Uma Estranha No Meu Quarto
20 Capítulo 20 - Dia Seguinte
Notas iniciais
Como é bom estar em casa!! Sentir o cheiro das rosas que minha mãe plantou e ninguém cuida, ouvir as empregadas resmungando da bagunça dos garotos, ver Christian jogado de qualquer jeito na cama só com a parte de baixo do smoking...
Deitei no chão do quarto, lembrando do nosso momento perfeito — Tá ok, quase perfeito.— no terraço da escola, e não pude conter um sorriso: Nossa dança... A sensação (incomoda e ao mesmo tempo maravilhosa) dele me tocando ecoa até agora. Seus lábios nos meus... tudo tão... Eu já disse perfeito? Sim, p-e-r-f-e-i-t-o, melhor baile de todos que eu já tive. Então aquela pentelha surgiu dos infernos e roubou ele de mim! Aquela vadiazinha infiel!!! A lâmpada do abajur estourou em resposta à minha raiva produzindo um estrondo pelo quarto.
Christian permaneceu dormindo. Ele tossiu baixinho, e eu fiquei observando seu peitoral subir e descer. Chegou tão exausto que sequer trocou de roupa.
O resto da noite deve ter sido bem interessante.
Pensar nos dois juntos se beijando logo depois que nos beijamos me deixa louca de ciúmes. Ela tocando o Christian, os dois fazendo sexo... Eu não o culpo, por que ele trocaria uma mulher de carne osso por um fantasma que nunca poderá estar realmente com ele. Alguém com quem ele tem que dançar escondido no terraço, alguém que suga suas energias quando o toca. Não sou burra, sei que não há qualquer futuro para nós. E isso parte meu coração. Não o de verdade, por que esse já até parou de bater.
— Jaynet? — Christian esfregou os olhos meio sonolento — Que bom que voltou! Senti tanto sua falta..— Ele se sentou e olhou para suas calças sorrindo — Droga caí no sono de smoking. Vou tomar um banho e podemos conversar, se você quiser.
Voltei por que eu sou doida masoquista.
Me sentei na beira da cama, fitando ele ir em direção ao banheiro. Eu não queria falar nada sobre a noite anterior, senão acabaria confessando meus sentimentos, confessando que mesmo sabendo que é impossível, mesmo combinando comigo mesma que seria apenas por uma noite ele havia alimentado uma esperança de a gente ter alguma coisa. Teria de falar do quanto eu o queria só para mim.
E eu ainda tinha que falar sobre a traição da vagabunda da Heather. Contar tudo que aquela ordinária aprontou antes de dormir com o corpo sujo de outro homem. Mas agora que ele já dormiu com ela, tudo ficou mais complicado. E ainda, ele meio que também traiu ela comigo, o que deixa a situação dos dois empatada, e não faz dele um cara melhor que ela.
E o que isso faz de mim? Uma amante fantasmagórica? Uma vagabunda como ela? Suspirei pegando um livro que eu havia começado a ler antes do Christian entrar de coma. Deitei na cama e comecei a folheá-lo tentando distrair minha cabeça.
Pelo canto do olho vi quando Christian saiu do banheiro cantarolando, com uma toalha pequena enrolada na cintura. Fiquei procurando secretamente alguma marca em seu corpo deixada pela Heather, algum arranhão, chupão, sei lá, qualquer indício da noite anterior. Ele assim que me viu, deu um grito e correu pro Closet.
— Me desculpa — Gritou por de trás da porta — Tem tanto tempo que você não fica aqui que me esqueci.
Sem problemas gatinho, pode andar o dia todo assim se quiser.
— Tudo bem. — Pigarreei — Vai chegar atrasado para a aula.
— Ai meu deus não, tenho prova!!! Estou quase repetindo— Ele saiu como um furacão já vestido. Olhou para minhas mãos — 50 tons de cinza de novo? O que você e todas mulheres do planeta veem nesse livro?
— Esse é do ponto de vista de Christian Grey. — Falei envergonhada.
