficado indecisa quando viva, desde os treze anos era sempre o bom e velho Brad. O capitão do time de bom coração, estereótipo dos filmes dos Estados Unidos, o único que eu sempre falhava ao tentar ensinar ciências, o cara que queria me levar pra cama a todo custo, o meu acompanhante das festas. Com ele era tudo muito certo, preto no branco. Sentia muita falta disso.

— Jaynet? Pensando em que? Em mim?

Fitei os olhos verdes de Christian na penumbra da madrugada. Ele havia acordado e deitado na grama agora apoiava a cabeça com o cotovelo. Parecia estar melhor.

— Não te interessa. — Ele riu — Nada demais, só algumas coisas...

— Tipo, tudo o que o Roosevelt te falou?

— Pode se dizer que sim.

— E você pode me dizer o que exatamente ele falou?

Contei tudo o que Roosevelt havia dito sobre os rituais e os Maias, e a parte em que Hugo chegou, escondendo toda a coisa do ouro e da proposta estranha que ele havia me feito. Se alguém confia em mim ao ponto de mostrar uma mina de ouro numa passagem secreta dentro de um escritório eu não ia quebrar essas confiança. Ele estudou meu rosto por um momento.

— Eu sei que você acha que o Roosevelt armou contra você, mas e se ele realmente não sabia que o Hugo tinha ligação com você?

Fitei ele estupefata, com a boca praticamente no chão.

— Está defendendo ele?

— Não de forma alguma, não vou com a cara dele. Mas e se ele não sabia? — Ele deu de ombros. — Não seria o caso de a gente estabelecer uma trégua e tentar fazer o que ele falou?

— Você quer dizer voltar lá?

— Não necessariamente, precisamos do ritual, logo precisamos dele. Mas podemos falar com ele num lugar neutro... O que eu mais quero é sua felicidade Jaynet, se isso quer dizer que eu tenho de me aliar a um assassino esquisito, que seja. — Ele tombou a cabeça para o lado, pensando. — Se o que ele falou é verdade então nós devemos tentar. Seria muito bom se a gente tivesse uma forma de confirmar tudo que ele disse...

Eu levantei num pulo, me sentindo radiante.

— Ai meu Deus, eu sei como!

Notas finais
E então gente o que acharam, está muito ruim? deixe seu comentário com sua opinião, critica ou sugestão, vou ficar muito feliz em saber.. Beijão e até o próximo!