— E qual a diferença? Não seria só mais uma artimanha para vender mais exemplares?
Eu dei de ombros. Não fui eu quem comprou mesmo, foi o dinheiro dele.
— Vem comigo para a escola, eu levo seu livro se quiser. — Chris pegou o livro da minha mão. — Ia ser muito estranho se ele flutuasse pelos corredores do colégio.
— Claro que vou, te sopro as respostas da prova se quiser.
Ele arqueou uma das sobrancelhas. E seguiu correndo apressado.
— Que foi? Sou uma patricinha nerd, tem algo contra?
Segui ele pelas escadas ao invés de flutuar. Num piscar de olhos estávamos no seu carro, ele pôs o cinto e girou a chave. Jogou meu livro e a mochila no banco de trás. Nós cortamos caminho e desviamos de algumas ruas congestionadas, até entrar numa via de trânsito rápido. O ponteiro da Ferrari marcava mais de 140km.
— Aqueles babacas nem me acordaram, cretinos.
— A noite deve ter sido boa para todos, até para você. — Disse querendo morder minha língua logo depois. — Vai devagar Christian!
— Deixa de besteira Jaynet, se a gente bater o que pode te acontecer, morrer? — Gargalhou.
Eu fiquei quieta e engoli em seco. Ele suspirou e diminuiu a velocidade, passando a mão pelo rosto.
— Me desculpa, foi horrível o que eu disse.
— Não você tem razão, estou morta. Mas você não. — Lembrei-o disfarçando minha tristeza — Me preocupo com você.
— Me desculpa Jaynet, tive uma noite horrível ontem. — Ele sorriu olhando para mim — Não toda ela, o início foi maravilhoso. Queria poder parar o tempo.
Eu devolvi o sorriso, virando o rosto para a janela. Precisava me distrair da vontade de beijá-lo e se eu tivesse sorte logo tudo entre nós dois voltaria ao normal. Fiquei o resto do trajeto pensando o que poderia ter acontecido de ruim com ele, talvez Heather tenha confessado sua traição.
— Chegamos.
Christian anunciou descendo do carro. Ele abriu a porta para mim mas pegou a mochila e o livro para disfarçar. A partir daí eu seria a sua assombração particular muda. Ele piscou para mim e começou a andar, eu ergui a cabeça e o segui lado a lado, relembrando o tempo em que eu estudava e fazia aquelas entradas triunfais de filmes.
— Já sei, não pode me responder a partir de agora, já fizemos isso antes lembra? Vai querer as respostas da sua prova ou não? — Ele negou discretamente com a cabeça. — Seu frouxo medroso.
Conforme avançávamos pelo gramado pude perceber olhares e sussurros indiscretos. Alguns jovens começaram a rir e apontar em nossa direção com celulares tirando fotos. Comecei a me sentir muito desconfortável, esses anos que passei invisível me desacostumaram a ser o foco das atenções. Atenções essas que não eram direcionadas a mim na verdade e sim ao Christian que caminhava ainda sem notar nada. Me afastei de e me aproximei de dois garotos que falavam um pouco mais alto, afim de saber o que estava acontecendo.
— Lá vem o brocha. — Um garoto falou pro outro rindo — Se eu conseguisse alguém como a Heather iria fazer ela gritar a noite inteira.
— Adoraria alguém como a Heather chupando meu pau, talvez ele seja gay.
— É ele é meio afeminado mesmo, mora com mais três rapazes. Deve dormir de conchinha com algum deles.
— Olha só o livro que ele está carregando — Um terceiro garoto falou se incluindo na conversa — Olha só, 50 tons de cinza, com certeza é gay. Muito gay.
Os rapazes gargalharam. Voltei para perto de Christian e segurei seu braço exigindo sua atenção, ele parou de andar rápido e me olhou com o cenho franzido.
— Estão falando de você pela escola toda, acho melhor a gente ir para casa.
— Como assim, do que você está falando? — Sussurrou entre dentes.
— Você fez alguma coisa com a Heather??
— Não, eu não fiz nada, eu... — Ele esfregou o rosto e sua face ficou ávida. — Puta que pariu, não acredito que ela é tão baixa!
Christian soltou meu braço do dele e correu para dentro do colégio, recebendo chacotas por onde quer que passasse. Ele entrou na sua sala de aula como um furacão e segurou Heather pelo cotovelo que antes ria alegremente rodeada de amigas.
— Não sabe aceitar que eu terminei com você de forma íntegra tem que sair inventando merda por ai?! Você é muito baixa Heather estou decepcionado.
— Larga meu braço Christian, está me machucando! — Ela contorceu o rosto numa careta. As outras meninas se encolheram de medo. — Você que não sabe aceitar que você broxou e EU terminei com você, ao que parece sou eu quem tenho de ficar decepcionada não acha? — Falou rindo.
As garotas da roda começaram a gargalhar. Christian permaneceu sério, sua expressão endureceu e a Heather deu um passo para trás. Eu me senti sobrando assistindo algo tão pessoal do relacionamento deles, mas não conseguia parar de assistir.
— Eu já passei por isso antes Heather foi, o motivo de eu ter vindo parar nessa escola, mas eu não vou fugir de novo, e presta atenção que eu só vou falar um vez: Não me dirija mais a palavra nunca mais, se você entrar no meu caminho de novo vou destruir cada pedaço de sua vidinha patética de aparências, você entendeu sua metida escrota?
— Claro. — Ela riu debochada. — Será um prazer.
Christian saiu andando com muita dignidade, ele entrou no banheiro masculino e se trancou. Não existem tranca que me pare claro, então eu ultrapassei a porta com facilidade e o encontrei sentado no chão. Ele não estava chorando, mas estava distante, pensativo. Me sentei ao seu lado e toquei seu cotovelo, ele me fitou e deu de ombros.
— O que quer saber Jaynet?
— Me conta o que aconteceu? Por que ela está espalhando essas coisas?
— Você convivia com tipos como ela todo dia, não faz mesmo ideia?
Eu fiquei pensando por um tempo, ele tinha razão, Heather teria sido uma das minhas amigas se fosse viva, eu seria uma das que riram com ela, agora eu me sentia nojenta. Meio relutante disse:
— Terminou com ela? Por que?
— Como por que Jaynet? — Esfregou o cabelo frustrado. — Queria que eu dormisse com ela logo depois de ter beijado você? Que tipo de canalha você pensa que eu sou?
— Você terminou com ela por minha causa?! — Espalmei a mão no peito chocada. — Não pode!
— Eu deveria ter dormido com ela então? — Assenti com a cabeça. — Jaynet!!! Meu Deus!!!
Alisei o tecido da minha saia procurando uma saída. Cada pedaço da minha alma sentia felicidade por ele não ter dormido com ela, mas... eu não queria que fosse por minha causa, não queria que ele anulasse sua vida por causa de um sonho que nunca pode se concretizar. Quantas mais ele rejeitaria? É notável que ele sente algo forte por mim, assim como eu sinto por ele mas, se eu alimentar isso até onde ele irá? Pensei em Christian morrendo sozinho, sem filhos, sem esposa, enquanto eu permanecia a mesma e fiquei horrorizada. Engoli em seco antes de dizer, com muita relutância.
— Deveria sim, nós só ficamos não foi nada demais.
— Não foi nada demais?!! — Bagunçou o cabelo exasperado e me segurou pelos pulsos — Qual é Jaynet! Como pode dizer isso? Foi tudo para mim, foi incrível. Não posso dormir com uma mulher pensando em outra, pensando em você.
— Você levou isso a sério demais. — Sacudi a cabeça, desviando os olhos dele. E dei uma risada, fingindo que eu não sentia o mesmo — Não temos um futuro você está vivo, você sabe disso não é? Fala sério, acorda Christian!
— Diz que não foi nada olhando nos meus olhos Jaynet.
— Não foi nada. — Disse, olhando nos olhos dele, torcendo para que ele acreditasse.
Ele aproximou o rosto do meu e eu não pude evitar de olhar para sua boca. Sendo fantasma eu não respiro, contudo senti a respiração acelerada dele no meu rosto como se fosse minha própria. Lutei com todas minhas forças para me afastar, mas me vi segurando seu cabelo e o puxando mais para perto. Ele me deitou no chão e acariciou meu rosto, mordendo meu lábio inferior e eu contive um gemido. Ter seus lábios no meu era uma sensação tão avassaladora, que quase me fazia sentir viva. Mas eu não estou. Empurrei ele determinada.
— Não quero mais isso, quero que voltemos a ser amigos.
— Por que? — Ele piscou — Jaynet não tem como voltarmos ao que éramos, isso é impossível e eu não quero.
— Tem sim, tem que ter. — Senti minha garganta fechar de desespero — Ou é assim ou eu sumo de novo.
Alguém bateu na porta do banheiro logo reconheci a voz de Nick e Michael.
— Precisamos conversar sobre isso mais tarde Jay — Sussurrou, enquanto destrancava o banheiro.
Eu pensei em desaparecer, deixar eles conversarem em sua privacidade, afinal eu nem deveria estar no banheiro masculino, mas os dois pareciam tão sérios que me chamou atenção. Kevin entrou logo em seguida também sério, ele balançou a cabeça e arregalou os olhos, mas permaneceu em silêncio mais recuado. Achei a atitude dele um tanto estranha mas também permaneci quieta no chão ouvindo.
— Então Chris, qual é o plano? — Michael encostou na pia — Podemos trocar de escola de novo.
— É a gente não se importa — Nick sorriu — Mas se você tem algum problema pode falar pra gente.
— Problema?... — Christian piscou.
— É cara, problema.... humm.... você sabe, não é a primeira mulher que te acusa de impotência sexual, sua ex-namorada infernizou tanto sua vida que tivemos que vir pra cá. Talvez você tenha algum problema, no... você sabe..
— Seja o que for, se você não fizer alguma coisa vai acontecer o mesmo da outra escola — Michael deu de ombros — Tem que transar com ela, porra. Só uns 5 minutos para ela calar a boca, mete bem fundo na goela daquela desgraçada. A gente pode ter arrumar alguns remédios pro seu problema.
— Não, não tenho, não sou obrigado a dormir com ela para provar nada, deixe que falem o que quiser, e não vou deixar a escola — Christian respondeu perplexo — E não tenho nenhum problema no pau também, obrigada.
— Gente olha o palavreado!!!
Kevin falou branco como papel, as sobrancelhas enrugadas, fitando diretamente a mim. Me lembrei da festa, dele falando bêbado que quase podia me ver. Bom, ele claramente está me vendo agora.
— Você pode me ver agora não é Kevin.
— Sim.
— Sim o que Kevin? — Nick o fitou.
— Nada, estou pensando alto. Olha talvez o Christian devesse ir só contar o diretor, talvez as coisas se acalmassem.
— Em que mundo de porra e unicórnios você vive Kevin? — Nick bateu na cabeça dele.
Christian dividia seu olhar conturbado entre mim e Kevin e eu me levantei do chão, suspirando e saindo do banheiro. Eu não podia permitir que a Heather saísse por cima, tinha de fazer alguma coisa por ele...
Então uma ideia maligna me surgiu.
Flutuei três andares chão abaixo, andei por alguns corredores até parar na porta em que eu queria. Se eu fosse viva precisaria de um nerd com um plano doido, algum bombado com um maçarico para quebrar todos cadeados, e algumas horas de distração. Mas agora devido as circunstâncias era fácil-fácil, em segundos eu estava dentro de uma das salas mais protegidas do colégio. Eu nunca havia conseguido entrar ali antes então fiquei boquiaberta.
A sala era relativamente simples, uma espécie de achados e perdidos com central de segurança, nada mais além de uns ventiladores, filmagens, uma escada e diversas prateleiras, porém repleta de coisas que o diretor apreendeu. Objetos de todas as épocas de todos estudantes ficavam alí estocados em caixas, devidamente catalogadas por ano e turma. Qualquer um mataria para estar nessa sala, era o paraíso dos estudantes. Eu não me contive e abri uma caixa, a mais próxima que eu achei, nela haviam coisas muito antigas; objetos grossos com antenas e visores, parecendo celulares porém enormes e pesados, alguns toca cds com fone de ouvido, e outros ainda mais antigos reproduziam o áudio de fitas. Eu nem me lembrava mais desse tipo de tecnologia, fiquei boquiaberta ao lembrar que eu mesma já havia tido alguns daqueles aparelhos.
Estava ouvindo uma fita do Metallica quando enfim avistei lá no alto a caixa que eu queria. Eu flutuei até ela e a puxei com meu poder fantasmagórico de “telecinése” com dificuldade até que ela finalmente caiu no chão. Rasguei o lacre e comecei a procurar o que eu queria, até que enfim avistei o brilho de uma capa rosada, cheia de pedrarias. Eu sorri ao ter meu Iphone 4 de novo em minhas mãos. O diretor havia tomado há muitos anos mas permanecia novo, tateei as caixas em busca de um carregador e o coloquei na tomada. Segurei o botão de power fechando os olhos
Liga, por favor meu bebê.
Para minha sorte o aparelho ainda funcionava, dei de cara com uma foto minha e das minhas amigas como papel de parede e tive que controlar minhas emoções. Nós estávamos rindo na mesa de um restaurante, foi um dia muito feliz. Não me contive e abri o aplicativo de fotos. A maioria eram fotos minha e do Brad, meu namorado capitão do time de futebol. Sim, clichê do cacete, mas minha vida era assim, de garotinha perfeita, eu tinha tudo. Me perguntei saudosa se eles estão bem, se estão se divertindo na faculdade. Talvez Brad tenha virado um atleta, ou tenha mudado completamente, assumido a empresa do pai, arrumado uma esposa. Eu me enchi de curiosidade. Então uma foto me chamou a atenção, senti uma onda de tristeza me invadir.
Era uma foto minha e dos meus pais no dia em que fomos patinar no gelo. Meu pai parecia bem relaxado, diferente do homem de negócios habitual e minha mãe me abraçava com muito amor, beijando meu cabelo. Eu quis chorar imediatamente mas as lágrimas não vieram. Fantasmas não choram.
Fechei o aplicativo tentando focar na minha missão. Abri o Facebook e digitei meu login e senha, logo minha página inicial apareceu na tela. Ignorei as mensagens de pêsames e saudades do meu mural e fui direto nos grupos, selecionei o grupo da escola, por sorte ainda fazia parte dele. Parte do plano estava concluído.
Fui até a única mesa que havia no cômodo e liguei o computador de mesa. Me sentindo James Bond abri o programa de filmagens e digitei a data de ontem, passeei por várias câmeras até achar a filmagem da que eu queria. A imagem de Heather e seu ex namorado se pegando preencheu toda a tela, congelei em uma parte bem indecente e bati uma foto com meu Iphone, anexando a imagem no grupo da escola com os dizeres:
Santa ou piranha? A verdade sobre Heather e o baile.
Não satisfeita fiz um panfleto e imprimi várias cópias, como antigamente. Guardei meu celular na caixa com certa tristeza e passei os panfletos por baixo da porta, depois subi até o terraço da escola. Estremeci ao lembrar que estive lá no dia anterior. Fui até a beirada e atirei os panfletos.
Os adolescentes correram atrás dos papéis como se fossem notas de dinheiro. Eles cobriram o gramado e a notícia da traição de Heather se espalhou como pólvora.
Taquei mesmo merda no ventilador. Sou dessas.
— Estou de volta, “Bitchies”.
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